{"id":47006,"date":"2010-09-02T13:35:17","date_gmt":"2010-09-02T13:35:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/09\/02\/carta-pastoral-de-d-antonio-marto-chamados-a-caridade\/"},"modified":"2010-09-02T13:35:17","modified_gmt":"2010-09-02T13:35:17","slug":"carta-pastoral-de-d-antonio-marto-chamados-a-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-pastoral-de-d-antonio-marto-chamados-a-caridade\/","title":{"rendered":"Carta Pastoral de D. Ant\u00f3nio Marto \u00abChamados \u00e0 Caridade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Car&iacute;ssimos Diocesanos,<\/p>\n<p>Irm&atilde;os e irm&atilde;s em Cristo,<\/p>\n<p><em>A v&oacute;s, gra&ccedil;a e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.<\/em><\/p>\n<p><em>Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das miseric&oacute;rdias e o Deus de toda a consola&ccedil;&atilde;o.<\/em><em> Ele nos consola em toda a nossa tribula&ccedil;&atilde;o, para que tamb&eacute;m n&oacute;s possamos consolar aqueles que est&atilde;o em qualquer tribula&ccedil;&atilde;o, mediante a consola&ccedil;&atilde;o que n&oacute;s mesmos recebemos de Deus. (2 Cor 1, 2- 4)<\/em><\/p>\n<p>Com estas palavras do Ap&oacute;stolo Paulo sa&uacute;do-vos afectuosamente. Como ele, em uni&atilde;o espiritual convosco, come&ccedil;o por abrir o cora&ccedil;&atilde;o bendizendo a Deus pelos dons de consola&ccedil;&atilde;o com que confortou a nossa Igreja diocesana ao longo do ano pastoral findo.<\/p>\n<p><strong><em>Dons de consola&ccedil;&atilde;o <\/em><\/strong><\/p>\n<p>Destaco apenas alguns mais significativos em que sobressa&iacute;ram a beleza e a alegria de ser e sentir-se Igreja &ndash; Comunh&atilde;o de fi&eacute;is em Cristo e correspons&aacute;veis na sua vitalidade: <em>o retiro popular,<\/em> durante a Quaresma, com a participa&ccedil;&atilde;o de 6000 pessoas; <em>os encontros de forma&ccedil;&atilde;o<\/em>, em cada vigararia, para os membros dos conselhos pastorais e econ&oacute;micos das par&oacute;quias, que abrangeram 1500 colaboradores; o culminar do ano pastoral com a <em>&ldquo;Festa da F&eacute;<\/em>: Rosto(s) da Igreja diocesana&rdquo;. Este evento suscitou uma ades&atilde;o popular surpreendente e deu visibilidade ao rosto da nossa Igreja na variedade das suas comunidades, dos seus movimentos, grupos e servi&ccedil;os. Foi uma verdadeira festa da f&eacute; que irradiou alegria, comunh&atilde;o e fraternidade na cidade dos homens.<\/p>\n<p>N&atilde;o posso deixar de referir <em>as celebra&ccedil;&otilde;es da abertura e do encerramento do Ano Sacerdotal, <\/em>com a evoca&ccedil;&atilde;o de figuras exemplares de sacerdotes que pertenceram ao presbit&eacute;rio diocesano. Ajudaram, sem d&uacute;vida, a redescobrir o dom do sacerd&oacute;cio para a beleza e sa&uacute;de espiritual da Igreja e do mundo; a refor&ccedil;ar a fraternidade entre os padres; a cuidar das voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais. Considero uma verdadeira gra&ccedil;a do Ano Sacerdotal <em>a ordena&ccedil;&atilde;o de um di&aacute;cono e<\/em> <em>a<\/em> <em>entrada de seis novos seminaristas<\/em> para o nosso Semin&aacute;rio Maior.<\/p>\n<p>Como momento culminante lembro<em> a inesquec&iacute;vel peregrina&ccedil;&atilde;o do Santo Padre a F&aacute;tima<\/em> que nos trouxe um novo &acirc;nimo &agrave; f&eacute; e nos fez sentir Igreja viva, alegre e mission&aacute;ria.<\/p>\n<p><strong><em>O percurso pastoral<\/em><\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Seguindo o percurso tra&ccedil;ado pelo S&iacute;nodo diocesano iniciamos agora um novo bi&eacute;nio voltado para a miss&atilde;o e o testemunho da Igreja e dos crist&atilde;os no mundo, sob o lema t&atilde;o apelativo: &ldquo;O servi&ccedil;o &agrave; pessoa &eacute; o caminho da Igreja&rdquo;.<\/p>\n<p>Este ano pastoral &eacute; dedicado &agrave; caridade e &agrave; ac&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-caritativa. Vem na continuidade dos anos precedentes dedicados ao acolhimento, &agrave; voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, &agrave; revitaliza&ccedil;&atilde;o da f&eacute; e &agrave; comunh&atilde;o e corresponsabilidade na Igreja. A caridade engloba os temas anteriores, inspira-os e &eacute; como o seu coroamento, fazendo-os amadurecer e frutificar.<\/p>\n<p>&ldquo;Partindo da comunh&atilde;o dentro da Igreja, a caridade abre-se, por sua natureza, ao servi&ccedil;o universal, frutificando no compromisso dum amor activo e concreto por cada ser humano. Esta dimens&atilde;o caracteriza, de modo igualmente decisivo, a vida crist&atilde;, o estilo eclesial e a programa&ccedil;&atilde;o pastoral. &Eacute; de esperar que o s&eacute;culo e o mil&eacute;nio que est&atilde;o a come&ccedil;ar vejam, de modo ainda mais eficaz, o grau de dedica&ccedil;&atilde;o a que pode levar a caridade para com os mais pobres&rdquo; (NMI n. 49).<\/p>\n<p>De facto, como dizia Santo Ant&oacute;nio, &ldquo;a caridade &eacute; a alma da f&eacute;, torna-a viva. Sem o amor, a f&eacute; morre&rdquo;. Al&eacute;m disso, ela &eacute; a alma da miss&atilde;o evangelizadora da Igreja: &eacute; o modo mais belo, mais atraente e mais cred&iacute;vel de comunicar o Evangelho.<\/p>\n<p>A caridade, em todas as suas formas, &eacute; o testemunho supremo que podem dar os crentes num Deus-Amor. Ela representa o resplendor da vida crist&atilde; e eclesial: faz resplandecer a Beleza do Amor divino que sustenta e salva o mundo. &ldquo;S&oacute; a caridade salvar&aacute; o mundo&rdquo;, era o programa de S. Lu&iacute;s Orione, recentemente canonizado. <em>A caridade e a pastoral s&oacute;cio-caritativa s&atilde;o a express&atilde;o do amor misericordioso e libertador de Deus, o sinal mais cred&iacute;vel para dizer quem &eacute; Deus, Deus Amor, e o que Ele quer de n&oacute;s.<\/em> Viver a caridade toca pois, profundamente, a qualidade da vida e da miss&atilde;o da Igreja e das comunidades crist&atilde;s.<\/p>\n<p>Para este Ano Pastoral propomo-nos <em>tr&ecirc;s objectivos<\/em>: redescobrir a caridade como forma (estilo) de ser da exist&ecirc;ncia crist&atilde;, pessoal e comunit&aacute;ria; desenvolver a espiritualidade da gratuidade, da disponibilidade, da partilha e do servi&ccedil;o aos irm&atilde;os; repensar e reorganizar os servi&ccedil;os s&oacute;cio-caritativos nas comunidades crist&atilde;s.