{"id":46834,"date":"2010-10-01T11:41:37","date_gmt":"2010-10-01T11:41:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/01\/entender-d-manuel-bastos-pina\/"},"modified":"2010-10-01T11:41:37","modified_gmt":"2010-10-01T11:41:37","slug":"entender-d-manuel-bastos-pina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entender-d-manuel-bastos-pina\/","title":{"rendered":"Entender D. Manuel Bastos Pina"},"content":{"rendered":"<p>O historiador Ant\u00f3nio de Jesus Ramos apresenta a figura de um dos bispos mais pol\u00e9micos do per\u00edodo da I Rep\u00fablica <!--more--> <\/p>\n<p>Ant&oacute;nio de Jesus Ramos, da Diocese de Coimbra, estudou na faculdade de hist&oacute;ria eclesi&aacute;stica da Universidade Gregoriana, onde obteve o grau de licenciatura em Junho de 1979. Elaborou uma tese de doutoramento sobre o bispo de Coimbra D. Manuel Correia de Bastos Pina (1830-1913), que defendeu, na mesma Universidade Gregoriana, em Junho de 1993. &Eacute; s&oacute;cio efectivo do Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa da Universidade Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>D. Manuel Bastos de Pina, que estudou de perto, &eacute; apresentado como&nbsp;um mon&aacute;rquico, mas, em simult&acirc;neo, um dos grandes defensores da pol&iacute;tica papal em Portugal.<\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Com a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica (5 de Outubro de 2010), as express&otilde;es &laquo;hostilidade&raquo; e &laquo;&oacute;dio&raquo; contra a Igreja tornaram-se predominantes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pe. Jesus Ramos (JR) &ndash;<\/strong> S&atilde;o conceitos diferentes. No entanto, podemos dizer que por parte de alguns mentores do regime republicano houve mesmo uma atitude de &oacute;dio &agrave; Igreja. &Oacute;dio este que vinha sendo alimentado pela imprensa anticlerical, e aparecia igualmente em muitos autores do republicanismo do final do s&eacute;culo XIX. A hostilidade pode n&atilde;o estar baseada no &oacute;dio, mas em conceitos diferentes de organiza&ccedil;&atilde;o social. De facto, ao contr&aacute;rio do que se pensa, com a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, a rela&ccedil;&atilde;o entre a Igreja e o Estado acabou por ser fortalecida. Digamos que a Rep&uacute;blica pretendendo acabar com a Igreja ou, pelo menos, molest&aacute;-la gravemente, acabou por libert&aacute;-la do regalismo que a sufocou durante todo o s&eacute;culo XIX &nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>&ndash; Neste contexto surge a c&eacute;lebre afirma&ccedil;&atilde;o de Afonso Costa: &laquo;Em duas\/tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es acabaria com o sentimento religioso do povo portugu&ecirc;s&raquo;.<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; N&atilde;o sabemos, exactamente, se &eacute; verdadeira essa afirma&ccedil;&atilde;o, nem sabemos se foi Afonso Costa quem a proferiu. J&aacute; encontrei alus&otilde;es de atribui&ccedil;&atilde;o da autoria da express&atilde;o a Magalh&atilde;es Lima, Gr&atilde;o-Mestre da ma&ccedil;onaria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Num dos discursos parlamentares, Afonso Costa diz que nunca proferiu tal afirma&ccedil;&atilde;o. No entanto, alguns investigadores defendem que essa express&atilde;o foi proferida numa &laquo;loja&raquo; ma&ccedil;&oacute;nica.<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Uns dizem que foi numa sess&atilde;o da ma&ccedil;onaria e outros defendem que foi, em Braga, num com&iacute;cio de Afonso Costa. Todavia, isso correspondia, de algum modo, ao pensar de alguns dos mentores da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. Neste ponto, n&atilde;o tenho d&uacute;vidas. Uma das inten&ccedil;&otilde;es dos corifeus do novo regime passava pelo travar da preponder&acirc;ncia que a Igreja tinha sobre o tecido social de Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Era evidente o sentimento &laquo;anti-clerical&raquo; nos primeiros tempos da Rep&uacute;blica. Tal como o &laquo;&oacute;dio de estima&ccedil;&atilde;o&raquo; aos elementos da Companhia de Jesus?