{"id":47314,"date":"2010-09-21T16:47:05","date_gmt":"2010-09-21T16:47:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/21\/grupos-vulneraveis-na-prisao\/"},"modified":"2010-09-21T16:47:05","modified_gmt":"2010-09-21T16:47:05","slug":"grupos-vulneraveis-na-prisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/grupos-vulneraveis-na-prisao\/","title":{"rendered":"Grupos vulner\u00e1veis na pris\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Num Congresso Nacional da Pastoral Penitenci&aacute;ria de Espanha, os participantes tiveram oportunidade de reflectir e tomar consci&ecirc;ncia da realidade penal e das medidas privativas de liberdade por que passam as pessoas mais fr&aacute;geis, repensar o sistema penal e fazer sugest&otilde;es para uma maior humaniza&ccedil;&atilde;o em todo o sistema, no que seja aplic&aacute;vel a este tipo de pessoas.<\/p>\n<p>Trata-se, efectivamente, de uma forte e urgente tomada de consci&ecirc;ncia, pessoal e colectiva, sobre o tratamento que se d&aacute;, e em que se pode mudar o modelo do mesmo sistema, para que estas pessoas e as suas v&iacute;timas possam ter respostas humanizantes e curativas, restauradoras.<\/p>\n<p>Os grupos subjacentes &agrave; tem&aacute;tica do Congresso s&atilde;o, em especial, os Doentes Mentais, os Idosos, as M&atilde;es com Filhos na Pris&atilde;o, as Pessoas Portadoras de Defici&ecirc;ncia F&iacute;sica, os Estrangeiros e os Menores Internados.<\/p>\n<p>Estas pessoas, suscept&iacute;veis de cometer il&iacute;citos, como todas as outras, apresentam, todavia, campos de tratamento muito especial, aplic&aacute;veis a cada pessoa em quest&atilde;o; &eacute; f&aacute;cil de perceber que, para casos especiais, tratamentos especiais; justi&ccedil;a &eacute; dar, ou tratar cada pessoa segundo aquilo que ela &eacute; ou faz; aplicar medidas privativas de liberdade, ou outras, &eacute; ter presente a pessoa e as circunst&acirc;ncias que as tornam &uacute;nicas e irrepet&iacute;veis.<\/p>\n<p>Sabemos que h&aacute; doentes mentais com um historial de agressividade, por vezes grave e dif&iacute;cil de controlar; ficar &agrave; espera que eles cometam crimes para, de seguida, ficarmos sem saber o que lhes fazer &ndash; a eles e &agrave;s suas v&iacute;timas &ndash; &eacute; muito grave e, por vezes com situa&ccedil;&otilde;es de irremedi&aacute;veis efeitos. E pergunta-se: como &eacute; poss&iacute;vel que um bom n&uacute;mero deles tenha entrado numa Pris&atilde;o, sem nunca lhes ter sido diagnosticado nem tratado previamente a sua doen&ccedil;a mental? Considerar a verdadeira natureza da causa dos delitos que afectam estes grupos vulner&aacute;veis em geral, permitiria reduzir os danos provocados pelos mesmos, prevenir o envolvimento de v&iacute;timas e minimizar o uso da pris&atilde;o, em favor de medidas terap&ecirc;uticas, n&atilde;o s&oacute; mais adequadas, mas tamb&eacute;m mais seguras; tamb&eacute;m aqui se deve falar em Preven&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p>Em Espanha tamb&eacute;m h&aacute; pessoas muito idosas, m&atilde;es com filhos nas Pris&otilde;es, pessoas portadoras de defici&ecirc;ncias f&iacute;sicas v&aacute;rias, a cumprir penas, com medidas privativas de liberdade, isto &eacute;, em pris&atilde;o. Talvez nem todas devessem estar nas Cadeias: quem sabe se outras medidas, com m&eacute;todos de controlo e de limita&ccedil;&atilde;o da liberdade, lhes possibilitariam uma maior qualidade de vida, desde que assegurassem &agrave; Sociedade o direito a uma maior e mais segura conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica. Ainda n&atilde;o se esgotaram a criatividade nem a coragem para encontrar outras modalidades seguras, para a execu&ccedil;&atilde;o das penas, nestes como noutros casos&hellip;<\/p>\n<p>Os Estrangeiros, pela sua especial vulnerabilidade e fragilidade, em muitos campos da sua vida, ficam muitas vezes expostos a circunst&acirc;ncias facilitadoras da pr&aacute;tica de il&iacute;citos.