<\/p>\n<p>Como <em>lema b&iacute;blico<\/em> escolhemos uma frase de Jesus extra&iacute;da do seu discurso de despedida na &Uacute;ltima Ceia: &ldquo;Como eu vos fiz, fazei v&oacute;s tamb&eacute;m&rdquo; (Jo 13, 15). E como <em>s&iacute;mbolo<\/em> escolhemos precisamente o &iacute;cone do &ldquo;lava p&eacute;s&rdquo; dos Ap&oacute;stolos, onde se encontra a frase citada, a evocar o gesto de Jesus como fonte, modelo e sentido de todo o servi&ccedil;o de caridade.<\/p>\n<p><strong>1. ROSTOS DE POBREZA NO CEN&Aacute;RIO DO MUNDO<\/strong><\/p>\n<p>Atrav&eacute;s dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social tornamo-nos hoje cada vez mais conscientes de quanto se sofre no mundo. Quer se trate da sociedade no seu conjunto, da fam&iacute;lia ou da situa&ccedil;&atilde;o interior de cada pessoa, deparamos com as noites da dor humana, das solid&otilde;es do mundo, de todas as fragilidades e necessidades que clamam por aten&ccedil;&atilde;o, ajuda e apoio.<\/p>\n<p>O fen&oacute;meno da globaliza&ccedil;&atilde;o faz emergir novos e m&uacute;ltiplos rostos da pobreza. De facto, &ldquo;a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas n&atilde;o nos faz irm&atilde;os&rdquo; (CV n. 19). Vamos contemplar brevemente os rostos da pobreza em tr&ecirc;s cen&aacute;rios.<\/p>\n<p><strong>1.1. O cen&aacute;rio socioecon&oacute;mico<\/strong><\/p>\n<p>O actual cen&aacute;rio do mundo &eacute; de crise socioecon&oacute;mica com consequ&ecirc;ncias tremendas a v&aacute;rios n&iacute;veis. Estamos perante paradoxos que denunciam um &ldquo;mal-estar de civiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;: aumenta a riqueza mas crescem as desigualdades; aumenta a produ&ccedil;&atilde;o mas morre-se de fome; aumenta o consumismo mas sobem os &iacute;ndices de infelicidade.<\/p>\n<p>Uma breve amostra estat&iacute;stica, a n&iacute;vel mundial, revela-nos como a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; clara e arrepiante: 1.300 milh&otilde;es de pessoas vivem com menos de um d&oacute;lar por dia; 20% da popula&ccedil;&atilde;o mundial absorve 82% dos recursos mundiais enquanto 80% da popula&ccedil;&atilde;o disp&otilde;e apenas de 18%. Segundo dados da FAO, em cada dia, no mundo, morrem &agrave; fome cerca de 36.500 crian&ccedil;as. Por ano s&atilde;o 13 milh&otilde;es de v&iacute;timas inocentes! As desigualdades s&atilde;o demasiado grandes e gritantes.<\/p>\n<p>Entre n&oacute;s, 18% da popula&ccedil;&atilde;o vive em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza. O desemprego &eacute; um flagelo e uma das causas prim&aacute;rias da exclus&atilde;o social. Hoje, a injusti&ccedil;a, a pobreza, a fome e a exclus&atilde;o social s&atilde;o uma interpela&ccedil;&atilde;o humana que brada aos c&eacute;us.<\/p>\n<p><em>Este<\/em> <em>cen&aacute;rio p&otilde;e-nos diante da pobreza relativa &agrave;s necessidades materiais:<\/em> alimenta&ccedil;&atilde;o, vestu&aacute;rio, sa&uacute;de, casa, trabalho, recursos econ&oacute;micos. &Eacute; talvez a pobreza que conhecemos melhor e que atinge fam&iacute;lias inteiras.<\/p>\n<p><strong>1.2. O cen&aacute;rio cultural<\/strong><\/p>\n<p>A crise econ&oacute;mica n&atilde;o explica o amplo leque de situa&ccedil;&otilde;es de fragilidade e de precariedade, muitas vezes camufladas e escondidas, presentes na nossa sociedade.<\/p>\n<p>Ainda se nota uma grande sensibilidade e solidariedade para com as v&iacute;timas das grandes calamidades. Mas a cultura dominante do nosso quotidiano est&aacute; muito marcada pelo individualismo calculista. &ldquo;Pensa em ti&rdquo; &eacute; a advert&ecirc;ncia que ouvimos desde pequenos. A defesa de si mesmo, dos pr&oacute;prios interesses e do pr&oacute;prio dinheiro &eacute;, tantas vezes, a primeira e, porventura, a &uacute;nica preocupa&ccedil;&atilde;o de muitos. Uma cultura que quer contabilizar tudo e deseja que tudo seja pago perde o sentido do dom, do servi&ccedil;o aos outros, da solidariedade, e gera marginaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A nossa sociedade tornou-se uma rede mundial de possibilidades de comunica&ccedil;&atilde;o. No entanto, o ritmo estressante e a superficialidade da vida tornam dif&iacute;cil o verdadeiro encontro pessoal, o acolhimento, a aten&ccedil;&atilde;o, a presen&ccedil;a aos outros, a comunica&ccedil;&atilde;o profunda, que atinge o pr&oacute;prio ambiente familiar.<\/p>\n<p>&ldquo;Uma das pobrezas mais profundas que o homem pode experimentar &eacute; a solid&atilde;o&rdquo; (CV n. 53), que, por vezes, leva ao desespero. Por falta de amor morre-se, chega-se a desejar e programar a morte.<\/p>\n<p><em>Este cen&aacute;rio p&otilde;e-nos diante da pobreza relativa &agrave;s necessidades relacionais<\/em>: a solid&atilde;o, o abandono, a indiferen&ccedil;a, o esquecimento que afectam particularmente os s&oacute;s, os idosos, os doentes, os portadores de defici&ecirc;ncia, os sem abrigo, os migrantes&#8230;<\/p>\n<p><strong>1.3. O cen&aacute;rio do cora&ccedil;&atilde;o humano<\/strong><\/p>\n<p>Todas estas fragilidades se repercutem no cora&ccedil;&atilde;o humano, no &iacute;ntimo das pessoas. Estar s&oacute;s, privados de afecto, de companhia, de ajuda e solidariedade leva o ser humano &agrave; desola&ccedil;&atilde;o, &agrave; infelicidade. Este aspecto acentua-se, hoje, por uma determinada cultura vazia de grandes ideais, de valores, de espiritualidade e de f&eacute;, o que leva o indiv&iacute;duo a fechar-se no seu pequeno mundo e a gozar o momento presente. Isto provoca crises de interioridade, a perda de confian&ccedil;a na vida, o medo do futuro e uma quebra da fraternidade e da compaix&atilde;o.<\/p>\n<p><em>Este cen&aacute;rio p&otilde;e-nos diante da pobreza moral e espiritual<\/em> que est&aacute; na raiz de muitas fragilidades da vida pessoal e social, e se manifesta em formas de perturba&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quico-espirituais, em depress&otilde;es e em processos de autodestrui&ccedil;&atilde;o na droga, no &aacute;lcool e na viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><em>Em s&iacute;ntese, o problema central que atormenta a vida de muitos e da sociedade, neste cen&aacute;rio do mundo, &eacute; a falta de amor.