{"id":47083,"date":"2010-09-09T13:36:58","date_gmt":"2010-09-09T13:36:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/09\/a-formacao-sacerdotal-nos-seminarios-de-portugal\/"},"modified":"2010-09-09T13:36:58","modified_gmt":"2010-09-09T13:36:58","slug":"a-formacao-sacerdotal-nos-seminarios-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-formacao-sacerdotal-nos-seminarios-de-portugal\/","title":{"rendered":"A forma\u00e7\u00e3o sacerdotal nos Semin\u00e1rios de Portugal"},"content":{"rendered":"<p>COMISS&Atilde;O EPISCOPAL VOCA&Ccedil;&Otilde;ES E MINIST&Eacute;RIOS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Encontro de Formadores dos Semin&aacute;rios de Portugal<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>A FORMA&Ccedil;&Atilde;O SACERDOTAL NOS SEMIN&Aacute;RIOS DE PORTUGAL<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os Formadores dos Semin&aacute;rios de Portugal, reunidos em Encontro Nacional, de 31 Agosto a 3 Setembro de 2010, em Angra do Hero&iacute;smo (A&ccedil;ores), reflectiram sobre a forma&ccedil;&atilde;o sacerdotal nos Semin&aacute;rios de Portugal, com o tema <em>Semin&aacute;rio, escola dos disc&iacute;pulos de Cristo e de irm&atilde;os no presbit&eacute;rio<\/em>. Da reflex&atilde;o realizada ao longo destes dias partilhamos nesta comunica&ccedil;&atilde;o os elementos principais.<\/p>\n<p>&nbsp;Orientados pelo P. Em&iacute;lio Gonz&aacute;lez Maga&ntilde;a, SJ (Professor na Universidade Pontif&iacute;cia Gregoriana e Director do Centro Interdisciplinar para a Forma&ccedil;&atilde;o dos Formadores ao Sacerd&oacute;cio), os trabalhos foram acompanhados pelos Presidente e Vogal da Comiss&atilde;o Episcopal Voca&ccedil;&otilde;es e Minist&eacute;rios, respectivamente D. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro e D. Jacinto Tom&aacute;s de Carvalho Botelho, Bispo de Lamego, e D. Ant&oacute;nio de Sousa Braga, Bispo de Angra.<\/p>\n<p>&nbsp;Estiveram presentes elementos das Equipas Formadoras das seguintes Dioceses: Algarve; Angra; Aveiro; Beja; Braga; Bragan&ccedil;a-Miranda; Coimbra; &Eacute;vora; Funchal; Lamego; Leiria-F&aacute;tima; Lisboa; Porto; Set&uacute;bal; Viana do Castelo; Viseu.<\/p>\n<p>&nbsp;Sentimos grande preocupa&ccedil;&atilde;o com as dificuldades que enfrentam os jovens, devidas em grande parte &agrave; sua vulnerabilidade e ao debilitamento da sua identidade espiritual, ao impacto de alguns dos actuais modelos culturais e &agrave; fr&aacute;gil situa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias, que tamb&eacute;m incidem na diminui&ccedil;&atilde;o das voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais e religiosas. Formar sacerdotes, no contexto actual, &eacute; um grande desafio colocado &agrave; nossa responsabilidade de pastores.<\/p>\n<p>&nbsp;Um bom Semin&aacute;rio &eacute; a garantia de uma Igreja particular florescente e fecunda. Da&iacute; que, nas nossas reflex&otilde;es, nos tenhamos detido a considerar algumas directrizes que nos ajudem a reflectir sobre o projecto de forma&ccedil;&atilde;o do Semin&aacute;rio, capaz de oferecer aos seminaristas um verdadeiro processo integral: humano, espiritual, intelectual e pastoral, centrado em Jesus Cristo, o Bom Pastor. Nestas reflex&otilde;es centramo-nos, sobretudo, nas &aacute;reas humana e espiritual, a fim de oferecer uma ajuda na complexa forma&ccedil;&atilde;o pastoral dos jovens seminaristas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A forma&ccedil;&atilde;o humana no Semin&aacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;Tomamos como ponto de partida a afirma&ccedil;&atilde;o da <em>Pastores Dabo Vobis<\/em>: &ldquo;Sem uma oportuna