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Pode falar-se de anti-clericalismo e, como uma al&iacute;nea deste anti-clericalismo, de &laquo;anti-jesuitismo&raquo;. Pelo menos desde o tempo do Marqu&ecirc;s de Pombal, os jesu&iacute;tas eram sempre os primeiros a ser molestados quando havia uma persegui&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja. Os jesu&iacute;tas eram, entre as v&aacute;rias ordens religiosas, os que tinham uma de maior influ&ecirc;ncia entre os crentes, sobretudo depois da organiza&ccedil;&atilde;o do movimento do &laquo;Apostolado da Ora&ccedil;&atilde;o&raquo;, que tinha muitos milhares de associados em todas as dioceses de Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Sem esquecer tamb&eacute;m o papel dos franciscanos e a Revista &laquo;O Mensageiro de Santo Ant&oacute;nio&raquo;. Existia uma certa &laquo;rivalidade&raquo; entre jesu&iacute;tas e franciscanos?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; O assunto ainda n&atilde;o est&aacute; suficientemente esclarecido. No entanto, quando a &laquo;Voz de Santo Ant&oacute;nio&raquo; (revista dos padres franciscanos de Montariol, Braga) foi suspensa, em 1907, com a acusa&ccedil;&atilde;o de modernismo, poder&aacute; ter havido alguma influ&ecirc;ncia dos jesu&iacute;tas nessa quest&atilde;o. Pelo menos era voz corrente que o Patriarca de Lisboa, cardeal Jos&eacute; Sebasti&atilde;o Neto, que era franciscano, se empenhou nesse assunto e, n&atilde;o obtendo sucesso, pediu e foi-lhe concedida a resigna&ccedil;&atilde;o do Patriarcado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Onde se situava a forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e teol&oacute;gica do episcopado portugu&ecirc;s do s&eacute;culo XIX?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &#8211; O episcopado portugu&ecirc;s do s&eacute;culo XIX era bastante deficiente a todos os n&iacute;veis. Os bispos da &eacute;poca liberal eram, na sua grande maioria, afectos ao partido que os apresentava. Al&eacute;m disso, muitos deles exerciam fun&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas (ministros, deputados, etc.) e eram absentistas (n&atilde;o estavam presentes nas suas dioceses). &Eacute; o caso dos bispos de Beja e de Bragan&ccedil;a, e de outras dioceses com maiores dificuldades de acesso. Passavam anos inteiros sem irem aos seus bispados, limitando-se a receber o benef&iacute;cio. Mas, a partir da d&eacute;cada de 70, foram nomeados alguns bispos que apresentavam maior pendor pastoral, embora continuem a existir os que faziam do episcopado apenas uma carreira. A alguns se deve o merit&oacute;rio trabalho de organiza&ccedil;&atilde;o das suas dioceses. &Eacute; o caso do bispo do Porto, D. Am&eacute;rico Ferreira dos Santos Silva, do bispo de Coimbra, D. Manuel Correia Bastos de Pina, e de D. Augusto Eduardo Nunes, arcebispo de &Eacute;vora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>&ndash; D. Manuel Bastos de Pina era filo-mon&aacute;rquico?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Sim. Por forma&ccedil;&atilde;o e por convic&ccedil;&atilde;o. Ele foi, possivelmente, o bispo que maiores rela&ccedil;&otilde;es criou com a Casa Real. Era muito amigo da rainha D. Am&eacute;lia, confessor dos pr&iacute;ncipes e padrinho do rei D. Manuel II. Havia uma troca frequente de correspond&ecirc;ncia com a Rainha. Estruturalmente, D. Manuel Bastos Pina era pois um mon&aacute;rquico, mas n&atilde;o era um regalista, pois colocava sempre os direitos da Igreja acima dos direitos do Estado, embora fosse um defensor de uma &iacute;ntima liga&ccedil;&atilde;o trono-altar. Para ele, tudo o que viesse de Roma era para p&ocirc;r em pr&aacute;tica. Chego a pensar que o bispo de Coimbra tinha um certo orgulho pessoal em ser imitador de Le&atilde;o XIII.