<\/em> Di-lo bem a Madre Teresa de Calcut&aacute;: &ldquo;A pior doen&ccedil;a do Ocidente de hoje n&atilde;o &eacute; a tuberculose ou a lepra, mas o n&atilde;o sentir-se amados e desejados, o sentir-se abandonados. A medicina pode curar as doen&ccedil;as do corpo, mas a &uacute;nica cura para a solid&atilde;o, o desespero e a falta de perspectivas, &eacute; o amor. H&aacute; numerosas pessoas no mundo que morrem porque n&atilde;o t&ecirc;m sequer um peda&ccedil;o de p&atilde;o; mas um n&uacute;mero ainda maior morre por falta de amor&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>1.4. Para uma caridade mais criativa<\/strong><\/p>\n<p>Perante os desafios do cen&aacute;rio tra&ccedil;ado compreendemos o apelo de Jo&atilde;o Paulo II a &ldquo;uma nova fantasia da caridade&rdquo;, isto &eacute;, uma caridade mais criativa face &agrave;s novas interpela&ccedil;&otilde;es. Mas ainda tem sentido falar de caridade, hoje? N&atilde;o seria mais pr&oacute;prio falar de justi&ccedil;a?<\/p>\n<p><em>Antes de mais, conv&eacute;m esclarecer que a caridade n&atilde;o se reduz a dar uma esmola ou a prestar uma ajuda ou assist&ecirc;ncia. &Eacute; muito mais que isso. A caridade &eacute;, ao mesmo tempo, rela&ccedil;&atilde;o, doa&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o de amor concreto a todo o ser humano necessitado de ajuda.<\/em> Assim entendida, engloba, inspira e anima o empenho pela justi&ccedil;a na sociedade. Trata-se da &ldquo;caridade social ou pol&iacute;tica&rdquo;, de que nos ocuparemos no pr&oacute;ximo ano.<\/p>\n<p>Paulo VI afirmava que &ldquo;a justi&ccedil;a &eacute; a medida m&iacute;nima da caridade&rdquo;. A caridade n&atilde;o substitui a justi&ccedil;a. Por sua vez, a justi&ccedil;a nunca poder&aacute; tornar sup&eacute;rfluo o amor de proximidade como rela&ccedil;&atilde;o, servi&ccedil;o, partilha, apoio concreto e consola&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;ximo, &agrave;quele que sofre, sobretudo aos pobres e desprotegidos. <em>&Eacute; desta &ldquo;caridade de proximidade&rdquo;, enquanto actividade organizada da comunidade crist&atilde;, que tratamos aqui como testemunho do Evangelho, que faz crescer a cultura da solidariedade e contribui para a civiliza&ccedil;&atilde;o do amor.<\/em><\/p>\n<p><strong>2. DE DEUS-AMOR AO AMOR DO PR&Oacute;XIMO<\/strong><\/p>\n<p>A beleza e a riqueza da caridade crist&atilde; s&oacute; se compreendem plenamente a partir do mist&eacute;rio de Deus-Amor que se torna vis&iacute;vel e pr&oacute;ximo nas palavras e nos gestos de Jesus para contagiar os nossos cora&ccedil;&otilde;es e os nossos dias. O que os Ap&oacute;stolos viram e tocaram era o amor de Deus descido &agrave; terra: Jesus. E foi de tal modo extraordin&aacute;rio que, para dizer ao mundo este novo amor, viram-se obrigados a encontrar uma palavra grega ent&atilde;o raramente usada: &aacute;gape, isto &eacute;, caridade. Este voc&aacute;bulo passou ent&atilde;o a designar o pr&oacute;prio Deus (Deus &eacute; Amor); o amor gratuito, terno, compassivo e misericordioso de Deus aos homens; o amor do homem a Deus e o amor do homem para com o seu semelhante.<\/p>\n<p>Assim, vamos contemplar esta beleza da caridade em tr&ecirc;s passagens do Evangelho, que formam um tr&iacute;ptico sobre o mesmo tema.<\/p>\n<p><strong>2.1. O &Iacute;cone do Lava-P&eacute;s (Jo 13, 1-17): <em>Como eu vos fiz, fazei v&oacute;s tamb&eacute;m<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; um texto caracter&iacute;stico da Quinta-Feira Santa. Pertence ao discurso do adeus de Jesus, na &Uacute;ltima Ceia, em que Ele nos deixou o seu testamento.<\/p>\n<p><em>&ldquo;&#8230; Amou-os at&eacute; ao fim&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>A frase de abertura ilumina e d&aacute; sentido a todas as palavras e gestos de Jesus na &Uacute;ltima Ceia: &ldquo;Jesus, sabendo que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os at&eacute; ao fim&rdquo;.<\/p>\n<p>Com estas palavras t&atilde;o solenes, o evangelista introduz-nos na &ldquo;hora&rdquo; da morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus, como express&atilde;o m&aacute;xima e total do seu amor. &Eacute; neste contexto que devemos captar o significado e o alcance do lava-p&eacute;s.<\/p>\n<p><em>&ldquo;Compreendestes o que eu vos fiz?&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Estamos diante de um gesto simb&oacute;lico e prof&eacute;tico, &ldquo;subversivo&rdquo; e provocador. &Eacute; o pr&oacute;prio Jesus que o explica: Ele assume a forma de servo (o Servo dos servos) invertendo a rela&ccedil;&atilde;o normal entre o Mestre e os disc&iacute;pulos. Neste gesto resume todo o seu mist&eacute;rio, o essencial da sua vida, da sua miss&atilde;o e paix&atilde;o. Toda a sua vida foi um servi&ccedil;o de doa&ccedil;&atilde;o e entrega de amor e por amor at&eacute; ao fim.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, neste epis&oacute;dio contemplamos a revela&ccedil;&atilde;o desconcertante de um Deus ao servi&ccedil;o do homem por amor. Sim, Deus inclina-se e ajoelha-se aos p&eacute;s do homem, em atitude humilde, inclusive diante do seu inimigo que &eacute; Judas. As m&atilde;os de Jesus s&atilde;o a extens&atilde;o das m&atilde;os do Pai que nos lava no seu Amor para nos purificar do ego&iacute;smo e nos tornar participantes da sua comunh&atilde;o de vida e do seu pr&oacute;prio amor: &ldquo;Se n&atilde;o te lavar os p&eacute;s, n&atilde;o ter&aacute;s parte comigo&rdquo;.<\/p>\n<p><em>&ldquo;Como eu vos fiz, fazei v&oacute;s tamb&eacute;m.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Da rela&ccedil;&atilde;o entre o Mestre e os disc&iacute;pulos, Jesus passa &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre os pr&oacute;prios disc&iacute;pulos: &ldquo;Dei-vos o exemplo: como eu vos fiz, fazei v&oacute;s tamb&eacute;m&#8230;Tamb&eacute;m v&oacute;s deveis lavar os p&eacute;s uns aos outros&rdquo;. Em concreto, significa estar ao servi&ccedil;o uns dos outros sem reservas e sem desejos de poder; a nossa disponibilidade para os outros em atitude de doa&ccedil;&atilde;o, aprendendo pouco a pouco o modo de ser e viver de Jesus. O lava-p&eacute;s faz-nos sentir amados e capazes de amar!<\/p>\n<p><em>&ldquo;Dou-vos um mandamento novo&#8230;&rdquo; <\/em><\/p>\n<p>Compreendemos assim as palavras que Jesus dirige, de seguida, aos disc&iacute;pulos e a todos n&oacute;s: &ldquo;Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos tamb&eacute;m v&oacute;s uns aos outros. Nisto reconhecer&atilde;o que sois meus disc&iacute;pulos&rdquo; (Jo 13, 34).