{"id":47051,"date":"2010-09-07T13:35:23","date_gmt":"2010-09-07T13:35:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/07\/igreja-na-europa-renova-o-teu-empenho-na-salvaguarda-da-criacao\/"},"modified":"2010-09-07T13:35:23","modified_gmt":"2010-09-07T13:35:23","slug":"igreja-na-europa-renova-o-teu-empenho-na-salvaguarda-da-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-na-europa-renova-o-teu-empenho-na-salvaguarda-da-criacao\/","title":{"rendered":"Igreja na Europa, renova o teu empenho na salvaguarda da Cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mensagem final dos bispos e delegados&nbsp;das confer&ecirc;ncias episcopais europeias que participaram na Peregrina&ccedil;&atilde;o para a Salvaguarda da Cria&ccedil;&atilde;o&nbsp;<\/p>\n<p>1 a 5 de setembro de 2010&nbsp;<\/p>\n<p>Igreja na europa, renova o teu empenho na salvaguarda da Cria&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Bendito sejais, Senhor, Deus de toda a Cria&ccedil;&atilde;o: uma peregrina&ccedil;&atilde;o de esperan&ccedil;a para a Europa<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A 1 de Setembro, cerca de 50 delegados das Confer&ecirc;ncias Episcopais Europeias provenientes de mais de dezena e meia de pa&iacute;ses partimos da Bas&iacute;lica de Esztergom, na Hungria, para uma peregrina&ccedil;&atilde;o de esperan&ccedil;a para toda a Cria&ccedil;&atilde;o, tendo como destino o Santu&aacute;rio de Mariazell, na &Aacute;ustria, passando pela Eslov&aacute;quia, onde fomos acolhidos pelo Arcebispo de Bratislava, D. Stanislav Zvolensk&yacute;. A iniciativa foi inspirada pela Mensagem do Papa Bento XVI para a Jornada Mundial da Paz de 2010, com o t&iacute;tulo: &ldquo;<em>Se queres cultivar a paz, protege a Cria&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ideia de uma peregrina&ccedil;&atilde;o foi escolhida por constituir uma ac&ccedil;&atilde;o que simboliza o caminho de reflex&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o e convers&atilde;o, caminho este que se torna necess&aacute;rio se a humanidade deseja afrontar as muitas dimens&otilde;es do desafio ambiental. Uma peregrina&ccedil;&atilde;o &eacute; tanto express&atilde;o de f&eacute; como empenho de mudan&ccedil;a. Por isso, esta peregrina&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou com uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e aspers&atilde;o pelo Cardeal P&eacute;ter Erd&ouml;, para nos recordar que, no baptismo, atrav&eacute;s desse dom fundamental &nbsp;de Deus que &eacute; a &aacute;gua, nos tornamos parte da Igreja, tamb&eacute;m ela peregrina.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dedicamos uma particular aten&ccedil;&atilde;o ao tema da &aacute;gua, um elemento da Cria&ccedil;&atilde;o rico de significados b&iacute;blicos e sacramentais. A decis&atilde;o de realizarmos parte da peregrina&ccedil;&atilde;o de barco ao longo do magn&iacute;fico rio Dan&uacute;bio &ndash;o rio europeu que atravessa o maior n&uacute;mero de pa&iacute;ses- pretendeu exprimir a nossa preocupa&ccedil;&atilde;o de que, nas palavras de Bento XVI, &ldquo;<em>o a&ccedil;ambarcamento dos recursos, especialmente da &aacute;gua, pode provocar graves conflitos entre as popula&ccedil;&otilde;es envolvidas. Um acordo pac&iacute;fico sobre o uso dos recursos pode salvaguardar a natureza e, simultaneamente, o bem-estar das sociedades interessadas<\/em>&rdquo; (CV 51). Os delegados dedicaram uma particular aten&ccedil;&atilde;o &agrave; iniciativa ecum&eacute;nica conjunta do Conselho Nacional das Igrejas Crist&atilde;s do Brasil (CONIC), j&aacute; subscrita por algumas Confer&ecirc;ncias Episcopais cat&oacute;licas da Europa, intitulada &ldquo;<em>Declara&ccedil;&atilde;o Ecum&eacute;nica sobre a &Aacute;gua como Direito Humano e Bem P&uacute;blico<\/em>&rdquo;. &Eacute; que a &aacute;gua, que simboliza tamb&eacute;m o elemento fundamental e condividido da f&eacute;, est&aacute; a tornar-se um recurso escasso para muitos seres humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prestamos tamb&eacute;m particular aten&ccedil;&atilde;o ao problema da energia e &agrave; necessidade de se poupar, sempre que poss&iacute;vel. Sublinhou-se a import&acirc;ncia do recurso &agrave;s fontes renov&aacute;veis, tais como a e&oacute;lica, a solar, os biocombust&iacute;veis, a biomassa, as mini-h&iacute;dricas (&ldquo;<em>small-hydro<\/em>&rdquo;), as tecnologias que aproveitam as mar&eacute;s e ondas mar&iacute;timas e outros combust&iacute;veis n&atilde;o f&oacute;sseis. Concordou-se que &eacute; necess&aacute;rio afrontar seriamente a problem&aacute;tica dos res&iacute;duos, quer atrav&eacute;s da preven&ccedil;&atilde;o e da reciclagem, quer pelo encorajamento de tecnologias dedicadas a esse sector. Entretanto, sublinhou-se a necessidade de uma valoriza&ccedil;&atilde;o completa e rigorosa do impacto ambiental surgido directa ou indirectamente de tais tecnologias de reciclagem.