<\/p>\n<p>&Eacute; preocupante o n&uacute;mero, sempre crescente, de estrangeiros nas nossas Pis&otilde;es. As dist&acirc;ncias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Fam&iacute;lia, o desconhecimento da l&iacute;ngua e da legisla&ccedil;&atilde;o aplic&aacute;vel, a possibilidade de pensar e programar o futuro, s&atilde;o dificuldades reais, a juntar &agrave; medida da priva&ccedil;&atilde;o de liberdade, em pa&iacute;s estrangeiro! Tamb&eacute;m aqui &eacute; urgente mudar e adaptar a legisla&ccedil;&atilde;o internacional, para agilizar o cumprimento das penas nos pa&iacute;ses de origem, quando essa fosse a vontade dos r&eacute;us em causa; &eacute; urgente a prepara&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica de funcion&aacute;rios e int&eacute;rpretes, dispon&iacute;veis em todas as fases do processo, mesmo durante a execu&ccedil;&atilde;o da pena, sempre! Ainda n&atilde;o fizemos tudo para garantir a protec&ccedil;&atilde;o dos direitos dos <em>outros&hellip;dos diferentes&hellip; <\/em><\/p>\n<p>No Pa&iacute;s vizinho, num total de cerca de 76.800 presos, quase 16.000 s&atilde;o menores, sujeitos a medidas judiciais, com idades compreendidos entre os 14 e os 17 anos! A Igreja tem respostas de boa presen&ccedil;a junto destes Centros de Deten&ccedil;&atilde;o, procurando acompanhar o crescimento para a vida, ajudando a preparar o futuro.<\/p>\n<p>Na Declara&ccedil;&atilde;o Final do Congresso, realizado em Madrid nos dias 10-12 de Setembro, foi afirmado que &ldquo; a Pastoral de Justi&ccedil;a e Liberdade &#8211; Pastoral Penitenci&aacute;ria &#8211; proclama o seu compromisso para com as pessoas privadas de liberdade, por qualquer motivo; nenhuma delas est&aacute; irremediavelmente perdida&hellip;&rdquo;. &ldquo;Particularmente expressamos a nossa ades&atilde;o aos postulados da Justi&ccedil;a Restaurativa ou Reconciliadora. &Agrave; luz da Doutrina Social da Igreja, optamos por um modelo de justi&ccedil;a que proteja de maneira efectiva a v&iacute;tima, que responsabilize o infractor e que devolva a paz social, minimizando o uso de meios coercivos ou violentos. Apostamos em todas as formas de media&ccedil;&atilde;o penal comunit&aacute;ria, como um modo de atender efectivamente &agrave;s necessidades reais das pessoas afectadas pelo delito&rdquo;.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m nas Pris&otilde;es de Portugal existem pessoas destes grupos vulner&aacute;veis: temos mais de 150 reclusos inimput&aacute;veis, internados em Estabelecimentos Psiqui&aacute;tricos n&atilde;o Prisionais; cerca de 2350 estrangeiros &#8211; mais de 20% do total de Reclusos; um total de 612 mulheres, algumas das quais com filhos menores com elas, na Pris&atilde;o; idosos &ndash; s&atilde;o 379 com mais de 60 anos &#8211; ,e pessoas portadoras de defici&ecirc;ncias v&aacute;rias; temos Menores, uns em Centros Educativos e outros em meio Prisional; estes, nunca com menos de 16 anos: com idades entre os 16 e os 18 anos est&atilde;o detidos cerca de 90.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia de Espanha, no sector da Pastoral Penitenci&aacute;ria, faz-nos despertar para o muito que ainda nos resta fazer, no sector desta Pastoral t&atilde;o espec&iacute;fica. O nosso esfor&ccedil;o, de muita urg&ecirc;ncia, &eacute; estar nos Estabelecimentos Prisionais, com Capel&atilde;es e Colaboradores Volunt&aacute;rios, numa ac&ccedil;&atilde;o directa com os Reclusos; e criar ou revitalizar, em todas as Dioceses, um Departamento da Pastoral Penitenciaria, que dinamize e desenvolva a consci&ecirc;ncia das Comunidades, no sentido de se fazer a Preven&ccedil;&atilde;o do crime, a Reinser&ccedil;&atilde;o social dos reclusos, e de dar a aten&ccedil;&atilde;o devida e urgente &agrave;s v&iacute;timas dos crimes, e &agrave;s Fam&iacute;lias de Reclusos e v&iacute;timas.<\/p>\n<p>&Eacute; por aqui que estamos lan&ccedil;ando as nossas maiores preocupa&ccedil;&otilde;es e esfor&ccedil;os, para que a Sociedade, as Leis e o Sistema Penitenci&aacute;rio sejam, sempre e cada vez mais, humanizados e humanizantes. Para o bem de todos!<\/p>\n<p>Aveiro, 19 de Setembro de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>P. Jo&atilde;o Gon&ccedil;alves<\/em><em>, Coordenador Nacional da Pastoral Penitenci&aacute;ria<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num Congresso Nacional da Pastoral Penitenci&aacute;ria de Espanha, os participantes tiveram oportunidade de reflectir e tomar consci&ecirc;ncia da realidade penal e das medidas privativas de liberdade por que passam as pessoas mais fr&aacute;geis, repensar o sistema penal e fazer sugest&otilde;es para uma maior humaniza&ccedil;&atilde;o em todo o sistema, no que seja aplic&aacute;vel a este tipo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[170],"class_list":["post-47314","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-aveiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47314"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47314\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}