<\/p>\n<p>O &ldquo;mandamento novo&rdquo; n&atilde;o consiste numa norma nova e dif&iacute;cil. A novidade &eacute; o dom que nos introduz no pr&oacute;prio amor de Cristo que se torna o fundamento e a fonte permanente do amor rec&iacute;proco. Este passa a ser o sinal distintivo da identidade do crist&atilde;o e da comunidade crist&atilde;. &ldquo;O amor em abstracto nunca ter&aacute; for&ccedil;a no mundo se n&atilde;o lan&ccedil;a as suas ra&iacute;zes em comunidades concretas, constru&iacute;das sobre o amor fraterno&rdquo; (Bento XVI).<\/p>\n<p>Deste modo, Jesus funda a Igreja no Amor, constitui-a comunidade de amor e servi&ccedil;o, tra&ccedil;a a sua miss&atilde;o no mundo e indica o sinal da credibilidade crist&atilde;.<\/p>\n<p><strong>2.2. O &Iacute;cone do Bom Samaritano ( Lc 10, 25-37): <em>Vai e faz o mesmo tu tamb&eacute;m<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A par&aacute;bola do Bom Samaritano &eacute; uma aut&ecirc;ntica p&eacute;rola do Evangelho. Indica-nos como viver no mundo e no dia-a-dia o amor que Deus derrama nos nossos cora&ccedil;&otilde;es. Mostra-nos o caminho do amor que Jesus percorreu em primeiro lugar, Ele, o Bom Samaritano por excel&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><em>O homem &ldquo;meio morto&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>No homem assaltado, espancado e abandonado entra a vida e a morte, podemos ler a hist&oacute;ria da humanidade sofredora: do ser humano com todas as feridas do corpo e do esp&iacute;rito que desfiguram a sua humanidade; de todo o homem e mulher atingidos pela viol&ecirc;ncia, pela indiferen&ccedil;a, pelo abandono, pelo desamparo, pela solid&atilde;o e marginaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>&ldquo;Viu-o e encheu-se de compaix&atilde;o&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Antes de descrever os gestos concretos com que o samaritano cuida do homem moribundo, a par&aacute;bola diz: &ldquo;Viu-o e encheu-se de compaix&atilde;o&rdquo;, ou mais &agrave; letra, &ldquo;comoveu-se at&eacute; &agrave;s entranhas&rdquo;. Esta palavra &ldquo;como&ccedil;&atilde;o&rdquo; &ndash; que na B&iacute;blia designa o amor entranhado e compassivo de Deus para com os homens &ndash; descreve o acontecimento misterioso que brotou no cora&ccedil;&atilde;o do samaritano, que o atraiu para dentro do amor entranhado de Deus e o envolveu na sua profundidade e totalidade; que lhe abriu os olhos, o levou a fazer-se pr&oacute;ximo do homem ferido e a cuidar dele.<\/p>\n<p><em>Um cora&ccedil;&atilde;o que v&ecirc; e actua <\/em><\/p>\n<p>&Agrave; compaix&atilde;o de Deus est&aacute; ligada uma nova forma de ver: um cora&ccedil;&atilde;o que v&ecirc;! &ldquo;Jesus Cristo n&atilde;o nos ensina uma m&iacute;stica &lsquo;dos olhos fechados&rsquo;, mas sim uma m&iacute;stica do &lsquo;olhar aberto&rsquo;; e, com isso, o dever de perceber a condi&ccedil;&atilde;o dos outros, a situa&ccedil;&atilde;o em que se encontra aquele homem que, segundo o Evangelho, &eacute; o nosso pr&oacute;ximo. O olhar de Jesus, a escola dos olhos de Jesus introduz numa proximidade humana, na solidariedade, na partilha do tempo, dos dotes e tamb&eacute;m dos dons materiais&rdquo; ( Bento XVI).<\/p>\n<p><em>&ldquo;Trata bem dele&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>O samaritano cuidou daquele homem abandonado com gestos de ajuda concreta para o restabelecer. Nestes gestos deu-se a si mesmo. Verificando que por si s&oacute; n&atilde;o o podia ajudar at&eacute; ao fim, compreendeu que era necess&aacute;rio o envolvimento dos outros, a sua colabora&ccedil;&atilde;o, a ajuda solid&aacute;ria e eficaz. Confia o homem ferido ao cuidado do dono da estalagem: &ldquo;trata bem dele&#8230;&rdquo;. Assim, comunica tamb&eacute;m aos outros a compaix&atilde;o pelo outro.<\/p>\n<p><em>&ldquo;Qual te parece ter sido o pr&oacute;ximo?&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>No di&aacute;logo com o doutor da Lei vem ao de cima a novidade introduzida por Jesus: o pr&oacute;ximo &eacute; aquele que se faz pr&oacute;ximo daquele que precisa de ajuda. Pr&oacute;ximo n&atilde;o &eacute; o nome do outro, do homem meio morto; &eacute; o nome do samaritano, o nome de todo o homem que se aproxima, com a compaix&atilde;o de Deus, dos pobres e abandonados, e actua.<\/p>\n<p><em>&ldquo;Vai e faz o mesmo tu tamb&eacute;m&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Eis o convite e o mandato a tornar-se pr&oacute;ximo no amor, na aten&ccedil;&atilde;o, no cuidado, na partilha e no servi&ccedil;o a todo o ser humano. Eis a miss&atilde;o da Igreja samaritana da humanidade, enviada ao mundo, a cada ser humano e a cada povo, para levar a compaix&atilde;o, a dignidade e a esperan&ccedil;a dos filhos de Deus. Como diz Bento XVI: &ldquo;O programa do crist&atilde;o &ndash; o programa do Bom Samaritano, o programa de Jesus &ndash; &eacute; &lsquo;um cora&ccedil;&atilde;o que v&ecirc;&rsquo; onde h&aacute; necessidade de amor e actua em consequ&ecirc;ncia&rdquo; (DCE n. 31).<\/p>\n<p>&nbsp;<strong>2.3. O &Iacute;cone do Ju&iacute;zo Universal ( Mt 25, 31-46): <em>&#8230;Foi a mim mesmo que o fizestes.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na hist&oacute;ria da espiritualidade crist&atilde;, dificilmente encontramos um texto<strong> <\/strong>que tenha suscitado um fasc&iacute;nio t&atilde;o grande como este discurso de Jesus sobre o Ju&iacute;zo Universal.<\/p>\n<p>N&atilde;o estamos perante uma reportagem de tipo jornal&iacute;stico sobre o fim do mundo e o ju&iacute;zo final. Trata-se do discurso conclusivo de Jesus para mostrar que a dimens&atilde;o do amor do pr&oacute;ximo est&aacute; no centro do Reino de Deus, que foi apresentado ao longo do Evangelho. Esse amor ao pr&oacute;ximo joga um papel decisivo nas op&ccedil;&otilde;es de cada um em rela&ccedil;&atilde;o a Cristo. Esta mensagem &eacute;-nos apresentada numa cena grandiosa, cheia de elementos simb&oacute;licos: a convoca&ccedil;&atilde;o de todos os povos diante de Cristo, Pastor da humanidade, Senhor e Juiz da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p><em>&ldquo;Tive fome e destes-me de comer&#8230;&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Esta p&aacute;gina evang&eacute;lica diz-nos que, no final, todos seremos julgados pelo amor. A grande surpresa dos &ldquo;julgados&rdquo; &eacute; precisamente o crit&eacute;rio do exame ou ju&iacute;zo: &ldquo;Tive fome e destes-me de comer &#8230; Senhor, quando foi que te vimos com fome&#8230;?