{"id":47242,"date":"2010-09-18T11:54:15","date_gmt":"2010-09-18T11:54:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/18\/beja-revela-pedras-preciosas-do-tesouro-de-nossa-senhora-dos-prazeres\/"},"modified":"2010-09-18T11:54:15","modified_gmt":"2010-09-18T11:54:15","slug":"beja-revela-pedras-preciosas-do-tesouro-de-nossa-senhora-dos-prazeres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/beja-revela-pedras-preciosas-do-tesouro-de-nossa-senhora-dos-prazeres\/","title":{"rendered":"Beja revela pedras preciosas do Tesouro de Nossa Senhora dos Prazeres"},"content":{"rendered":"<p>Obra-prima do Barroco nacional, a igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em Beja, acolhe &ldquo;Esplendores do Barroco&rdquo;, uma iniciativa de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, inclu&iacute;da no projecto Geologia no Ver&atilde;o, que se centra na an&aacute;lise das gemas &ndash; pedras preciosas ou semipreciosas &ndash; aplicadas na arte sacra. Esta actividade ter&aacute; lugar a 18 de Setembro, pelas 16 horas, e tem acesso livre. &Eacute; organizada pelo Departamento do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico da Diocese de Beja, em parceria com o Museu Nacional de Hist&oacute;ria Natural (Universidade de Lisboa) e a C&acirc;mara Municipal de Beja.<\/p>\n<p>Sob a orienta&ccedil;&atilde;o do gem&oacute;logo Rui Galopim de Carvalho, &ldquo;executive liaison ambassador&rdquo; da ICA (International Colored Gemstone Association), quem se deslocar nesta tarde &agrave; igreja dos Prazeres poder&aacute; conhecer, de perto, os segredos dos diamantes, rubis, crisoberilos, ametistas e outras pedrarias das colec&ccedil;&otilde;es do Museu Episcopal de Beja, em que se incluem diversas j&oacute;ias pertencentes &agrave; imagem da padroeira do templo, muito venerada em Beja.<\/p>\n<p>A sess&atilde;o prev&ecirc; tamb&eacute;m que os visitantes tragam de casa pe&ccedil;as sobre cujas pedras queiram saber mais para que, num laborat&oacute;rio m&oacute;vel instalado na igreja, Galopim de Carvalho proceda &agrave; sua an&aacute;lise, procedendo &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o das suas gemas quanto aos pa&iacute;ses de origem, antiguidade, estado de conserva&ccedil;&atilde;o e valor patrimonial. Presta-se assim gratuitamente, no &acirc;mbito do Programa Ci&ecirc;ncia Viva, um servi&ccedil;o que costuma ser pago a bom pre&ccedil;o.<\/p>\n<p>Os monumentos religiosos e os esp&oacute;lios neles contidos, quase sempre o resultado do trabalho e da generosidade de muitas gera&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o possuem apenas um interesse cultural, hist&oacute;rico ou art&iacute;stico. Na verdade, constituem tamb&eacute;m um reposit&oacute;rio de elementos de grande alcance cient&iacute;fico, podendo inclusivamente ajudar a esclarecer mist&eacute;rios que intrigam os especialistas das ci&ecirc;ncias exactas e naturais, como a Geologia, e d&atilde;o contributos significativos do ponto de vista da investiga&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Chamar a aten&ccedil;&atilde;o para um manancial que vemos ou pisamos todos os dias, mas que n&atilde;o conhecemos suficientemente, &eacute; o mote do projecto em curso.<\/p>\n<p>Da&iacute; o entusiasmo suscitado por ac&ccedil;&otilde;es, como as propostas pela Ag&ecirc;ncia Ci&ecirc;ncia Viva, do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Ensino Superior, que se destinam a estabelecer la&ccedil;os entre o patrim&oacute;nio, as comunidades e a pr&aacute;tica cient&iacute;fica. No que diz respeito ao Baixo Alentejo, as v&aacute;rias igrejas da diocese de Beja que t&ecirc;m sido alvo de encontros com cientistas e tecn&oacute;logos registaram sempre &ldquo;casa cheia&rdquo;. Isto revela a import&acirc;ncia de se rasgarem novas perspectivas na leitura de um patrim&oacute;nio cujo potencial se estende muito para al&eacute;m dos horizontes da arte sacra.