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Todas as directrizes que vinham de Le&atilde;o XII eram assimiladas e aplicadas na diocese de Coimbra?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Eram assimiladas, divulgadas e colocadas em pr&aacute;tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A &laquo;Academia Tomista&raquo; &eacute; um exemplo desse &ldquo;seguidismo&rdquo;&hellip;<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; A Academia de S. Tom&aacute;s e muitas outras iniciativas, com a conhecida peregrina&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio, proposta pelo Papa. Era o primeiro bispo, em Portugal, a colocar em pr&aacute;tica as directrizes da Santa S&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A sua nomea&ccedil;&atilde;o para Coimbra foi morosa e dif&iacute;cil?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Foi dif&iacute;cil porque havia algumas suspeitas, ali&aacute;s infundadas, quanto &agrave; sua pessoa. De facto, quando o jovem Bastos Pina veio estudar Direito para Coimbra, instalou-se na casa do professor Jos&eacute; Manuel de Lemos, vice-reitor da Universidade e ma&ccedil;on assumido. Jos&eacute; Manuel de Lemos era um dos eclesi&aacute;sticos afectos ao liberalismo. A sua fidelidade ao regime foi recompensada com a apresenta&ccedil;&atilde;o, em 1853, na diocese Bragan&ccedil;a. Como o seu comensal (Manuel Bastos de Pina), por quem nutria paternal admira&ccedil;&atilde;o, tinha terminado o curso de Direito e estava a tentar abrir escrit&oacute;rio de advogado no seu concelho natal (Oliveira de Azem&eacute;is), Jos&eacute; Manuel de Lemos &nbsp;perguntou-lhe se queria acompanh&aacute;-lo como seu secret&aacute;rio. Depois de algumas d&uacute;vidas, acabou por aceitar o convite&hellip; E o neo-bispo de Bragan&ccedil;a ordenou-o padre (tinha 24 anos) e nomeou-o vig&aacute;rio geral daquela diocese. Na aus&ecirc;ncia do bispo, quem assumia as fun&ccedil;&otilde;es era Bastos Pina. Passados dois anos, D. Jos&eacute; Manuel de Lemos consegue vir para mais perto. Passou de Bragan&ccedil;a a Viseu e Bastos Pina veio com ele. Era o seu bra&ccedil;o direito&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A estadia em Viseu &eacute; diminuta porque, passados dois anos (1858), D. Jos&eacute; Lemos foi transferido para a diocese de Coimbra?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Era o sonho de D. Jos&eacute; Manuel de Lemos. Mas Bastos Pina n&atilde;o veio com ele de imediato. Como a S&eacute; de Viseu ficava vaga, Bastos Pina foi insinuado pelo Governo e eleito pelo Cabido como vig&aacute;rio capitular. E, depois da morte de D. Jos&eacute; Xavier Cerveira de Sousa, que ali foi bispo entre 1859 e 1863, Bastos Pina foi nomeado, novamente, para vig&aacute;rio capitular. Nessa altura levantam-se alguns problemas entre ele e o Cabido de Viseu. Terminada esta &ldquo;comiss&atilde;o de servi&ccedil;o&rdquo;, regressa definitivamente a Coimbra, onde D. Jos&eacute; Manuel de Lemos o faz vig&aacute;rio geral e governador do Bispado. Nos &uacute;ltimos anos de episcopado de D. Jos&eacute; de Lemos quem, de facto, governou a diocese foi Bastos Pina, que aqui permaneceu, com poder ordin&aacute;rio, durante mais de meio s&eacute;culo. &Eacute; uma vida!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; D. Manuel de Lemos chegou a pedir para que Bastos de Pina fosse nomeado seu bispo auxiliar ou bispo coadjutor?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Sim, mas faleceu antes de chegar nomea&ccedil;&atilde;o. O Governo apresentou-o, depois, bispo residencial. Mas alguns dos seus detractores quiseram levantar obst&aacute;culos e&nbsp; chegaram mesmo a insinuar que ele poderia ter sido da ma&ccedil;onaria. Se o seu padrinho foi&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; D. Manuel Bastos Pina chegou a pertencer &agrave; ma&ccedil;onaria?