&rdquo;. O crit&eacute;rio do ju&iacute;zo &eacute; o amor manifestado nas obras de miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p><em>&ldquo;Foi a mim mesmo que o fizestes&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Contudo, a grande novidade do texto &eacute; que Cristo se identifica com aqueles que passam fome, sede, nudez, doen&ccedil;a, pris&atilde;o&#8230; &ldquo;Sempre que fizestes isto a um destes meus irm&atilde;os mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes&rdquo;. J&aacute; n&atilde;o se pode separar Cristo dos necessitados, dos pobres. O que se faz de bem a eles, &eacute; ao pr&oacute;prio Cristo que se faz. N&atilde;o os servindo, n&atilde;o se serve a Cristo. Jesus &eacute; amado no amor de uns pelos outros.<\/p>\n<p>Nesta passagem, Jesus enumera as obras de miseric&oacute;rdia. A salva&ccedil;&atilde;o ou a ru&iacute;na passam por estes pequenos\/grandes gestos quotidianos. Todos podemos percorrer o caminho das obras de miseric&oacute;rdia, actualizando-as nos dias de hoje. Elas s&atilde;o os sinais postos no caminho do amor.<\/p>\n<p><em>Sintetizando,<\/em> podemos concluir com um belo texto do Papa Bento XVI: &ldquo;A caridade &eacute; o distintivo do crist&atilde;o. &Eacute; a s&iacute;ntese de toda a sua vida: do que cr&ecirc; e do que faz. &Eacute; a luz que d&aacute; bondade e beleza &agrave; exist&ecirc;ncia de cada homem. &Eacute; o comportamento de quem responde ao amor de Deus e faz da pr&oacute;pria vida um dom de si a Deus e ao pr&oacute;ximo. &Eacute; o caminho da santidade. A vida dos santos, de cada santo, &eacute; um hino &agrave; caridade, um c&acirc;ntico vivo ao amor de Deus&rdquo;!<\/p>\n<p><strong>3. A IGREJA, CASA E ESCOLA DA CARIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Chegados aqui vamos tirar algumas conclus&otilde;es de ordem pr&aacute;tica que sirva de orienta&ccedil;&atilde;o &agrave; programa&ccedil;&atilde;o da pastoral s&oacute;cio-caritativa.<\/p>\n<p>Antes de mais, a caridade &eacute; uma componente fundamental da vida e da miss&atilde;o da Igreja, de cada comunidade crist&atilde; e de cada fiel crist&atilde;o, tal como o s&atilde;o o an&uacute;ncio do Evangelho e a celebra&ccedil;&atilde;o dos Sacramentos da Gra&ccedil;a. <em>A Igreja vive da caridade<\/em>: anuncia-a, celebra-a e testemunha-a.<\/p>\n<p><em>A caridade deveria pois tornar-se o estilo habitual de viver da comunidade crist&atilde;, a sua linguagem quotidiana, o modo com que ela se aproxima de cada pessoa, a marca de todo o itiner&aacute;rio catequ&eacute;tico, a forma que deve caracterizar toda a rela&ccedil;&atilde;o, a atitude com que se exerce cada minist&eacute;rio e servi&ccedil;o.<\/em> De resto, ela &eacute; uma linguagem universal que n&atilde;o precisa de int&eacute;rpretes. Desde sempre a Igreja anunciou o Evangelho com os gestos da caridade.<\/p>\n<p>&ldquo;O amor do pr&oacute;ximo, radicado no amor de Deus, &eacute; um dever antes de mais para cada um dos fi&eacute;is, mas &eacute;-o tamb&eacute;m para a comunidade eclesial inteira, e isto a todos os seus n&iacute;veis: desde a comunidade local, passando pela Igreja particular, at&eacute; &agrave; Igreja universal na sua globalidade. A Igreja tamb&eacute;m enquanto comunidade deve praticar o amor&rdquo; (DCE n. 20). <em>A comunidade crist&atilde;, no seu conjunto, &eacute; portanto sujeito da caridade e esta n&atilde;o &eacute; deleg&aacute;vel a um grupo de boa vontade, a uma institui&ccedil;&atilde;o social ou a especialistas na mat&eacute;ria.<\/em><\/p>\n<p>Assim, a primeira preocupa&ccedil;&atilde;o de cada comunidade dever&aacute; ser a de sensibilizar, educar e formar todos os seus membros para a viv&ecirc;ncia e o testemunho da caridade. Como? Nas indica&ccedil;&otilde;es que seguem propomos um itiner&aacute;rio de forma&ccedil;&atilde;o e de ac&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>3.1. Cultivar a espiritualidade do dom, da partilha e do servi&ccedil;o<\/strong><\/p>\n<p>A caridade crist&atilde;, como nos ensina S. Paulo (cf 1 Cor 13), exprime-se antes de mais em orienta&ccedil;&otilde;es profundas da pessoa humana. N&atilde;o &eacute; uma mera filantropia. O motivo principal do agir deve ser sempre o amor de Cristo derramado nos nossos cora&ccedil;&otilde;es. A caridade &eacute;, ent&atilde;o, mais do que uma simples actividade de ajuda; &eacute; rela&ccedil;&atilde;o e dom de si na partilha e no servi&ccedil;o. Este dom deve ser humilde, liberto de qualquer sentido de superioridade. A sua for&ccedil;a vem do alto. Como viver pois a caridade sem alimentar a sua chama interior na Palavra, na ora&ccedil;&atilde;o e na medita&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>O amor evang&eacute;lico exige um trabalho delicado no cora&ccedil;&atilde;o de cada um de n&oacute;s: um verdadeiro itiner&aacute;rio espiritual que requer a escuta da Palavra de Deus, um exerc&iacute;cio paciente de convers&atilde;o dos pensamentos, sentimentos, comportamentos e reac&ccedil;&otilde;es, uma purifica&ccedil;&atilde;o do ego&iacute;smo e comodismo, uma grande disponibilidade ao amor pelos mais fr&aacute;geis, uma generosa capacidade de partilha, uma participa&ccedil;&atilde;o mais calorosa e atenta na vida da comunidade. &Eacute; indispens&aacute;vel um fervor espiritual que nos pode contagiar na familiaridade com a vida dos santos.<\/p>\n<p>Para ajudar a cultivar esta espiritualidade continuaremos, como nos anos anteriores, a <em>propor o Retiro para o Povo de Deus,<\/em> durante a Quaresma, sob a forma de uma breve &ldquo;Leitura orante da Palavra de Deus&rdquo; (<em>lectio divina<\/em>), acompanhada pelo testemunho da vida de alguns santos e de outros exemplos luminosos da caridade. Pe&ccedil;o aos p&aacute;rocos que se empenhem com toda a paix&atilde;o na divulga&ccedil;&atilde;o, no incentivo e na prepara&ccedil;&atilde;o adequada e atempada deste retiro para que possa produzir muitos frutos.<\/p>\n<p>&nbsp;<strong>3.2. O testemunho do amor fraterno<\/strong><\/p>\n<p><em>O primeiro testemunho &eacute; o do amor fraterno dentro da comunidade crist&atilde;.<\/em> Sem um estilo de fraternidade, de proximidade, de cuidado das rela&ccedil;&otilde;es entre as pessoas, os grupos e os movimentos, a comunidade n&atilde;o irradia o Evangelho da caridade, n&atilde;o realizar&aacute; a sua miss&atilde;o. Jesus afirma que reconhecer&atilde;o os seus disc&iacute;pulos pelo amor rec&iacute;proco. &Eacute; preciso que as nossas comunidades d&ecirc;em exemplo de rela&ccedil;&otilde;es pessoais sinceras, acolhedoras, pacientes, reconciliadoras. S&oacute; assim se tornar&atilde;o testemunho e profecia da caridade.