{"id":46915,"date":"2010-08-25T16:49:14","date_gmt":"2010-08-25T16:49:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/08\/25\/madre-teresa-de-calcuta-nasceu-ha-100-anos\/"},"modified":"2010-08-25T16:49:14","modified_gmt":"2010-08-25T16:49:14","slug":"madre-teresa-de-calcuta-nasceu-ha-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/madre-teresa-de-calcuta-nasceu-ha-100-anos\/","title":{"rendered":"Madre Teresa de Calcut\u00e1 nasceu h\u00e1 100 anos"},"content":{"rendered":"<p>Em Skopje, capital da Maced&oacute;nia, pequena cidade com cerca de vinte mil habitantes, nasceu, a 26 de Agosto de 1910, Ganxhe Bojaxhiu. A sua fam&iacute;lia era cat&oacute;lica e pertencia &agrave; minoria albanesa que vivia no Sul da antiga Jugosl&aacute;via. Um dia ap&oacute;s o seu nascimento, Ganxhe recebeu o Baptismo e a sua educa&ccedil;&atilde;o teve lugar numa escola estatal durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial. Com um timbre de voz muito suave e harmonioso, a pequena Ganxhe tornou-se solista do coro da igreja da sua aldeia e, mais tarde, chegou a dirigir esse mesmo coro paroquial.<\/p>\n<p>Em 1912, quando Ganxhe tinha apenas dois anos, Skopje libertou-se do dom&iacute;nio turco e conseguiu a sua independ&ecirc;ncia. Tornou-se a capital da Rep&uacute;blica albanesa da Maced&oacute;nia. Poucos anos depois, caiu sob o poder sucessivo da S&eacute;rvia, Gr&eacute;cia e Bulg&aacute;ria.<\/p>\n<p>Na c&eacute;lula familiar, e devido ao fervor religioso de sua m&atilde;e, Drana, a menina come&ccedil;ou a dar sinais de voca&ccedil;&atilde;o religiosa. Tinha na altura 12 anos. Ganxhe Bojaxhiu e seus dois irm&atilde;os mais velhos &#8211; Age e L&aacute;zaro &#8211;&nbsp; mantinham uma rela&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel. L&aacute;zaro, que morreu em 1981, chegou a relatar que naquela fam&iacute;lia &ldquo;nada faltava porque o pai tinha um neg&oacute;cio de materiais de constru&ccedil;&atilde;o, em sociedade com um italiano, e possu&iacute;a duas casas com jardim&rdquo;.<\/p>\n<p>Com a morte do pai surgiram dificuldades financeiras, mas a religiosidade naquela fam&iacute;lia intensificou-se. Nas idas de Drana e seus filhos ao Santu&aacute;rio da Virgem de Letnice, a mais nova da prole &ndash; a futura Teresa &#8211; gostava de ficar sozinha durante os of&iacute;cios religiosos. O mesmo acontecia nas visitas di&aacute;rias &agrave; Igreja da Par&oacute;quia do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Ganxhe permanecia horas em sil&ecirc;ncio&rdquo; &ndash; relatou a m&atilde;e.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m desta viv&ecirc;ncia espiritual, o Pe. Frnajo Jambrekovic descobriu que Ganxhe gostava muito de ler os relatos dos mission&aacute;rios. Leitora ass&iacute;dua deste g&eacute;nero liter&aacute;rio-religioso, a jovem &laquo;perdia horas&raquo; a beber as cr&oacute;nicas que os jesu&iacute;tas de Skopje enviavam sobre o seu trabalho mission&aacute;rio na &Iacute;ndia. &ldquo;N&atilde;o tinha completado ainda 12 anos, quando senti o desejo de ser mission&aacute;ria&#8221; &#8211;&nbsp; contou, mais tarde, Madre Teresa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voca&ccedil;&atilde;o precoce<\/strong><\/p>\n<p>Ainda crian&ccedil;a, Ganxhe entrou para a Congrega&ccedil;&atilde;o Mariana das Filhas de Maria que tinha uma filial na sua par&oacute;quia. Os mais pobres da regi&atilde;o recorriam &agrave; Igreja para diminu&iacute;rem as suas car&ecirc;ncias. Ganxhe sentia a sua voca&ccedil;&atilde;o a crescer ao assistir a esta actividade de assist&ecirc;ncia aos mais carecidos.