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; fundamental uma convers&atilde;o da mente e do cora&ccedil;&atilde;o mediante uma educa&ccedil;&atilde;o que conduza &agrave; mudan&ccedil;a nos modelos de comportamento habituais e socialmente consolidados. Como sublinhou o Cardeal Peter Turkson, Presidente do Pontif&iacute;cio Conselho Justi&ccedil;a e Paz, no seu discurso aos delegados da peregrina&ccedil;&atilde;o, a tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica ressalta a unidade interna e a l&oacute;gica da Cria&ccedil;&atilde;o, obedecendo a uma sabedoria, transmitida pelo Criador, que lhe garante beleza e equil&iacute;brio. Tal como a Palavra de Deus faz com que o &laquo;caos&raquo; se fa&ccedil;a &laquo;cosmos&raquo;, do mesmo modo, o cosmos, sem a Palavra de Deus, pode conduzir-nos aos caos. Esta persuas&atilde;o encontra eco na pr&oacute;pria etimologia da palavra &laquo;ecologia&raquo;, que cont&eacute;m a ideia de velar por uma boa ordem na &laquo;oikos&raquo;, na casa comum, na nossa habita&ccedil;&atilde;o terrestre. Quanto tudo est&aacute; conforme a esta ordem, existe beleza. Quando esta ordem se rompe ou perturba pelo ego&iacute;smo e pelo pecado, a beleza &eacute; amea&ccedil;ada. Este tema &eacute; posto em evid&ecirc;ncia por Bento XVI na &ldquo;<em>Caritas in veritate<\/em>&rdquo;, quando afirma que a natureza &ldquo;<em>fala-nos do Criador (cfr. Rom 1, 20) e do seu amor pela humanidade. (&hellip;) Por conseguinte, tamb&eacute;m ela &eacute; uma &laquo;voca&ccedil;&atilde;o&rdquo;. A natureza est&aacute; &agrave; nossa disposi&ccedil;&atilde;o, portanto, n&atilde;o como &laquo;um monte de lixo espalhado ao acaso&raquo;, mas como um dom do Criador que tra&ccedil;ou os seus ordenamentos intr&iacute;nsecos, dos quais o homem h&aacute;-de retirar as devidas orienta&ccedil;&otilde;es para a &laquo;guardar e cultivar&raquo; (Gn 2, 15)&rdquo;<\/em> (n. 48). A mensagem fundamental que esta peregrina&ccedil;&atilde;o pretende lan&ccedil;ar &eacute; que a bondade, a beleza e a fecundidade da Cria&ccedil;&atilde;o constituem a primeira voca&ccedil;&atilde;o do homem, voca&ccedil;&atilde;o que lhe &eacute; confiada na responsabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esperan&ccedil;a de inspirar um renovado empenho moral e espiritual na quest&atilde;o ecol&oacute;gica, os delegados fixaram a aten&ccedil;&atilde;o no rico patrim&oacute;nio de valores contidos na tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica, patr&iacute;stica e teol&oacute;gica, assimilado pela raz&atilde;o e proposto &agrave; humanidade pela Doutrina Social da Igreja. Estes valores geram os seguintes princ&iacute;pios fundamentais:<\/p>\n<ul>\n<li>empenho no bem comum universal, reconhecendo que o bem de cada um de n&oacute;s depende tamb&eacute;m do bem-estar de todos os outros;<\/li>\n<li>afirma&ccedil;&atilde;o do destino universal dos bens da terra, recusando todas as tentativas de monopolizar, limitar ou comercializar os bens que Deus deu a todos e dos quais cada pessoa depende na sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia f&iacute;sica;<\/li>\n<li>a subsidiariedade, tendo presente que s&atilde;o determinantes para o futuro do ambiente global as iniciativas de n&iacute;vel local que envolvam as fam&iacute;lias, as par&oacute;quias e as escolas;<\/li>\n<li>a solidariedade, incluindo a disponibilidade para sacrificar os r&aacute;pidos e f&aacute;ceis ganhos pessoais em benef&iacute;cio dos outros, em particular dos pobres e dos indefesos;<\/li>\n<li>a justi&ccedil;a distributiva, para que aqueles que menos poluem, como os pobres e os em vias de desenvolvimento, n&atilde;o continuem a ser os mais tocados e feridos pelas graves consequ&ecirc;ncias da crise ambiental;<\/li>\n<li>a justi&ccedil;a inter-geracional, agindo agora