forma&ccedil;&atilde;o humana, toda a forma&ccedil;&atilde;o sacerdotal ficaria privada do seu necess&aacute;rio fundamento&rdquo; (n. 43). A influ&ecirc;ncia da cultura actual incide, tanto positiva como negativamente, em muitos aspectos da maturidade humana dos candidatos ao sacerd&oacute;cio, pelo que se requer uma forma&ccedil;&atilde;o que os conduza a tomar decis&otilde;es definitivas e a comprometer-se livremente como o exige a op&ccedil;&atilde;o pelo minist&eacute;rio sacerdotal. &Eacute; uma grande responsabilidade para toda a comunidade formadora assegurar que os futuros sacerdotes cultivem um conjunto de qualidades humanas que lhes permitam formar uma personalidade madura e livre, que os tornem capazes de se relacionarem com harmonia e suportar o peso da responsabilidade pastoral.<\/p>\n<p>O sacerd&oacute;cio &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o de seguimento de Cristo &ldquo;que, sendo rico, se fez pobre por v&oacute;s, para nos enriquecer com a sua pobreza&rdquo; (2 Cor 8, 9). A fidelidade ao minist&eacute;rio requer aquelas virtudes que mais se apreciam entre os homens, virtudes que educam o sacerdote para a ren&uacute;ncia e a supera&ccedil;&atilde;o das ambi&ccedil;&otilde;es para n&atilde;o se afastar da imita&ccedil;&atilde;o de<\/p>\n<p>Cristo &ldquo;como s&atilde;o a sinceridade, a preocupa&ccedil;&atilde;o constante da justi&ccedil;a, a fidelidade &agrave;s promessas, a urbanidade no trato, a mod&eacute;stia e caridade no falar&rdquo; (<em>Optatam totius<\/em>, 11).<\/p>\n<p>&nbsp;A forma&ccedil;&atilde;o humana reclama um acompanhamento espec&iacute;fico e uma predisposi&ccedil;&atilde;o para favorecer um aut&ecirc;ntico clima de confian&ccedil;a entre formadores e formandos, que facilite a transpar&ecirc;ncia para conhecer e resolver as dificuldades no desenvolvimento psicol&oacute;gico do seminarista.<\/p>\n<p>&nbsp;O sacerd&oacute;cio requer a educa&ccedil;&atilde;o para uma vida asc&eacute;tica que capacite para a disciplina, a ren&uacute;ncia, a mortifica&ccedil;&atilde;o e o dom&iacute;nio dos sentidos. A forma&ccedil;&atilde;o deve ajudar a atingir uma liberdade interior que mantenha os candidatos dispon&iacute;veis para o seguimento de total doa&ccedil;&atilde;o a Cristo e ao servi&ccedil;o dos homens. &Eacute; urgente educar os candidatos ao sacerd&oacute;cio para uma afectividade madura que lhes possibilite manter rela&ccedil;&otilde;es prudentes e estabelecer contactos de coopera&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica com as mulheres, em conson&acirc;ncia com a op&ccedil;&atilde;o pelo celibato e pelo Reino dos c&eacute;us.<\/p>\n<p>&nbsp;&Eacute; de grande import&acirc;ncia formar os aspirantes ao sacerd&oacute;cio, para que saibam relacionar-se com respeito, afecto e proximidade com o Bispo e com os que exercem a autoridade.<\/p>\n<p>&nbsp;Nos semin&aacute;rios &eacute; importante fomentar todo o tipo de formas de integra&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, que amadure&ccedil;am no sentido da solidariedade, da capacidade de dar e receber a correc&ccedil;&atilde;o fraterna e que sejam est&iacute;mulo para superar o individualismo e o isolamento. A forma&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria deve promover um ambiente de fraternidade, amizade, serenidade e alegria, de liberdade e de confian&ccedil;a, mas tamb&eacute;m de ideais elevados e de normas claras e exigentes, que permitam a abertura do candidato &agrave;s exig&ecirc;ncias da vida sacerdotal e que o ajudem a crescer nas diversas virtudes segundo o modelo de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;No campo dos problemas psicol&oacute;gicos, por vezes, tem que se contar com ajuda especializada, tendo muito em conta as orienta&ccedil;&otilde;es estabelecidas recentemente pela Congrega&ccedil;&atilde;o para a Educa&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica (cf. &ldquo;<em>Orienta&ccedil;&otilde;es para o uso das<\/em> <em>compet&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas na admiss&atilde;o e na forma&ccedil;&atilde;o dos candidatos aos sacerd&oacute;cio<\/em>&rdquo;, especialmente no cap&iacute;tulo IV).