<\/p>\n<p><em>Sem o cuidado das rela&ccedil;&otilde;es fraternas, a comunidade assemelha-se a uma pequena ou m&eacute;dia empresa<\/em> que funciona mais ou menos, onde as presta&ccedil;&otilde;es e os balan&ccedil;os contam mais do que as rela&ccedil;&otilde;es. Ora a Igreja n&atilde;o nasceu como uma empresa, mas sim como uma fam&iacute;lia, onde o que conta &eacute; a aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas e a rela&ccedil;&atilde;o fraterna.<\/p>\n<p><strong>3.3. O testemunho de proximidade aos mais vulner&aacute;veis e aos mais pobres<\/strong><\/p>\n<p>A dedica&ccedil;&atilde;o e o apoio &agrave; pessoa do irm&atilde;o necessitado s&atilde;o um aspecto irrenunci&aacute;vel da caridade, particularmente para com os mais vulner&aacute;veis e os mais pobres, os que s&atilde;o abandonados at&eacute; ao limite da resist&ecirc;ncia porque n&atilde;o conseguem fazer-se ouvir.<em> &ldquo;O amor preferencial pelos pobres &eacute; uma dimens&atilde;o necess&aacute;ria do ser crist&atilde;o e do servi&ccedil;o do Evangelho<\/em>&rdquo;(EE n. 86).<\/p>\n<p>Trata-se, antes de mais, de abrir os olhos e o cora&ccedil;&atilde;o para tomar consci&ecirc;ncia das pessoas que vivem uma situa&ccedil;&atilde;o de necessidade; para aprender a reconhecer as pobrezas com que muitas vezes se convive na maior indiferen&ccedil;a; para identificar e partilhar as diversas situa&ccedil;&otilde;es de fragilidade. Penso em concreto nos doentes, nos idosos, nos s&oacute;s, nos portadores de defici&ecirc;ncia e seus familiares, nas v&iacute;timas da crise econ&oacute;mica, nos sem abrigo, nos migrantes, nos ciganos, nas situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e de depend&ecirc;ncia da droga ou do &aacute;lcool.&nbsp;<\/p>\n<p><em>Torna-se pois necess&aacute;rio que cada comunidade trace um quadro o mais completo poss&iacute;vel das diversas formas de pobreza e de fragilidade que existem no seu meio e verifique as possibilidades, os meios e os modos de actua&ccedil;&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p><strong>3.4. A caridade no itiner&aacute;rio da inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;<\/strong><\/p>\n<p>Ser iniciado &agrave; f&eacute; implica necessariamente ser iniciado ao amor fraterno. Ent&atilde;o h&aacute; que fazer da caridade uma componente indispens&aacute;vel da catequese, de modo a proporcionar &agrave;s crian&ccedil;as e aos adolescentes <em>a aprendizagem da capacidade de doa&ccedil;&atilde;o, de partilha e de servi&ccedil;o<\/em>. Esta aprendizagem deveria tornar-se pr&aacute;tica habitual para os crismandos atrav&eacute;s de experi&ecirc;ncias concretas &ndash; bem preparadas, acompanhadas e orientadas &ndash;, de visita e at&eacute; de servi&ccedil;o a institui&ccedil;&otilde;es que cuidam dos mais vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p><strong>3.5. A Eucaristia, Sacramento da Caridade<\/strong><\/p>\n<p>Outro momento de inicia&ccedil;&atilde;o &agrave; caridade e fonte permanente do seu dinamismo &eacute; a celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia. Nela &ldquo;Jesus faz de n&oacute;s testemunhas da compaix&atilde;o de Deus por cada irm&atilde;o e irm&atilde;; nasce assim, &agrave; volta do mist&eacute;rio eucar&iacute;stico, o servi&ccedil;o da caridade para com o pr&oacute;ximo, que consiste precisamente no facto de eu amar, em Deus e com Deus, a pessoa que n&atilde;o me agrada ou nem sequer conhe&ccedil;o. (&#8230;) Ent&atilde;o aprendo a ver aquela pessoa j&aacute; n&atilde;o somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo. Desta forma, nas pessoas que contacto reconhe&ccedil;o irm&atilde;os e irm&atilde;s, pelos quais o Senhor deu a sua vida amando-os &lsquo;at&eacute; ao fim&rsquo; ( Jo 13, 1)&rdquo; (SC n. 88).<\/p>\n<p>O pr&oacute;prio gesto da paz, na celebra&ccedil;&atilde;o, convida-nos a &ldquo;fazer-nos pr&oacute;ximo&rdquo; da pessoa que est&aacute; a nosso lado; n&atilde;o porque a escolhemos n&oacute;s mas porque Deus a chamou e a p&ocirc;s a&iacute;. A recolha das ofertas tamb&eacute;m promove a aten&ccedil;&atilde;o e a solidariedade para com as necessidades dos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Recomendo aos sacerdotes que, na celebra&ccedil;&atilde;o da Santa Missa, usem mais frequentemente a Ora&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica V\/D, do Missal Romano, intitulada &ldquo;Jesus passou fazendo o bem&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>3.6. A coopera&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria<\/strong><\/p>\n<p>Uma forma importante de caridade fraterna &eacute; a coopera&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria entre as Igrejas, com particular aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s Igrejas do chamado Terceiro Mundo. O interc&acirc;mbio dos dons da f&eacute; e dos valores culturais e a comunh&atilde;o dos bens econ&oacute;micos oferecem um campo imenso de pr&aacute;tica da caridade em ordem &agrave; promo&ccedil;&atilde;o humana e crist&atilde;.<\/p>\n<p>A nossa Diocese est&aacute; envolvida numa gemina&ccedil;&atilde;o com a diocese do Sumbe em Angola. Temos a trabalhar na miss&atilde;o do Gungo uma equipa constitu&iacute;da por um padre e alguns leigos volunt&aacute;rios.<em> Fa&ccedil;o um apelo para que esta realidade seja dada a conhecer em cada uma das nossas comunidades, <\/em>de tal modo que se torne interpeladora e suscitadora de voca&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias entre os jovens e menos jovens, em forma de voluntariado, e que cada comunidade se sinta correspons&aacute;vel neste projecto.<\/p>\n<p><strong>3.7. Servi&ccedil;os diocesanos de apoio &agrave; pastoral s&oacute;cio-caritativa<\/strong><\/p>\n<p>A Diocese tem v&aacute;rios servi&ccedil;os centrais organizados para promover e apoiar a pr&aacute;tica da caridade, em todas as suas formas e em todas as comunidades, sob a coordena&ccedil;&atilde;o do Departamento da Pastoral Social, a saber: a Caritas Diocesana, a Comiss&atilde;o Diocesana Justi&ccedil;a e Paz, o Servi&ccedil;o de Pastoral da Sa&uacute;de e o Servi&ccedil;o de Apoio Pastoral &agrave; Mobilidade Humana.