{"id":47163,"date":"2010-09-14T13:05:19","date_gmt":"2010-09-14T13:05:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/14\/conferencia-de-d-carlos-azevedo-na-sessao-de-abertura-da-semana-da-pastoral-social\/"},"modified":"2010-09-14T13:05:19","modified_gmt":"2010-09-14T13:05:19","slug":"conferencia-de-d-carlos-azevedo-na-sessao-de-abertura-da-semana-da-pastoral-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-de-d-carlos-azevedo-na-sessao-de-abertura-da-semana-da-pastoral-social\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de D. Carlos Azevedo na sess\u00e3o de abertura da Semana da Pastoral Social"},"content":{"rendered":"<p>Abertura<\/p>\n<p>Sua Emin&ecirc;ncia cardeal Peter Turkson, Presidente do Conselho Pontif&iacute;cio Justi&ccedil;a e Paz<\/p>\n<p>Senhor D. Jorge Ortiga, Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa<\/p>\n<p>Senhores Bispos<\/p>\n<p>Ilustres oradores neste encontro<\/p>\n<p>Caros participantes<\/p>\n<p>Era fundamental, passado um ano da publica&ccedil;&atilde;o da enc&iacute;clica Caritas in veritate, aprofundar tantas orienta&ccedil;&otilde;es certeiras, acolher o questionamento acutilante do modelo de desenvolvimento que tem pautado a sociedade, seja na direc&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e na gest&atilde;o econ&oacute;mica, seja nos comportamentos pessoais de cidad&atilde;os. O modelo actual &eacute; injusto, indecente, desigual, desproporcionado e agrava a pobreza e a exclus&atilde;o social. Tem de ser revisto. H&aacute; uma cultura de individualismo possessivo e de satisfa&ccedil;&atilde;o exacerbada, a contrariar.<\/p>\n<p>Dedicar estas Jornadas de estudo e de partilha, de pessoas envolvidas na &aacute;rea da pastoral social, &agrave; reflex&atilde;o sobre as bases e as causas da grav&iacute;ssima crise social que atravessamos, pareceu &agrave; comiss&atilde;o Episcopal o mais necess&aacute;rio. N&atilde;o viemos fazer aut&oacute;psia do cad&aacute;ver dos processos econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos, mas olhar de modo novo, cr&iacute;tico e exigente para o mundo econ&oacute;mico e social.<\/p>\n<p>S&oacute; poderemos tra&ccedil;ar caminhos de futuro se nos detivermos a pensar em modelos humanistas. N&atilde;o s&atilde;o as pessoas que est&atilde;o ao servi&ccedil;o da economia, mas a economia ao servi&ccedil;o das pessoas e dos povos, ao servi&ccedil;o do bem comum sem deixar de lado os vulner&aacute;veis. O capitalismo fez muitas vezes da m&atilde;o-de-obra mera mercadoria.<\/p>\n<p>Teremos de ser os primeiros praticantes de um modelo nascido da l&oacute;gica do dom e marcado pela verdade. N&atilde;o vamos aqui dar recados ao Governo. Vamos, como comunidades crist&atilde;s livres, fazer da caridade uma dimens&atilde;o da nossa miss&atilde;o: anunciar o Reino e oferecer a gra&ccedil;a que salva todos os que querem acolh&ecirc;-la.<\/p>\n<p>Considero ultrapassada a fase de qualquer jogo pol&iacute;tico. N&atilde;o ganhamos nada com medidas legislativas que favore&ccedil;am os nossos valores se n&atilde;o recuperamos a dimens&atilde;o religiosa e n&atilde;o vencemos a crise de f&eacute;. Como se tem verificado, a seculariza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o baixa com pol&iacute;ticos de centro-direita. Os princ&iacute;pios morais t&ecirc;m de estar inscritos no cora&ccedil;&atilde;o das pessoas. Esse &eacute; o nosso trabalho pastoral. Somos chamados a reinventar o espa&ccedil;o p&uacute;blico como lugar de delibera&ccedil;&atilde;o e de di&aacute;logo em comum. N&atilde;o abdicaremos dessa interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, decorrente do modo crist&atilde;o de estar na sociedade.<\/p>\n<p>As organiza&ccedil;&otilde;es sociais n&atilde;o s&atilde;o meras ag&ecirc;ncias de servi&ccedil;os. T&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, pol&iacute;tica e relacional. Este Encontro servir&aacute; para reconhecer o que queremos ser, para repensar onde queremos ir. A desmoraliza&ccedil;&atilde;o da sociedade ganha terreno, no des&acirc;nimo de dirigentes e volunt&aacute;rios das organiza&ccedil;&otilde;es sociais. Aqui, estou certo, encontraremos energia &eacute;tica e c&iacute;vica, magn&acirc;nima e l&uacute;cida, para enfrentar o futuro, sem cair no mero pragmatismo das estat&iacute;sticas.<\/p>\n<p>Sabemos que as consequ&ecirc;ncias sociais da crise v&atilde;o continuar a afectar os mais pobres durante v&aacute;rios anos, de forma mais intensa. Estamos convencidos de que a sa&iacute;da da crise n&atilde;o a sustentaremos com os mesmos processos que a produziram.<\/p>\n<p>O corpo social est&aacute; seriamente atingido e ferido. Crescem: incerteza e inseguran&ccedil;a do emprego e ang&uacute;stia dos desempregados, afli&ccedil;&atilde;o dos pobres, a solid&atilde;o dos abandonados, sofrimento dos sup&eacute;rfluos. Nem o futebol, nem qualquer entretenimento podem dissimular a crise de valores e de sentido. A complexidade da situa&ccedil;&atilde;o desafia solu&ccedil;&otilde;es. Diante do predom&iacute;nio do &ldquo;salve-se quem puder&rdquo; h&aacute; que promover solu&ccedil;&otilde;es colectivas para problemas comuns.<\/p>\n<p>Estamos aqui reunidos porque queremos tomar encargo da realidade a partir dos outros, com infinita paix&atilde;o, com criatividade e com esperan&ccedil;a, centrados, inspirados e apoiados em Deus, como fundamento e sentido &uacute;ltimo dos nossos passos.<\/p>\n<p>D. Carlos Moreira Azevedo<br \/>Presidente da Comiss&atilde;o Episcopal de Pastoral Social<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abertura Sua Emin&ecirc;ncia cardeal Peter Turkson, Presidente do Conselho Pontif&iacute;cio Justi&ccedil;a e Paz Senhor D. 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