<\/p>\n<p>&nbsp;Os actuais meios tecnol&oacute;gicos constituem ferramentas v&aacute;lidas no dom&iacute;nio da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. No entanto, tamb&eacute;m se podem tornar um factor negativo no campo da forma&ccedil;&atilde;o se n&atilde;o se educam os jovens no recto uso dos mesmos, como no caso da Internet, dos telem&oacute;veis e outros meios modernos, e se n&atilde;o se regulamenta a sua utiliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A forma&ccedil;&atilde;o espiritual no Semin&aacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Actualmente, um n&uacute;mero consider&aacute;vel de jovens que aspiram ao sacerd&oacute;cio carece de uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e de uma aut&ecirc;ntica viv&ecirc;ncia da sua realidade baptismal. &Eacute; necess&aacute;rio, portanto, que os semin&aacute;rios e as casas de forma&ccedil;&atilde;o religiosa, especialmente no per&iacute;odo pr&eacute;vio, ofere&ccedil;am uma inicia&ccedil;&atilde;o kerigm&aacute;tica, pela qual os candidatos ao sacerd&oacute;cio possam viver com alegria o dom do encontro com Jesus Cristo e consigam converter-se em aut&ecirc;nticos disc&iacute;pulos mission&aacute;rios que respondam &agrave; voca&ccedil;&atilde;o recebida. A este respeito, o Santo Padre recordou-nos que no &ldquo;in&iacute;cio do ser crist&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; uma decis&atilde;o &eacute;tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que d&aacute; &agrave; vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo&rdquo; (<em>Deus caritas est<\/em>, 1).<\/p>\n<p>&nbsp;&Eacute; decisivo para a forma&ccedil;&atilde;o espiritual do candidato incutir, desde o in&iacute;cio do caminho formativo, a consci&ecirc;ncia clara de ser ele pr&oacute;prio o principal, embora n&atilde;o &uacute;nico, respons&aacute;vel pela sua forma&ccedil;&atilde;o sacerdotal. &Eacute; sua finalidade conseguir abrir &agrave; ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo para chegar &agrave; ades&atilde;o plena &agrave; pessoa de Jesus Cristo e &agrave; conforma&ccedil;&atilde;o com os seus pensamentos, palavras e ac&ccedil;&otilde;es. Em particular, o futuro sacerdote est&aacute; chamado a ter um cora&ccedil;&atilde;o misericordioso como o de Jesus, assumindo na sua pr&oacute;pria vida, o que afirma o ap&oacute;stolo S. Paulo: ter os mesmos sentimentos de Cristo (cf. Flp 2, 5) para testemunhar a proximidade do Senhor aos pecadores, aos que sofrem, aos marginalizados e necessitados.<\/p>\n<p>&nbsp;A vida no Semin&aacute;rio direcciona-se para formar no sacerdote um amor profundo pelo sacramento da Eucaristia, que deve constituir sempre o centro e o eixo de toda a sua vida e actividade, e a fonte donde brote a sua for&ccedil;a de disc&iacute;pulo mission&aacute;rio (cf. <em>Sacrosanctum Concilium<\/em>, 10). Por isso, se deve fomentar uma atitude de grande rever&ecirc;ncia e amor ao Sant&iacute;ssimo Sacramento, que constitua um testemunho vivo da sua vida interior.