<\/p>\n<p><strong>JR <\/strong>&ndash; N&atilde;o! D. Manuel Bastos Pina nunca foi ma&ccedil;on. Mas D. Jos&eacute; Manuel de Lemos foi um dos oito bispos do s&eacute;culo XIX que pertenceram &agrave; ma&ccedil;onaria, o mais c&eacute;lebre dos quais &eacute; o conhecido D. Ant&oacute;nio Aires de Gouveia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Pelos menos, sabe-se que D. ManuelBastos Pina escreveu pastorais contra a ma&ccedil;onaria?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Sim. Na sequ&ecirc;ncia das enc&iacute;clicas de Le&atilde;o XIII. Se existissem algumas d&uacute;vidas sobre a possibilidade de ele tinha sido ou n&atilde;o ma&ccedil;on, elas ficariam dissipadas com todos os escritos sobre este tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A forma&ccedil;&atilde;o de D. Manuel Bastos Pina era jur&iacute;dico-can&oacute;nica. Tinha pouca experi&ecirc;ncia pastoral para assumir as r&eacute;deas de uma diocese?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Nunca teve uma aula de Teologia. Frequentou apenas do curso de Direito na Universidade de Coimbra. No entanto, conhecia muito bem o Direito Eclesi&aacute;stico e era um l&iacute;dimo defensor dos direitos da Igreja. Nos anos anteriores, de todos os bispos do reino, apenas D. Jo&atilde;o de Fran&ccedil;a, prelado do Porto, se insurgira contra as intromiss&otilde;es do Governo na esfera eclesi&aacute;stica. Ora Bastos Pina, embora seja um mon&aacute;rquico e queira estar de bem com todos os governantes, defende sempre os interesses da Igreja, e em v&aacute;rias ocasi&otilde;es denuncia a legisla&ccedil;&atilde;o liberal eivada de regalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Apesar da diminuta forma&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica-pastoral, o bispo de Coimbra foi arrojado e inovador na &aacute;rea pastoral. Quando tomou posse, uma das primeiras apostas foi a visita pastoral a todas as par&oacute;quias?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Como era jovem, a primeira coisa que pretendeu foi visitar toda a diocese, a come&ccedil;ar pelas par&oacute;quias mais afastadas. Nessa altura, a diocese de Coimbra n&atilde;o tinha a mesma geografia que tem actualmente. Ainda n&atilde;o tinha sido feita a revis&atilde;o e reestrutura&ccedil;&atilde;o das dioceses de 1882. As par&oacute;quias da Serra da Estrela faziam ent&atilde;o parte da diocese de Coimbra. Foi por esses territ&oacute;rios serranos &ndash; existem descri&ccedil;&otilde;es bel&iacute;ssimas &#8211; que D. Manuel Bastos Pina come&ccedil;ou as visitas pastorais. Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o destas, o bispo enviava relat&oacute;rios ao Secret&aacute;rio de Estado dos Cultos e da Justi&ccedil;a e ao N&uacute;ncio Apost&oacute;lico.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Verdadeiros documentos explicativos da sociedade portuguesa no s&eacute;culo XIX?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Chegavam a dar sugest&otilde;es para o progresso. Recordo que quando ele foi a Castanheira de P&ecirc;ra, onde existia um grande desenvolvimento na &aacute;rea dos lanif&iacute;cios, D. Bastos de Pina escreveu que &laquo;estava admirado como se conseguiu &ndash; sem estradas nenhumas &ndash; transportar para aquele local todas aquelas m&aacute;quinas&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &ndash; <\/strong>A vertente social tamb&eacute;m esteve presente no seu m&uacute;nus episcopal. Criou o primeiro bairro oper&aacute;rio do pa&iacute;s em Coimbra?