<\/p>\n<p>&ldquo;Aos p&eacute;s da Virgem de Letnice escutei um dia o chamamento que me apelava a servir Deus&#8221; &#8211; disse, posteriormente, Madre Teresa e, confessou ainda, que descobriu a intensidade do chamamento &ldquo;com uma grande alegria interior&rdquo;. Quando completou 18 anos, o apelo &agrave; vida religiosa tornou-se irresist&iacute;vel para a jovem e, a 25 de Dezembro de 1928, partiu de Skopje rumo a Rathfarnham, na Irlanda, onde se situa a Casa Geral do Instituto da Beata Virgem Maria.<\/p>\n<p>Ganxhe tinha como ideal ser mission&aacute;ria na &Iacute;ndia e um sacerdote jesu&iacute;ta contribuiu para esta doa&ccedil;&atilde;o aos mais pobres devido &agrave; informa&ccedil;&atilde;o de que, na &Iacute;ndia, as freiras dessa congrega&ccedil;&atilde;o faziam um &laquo;excelente&raquo; trabalho.<\/p>\n<p>Depois de uma longa viagem, a futura religiosa chegou &agrave; casa das Irm&atilde;s de Nossa Senhora do Loreto. A estadia em Rathfarnham foi um porto intercalar j&aacute; que embarcou rumo a Bengala. Durante a primeira semana esteve em Calcut&aacute; e da&iacute; viajou at&eacute; Dajeerling, ao semin&aacute;rio da Congrega&ccedil;&atilde;o fundada pela mission&aacute;ria Mary Ward.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Escolheu o nome de Teresa<\/strong><\/p>\n<p>Feitos os estudos e chegada a hora de professar os votos tempor&aacute;rios de Pobreza, Castidade e Obedi&ecirc;ncia &ndash; 24 de Maio de 1931 &ndash; Ganxhe escolheu o nome de Teresa. De acordo com as constitui&ccedil;&otilde;es da Congrega&ccedil;&atilde;o do Loreto devia mudar de nome. &ldquo;Escolhi chamar-me Teresa&rdquo; &#8211; contou anos depois, devido &agrave; figura inspiradora de Santa Teresa D&rsquo;&Aacute;vila. No entanto &ldquo;n&atilde;o foi pela grande Teresa que escolhi o nome &ndash; disse &ndash; mas sim pela pequena: Santa Teresa de Lisieux&rdquo;. A 24 de Maio de 1937, na Festa de Maria Auxiliadora, Teresa Bojaxhiu professou, de forma perp&eacute;tua, a sua voca&ccedil;&atilde;o de religiosa.<\/p>\n<p>O seu labor em prol dos outros multiplicou-se. A sua &acirc;nsia em ajudar os mais carenciados levou-a a dedicar-se &agrave;s &laquo;Filhas de Santa Ana&raquo; &#8211; um dos ramos das freiras do Loreto que integrava irm&atilde;s indianas de Bengala &ndash; cumpridora da regra dos jesu&iacute;tas. Estas viviam como as bengalis e inspiraram Teresa no posterior nascimento das Mission&aacute;rias da Caridade. Vestidas com o sari indiano &ndash; tecido pobre feito de algod&atilde;o &ndash; comiam com as m&atilde;os, sentadas sobre a terra.<\/p>\n<p>Encarregada de dar forma&ccedil;&atilde;o espiritual &agrave;s &laquo;Filhas de Santa Ana&raquo; &#8211; hoje formam uma congrega&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma &ndash; Teresa absorveu o estilo de vida bengali e, posteriormente, transmitiu-o &agrave;s suas freiras, quando criou as &laquo;Mission&aacute;rias da Caridade&raquo;.