<\/p>\n<p>A Caritas &eacute; a express&atilde;o da actividade s&oacute;cio-caritativa organizada da nossa Igreja diocesana. &Eacute;, pois, um organismo pastoral para ajudar toda a comunidade diocesana a tornar-se comunidade de caridade, respondendo &agrave;s necessidades imediatas das situa&ccedil;&otilde;es de pobreza. Para alcan&ccedil;ar este objectivo compete-lhe tamb&eacute;m promover ac&ccedil;&otilde;es de sensibiliza&ccedil;&atilde;o e coordenar e apoiar as iniciativas dos v&aacute;rios grupos s&oacute;cio-caritativos que actuam neste &acirc;mbito.<\/p>\n<p><em>&Eacute; oportuno que, sob a orienta&ccedil;&atilde;o do Departamento da Pastoral Social, se avalie e repense o servi&ccedil;o s&oacute;cio-caritativo a n&iacute;vel diocesano em ordem a uma actividade mais coordenada e criativa<\/em>. Neste sentido, apelo &agrave; reflex&atilde;o conjunta e &agrave; procura de caminhos de coopera&ccedil;&atilde;o que envolva as institui&ccedil;&otilde;es de solidariedade social, as miseric&oacute;rdias, as confer&ecirc;ncias vicentinas, as confrarias e outras, que reforce a identidade e motiva&ccedil;&atilde;o crist&atilde; dos seus servi&ccedil;os, possibilite economia de meios e pessoas e leve a servir mais e melhor as pessoas carenciadas.<\/p>\n<p><strong>3.8. Servi&ccedil;o s&oacute;cio-caritativo paroquial<\/strong><\/p>\n<p><em>Em cada comunidade, o servi&ccedil;o da caridade deve ser cuidado, organizado e estruturado, tal como os servi&ccedil;os da Palavra e da Liturgia<\/em>, para que a caridade n&atilde;o seja algo meramente pontual ou ocasional. Para tal &eacute; preciso que se encontrem espa&ccedil;os, instrumentos e pessoas.<strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n<p>Em ordem a tornar efectiva a pr&aacute;tica da caridade<em> &eacute; necess&aacute;rio que em cada par&oacute;quia se constitua um servi&ccedil;o s&oacute;cio-caritativo <\/em>reconhecido e com representa&ccedil;&atilde;o no Conselho Pastoral. Este servi&ccedil;o assumir&aacute; a fun&ccedil;&atilde;o de animar e coordenar a pr&aacute;tica da caridade na diversidade das express&otilde;es existentes, de modo a que se possa fazer uma programa&ccedil;&atilde;o calendarizada de iniciativas, encontros e celebra&ccedil;&otilde;es tal como se faz com a Catequese e a Liturgia.<\/p>\n<p>Para uma resposta mais pronta e eficaz &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de necessidade <em>&eacute; salutar que os servi&ccedil;os s&oacute;cio-caritativos das par&oacute;quias trabalhem em rede dentro de cada vigararia e com a Caritas diocesana.<\/em><\/p>\n<p><strong>3.9. Promo&ccedil;&atilde;o do voluntariado<\/strong><\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia do voluntariado &eacute; uma aut&ecirc;ntica escola de vida e de fraternidade onde se aprende a acolher o outro, a cultivar o esp&iacute;rito de generosidade e servi&ccedil;o, a partilhar os dons e a p&ocirc;-los a render em prol dos outros. Para os jovens &eacute; um caminho particularmente eficaz para lhes abrir horizontes de solidariedade, para orientar as suas energias, por vezes desperdi&ccedil;adas em experi&ecirc;ncias de transgress&atilde;o, para vencer as pr&oacute;prias fragilidades e os preparar para as op&ccedil;&otilde;es maduras da vida.<em><\/em><\/p>\n<p>De igual modo, podem ser valorizadas as possibilidades de muitos profissionais leigos que, por vezes, apenas est&atilde;o &agrave; espera de poderem p&ocirc;r &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do bem comum as suas compet&ecirc;ncias e, assim, se sentirem participantes na comunidade eclesial.<\/p>\n<p>A par&oacute;quia pode tornar-se o espa&ccedil;o adequado onde confluam estas compet&ecirc;ncias e boas vontades, promovendo quanto existe de bom e de v&aacute;lido nas malhas do tecido social.<\/p>\n<p>Apraz-me aqui reconhecer e agradecer &agrave; multid&atilde;o de pessoas que, nos v&aacute;rios &acirc;mbitos da Igreja diocesana, nas par&oacute;quias, em in&uacute;meros servi&ccedil;os e institui&ccedil;&otilde;es, mesmo civis e de solidariedade, exercem o voluntariado, gratuita e dedicadamente, ao servi&ccedil;o das pessoas carenciadas. Bem hajam!<\/p>\n<p><strong>3.10. Perfil espec&iacute;fico e a necessidade de forma&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p><em>&ldquo;Fazer bem o bem que se faz&rdquo;<\/em> &eacute; uma exig&ecirc;ncia da caridade inteligente e respeitadora da dignidade da pessoa. N&atilde;o basta pois o voluntarismo ou o amadorismo. &Eacute; necess&aacute;ria uma forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica e por vezes especializada que tenha em conta o perfil espec&iacute;fico da actividade caritativa da Igreja.<\/p>\n<p>Requerem-se, antes de mais, <em>compet&ecirc;ncia profissional,<\/em> continuidade no empenho assumido, conhecimento dos problemas, disponibilidade para trabalhar juntos nos objectivos e projectos. &Eacute; fundamental a capacidade de actuar em rede para optimizar os recursos sem dispersar for&ccedil;as.<\/p>\n<p>Todavia, a actividade caritativa n&atilde;o pode ser reduzida a uma mera assist&ecirc;ncia social nem ser compreendida s&oacute; a partir da l&oacute;gica profissional. Para al&eacute;m da ajuda ou apoio material, ela &eacute; express&atilde;o de <em>amor e aten&ccedil;&atilde;o &agrave; pessoa na sua totalidade.<\/em> &ldquo;Por isso, para tais agentes, requer-se tamb&eacute;m e sobretudo a &lsquo;forma&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o&rsquo;&#8230; a dedica&ccedil;&atilde;o ao outro com todas as aten&ccedil;&otilde;es sugeridas pelo cora&ccedil;&atilde;o, de modo que ele sinta a riqueza da sua humanidade&rdquo; (DCE n. 31): a proximidade, o acolhimento, a escuta, a rela&ccedil;&atilde;o, a ternura, a partilha&#8230;<\/p>\n<p>A actividade caritativa da Igreja, como facilmente se compreende, deve ser <em>independente de<\/em> <em>ideologias e partidos, sem proselitismo, n&atilde;o lucrativa e humilde<\/em> na aproxima&ccedil;&atilde;o aos necessitados.<em><\/em><\/p>\n<p><em>A coopera&ccedil;&atilde;o com os organismos do Estado<\/em> &eacute; ditada por objectivos comuns em ordem a servir mais, melhor e mais eficazmente. Esta coopera&ccedil;&atilde;o exige seriedade da parte das institui&ccedil;&otilde;es da Igreja e o cuidado para n&atilde;o deixar que se perca a sua identidade crist&atilde;.<\/p>\n<p><em>Ao longo do Ano Pastoral promoveremos uma ac&ccedil;&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o para os servi&ccedil;os e grupos s&oacute;cio-caritativos em cada vigararia<\/em>.