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Verdade. O primeiro bairro oper&aacute;rio do pa&iacute;s foi mandado construir por D. Manuel Bastos de Pina aquando dos 25 anos do seu episcopado. Em 1897, quando celebrou as bodas de prata episcopais ofereceram-lhe muitas prendas, algumas de grande valor, e ele achou que a melhor forma de &laquo;gastar&raquo; o dinheiro era construir um bairro deste g&eacute;nero. Escolheu um lugar na actual par&oacute;quia de Nossa Senhora de Lourdes. Mas a preocupa&ccedil;&atilde;o de Bastos Pina pelos oper&aacute;rios n&atilde;o passou apenas por aquela constru&ccedil;&atilde;o. Uma das grandes preocupa&ccedil;&otilde;es do bispo de Coimbra era &laquo;dar&raquo; trabalho. Ali&aacute;s, no Semin&aacute;rio de Coimbra existem duas casas de um e outro lado do edif&iacute;cio central que foram mandadas fazer por Bastos Pina. A primeira foi uma &laquo;exig&ecirc;ncia&raquo; da Santa S&eacute;, porque o acusavam que os alunos estavam mal instalados, porque, na altura, o Semin&aacute;rio recebia pensionistas (estudantes universit&aacute;rios). Em rela&ccedil;&atilde;o ao segundo edif&iacute;cio, a hist&oacute;ria &eacute; diferente. Como havia trabalhadores desempregados na sua aldeia (Carregosa &ndash; Oliveira de Azem&eacute;is) contratou-os para fazerem uma casa igual &agrave; primeira. Assim n&atilde;o corriam o perigo de emigrar, podendo permanecer mais pr&oacute;ximos das suas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Para al&eacute;m das preocupa&ccedil;&otilde;es laborais, a sa&uacute;de p&uacute;blica tamb&eacute;m o inquietava. Chegou mesmo a manifestar-se contra a cultura do arroz porque os p&acirc;ntanos eram focos de doen&ccedil;as.<\/p>\n<p><strong>JR <\/strong>&#8211; Foram v&aacute;rias as campanhas feitas pelo Bispo Conde (era assim que eram tratados, desde o s&eacute;culo XV, os prelados de Coimbra) a favor da sa&uacute;de p&uacute;blica. Foi um dos grandes apoiantes da rainha D. Am&eacute;lia na quest&atilde;o da tuberculose. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura do arroz e &agrave; elevada taxa de mortalidade no baixo Mondego, D. Manuel, com o parecer de muitos m&eacute;dicos, pensava que as pessoas morriam porque estavam em contacto com as &aacute;guas pantanosas. Hoje sabe-se que era devido &agrave; picada do mosquito. Ele tentou acabar com a cultura do arroz naquela zona. Escreveu mesmo relat&oacute;rios onde explicava a taxa de natalidade e taxa de mortalidade em cada par&oacute;quia. Chegou &agrave; conclus&atilde;o que no Baixo Mondego morriam mais pessoas do que nasciam. Escreveu tamb&eacute;m pastorais sobre os h&aacute;bitos de higiene, nomeadamente dentro das igrejas, e defendeu os enterramentos nos cemit&eacute;rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A forma&ccedil;&atilde;o do clero &ndash; tanto do ponto de vista intelectual como humano &ndash; tamb&eacute;m estava no centro das suas preocupa&ccedil;&otilde;es? Tentou at&eacute; &laquo;romanizar&raquo; o ensino teol&oacute;gico?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Bastos de Pina procurou que o clero de Coimbra fosse exemplar a n&iacute;vel espiritual e intelectual. Procurou que existissem sempre bons directores espirituais e bons professores no semin&aacute;rio. Neste contexto foi enviado para Roma, Joaquim Santos Abranches &#8211; um nome incontorn&aacute;vel da cultura em Portugal &#8211; que escreveu a &laquo;Summa do bullario portuguez&raquo;. Depois dos estudos feitos teol&oacute;gicos e can&oacute;nicos feitos em Roma veio para director espiritual do semin&aacute;rio. Depois dele, Bastos Pina enviou tamb&eacute;m para Roma tr&ecirc;s jovens padres como capel&atilde;es de Santo Ant&oacute;nio dos Portugueses, com a recomenda&ccedil;&atilde;o de que deviam estudar e adquirir novos conhecimentos, frequentando alguma das universidades pontif&iacute;cias. De seguida enviou um aluno novinho (com 16 anos) que tinha feito apenas os estudos preparat&oacute;rios: Jo&atilde;o Evangelista Lima Vidal. Formou-se em Filosofia e doutorou-se em Teologia. Foi um dos grandes professores em Coimbra, at&eacute; 1909, altura em que foi nomeado bispo de Angola e, posteriormente, bispo de Vila Real e de Aveiro. Em seguida, quando, em 1900, foi fundado o Col&eacute;gio Portugu&ecirc;s, o Bispo Conde enviou para l&aacute; o jovem sacerdote Ant&oacute;nio Antunes, que se doutorou em Teologia e seria, depois, reitor do Semin&aacute;rio, bispo coadjutor e residencial de Coimbra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Pode depreender-se das suas palavras que o Bispo Conde deu uma nova vida ao Semin&aacute;rio de Coimbra.