<\/p>\n<p><strong>No cora&ccedil;&atilde;o da cidade<br \/><\/strong>A igreja de Nossa Senhora dos Prazeres ocupa um lugar especial no cora&ccedil;&atilde;o dos bejenses. &Eacute; proverbial a devo&ccedil;&atilde;o das gentes da cidade a Maria, consubstanciada por v&aacute;rios santu&aacute;rios sob a sua invoca&ccedil;&atilde;o que definem uma verdadeira &ldquo;geografia sagrada&rdquo;. Dois deles, Nossa Senhora ao P&eacute; da Cruz e Nossa Senhora dos Prazeres, estabelecem entre si uma rela&ccedil;&atilde;o muito especial: se o primeiro celebra a Morte de Cristo, aspectos muito enraizados na religiosidade alentejana, o segundo assinala a Ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o surpreende, pois, que a antiga Irmandade dos Prazeres se tenha esfor&ccedil;ado por erguer, na transi&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XVIII para o XIX, um templo de excepcional magnific&ecirc;ncia no interior, apesar da discri&ccedil;&atilde;o do seu aspecto exterior &ndash; outra caracter&iacute;stica da sensibilidade do Alentejo, reservar para &ldquo;dentro de casa&rdquo; o que &eacute; importante. Colaboraram nesta tarefa, que demorou quase cinquenta anos, os melhores artistas e art&iacute;fices dispon&iacute;veis em Portugal, desde os pintores Gabriel del Barco e Ant&oacute;nio de Oliveira Bernardes at&eacute; aos entalhadores Manuel Jo&atilde;o da Fonseca e Francisco da Silva.<\/p>\n<p>O conjunto de alfaias da igreja faz justi&ccedil;a a este empenho comunit&aacute;rio. Com efeito, a igreja possui um esp&oacute;lio digno de refer&ecirc;ncia, sobretudo no &acirc;mbito das artes decorativas. Das j&oacute;ias que outrora guarneceram a imagem de Nossa Senhora chegaram aos nossos dias, apesar de sucessivas delapida&ccedil;&otilde;es &ndash; sobretudo quando as tropas napole&oacute;nica invadiram a cidade &ndash;, pe&ccedil;as de not&aacute;vel interesse hist&oacute;rico-art&iacute;stico. E tamb&eacute;m cient&iacute;fico, como as investiga&ccedil;&otilde;es gemol&oacute;gicas de Rui Galopim de Carvalho vieram demonstrar, alargando conhecimentos acerca de aspectos muito relevantes, como a importa&ccedil;&atilde;o de gemas extra-europeias ou as t&eacute;cnicas de talhe, acabamento e engaste.<\/p>\n<p>Este mundo insuspeito alarga-se a outras pe&ccedil;as do Museu Episcopal, cont&iacute;guo ao templo. Aqui o protagonismo coube a quatro relic&aacute;rios em cristal-de-rocha, executados na corte dos sult&otilde;es fatimidas do Cairo (s&eacute;culos IX-X) como recipientes de unguentos, ditos &ldquo;kohl&rdquo;, destinados &agrave; cosm&eacute;tica, feminina e masculina. O mundo crist&atilde;o deixou-se fascinar pela beleza transcendente deste recept&aacute;culos e, omitindo a sua fun&ccedil;&atilde;o profana, apropriou-se deles, transformando-os em relic&aacute;rios. Ter&atilde;o sido trazidos para Beja por cavaleiros desta cidade que estiveram presentes nas duas &uacute;ltimas cruzadas na Terra Santa. S&atilde;o obras raras e de uma grande pureza mineral&oacute;gica, refor&ccedil;ando o papel do Baixo Alentejo no contexto da arte isl&acirc;mica.<\/p>\n<p><strong>Uma voca&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica<\/strong><br \/>Rui Galopim de Carvalho formou-se em Geologia na Universidade de Lisboa e especializou-se em Londres nas &aacute;reas da Gemologia e da Classifica&ccedil;&atilde;o de Diamantes. No nosso pa&iacute;s tem desenvolvido trabalho extenso de identifica&ccedil;&atilde;o e classifica&ccedil;&atilde;o gemol&oacute;gica, em colabora&ccedil;&atilde;o com museus p&uacute;blicos e privados e com a Igreja, associando-se a v&aacute;rios projectos de invent&aacute;rio, nomeadamente nas dioceses de Beja e &Eacute;vora.<\/p>\n<p>Autor de obras de refer&ecirc;ncia, desempenha as fun&ccedil;&otilde;es de editor de &ldquo;Portugal Gemas&rdquo;, revista digital de gemas e joalharia. &Eacute; colaborador de associa&ccedil;&otilde;es nacionais do sector da ourivesaria, nas &aacute;reas da forma&ccedil;&atilde;o gemol&oacute;gica, e lecciona m&oacute;dulos tem&aacute;ticos em diversas institui&ccedil;&otilde;es de ensino, nomeadamente a Universidade Cat&oacute;lica (Porto) e o Ar.Co (Lisboa). Desenvolve tamb&eacute;m actividade lectiva e de divulga&ccedil;&atilde;o gemol&oacute;gica no Brasil e em Mo&ccedil;ambique.<\/p>\n<p><em>Departamento do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico da Diocese de Beja<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obra-prima do Barroco nacional, a igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em Beja, acolhe &ldquo;Esplendores do Barroco&rdquo;, uma iniciativa de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, inclu&iacute;da no projecto Geologia no Ver&atilde;o, que se centra na an&aacute;lise das gemas &ndash; pedras preciosas ou semipreciosas &ndash; aplicadas na arte sacra. 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