<\/p>\n<p>&nbsp;De acordo com as recomenda&ccedil;&otilde;es da <em>Pastores Dabo Vobis<\/em>, vivemos &ldquo;numa cultura que, com renovadas e cada vez mais subtis formas de auto-justifica&ccedil;&atilde;o, se arrisca a perder fatalmente o &ldquo;sentido do pecado&rdquo;, e, em consequ&ecirc;ncia, a alegria consoladora do pedido de perd&atilde;o (cf. Sal 51, 14) e do encontro com Deus &ldquo;rico de miseric&oacute;rdia&rdquo; (Ef 2, 4). Urge educar os futuros presb&iacute;teros para a virtude da penit&ecirc;ncia, que &eacute; sapientemente alimentada pela Igreja nas suas celebra&ccedil;&otilde;es e nos tempos do ano lit&uacute;rgico e que encontra a sua plenitude no sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o&rdquo; (n. 48).<\/p>\n<p>&nbsp;&Eacute;, igualmente necess&aacute;rio, fomentar em cada futuro sacerdote um amor profundo e uma experi&ecirc;ncia pessoal do mist&eacute;rio de Cristo celebrado nos diversos actos lit&uacute;rgicos da Igreja. A Palavra de Deus lida, meditada e estudada, pessoal e comunitariamente, sobretudo atrav&eacute;s da <em>lectio divina<\/em>, e na recita&ccedil;&atilde;o dedicada da Liturgia das Horas, deve constituir o alimento fundamental da ora&ccedil;&atilde;o, da espiritualidade do futuro sacerdote e da sua pr&aacute;tica pastoral. Tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio que na celebra&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;rios se cultive o sentido do sagrado.<\/p>\n<p>&nbsp;Fortalecidos com o amor do Esp&iacute;rito Santo, a forma&ccedil;&atilde;o espiritual do seminarista deve ter como um dos seus principais objectivos, de forma concreta e directa, a viv&ecirc;ncia e a pr&aacute;tica da caridade e o servi&ccedil;o ao pr&oacute;ximo, despertando nele a experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o com Deus, que o orienta, naturalmente, na procura de comunh&atilde;o com os irm&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;Portanto, a vida da comunidade e o ambiente que se respira no Semin&aacute;rio devem propiciar no futuro sacerdote uma atitude de permanente contacto e abertura &agrave; presen&ccedil;a da Sant&iacute;ssima Trindade. Para que o formando possa discernir claramente a sua voca&ccedil;&atilde;o ao sacerd&oacute;cio ministerial, o Semin&aacute;rio e as casas de forma&ccedil;&atilde;o religiosa proporcionar&atilde;o e exigir&atilde;o uma direc&ccedil;&atilde;o espiritual de confian&ccedil;a, transparente, est&aacute;vel, unida com a celebra&ccedil;&atilde;o frequente do sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;Ao mesmo tempo, na vida espiritual, o candidato deve adquirir a capacidade e o h&aacute;bito de procurar momentos de di&aacute;logo &iacute;ntimo e pessoal com Deus, imitando o exemplo de Jesus e da sua rela&ccedil;&atilde;o filial com o Pai, com o objectivo de desenvolver um equil&iacute;brio enriquecedor entre a ora&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica ou comunit&aacute;ria e a vida de ora&ccedil;&atilde;o pessoal. Para isso &eacute; conveniente, sobretudo no in&iacute;cio, instruir o candidato em determinadas t&eacute;cnicas ou m&eacute;todos de ora&ccedil;&atilde;o a que se entregue, at&eacute; que chegue pouco a pouco a um estilo e m&eacute;todo pr&oacute;prio na rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima com Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;Tendo como inspira&ccedil;&atilde;o a Encarna&ccedil;&atilde;o do Filho de Deus, a sua vida oculta e o exemplo de servo que carrega a cruz todos os dias, a forma&ccedil;&atilde;o espiritual deve suscitar no seminarista uma atitude de entrega generosa, de esp&iacute;rito de sacrif&iacute;cio, de capacidade de ren&uacute;ncia e de controle pessoal. Assim, o Semin&aacute;rio h&aacute;-de propiciar e exigir o desenvolvimento do sentido de responsabilidade pessoal face ao que lhe foi confiado, como algu&eacute;m que procura configurar-se a Cristo na obedi&ecirc;ncia total &agrave; vontade do Pai; h&aacute;-de fomentar-se a laboriosidade, a corresponsabilidade e a atitude de servi&ccedil;o, &agrave; imagem de Jesus Cristo que n&atilde;o veio para ser servido mas para servir (cf. Mc 10, 45).