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma viagem luminosa para Dajeerling <\/strong><\/p>\n<p>O momento da viragem aconteceu de forma imprevista. Num dos seus relatos, Teresa conta que, a 10 de Setembro de 1946, numa viagem para o convento de Dajeerling, onde ia fazer os exerc&iacute;cios espirituais, enquanto rezava sentiu um &ldquo;chamamento dentro do chamamento&rdquo;. A mensagem era clara: &ldquo;devia deixar o convento do Loreto (em Calcut&aacute;) e entregar-se ao servi&ccedil;o dos mais pobres e viver entre eles&rdquo;. Com a &laquo;ilumina&ccedil;&atilde;o divina&raquo;, Teresa sentiu uma hesita&ccedil;&atilde;o: como realiz&aacute;-la. Este dia de Setembro ficou marcado na hist&oacute;ria das Mission&aacute;rias da Caridade e, obviamente, no livro da vida de Madre Teresa como o &laquo;Dia da Inspira&ccedil;&atilde;o&raquo;.<\/p>\n<p>Teresa de Calcut&aacute; pensava nos pobres da cidade que todas as noites morrem pelas ruas e, na manh&atilde; seguinte, s&atilde;o lan&ccedil;ados para os carros de limpeza como se fossem lixo. N&atilde;o se habituava a este &laquo;terr&iacute;vel espect&aacute;culo matinal&raquo;. Queria fazer algo em prol daqueles esquel&eacute;ticos a pedir esmola na rua e a esperar que o tempo os levasse.<\/p>\n<p>A luz recebida no trajecto de Calcut&aacute; para Dajeerling foi objecto de medita&ccedil;&atilde;o no retiro de Teresa. Este terminou numa pergunta muito concreta: &ldquo;Que poderei fazer por estes infelizes?&rdquo;.<\/p>\n<p>Depois daquele di&aacute;logo com Deus regressou &agrave; &laquo;sua&raquo; Calcut&aacute; e foi falar com o Arcebispo Fernando P&eacute;rier a quem exp&ocirc;s o seu plano. Depois de ouvir atentamente a religiosa, o prelado deu-lhe um &laquo;n&atilde;o absoluto&raquo; que a deixou sem qualquer hip&oacute;tese de d&uacute;vida. Um ano depois, voltou novamente a falar com o arcebispo. Levava nos l&aacute;bios o mesmo pedido e no cora&ccedil;&atilde;o a mesma disposi&ccedil;&atilde;o para aceitar o veredicto de D. Fernando P&eacute;rier que lhe escutou os projectos. A sua simplicidade, fervor e persist&ecirc;ncia convenceram-no de que estava perante uma manifesta&ccedil;&atilde;o da vontade de Deus. Desta vez, de forma mais af&aacute;vel, aconselhou-a: &ldquo;Pe&ccedil;a primeiro autoriza&ccedil;&atilde;o &agrave; Madre Superiora&rdquo;.<\/p>\n<p>Posteriormente, D. P&eacute;rier pediu autoriza&ccedil;&atilde;o a Roma para que a Irm&atilde; Teresa deixasse as Irm&atilde;s do Loreto e a &ldquo;viver s&oacute;, fora do claustro, tendo Deus como &uacute;nico protector e guia, no meio dos mais pobres de Calcut&aacute;&rdquo;. A 12 de Abril de 1948 chegou a resposta de Pio XII que lhe concedia a desejada autoriza&ccedil;&atilde;o mas, sublinhando que, embora deixando a Congrega&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora do Loreto, a Irm&atilde; Teresa continuava religiosa sob a obedi&ecirc;ncia do arcebispo de Calcut&aacute;. Alguns meses depois (8 de Agosto de 1948) deixou o Col&eacute;gio de Santa Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nova Congrega&ccedil;&atilde;o religiosa<\/strong><\/p>\n<p>Abandonado o h&aacute;bito da Congrega&ccedil;&atilde;o do Loreto, a Irm&atilde; Teresa comprou um sari branco, debruado de azul e colocou-lhe no ombro uma pequena cruz. Foi com esta nova indument&aacute;ria &#8211; o vestido duma modesta mulher indiana &#8211;&nbsp; que passou a ser conhecida no mundo inteiro.