com prud&ecirc;ncia e precau&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o colocar em risco a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia das gera&ccedil;&otilde;es futuras;<\/li>\n<li>o &laquo;livro da natureza&raquo; &eacute; uno e indivis&iacute;vel. O respeito por uma &laquo;ecologia humana&raquo; est&aacute; integralmente interligado com o respeito pela Cria&ccedil;&atilde;o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Formulamos um apelo aos jovens, &agrave;s fam&iacute;lias, &agrave;s comunidades paroquiais, aos mosteiros e conventos, &agrave;s escolas, aos semin&aacute;rios e &agrave;s universidades para que renovem o seu empenho na voca&ccedil;&atilde;o de velar por esta nossa comum casa terrena, encorajando a difus&atilde;o, o estudo e actua&ccedil;&atilde;o destes princ&iacute;pios que oferecem uma orienta&ccedil;&atilde;o clara e portadora de esperan&ccedil;a para a humanidade.<\/p>\n<p>Em particular, apelamos &agrave; ora&ccedil;&atilde;o e a ac&ccedil;&otilde;es comuns com outras Igrejas e comunidades eclesiais crist&atilde;s, como fizemos n&oacute;s numa ora&ccedil;&atilde;o ecum&eacute;nica em St. P&ouml;lten, que constituiu parte integrante desta peregrina&ccedil;&atilde;o. Encorajamos, ainda, calorosamente, as Igrejas locais a participarem na iniciativa &laquo;<em>Tempo para a Cria&ccedil;&atilde;o<\/em>&raquo; (&ldquo;Creation Time&rdquo;), lan&ccedil;ada em 2007 pela III Assembleia Ecum&eacute;nica Europeia, realizada em Sibiu, na Rom&eacute;nia, que recomenda que o per&iacute;odo entre 1 de Setembro e 4 de Outubro &ndash;mem&oacute;ria lit&uacute;rgica de S&atilde;o Francisco de Assis- seja dedicado a ora&ccedil;&otilde;es e iniciativas sobre este tema da Cria&ccedil;&atilde;o, como j&aacute; fazem algumas Igrejas e Confer&ecirc;ncias Episcopais.<\/p>\n<p>Encorajamos tamb&eacute;m um amplo di&aacute;logo com a comunidade pol&iacute;tica e no interior desta, cujo benef&iacute;cio, ali&aacute;s, n&oacute;s pr&oacute;prios experimentamos no decurso desta peregrina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ao realizarmos esta peregrina&ccedil;&atilde;o de esperan&ccedil;a pela Cria&ccedil;&atilde;o, tomamos consci&ecirc;ncia de que, de algum modo, tamb&eacute;m n&oacute;s repetimos e reproduzimos a viagem de disponibilidade e de alegria da Virgem Maria quando atravessou rios e montanhas para proclamar o acontecimento da Nova Cria&ccedil;&atilde;o &agrave; sua prima Santa Isabel. Estamos conscientes de que, com aquela viagem, Maria se tornou imagem da Igreja futura, a Igreja peregrina que porta no seu seio a esperan&ccedil;a do mundo atrav&eacute;s dos vales e das montanhas da hist&oacute;ria humana. Ao concluir a nossa peregrina&ccedil;&atilde;o, &agrave; imita&ccedil;&atilde;o da Virgem Maria e sob a guia orante do Cardeal Christoph Sch&ouml;nborn, trazemos a este belo Santu&aacute;rio alpino de Mariazell a nossa esperan&ccedil;a de uma nova compreens&atilde;o das &ldquo;<em>grandes coisas<\/em>&rdquo; que o Senhor fez para n&oacute;s no dom imenso da Cria&ccedil;&atilde;o e da necessidade de dizer um novo &ldquo;<em>sim<\/em>&rdquo; &agrave; nossa voca&ccedil;&atilde;o primordial. Da mesma forma que iniciamos a nossa peregrina&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica no cora&ccedil;&atilde;o da Europa, na bel&iacute;ssima Bas&iacute;lica da Anuncia&ccedil;&atilde;o de Esztergom, e a conclu&iacute;mos no santu&aacute;rio da Natividade de Nossa Senhora de Mariazell, assim desejamos, ao longo da nossa peregrina&ccedil;&atilde;o na terra, continuar a levar a esperan&ccedil;a escatol&oacute;gica da Igreja, j&aacute; que &ldquo;<em>l&aacute; onde ela estiver<\/em>&rdquo;, toda a Cria&ccedil;&atilde;o a seguir&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;(Tradu&ccedil;&atilde;o do original ingl&ecirc;s)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mensagem final dos bispos e delegados&nbsp;das confer&ecirc;ncias episcopais europeias que participaram na Peregrina&ccedil;&atilde;o para a Salvaguarda da Cria&ccedil;&atilde;o&nbsp; 1 a 5 de setembro de 2010&nbsp; Igreja na europa, renova o teu empenho na salvaguarda da Cria&ccedil;&atilde;o &nbsp; Bendito sejais, Senhor, Deus de toda a Cria&ccedil;&atilde;o: uma peregrina&ccedil;&atilde;o de esperan&ccedil;a para a Europa &nbsp; 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