<\/p>\n<p>&nbsp;Contemplando Maria, a disc&iacute;pula perfeita, a M&atilde;e do sil&ecirc;ncio, a M&atilde;e da incompreens&atilde;o, a M&atilde;e orante e contemplativa, a M&atilde;e fiel, a M&atilde;e da Igreja e a M&atilde;e do sacerdote, que com um &ldquo;sim&#8221; total a Deus em cada momento esteve sempre disposta a cumprir a vontade divina, o Semin&aacute;rio deve promover um profundo amor e uma especial devo&ccedil;&atilde;o &agrave; Sant&iacute;ssima Virgem que conduza ao encontro vivo com o Senhor. Ela, a M&atilde;e de Jesus e nossa M&atilde;e, tutela a fidelidade da voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal.<\/p>\n<p>&nbsp;Os candidatos &agrave; vida sacerdotal devem receber uma s&eacute;ria forma&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica, teol&oacute;gica e espiritual, para assumir e viver fielmente o celibato, testemunho do amor indiviso a Jesus Cristo, como um dom de Deus e como um sinal do Reino, do amor de Deus a este mundo e da sua pr&oacute;pria entrega ao povo de Deus (cf. <em>Pastores Dabo Vobis<\/em>, 29).<\/p>\n<p>&nbsp;Certamente, trata-se de uma gra&ccedil;a que n&atilde;o dispensa a resposta consciente e livre por parte de quem a recebe, o qual deve abrir-se &agrave; ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo para que o ajude a permanecer fiel durante toda a sua vida e a cumprir com generosidade e alegria os compromissos correspondentes. Portanto, o bispo, bem como os formadores do Semin&aacute;rio, devem preocupar-se com a forma&ccedil;&atilde;o da castidade no celibato, apresentando este &uacute;ltimo com clareza, sem nenhuma ambiguidade e de forma positiva (cf. <em>ibid<\/em>., 50).<\/p>\n<p>&nbsp;O Semin&aacute;rio deve estimular nos seus alunos o desenvolvimento da espiritualidade da caridade pastoral pr&oacute;pria do sacerdote diocesano cujas linhas fundamentais s&atilde;o: consci&ecirc;ncia de ser chamado pelo Pai e conduzido pelo Esp&iacute;rito Santo a uma configura&ccedil;&atilde;o com Cristo, Bom Pastor, Sumo e Eterno Sacerdote. Fazer do exerc&iacute;cio fiel quotidiano do <em>triamunera <\/em>do minist&eacute;rio sacerdotal o itiner&aacute;rio por excel&ecirc;ncia para a santifica&ccedil;&atilde;o pessoal, como ensina o Conc&iacute;lio Vaticano II: &ldquo;Pelos ritos sagrados de cada dia e por todo o seu minist&eacute;rio exercido em uni&atilde;o com o Bispo e os outros sacerdotes, eles mesmos se disp&otilde;em &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria vida&rdquo; (<em>Presbyterorum Ordinis<\/em>, 12) e os &ldquo;presb&iacute;teros atingir&atilde;o a santidade pelo pr&oacute;prio exerc&iacute;cio do seu minist&eacute;rio, realizado sincera e infatigavelmente no esp&iacute;rito de Cristo&rdquo; (<em>ibid<\/em>., 13).<\/p>\n<p>A viv&ecirc;ncia da caridade pastoral &ldquo;assinalada, plasmada, conotada por aquelas atitudes e comportamentos que s&atilde;o pr&oacute;prios de Jesus Cristo Cabe&ccedil;a e Pastor&rdquo; (<em>Pastores Dabo Vobis<\/em>, 21), posta permanentemente ao servi&ccedil;o do povo de Deus. A perten&ccedil;a e consagra&ccedil;&atilde;o &agrave; sua Igreja particular, como membro do presbit&eacute;rio, a que pertence por toda a sua vida, como um colaborador pr&oacute;ximo do bispo e em comunh&atilde;o com ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<strong>A equipa de