<\/p>\n<p>A vida da religiosa sofreu novos contornos e quando a Santa S&eacute; reconheceu a Congrega&ccedil;&atilde;o &#8211; 7 de Outubro de 1950 pelo Papa Pio XII &#8211; a institui&ccedil;&atilde;o da Madre Teresa de Calcut&aacute; contava com centenas de membros em todo o mundo. Primeiro, come&ccedil;ou a levar os moribundos para um lar onde eles pudessem morrer em paz e com dignidade. De seguida, abriu um orfanato. De forma gradual, outras mulheres se lhe uniram neste projecto. Nasceu uma nova Congrega&ccedil;&atilde;o religiosa &#8211; &laquo;Mission&aacute;rias da Caridade&raquo; &#8211; para se dedicar aos mais pobres entre os pobres.<\/p>\n<p>A luz do projecto ganhou ra&iacute;zes no solo f&eacute;rtil e as voca&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram a surgir. Neste viveiro vocacional &#8211; muitas das mulheres que aderiram foram antigas alunas &#8211; Madre Teresa v&ecirc; uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus. Sem opera&ccedil;&otilde;es de marketing, o trabalho da consagrada albanesa ganhava visibilidade e as voca&ccedil;&otilde;es para &laquo;Mission&aacute;rias da Caridade&raquo; surgiam a bom ritmo.<\/p>\n<p>De abrigo em abrigo, Teresa de Calcut&aacute; dava &ndash; mais do que donativos &#8211; li&ccedil;&otilde;es de higiene e moral, palavras amigas e as m&atilde;os sempre prest&aacute;veis para qualquer trabalho. N&atilde;o foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crian&ccedil;as famintas e sujas, deficientes, enfermos de toda a esp&eacute;cie, gritavam por ela com os olhos inundados de esperan&ccedil;a: Madre Teresa! Madre Teresa!<\/p>\n<p>Os mais carenciados de Calcut&aacute; eram a sua prioridade mas o in&iacute;cio do novo projecto pastoral foi dif&iacute;cil. Sentiu a ang&uacute;stia terr&iacute;vel da solid&atilde;o.<\/p>\n<p>Com algumas d&eacute;cadas de exist&ecirc;ncia e espalhadas pelos quatro cantos do mundo, as &laquo;Mission&aacute;rias da Caridade&raquo; contam com cerca de quatro mil religiosas em 95 pa&iacute;ses. Disposta a defender a vida, a Congrega&ccedil;&atilde;o mobilizou-se sempre na defesa dos direitos dos mais pobres, contra o aborto e a eutan&aacute;sia. As na&ccedil;&otilde;es abriram as portas a Madre Teresa e suas seguidoras &ndash; incluindo a China, Cuba e a antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica &ndash; para que os valores evang&eacute;licos fossem uma realidade vivida na terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma vida premiada<\/strong><\/p>\n<p>Quando visitou a &Iacute;ndia, em 1964, Paulo VI recebeu, pessoalmente, a mulher do cora&ccedil;&atilde;o sem limites.&nbsp;22 anos depois, Jo&atilde;o Paulo II incluiu, no programa da viagem apost&oacute;lica &agrave;quele pa&iacute;s, uma visita &agrave; &laquo;Nirmal Hidray&raquo; &#8211; a &ldquo;Casa do Cora&ccedil;&atilde;o Puro&rdquo; &ndash; fundada pela religiosa albanesa e conhecida, em Calcut&aacute;, como a &ldquo;Casa do Moribundo&rdquo;.