{"id":47043,"date":"2010-09-07T12:46:00","date_gmt":"2010-09-07T12:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/07\/importancia-da-caritas-in-veritate-para-a-dsi\/"},"modified":"2010-09-07T12:46:00","modified_gmt":"2010-09-07T12:46:00","slug":"importancia-da-caritas-in-veritate-para-a-dsi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/importancia-da-caritas-in-veritate-para-a-dsi\/","title":{"rendered":"Import\u00e2ncia da Caritas in Veritate para a DSI"},"content":{"rendered":"<p>Quando se esperaria que Bento XVI encerrasse a sua trilogia de enc&iacute;clicas &#8220;teologais&#8221; (caridade: DCE; esperan&ccedil;a: SS) com uma enc&iacute;clica sobre a f&eacute;, surgiu a Carias in Veritate (CV), sobre o &#8220;o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade&#8221;. O Papa quis celebrar os quarenta anos da enc&iacute;clica Populorum Progressio, uma &#8220;carta magna&#8221; do desenvolvimento, que &eacute; &#8220;o novo nome da paz&#8221; (PP 87). Mas, quando se preparava para a publicar rebentou a crise que come&ccedil;ou por ser financeira, mas foi alastrando para todos os &acirc;mbitos sociais. E o Papa esperou dois anos para poder dar o contributo da Igreja para este grav&iacute;ssimo desafio.<\/p>\n<p>Tendo presente que a &#8220;finalidade principal (da DSI) &eacute; interpretar as realidades, examinando a sua conformidade ou desconfor-midade com as linhas do ensinamento do Evangelho&#8221; (SRS 41), este atraso &eacute; j&aacute; uma prova da grande import&acirc;ncia da enc&iacute;clica para a DSI. A demora propositada permitiu dar o contributo atempado da Igreja para as enormes dificuldades com que todo o mundo se debatia, confirmando assim &#8220;a continuidade da doutrina social da Igreja e, conjuntamente, o seu renovamento constante. Com efeito, continuidade e renovamento constituem uma comprova&ccedil;&atilde;o do valor perene do ensino da Igreja&#8221; (SRS 3).<\/p>\n<p>A enc&iacute;clica &eacute; um texto longo (o maior de todos os documentos sociais) e denso, onde se cruzam in&uacute;meros problemas numa urdidura onde a crise est&aacute; sempre subjacente mas o tema central e unificador &eacute; &#8220;o desenvolvimento integral&#8221;. Poder&aacute; estranhar-se que o desenvolvimento n&atilde;o venha tamb&eacute;m adjectivado com &#8220;solid&aacute;rio&#8221;, pois Paulo VI muito insistiu nestas duas dimens&otilde;es: &#8220;o desenvolvimento integral do homem e o desenvolvimento solid&aacute;rio da humanidade&#8221; (PP 5). Mas esta &#8220;falha&#8221; &eacute; sobejamente compensada ao longo de todo o texto com os constantes apelos n&atilde;o s&oacute; &agrave; solidariedade (pelo menos 35 vezes aparece a palavra) mas tamb&eacute;m &agrave;s suas vers&otilde;es actualizadas, como fraternidade (13 vezes), gratuidade (10), dom (19).<\/p>\n<p>Dado o pouco espa&ccedil;o de que disponho, gostaria de referir algumas novidades. N&atilde;o se trata apenas de novos temas pouco desenvolvidos ou inexistentes em enc&iacute;clicas anteriores, como o novo poder pol&iacute;tico dos consumidores (66); economia da gratuidade (38); ecobiologia (32); direitos universais &agrave; &aacute;gua e &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o (27); t&eacute;cnica e mentalidade tecnicista (68-71); trabalho &#8220;decente&#8221; (63); turismo sexual (61); energias renov&aacute;veis (59-60); &eacute;tica das finan&ccedil;as (65); microcr&eacute;dito (45,55). H&aacute; tamb&eacute;m uma afirma&ccedil;&atilde;o que ter&aacute; passado despercebida, mas encerra uma realidade social muito comum: &#8220;&eacute; bom formar tamb&eacute;m um v&aacute;lido crit&eacute;rio de discernimento, porque se nota um certo abuso do adjectivo &#8220;&eacute;tico&#8221;, o qual, se usado vagamente, se presta a designar conte&uacute;dos muito diversos, chegando-se a fazer passar &agrave; sua sombra decis&otilde;es e op&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave; justi&ccedil;a e ao verdadeiro bem do homem&#8221; (45).