{"id":47042,"date":"2010-09-07T12:45:38","date_gmt":"2010-09-07T12:45:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/07\/economia-de-comunhao-e-desenvolvimento-solidario\/"},"modified":"2010-09-07T12:45:38","modified_gmt":"2010-09-07T12:45:38","slug":"economia-de-comunhao-e-desenvolvimento-solidario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/economia-de-comunhao-e-desenvolvimento-solidario\/","title":{"rendered":"Economia de Comunh\u00e3o e Desenvolvimento Solid\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Daquilo a que j&aacute; v&aacute;rias pessoas chamaram a &#8220;intui&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica&#8221; de Chiara Lubich, a fundadora do Movimento dos Focolares, nasceu a economia de comunh&atilde;o. Um exemplo de que os carismas, este como outros que marcaram a hist&oacute;ria da Igreja, n&atilde;o se destinam apenas a renovar e formar espiritualmente as pessoas, mas incidem sobre a sociedade e a cultura.<\/p>\n<p>Chiara Lubich sentiu-se chamada a contribuir para realizar na nossa &eacute;poca o testamento de Jesus: &#8220;Que todos sejam um, como Tu, Pai, e Eu somos Um&#8221; (Jo, 17-20). O Homem &eacute; criado &agrave; imagem de um Deus-comunh&atilde;o e realiza-se na comunh&atilde;o. Como consequ&ecirc;ncia desse ideal de unidade, entre os membros do Movimento dos Focolares desde o in&iacute;cio se procurou p&ocirc;r em pr&aacute;tica a experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o de bens que caracterizou os primeiros crist&atilde;os, de quem se dizia que &#8220;entre eles n&atilde;o havia ningu&eacute;m necessitado&#8221; (Act. 4, 32-34). Quando visitou S&atilde;o Paulo, no Brasil, em Maio 1991, Chiara Lubich intuiu que essa din&acirc;mica de comunh&atilde;o individual deveria estender-se &agrave;s empresas e fez essa proposta.<\/p>\n<p>Mas o que &eacute; que caracteriza as empresas de economia de comunh&atilde;o? S&atilde;o empresas inseridas no mercado que adoptam as formas jur&iacute;dicas comuns, mas que, por decis&atilde;o livre dos seus titulares, se prop&otilde;em destinar os seus lucros de acordo com crit&eacute;rios ditados pelo bem comum. Mais especificamente, prop&otilde;em-se destinar esses lucros a tr&ecirc;s objectivos: ajuda aos pobres, sempre com o prop&oacute;sito de os tornar auto-suficientes ultrapassando a l&oacute;gica assistencialista; contributo para a forma&ccedil;&atilde;o de pessoas &agrave; &#8220;cultura do dar&#8221; que est&aacute; subjacente ao projecto e sem a qual ele n&atilde;o pode vingar; investimento na pr&oacute;pria empresa, assegurando o seu futuro e expans&atilde;o. Estas empresas, na sua maioria de pequena e m&eacute;dia dimens&atilde;o, est&atilde;o hoje presentes em todo o mundo (dados sobre o montante dos lucros que foram distribu&iacute;dos podem ver-se em <a href=\"http:\/\/www.edc-online.org\/\">www.edc-online.org<\/a>).<\/p>\n<p>Para al&eacute;m da distribui&ccedil;&atilde;o dos lucros de acordo com estes crit&eacute;rios, estas empresas prop&otilde;em-se adoptar uma conduta orientada para a cultura de comunh&atilde;o, que deve marcar as rela&ccedil;&otilde;es no seu interior e entre os seus membros, tal como as rela&ccedil;&otilde;es com clientes, fornecedores, concorrentes, Estado e comunidade.