<\/p>\n<p>Em 1972 recebeu o pr&eacute;mio da Funda&ccedil;&atilde;o Kennedy e, seis anos mais tarde, o Presidente da Rep&uacute;blica de It&aacute;lia, Sandro Pertini, entregou-lhe o pr&eacute;mio Baszan. No ano seguinte, em 1979, a Academia do Nobel ofereceu-lhe o galard&atilde;o merecido: Pr&eacute;mio Nobel da Paz. Com a mesma humildade com que sempre aceitou as v&aacute;rias homenagens que lhe foram concedidas em todo o mundo, Madre Teresa colocou os milhares de D&oacute;lares dos pr&eacute;mios ao servi&ccedil;o dos mais pobres. No ano que recebeu o galard&atilde;o, Jo&atilde;o Paulo II recebe-a em audi&ecirc;ncia privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor &laquo;embaixadora&raquo; do Papa.<\/p>\n<p>&Eacute; cidad&atilde; do mundo mas a cidade que a viu crescer, Skopje, nomeia-a &ldquo;Cidad&atilde; Ilustre&rdquo; a 28 de Junho de 1980. Nesse mesmo ano, muitas universidades conferiram-lhe o t&iacute;tulo &laquo;Honoris Causa&raquo; e recebe a Ordem &laquo;Distinguished Public Service Award&raquo; nos EUA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tr&ecirc;s vezes em Portugal<\/strong><\/p>\n<p>&laquo;Do Something beautiful for Jesus&raquo; &#8211; Fa&ccedil;am algo de Belo para Jesus &ndash; foi uma express&atilde;o que Madre Teresa utilizou com frequ&ecirc;ncia durante a sua vida a Portugal. Ficou tamb&eacute;m na mem&oacute;ria do Pe. Peter Stilwell que fez uma viagem de carro, de Lisboa ao Santu&aacute;rio de F&aacute;tima, nos primeiro dias de Outubro de 1982 &#8211; com o &laquo;Anjo dos Pobres&raquo;. Momentos inesquec&iacute;veis porque ela &ldquo;criou um clima familiar &agrave; sua volta&rdquo;. Portugal recebia pela primeira vez a fundadora das Mission&aacute;rias da Caridade. Vinha estimular os primeiros passos da congrega&ccedil;&atilde;o no nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Madre Teresa de Calcut&aacute; visitou o nosso pa&iacute;s em 1982 e em 1987. Veio a pedido do bispo de Set&uacute;bal, D. Manuel Martins, que escrevera &agrave;quela religiosa, solicitando-lhe que se deslocasse &agrave; cidade do Sado para associar o seu nome ao nascimento da Congrega&ccedil;&atilde;o das Mission&aacute;rias da Caridade. Uma mulher com um &iacute;man especial que iluminava os mais distra&iacute;dos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Adeus<\/strong><\/p>\n<p>A 5 de Setembro de 1997, o cora&ccedil;&atilde;o de Madre Teresa de Calcut&aacute; deu o &uacute;ltimo suspiro. Passados quase treze anos, a obra que a &laquo;santa das sarjetas&raquo; ergueu continua viva e o seu sorriso perdurar&aacute;. Esta data ficar&aacute; na hist&oacute;ria do s&eacute;culo XX. Durante a sua vida, ela simbolizava o amor aos mais carenciados. Aquela fr&aacute;gil mulher tinha uma for&ccedil;a inesgot&aacute;vel e colocava em pr&aacute;tica as palavras do Evangelho: &ldquo;Amar&aacute;s o teu pr&oacute;ximo como a ti mesmo&rdquo; (Mt 22, 39).<\/p>\n<p>Com o final do mil&eacute;nio &agrave; porta desapareceu a mulher que se entregou aos &laquo;mais pobres dos pobres&raquo; e deixou muitos cora&ccedil;&otilde;es desamparados. Uma paragem card&iacute;aca, depois de v&aacute;rias pneumonias e crises de mal&aacute;ria, &laquo;levaram&raquo; Madre Teresa. Viveu com o cora&ccedil;&atilde;o, o cora&ccedil;&atilde;o a matou. A humanidade perdeu algu&eacute;m que, por nada ter nem poder, tinha toda a autoridade porque ningu&eacute;m conseguia dizer n&atilde;o a um pedido que ela formulasse.