formadores<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>A equipa de formadores do Semin&aacute;rio constitui uma ajuda preciosa para os bispos na miss&atilde;o de acompanhar e propor uma recta e s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o aos candidatos ao sacerd&oacute;cio. O trabalho em equipa, o testemunho de vida e o esp&iacute;rito de comunh&atilde;o com o bispo &ldquo;oferece aos candidatos ao sacerd&oacute;cio o exemplo significativo e a concreta introdu&ccedil;&atilde;o naquela comunh&atilde;o eclesial que constitui um valor fundamental da vida crist&atilde; e do minist&eacute;rio pastoral&rdquo; (<em>Pastores Dabo Vobis,<\/em> 66).<\/p>\n<p>&nbsp;Os formadores s&atilde;o chamados pelo bispo a exercer, em esp&iacute;rito de unidade, co-responsabilidade e fraternidade, o sublime minist&eacute;rio pastoral de formar os futuros sacerdotes do povo de Deus. Dado que se trata de uma tarefa que exige o acompanhamento permanente dos seminaristas, &eacute; oportuno que o exerc&iacute;cio desta enorme responsabilidade eclesial tenha uma certa estabilidade, que os membros da equipa residam habitualmente na comunidade do Semin&aacute;rio e que estejam intimamente unidos ao bispo, como primeiro respons&aacute;vel da forma&ccedil;&atilde;o dos sacerdotes. Ser formador de futuros sacerdotes &eacute; um carisma que se descobre e se desenvolve no servi&ccedil;o abnegado de cada dia no Semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;O reitor, os directores espirituais e demais formadores vivam este carisma em contexto de forma&ccedil;&atilde;o permanente como fi&eacute;is disc&iacute;pulos e mission&aacute;rios. Esta miss&atilde;o transcendental e insubstitu&iacute;vel para toda a Igreja deve realizar-se com esp&iacute;rito de f&eacute;, de confian&ccedil;a plena no poder da gra&ccedil;a e com uma alegria e entusiasmo quotidianos que sejam express&atilde;o sincera do grande amor a Jesus Cristo e &agrave; sua Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;A efic&aacute;cia e os frutos deste servi&ccedil;o pastoral est&atilde;o vinculados ao modo como os pr&oacute;prios formadores vivem a sua voca&ccedil;&atilde;o e como a expressam no acompanhamento ao formando, no trabalho de equipa e no esp&iacute;rito de comunh&atilde;o. A voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal &eacute; um grande dom de Deus, ao qual se deve responder com muita generosidade e total entrega, uma vez que o sacerdote tem de configurar-se com Jesus Cristo, Bom Pastor, Cabe&ccedil;a e Guia da Igreja.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio, portanto, que os formadores acolham os seminaristas com a gratid&atilde;o e a alegria com que se recebem os dons que Deus d&aacute; &agrave;s dioceses. Constitui um dever da equipa de formadores ter crit&eacute;rios muito claros tanto para a selec&ccedil;&atilde;o como para a forma&ccedil;&atilde;o dos candidatos que ingressam no Semin&aacute;rio, os quais devem ser ajudados a crescer na rectid&atilde;o de inten&ccedil;&atilde;o para um autentico seguimento do Senhor e a tomar consci&ecirc;ncia de que se preparam para ser &ldquo;<em>alter Christus<\/em>&rdquo;, cumprindo com responsabilidade a miss&atilde;o que a Igreja lhes confia.<\/p>\n<p>Por outro lado, corresponde aos bispos cultivar com os seus seminaristas e presb&iacute;teros um estilo de rela&ccedil;&atilde;o fundamentada na f&eacute;, na sinceridade, na proximidade, na abertura e na confian&ccedil;a, dentro de um esp&iacute;rito de paternidade e amizade, superando uma comunica&ccedil;&atilde;o puramente funcional e espor&aacute;dica.