<\/p>\n<p>Mas o que me parece a principal novidade &eacute;, digamos, hermen&ecirc;utica. Bento XVI prop&otilde;e uma nova chave de leitura: &#8220;a caridade na verdade&#8221;. N&atilde;o &eacute; novidade que &#8220;a caridade &eacute; a via mestra da doutrina social da Igreja&hellip; que &eacute;, como ensinou Jesus, a s&iacute;ntese de toda a Lei&#8221; (2). &Eacute; verdade que &#8220;a caridade &eacute; amor recebido e dado; &eacute; &#8220;gra&ccedil;a&#8221; (ch&aacute;ris) (5) e que &#8220;o amor &eacute; uma for&ccedil;a extraordin&aacute;ria, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justi&ccedil;a e da paz&#8221; (1). Mas cada um s&oacute; &#8220;encontra o bem pr&oacute;prio, aderindo ao projecto que Deus tem para ele a fim de o realizar plenamente: com efeito, &eacute; em tal projecto que encontra a verdade sobre si mesmo e, aderindo a ela, torna-se livre. Por isso, defender a verdade, prop&ocirc;-la com humildade e convic&ccedil;&atilde;o e testemunh&aacute;-la na vida s&atilde;o formas exigentes e imprescind&iacute;veis de caridade&#8221; (1). &Eacute; essencial esta articula&ccedil;&atilde;o da caridade com a verdade. Caridade n&atilde;o &eacute; amar as pessoas ou os povos de qualquer maneira. &Eacute; am&aacute;-los na sua verdade, isto &eacute;, naquilo que s&atilde;o chamados a ser de acordo com o seu projecto que torna cada um o que realmente est&aacute; chamado a ser. Olhar a caridade desta perspectiva &eacute; perceber que se tem de amar conforme as circunst&acirc;ncias, que o amor ter&aacute; de ser vivido de modos adequados, segundo esta verdade. &Eacute; nesta &#8220;for&ccedil;a propulsora&#8221; que &#8220;o desenvolvimento humano integral tem o seu crit&eacute;rio orientador&#8221; (77).<\/p>\n<p>Pode, no entanto, ficar uma sensa&ccedil;&atilde;o inc&oacute;moda com afirma&ccedil;&otilde;es como esta: &#8220;a ades&atilde;o aos valores do cristianismo n&atilde;o &eacute; s&oacute; um elemento &uacute;til mas indispens&aacute;vel para a constru&ccedil;&atilde;o duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integral&#8221; (4; cf 8; 11; 13; 29; 51). Sendo a enc&iacute;clica dirigida a &#8220;todos os homens de boa vontade&#8221;, como se sentir&atilde;o os n&atilde;o crentes perante tais afirma&ccedil;&otilde;es? E ser&aacute; que s&oacute; com os crit&eacute;rios crist&atilde;os se conseguir&aacute; uma sociedade justa e fraterna? Penso que n&atilde;o. Mas tamb&eacute;m penso que, sem poder ignorar a gravidade desta quest&atilde;o, cuja reflex&atilde;o n&atilde;o cabe em t&atilde;o curto espa&ccedil;o, esta enc&iacute;clica d&aacute; o contributo da Igreja, t&atilde;o indispens&aacute;vel como outros, para em di&aacute;logo conseguirmos um desenvolvimento integral e solid&aacute;rio. Porque &#8220;a verdade &eacute; &#8220;l&oacute;gos&#8221; que cria &#8220;dia-l&oacute;gos&#8221; e, consequen-temente, comunica&ccedil;&atilde;o e comunh&atilde;o. A verdade, fazendo sair os homens das opini&otilde;es e sensa&ccedil;&otilde;es subjectivas, permite-lhes ultrapassar determina&ccedil;&otilde;es culturais e hist&oacute;ricas para se encontrarem na avalia&ccedil;&atilde;o do valor e subst&acirc;ncia das coisas.&#8221; (4).<\/p>\n<p>Jos&eacute; Dias da Silva <br \/><a href=\"mailto:zedias.coimbra@gmail.com\">zedias.coimbra@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se esperaria que Bento XVI encerrasse a sua trilogia de enc&iacute;clicas &#8220;teologais&#8221; (caridade: DCE; esperan&ccedil;a: SS) com uma enc&iacute;clica sobre a f&eacute;, surgiu a Carias in Veritate (CV), sobre o &#8220;o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade&#8221;. 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