<\/p>\n<p>Podemos dizer que as empresas de economia de comunh&atilde;o v&ecirc;m responder a uma exig&ecirc;ncia posta em relevo de modo particular pela enc&iacute;clica Caritas in Veritate: &#8220;O grande desafio que temos diante de n&oacute;s &#8211; resultante das problem&aacute;ticas do desenvolvimento neste tempo de globaliza&ccedil;&atilde;o, mas revestindo-se de maior exig&ecirc;ncia com a crise financeira &#8211; &eacute; mostrar tanto a n&iacute;vel de pensamento como de comportamentos, que n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o podem ser transcurados ou atenuados os princ&iacute;pios tradicionais da &eacute;tica social, como a transpar&ecirc;ncia, a honestidade e a responsabilidade, mas tamb&eacute;m que, nas rela&ccedil;&otilde;es comerciais, o princ&iacute;pio de gratuidade e a l&oacute;gica do dom como express&atilde;o da fraternidade podem e devem encontrar lugar dentro da actividade econ&oacute;mica normal. Isto &eacute; uma exig&ecirc;ncia do homem no tempo actual, mas tamb&eacute;m da pr&oacute;pria raz&atilde;o econ&oacute;mica. Trata-se de uma exig&ecirc;ncia simultaneamente de caridade e de verdade.&#8221; (n. 36).<\/p>\n<p>Nesta linha, Luigino Bruni, professor de economia e expoente da elabora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica relativa &agrave; &#8220;economia de comunh&atilde;o&#8221; salienta num artigo recente (da revista Citt&agrave; Nuova de 10-25 de Agosto de 2010) que estas empresas, como outras experi&ecirc;ncias que ultrapassam a l&oacute;gica da busca do lucro numa perspectiva do interesse individualista e se orientam pelo bem comum, n&atilde;o podem ocupar um lugar marginal numa economia guiada por essa l&oacute;gica individualista, como um &#8220;tapa-buracos&#8221; que remedeia apenas as consequ&ecirc;ncias mais graves dessa l&oacute;gica, sem alterar o modelo econ&oacute;mico e social. Uma l&oacute;gica que gera as desigualdades que nos escandalizam e que permitem que empresas salvas da fal&ecirc;ncia com dinheiros p&uacute;blicos continuem a pagar retribui&ccedil;&otilde;es milion&aacute;rias aos seus gestores. S&atilde;o suas estas palavras: &#8220;A &uacute;ltima fase do capitalismo (que poderemos chamar financi&aacute;rio-individualista) nasce de um pessimismo antropol&oacute;gico, que remonta pelo menos at&eacute; Hobbes: os seres humanos seriam demasiado oportunistas e auto-interessados para pensar que possam empenhar-se com motiva&ccedil;&otilde;es altas (como o bem comum). N&atilde;o podemos deixar a esta &#8220;derrota antropol&oacute;gica&#8221; a &uacute;ltima palavra sobre a vida em comum: temos o dever &eacute;tico de deixar a quem vier depois de n&oacute;s um olhar positivo sobre o mundo e sobre o Homem.<\/p>\n<p>Mas para que tudo isto n&atilde;o fique escrito no papel e se torne vida, &eacute; necess&aacute;rio um novo humanismo, uma nova esta&ccedil;&atilde;o educativa, s&atilde;o necess&aacute;rios aqueles &#8220;homens novos&#8221; que est&atilde;o no centro do projecto da Economia de Comunh&atilde;o, capazes de se empenharem e de trabalharem n&atilde;o apenas pelo lucro, mas tamb&eacute;m para fazerem da sua actividade laboral uma obra de arte. Se for assim, ent&atilde;o a nova economia de mercado na qual est&atilde;o a entrar novos grandes protagonistas (pense-se na &Aacute;frica, por exemplo), poder&aacute; ser um lugar belo para habitar, viver, amar.&#8221;<\/p>\n<p>Pedro Vaz Patto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daquilo a que j&aacute; v&aacute;rias pessoas chamaram a &#8220;intui&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica&#8221; de Chiara Lubich, a fundadora do Movimento dos Focolares, nasceu a economia de comunh&atilde;o. Um exemplo de que os carismas, este como outros que marcaram a hist&oacute;ria da Igreja, n&atilde;o se destinam apenas a renovar e formar espiritualmente as pessoas, mas incidem sobre a sociedade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[122,191,212],"class_list":["post-47042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-brasil","tag-economia","tag-focolares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47042\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}