{"id":47156,"date":"2010-09-14T11:47:29","date_gmt":"2010-09-14T11:47:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/14\/republica-comunicacao-e-a-igreja\/"},"modified":"2010-09-14T11:47:29","modified_gmt":"2010-09-14T11:47:29","slug":"republica-comunicacao-e-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/republica-comunicacao-e-a-igreja\/","title":{"rendered":"Rep\u00fablica, Comunica\u00e7\u00e3o e a Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Ainda sem r&aacute;dio nem TV, h&aacute; cem anos as not&iacute;cias e as opini&otilde;es chegavam pelos jornais. Todos os partidos, movimentos e personalidades mantinham e criavam jornais para difundirem as suas ideias. Mas eram publica&ccedil;&otilde;es de pequena tiragem. &Eacute; que o enorme analfabetismo reduzia a uma estreita elite o n&uacute;mero dos leitores.<\/p>\n<p>Para a grande massa da popula&ccedil;&atilde;o, analfabeta e vivendo no campo, funcionava um outro e poderoso meio de comunica&ccedil;&atilde;o social: as homilias dos padres da Igreja cat&oacute;lica. Foi, ali&aacute;s, por recearem a influ&ecirc;ncia dos padres no povo ignorante (sobretudo nas mulheres) que os republicanos restringiram o direito de voto, concedido apenas a homens maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever.<\/p>\n<p><strong>A &#8220;m&aacute;quina&#8221; de comunica&ccedil;&atilde;o da Igreja<\/strong><br \/>Os dirigentes da I Rep&uacute;blica procuraram limitar a capacidade da Igreja para difundir ideias que julgavam delet&eacute;rias. Boa parte da hostilidade da Rep&uacute;blica aos cat&oacute;licos teve a ver com o receio da &#8220;m&aacute;quina&#8221; de comunica&ccedil;&atilde;o social que, a partir do p&uacute;lpito, a Igreja cat&oacute;lica possu&iacute;a. <br \/>Os pol&iacute;ticos republicanos usaram um outro meio para chegarem ao grande p&uacute;blico: os com&iacute;cios, onde se destacaram alguns oradores. Mas os com&iacute;cios eram fen&oacute;menos urbanos, concentrando-se em Lisboa e no Porto.<br \/>Entretanto, se existia teoricamente liberdade de Imprensa na I Rep&uacute;blica, na pr&aacute;tica eram correntes os assaltos a jornais, destruindo instala&ccedil;&otilde;es e equipamentos. Assim como houve frequentes suspens&otilde;es e proibi&ccedil;&otilde;es de jornais. As publica&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas contaram-se entre as que mais sofreram com estas viol&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><strong>Aprender com os erros<\/strong><br \/>Hoje ningu&eacute;m, dentro ou fora da Igreja, p&otilde;e em causa o princ&iacute;pio da separa&ccedil;&atilde;o entre o Estado e as confiss&otilde;es religiosas. Mas a verdadeira separa&ccedil;&atilde;o, em Portugal, aconteceu n&atilde;o tanto pela aplica&ccedil;&atilde;o da lei de 1911, como sobretudo gra&ccedil;as &agrave; reac&ccedil;&atilde;o dos bispos e padres a essa lei. &Eacute; que este diploma visava n&atilde;o tanto separar como controlar. Contra esse controlo por parte do Estado (tamb&eacute;m existente no tempo da monarquia, mas ent&atilde;o menos hostil) posicionou-se a Igreja, impedindo a concretiza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias disposi&ccedil;&otilde;es do diploma. <br \/>O conflito com a Igreja saiu caro &agrave; I Rep&uacute;blica. Foi uma das causas da queda do regime e da longa ditadura que se lhe seguiu. O erro foi compreendido e por isso, ap&oacute;s o 25 de Abril, os pol&iacute;ticos (como M&aacute;rio Soares) tiveram cuidado em n&atilde;o reacender querelas com a Igreja. Mais: pol&iacute;ticos e militares democr&aacute;ticos ajudaram a p&ocirc;r termo &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o da R&aacute;dio Renascen&ccedil;a por grupos de extrema-esquerda em 1975.<\/p>\n<p><strong>A Igreja nos &#8220;media&#8221;<\/strong><br \/>Se a Renascen&ccedil;a &eacute; uma r&aacute;dio cat&oacute;lica de sucesso, l&iacute;der de audi&ecirc;ncias em Portugal (ao contr&aacute;rio do que acontece noutros pa&iacute;ses), j&aacute; quanto &agrave; televis&atilde;o as coisas correram mal. O Estado encarou ceder &agrave; Igreja algumas horas di&aacute;rias de emiss&atilde;o no segundo canal da RTP. Mas &agrave; &uacute;ltima hora recuou, pelo que a Igreja teve de participar num concurso, sendo-lhe atribu&iacute;do um canal generalista a criar de raiz, a TVI. Como se sabe, por raz&otilde;es financeiras o canal n&atilde;o vingou nas m&atilde;os da Igreja.<br \/>Em mat&eacute;ria de jornais de &acirc;mbito nacional, desapareceu o Novidades e teve vida curta um seman&aacute;rio, o Nova Terra. Em contrapartida, surgiu a Ag&ecirc;ncia Ecclesia, que tem desempenhado um importante papel n&atilde;o apenas na difus&atilde;o de not&iacute;cias e coment&aacute;rios como na alimenta&ccedil;&atilde;o de muitos jornais diocesanos e paroquiais, designadamente atrav&eacute;s da internet.<\/p>\n<p><strong>Dimens&atilde;o p&uacute;blica da religi&atilde;o<\/strong><br \/>Claro que existem problemas entre Estado e Igreja em Portugal, mas sem paralelo com o que se passou ap&oacute;s 1910. Por exemplo, na ajuda social, onde a Igreja Cat&oacute;lica tem uma fort&iacute;ssima presen&ccedil;a, nem sempre o Estado encara as organiza&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas com esp&iacute;rito de coopera&ccedil;&atilde;o. Por vezes, parece empenhado em rivalizar com as institui&ccedil;&otilde;es da Igreja, procurando p&ocirc;-las de lado.<br \/>Persiste em alguns esp&iacute;ritos uma concep&ccedil;&atilde;o laicista (n&atilde;o laica) do Estado, que pretende remeter a religi&atilde;o &agrave; esfera exclusivamente privada. Ora essa posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; democr&aacute;tica. A Igreja, como outras institui&ccedil;&otilde;es, tem direito a uma dimens&atilde;o p&uacute;blica.<br \/>E &eacute; nesse espa&ccedil;o p&uacute;blico que a Igreja, hoje minorit&aacute;ria na sociedade portuguesa, defende os seus pontos de vista morais, em mat&eacute;ria de justi&ccedil;a social, de bio&eacute;tica, etc. Pontos de vista nem sempre acolhidos na legisla&ccedil;&atilde;o que o poder pol&iacute;tico produz. Mas esse &eacute; o pre&ccedil;o de vivermos em democracia. <br \/>E se o catolicismo em Portugal j&aacute; n&atilde;o tem hoje a influ&ecirc;ncia do passado, em contrapartida s&oacute; &eacute; cat&oacute;lico quem quer &#8211; n&atilde;o o &eacute; por h&aacute;bito ou press&atilde;o social. N&atilde;o h&aacute; que ter nostalgias de outros tempos.<\/p>\n<p>Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda sem r&aacute;dio nem TV, h&aacute; cem anos as not&iacute;cias e as opini&otilde;es chegavam pelos jornais. 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