<\/p>\n<p><strong>3.11. Fam&iacute;lia, o primeiro lar da caridade<\/strong><\/p>\n<p>A primeira casa e escola onde somos iniciados &agrave; caridade e chamados a viv&ecirc;-la e a testemunh&aacute;-la &eacute;, por natureza, a fam&iacute;lia. &ldquo;A caridade bem ordenada come&ccedil;a na pr&oacute;pria casa&rdquo;, diz o ad&aacute;gio. &Eacute; a&iacute; que fazemos a primeira experi&ecirc;ncia do amor humano mais gratuito e generoso: de pais e filhos e de irm&atilde;os. Hoje, m&uacute;ltiplos factores, desde o desencontro dos hor&aacute;rios de trabalho at&eacute; &agrave;s solicita&ccedil;&otilde;es das novas tecnologias, desde a ruptura cultural entre as gera&ccedil;&otilde;es &agrave; perda de valores educativos, provocam um curto circuito na circula&ccedil;&atilde;o e no crescimento deste amor familiar: na proximidade, na disponibilidade, no acolhimento, no di&aacute;logo e no sacrif&iacute;cio de uns pelos outros. <em>A caridade, o amor gratuito, oblativo e generoso &eacute; o que torna mais bela a fam&iacute;lia. <\/em>Por isso, sugiro a cada fam&iacute;lia fazer um exame de consci&ecirc;ncia sobre a qualidade das suas rela&ccedil;&otilde;es, cultivar gestos de partilha com os mais necessitados, educar os filhos para a generosidade e gratuidade no servi&ccedil;o aos outros. Com confian&ccedil;a e afecto fa&ccedil;o um apelo: <em>&ldquo;Fam&iacute;lia, reacende o fogo da caridade que est&aacute; em ti&rdquo;!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<strong>3.12. A caridade, fonte de voca&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>Creio que, se durante este ano pastoral conseguirmos atear o fogo da caridade nas fam&iacute;lias e nas comunidades crist&atilde;s, poderemos ter fundada esperan&ccedil;a numa primavera vocacional. Relembro o testemunho de Santa Teresa do Menino Jesus: &ldquo;Compreendi que s&oacute; o amor fazia actuar os membros da Igreja e que se o amor viesse a extinguir-se nem os Ap&oacute;stolos continuariam a anunciar o Evangelho, nem os m&aacute;rtires a derramar o seu sangue; compreendi que o amor encerra em si todas as voca&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<em> O servi&ccedil;o de anima&ccedil;&atilde;o vocacional nas comunidades tamb&eacute;m &eacute; servi&ccedil;o de caridade!<\/em><\/p>\n<p><strong>3.13. Centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es: F&aacute;tima, escola de caridade e de servi&ccedil;o aos irm&atilde;os<\/strong><\/p>\n<p>No primeiro domingo do Advento, iniciaremos um per&iacute;odo de 7 anos de prepara&ccedil;&atilde;o para o Centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es da Senhora &ldquo;vinda do C&eacute;u&rdquo; visitar a nossa terra com uma mensagem de amor e de paz a uma humanidade dividida por &oacute;dios e guerras fratricidas. &ldquo;Com a fam&iacute;lia humana pronta a sacrificar os seus la&ccedil;os mais sagrados no altar de mesquinhos ego&iacute;smos de na&ccedil;&atilde;o, etnia, ra&ccedil;a, ideologia, grupo, indiv&iacute;duo, veio do C&eacute;u a nossa bendita M&atilde;e oferecendo-se para transplantar no cora&ccedil;&atilde;o de quantos se lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Eram ent&atilde;o s&oacute; tr&ecirc;s, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superf&iacute;cie da terra &#8211; nomeadamente &agrave; passagem da Virgem peregrina -, que se votaram &agrave; causa da solidariedade fraterna&rdquo; (Bento XVI, Homilia em F&aacute;tima).<\/p>\n<p>Espero que os diocesanos de Leiria-F&aacute;tima, terra agraciada com a visita&ccedil;&atilde;o da Senhora, primem nesta prepara&ccedil;&atilde;o espiritual e ajudem a tornar F&aacute;tima cada vez mais escola de caridade e de servi&ccedil;o aos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Maria, no mist&eacute;rio da Visita&ccedil;&atilde;o a Isabel, &eacute; um &iacute;cone vivo do servi&ccedil;o da caridade. A ela, M&atilde;e do Amor perfeito e belo, confiamos o bom &ecirc;xito do Ano Pastoral: <em>&ldquo;M&atilde;e da Visita&ccedil;&atilde;o, ajuda-nos a ser como Tu, atentos, inteligentes, concretos, alegres, ternos e generosos no servi&ccedil;o humilde da caridade&rdquo;! <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre todos v&oacute;s, caros irm&atilde;os e irm&atilde;s, invoco a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do Senhor e proponho-vos uma ora&ccedil;&atilde;o da Liturgia para rezarmos, com frequ&ecirc;ncia, durante o ano pastoral:<\/p>\n<p><em>Pai Santo, dai-nos o Esp&iacute;rito do Amor.<\/em><\/p>\n<p><em>Abri os olhos do nosso cora&ccedil;&atilde;o <\/em><\/p>\n<p><em>&agrave;s necessidades e aos sofrimentos dos irm&atilde;os;<\/em><\/p>\n<p><em>inspirai as nossas palavras e obras<\/em><\/p>\n<p><em>para confortarmos os que andam cansados e oprimidos;<\/em><\/p>\n<p><em>e ensinai-nos a servi-los de cora&ccedil;&atilde;o sincero, <\/em><\/p>\n<p><em>segundo o exemplo e o mandamento de Cristo.<\/em><\/p>\n<p><em>Fazei que a vossa Igreja seja o testemunho vivo<\/em><\/p>\n<p><em>da verdade e da liberdade, da justi&ccedil;a e da paz,<\/em><\/p>\n<p><em>para que em todos os homens se renove a esperan&ccedil;a do mundo novo.<\/em><\/p>\n<p>Feliz Ano Pastoral!<\/p>\n<p>Um abra&ccedil;o amigo do vosso irm&atilde;o bispo,<\/p>\n<p><em>&dagger; Ant&oacute;nio Marto, Bispo de Leiria-F&aacute;tima<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;Leiria, 28 de Agosto de 2010, Festa de Santo Agostinho, Padroeiro da Diocese<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Car&iacute;ssimos Diocesanos, Irm&atilde;os e irm&atilde;s em Cristo, A v&oacute;s, gra&ccedil;a e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das miseric&oacute;rdias e o Deus de toda a consola&ccedil;&atilde;o. Ele nos consola em toda a nossa tribula&ccedil;&atilde;o, para que tamb&eacute;m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,106,114,120,127,191,199,245,246,248,282,91,294,314,329],"class_list":["post-47006","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-angola","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-economia","tag-espiritualidade","tag-lepra","tag-liturgia","tag-madre-teresa","tag-pastoral-social","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47006"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47006\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}