<\/p>\n<p>Calcut&aacute; chorou, provavelmente, como nenhuma outra cidade do mundo, a morte desta mulher que escolheu a gigantesca metr&oacute;pole indiana para viver toda uma vida ao servi&ccedil;o daqueles que n&atilde;o tinham ningu&eacute;m. &ldquo;Era uma verdadeira santa admirada por todos os indianos, independentemente da sua religi&atilde;o&rdquo; &ndash; sublinhavam os habitantes de Calcut&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um livro aberto<\/strong><\/p>\n<p>A sua vida foi um livro aberto. Nele consultamos e lemos as p&aacute;ginas dos deveres e das virtudes que a humanidade deve viver, mas que, muitas vezes, tende a esquecer. Na p&aacute;gina da humildade verificamos que Madre Teresa era igual nas mais variadas circunst&acirc;ncias. O brilho da sua indument&aacute;ria era o mesmo quando estava sentada nas cadeiras de veludo com os &laquo;senhores da Terra&raquo; como quando se debru&ccedil;ava sobre os moribundos.<\/p>\n<p>Beatificada por Jo&atilde;o Paulo II, que nesse dia celebrava as Bodas de Prata do seu Pontificado &ndash; a 19 de Outubro de 2003, Domingo das Miss&otilde;es &ndash; a &laquo;Mulher do Sari&raquo; tinha uma cumplicidade com o Papa Wojtyla que &ldquo;amou muito esta hero&iacute;na dos tempos modernos e sempre estiveram em sintonia&rdquo; &ndash; afirmou o Cardeal Angelo Sodano, Secret&aacute;rio de Estado do Vaticano na altura do falecimento de Madre Teresa.<\/p>\n<p>Abrindo uma excep&ccedil;&atilde;o, Jo&atilde;o Paulo II decidiu permitir a abertura do processo de beatifica&ccedil;&atilde;o de Ganxhe Bojaxhiu apesar de ainda n&atilde;o terem passado os cinco anos exigidos pela lei can&oacute;nica.<\/p>\n<p>A decis&atilde;o do Papa polaco teve em considera&ccedil;&atilde;o o pedido do arcebispo de Calcut&aacute;, D. Henry D&acute;Sousa e de numerosos bispos. Esta delibera&ccedil;&atilde;o da Congrega&ccedil;&atilde;o para as Causas dos Santos foi comunicada a D. Henry D&rsquo; Sousa a 12 de Dezembro de 1998 mas s&oacute; foi publicada em Mar&ccedil;o de 1999. De acordo com not&iacute;cias veiculadas pela &laquo;R&aacute;dio Vaticano&raquo;, o arcebispo de Calcut&aacute; enviou &ldquo;a Roma a documenta&ccedil;&atilde;o sobre dois milagres atribu&iacute;dos &agrave; intercess&atilde;o da Madre Teresa&rdquo;<\/p>\n<p>O milagre que serviu de base para a beatifica&ccedil;&atilde;o de Madre Teresa foi a cura (Setembro de 1998) de uma mulher indiana, Monika Besra. A senhora padecia de uma meningite tubercular e um tumor no ov&aacute;rio direito. &ldquo;Sem nenhuma explica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, como comprovou a Comiss&atilde;o Cient&iacute;fica que analisou o caso, o tumor volumoso (parecia que a mulher estava gr&aacute;vida de seis meses) desapareceu&rdquo;.<\/p>\n<p>Aos peregrinos que foram a Roma para participar na Beatifica&ccedil;&atilde;o de Madre Teresa, Jo&atilde;o Paulo II acentuou que a nova beata &ldquo;brilha, de modo especial, no meio desta multid&atilde;o&rdquo;. Mission&aacute;ria da caridade, mission&aacute;ria da paz, mission&aacute;ria da vida. Toda a exist&ecirc;ncia de Madre Teresa foi um hino &agrave; vida.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Lu&iacute;s Filipe Santos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Skopje, capital da Maced&oacute;nia, pequena cidade com cerca de vinte mil habitantes, nasceu, a 26 de Agosto de 1910, Ganxhe Bojaxhiu. 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