<\/p>\n<p>&Eacute;, portanto, muito importante que o bispo tenha um conhecimento pessoal e profundo dos candidatos ao presbiterado na sua pr&oacute;pria Igreja particular. &ldquo;Com base nestes contactos directos, ele procurar&aacute; fazer com que, nos Semin&aacute;rios, sejam formadas personalidades maduras e equilibradas, capazes de estabelecer s&oacute;lidas rela&ccedil;&otilde;es humanas e pastorais, teologicamente preparadas, fortes na vida espiritual, amantes da Igreja&rdquo; (<em>Pastores gregis, <\/em>48). Corresponde tamb&eacute;m aos bispos o promover e organizar uma s&eacute;ria e profunda forma&ccedil;&atilde;o permanente para todos os presb&iacute;teros, de maneira que respondam com generosidade e fidelidade ao dom e ao minist&eacute;rio recebido, e para que o entusiasmo pelo minist&eacute;rio n&atilde;o diminua, mas que, pelo contr&aacute;rio, aumente e amadure&ccedil;a com o passar dos anos, tornando mais vivo e eficaz o sublime dom recebido (cf. <em>2 Tm <\/em>1, 6; <em>Pastores Dabo Vobis, <\/em>79; <em>Pastores gregis, <\/em>47; Congrega&ccedil;&atilde;o para os bispos, <em>Direct&oacute;rio para o minist&eacute;rio pastoral dos bispos &ldquo;Apostolorum successores&rdquo;, <\/em>2004, n. 83). Tal forma&ccedil;&atilde;o permanente, portanto, deve ser activada j&aacute; desde a vida do Semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>Constituindo o Semin&aacute;rio o &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o da diocese&rdquo; e sabendo que do andamento do Semin&aacute;rio depende a exist&ecirc;ncia de bons sacerdotes, &eacute; necess&aacute;rio que os bispos escolham os melhores membros do seu clero na constitui&ccedil;&atilde;o da equipa do Semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>Assim, os bispos devem ser os primeiros a sentir a grave responsabilidade na forma&ccedil;&atilde;o dos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o dos futuros presb&iacute;teros (cf. <em>Pastores Dabo Vobis<\/em>, 66), para que os formadores, como tamb&eacute;m os professores das diversas disciplinas, n&atilde;o apenas as teol&oacute;gicas, se distingam por uma segura doutrina e tenham uma suficiente prepara&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica e capacidade pedag&oacute;gica (cf. <em>Direct&oacute;rio para o minist&eacute;rio pastoral dos bispos, <\/em>n. 89).<\/p>\n<p>Finalmente, o bispo deve ter especial cuidado no acompanhamento dos seus sacerdotes, particularmente dos mais jovens, e oferecer-lhes apoio e fortaleza no exerc&iacute;cio do seu minist&eacute;rio sacerdotal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Angra do Hero&iacute;smo, 3 de Setembro de 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COMISS&Atilde;O EPISCOPAL VOCA&Ccedil;&Otilde;ES E MINIST&Eacute;RIOS &nbsp; Encontro de Formadores dos Semin&aacute;rios de Portugal &nbsp; A FORMA&Ccedil;&Atilde;O SACERDOTAL NOS SEMIN&Aacute;RIOS DE PORTUGAL &nbsp; Os Formadores dos Semin&aacute;rios de Portugal, reunidos em Encontro Nacional, de 31 Agosto a 3 Setembro de 2010, em Angra do Hero&iacute;smo (A&ccedil;ores), reflectiram sobre a forma&ccedil;&atilde;o sacerdotal nos Semin&aacute;rios de Portugal, com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[169,170,171,172,174,176,182,184,185,186,187,199,246,314],"class_list":["post-47083","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-angra","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-lamego","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-diocese-de-viseu","tag-diocese-do-algarve","tag-diocese-do-funchal","tag-diocese-do-porto","tag-espiritualidade","tag-liturgia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47083\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}