<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Pode dizer-se, sem medo de fugir &agrave; verdade, que D. Manuel Bastos Pina foi o &laquo;segundo fundador&raquo; do Semin&aacute;rio de Coimbra porque reorganizou, totalmente, os estudos eclesi&aacute;sticos, ampliou e valorizou o patrim&oacute;nio constru&iacute;do, e se preocupou com a prepara&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas intelectual mas tamb&eacute;m pastoral dos futuros padres. Depois de 1883 &ndash; quando se deu o desencontro devido ao regalismo (os professores da Universidade defendiam que o Estado &eacute; que devia inspeccionar a Faculdade, mas D. Bastos de Pina defendia que, em mat&eacute;ria espiritual e teol&oacute;gica, devia ser a Santa S&eacute; e o prelado diocesano) &ndash; o bispo de Coimbra dispensou os lentes das aulas no Semin&aacute;rio, arranjando um grupo de padres diocesanos com compet&ecirc;ncia para leccionarem o curso teol&oacute;gico. Al&eacute;m disso, quando, na sequ&ecirc;ncia da enc&iacute;clica &laquo;Aeterni Patris&raquo;, de 4 de Agosto de 1879, fundou a Academia Tomista de Coimbra, pediu ao Papa Le&atilde;o XIII &nbsp;que lhe enviasse um professor de filosofia com forma&ccedil;&atilde;o romana. Veio Tiago Sinibaldi que brilhou no ensino dessa mat&eacute;ria, e que escreveu um manual de filosofia seguido em todos os cursos dos semin&aacute;rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mudando de assunto. Antes de ser bispo, Bastos de Pina foi acusado de ser &laquo;inimigo&raquo; dos conventos?<\/p>\n<p><strong>JR <\/strong>&ndash; Foi uma acusa&ccedil;&atilde;o que surgiu no final do bispado de D. Jos&eacute; Manuel de Lemos. Era uma mentira descarada. Em 1834, os conventos masculinos foram todos extintos. Tal n&atilde;o aconteceu com os conventos das religiosas que ficaram ao abrigo da lei de 5 de Agosto de 1833 que dizia que n&atilde;o podiam receber novas novi&ccedil;as. Portanto, os mosteiros e conventos de religiosas continuariam at&eacute; &agrave; morte da &uacute;ltima freira professa. Ora, na diocese de Coimbra, como nas outras, existiam variad&iacute;ssimos mosteiros e, numa determinada altura, o governo mandou uma carta a todos os governadores das dioceses ou bispos a propor que se reunissem todas as religiosas no mesmo convento. Em Coimbra, propuseram o convento de Santa Clara. Seria ali que seriam instaladas todas as professas, sem se atender &agrave; diversidade de regras e de costumes pr&oacute;prios. Logicamente que o que o Governo pretendia era apoderar-se dos bens dos conventos entretanto libertos. Ora, num primeiro momento, a Bastos Pina n&atilde;o lhe ter&aacute; parecido mal ou, pelo menos, n&atilde;o se op&ocirc;s devidamente e mandou, inclusivamente, uma carta a todos os conventos, nomeadamente, ao Convento do Carmo de Tent&uacute;gal a propor &agrave;s irm&atilde;s a vinda de todas para Santa Clara. Por causa disso, alguns padres come&ccedil;aram a dizer que era o governador do bispado quem pretendia extinguir os conventos. Isso n&atilde;o era verdade. De resto, viu-se depois como foi grande o carinho com que Bastos Pina tratou as religiosas sobreviventes e como tentou salvar o patrim&oacute;nio religioso dos conventos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Sabe-se que salvaguardou o patrim&oacute;nio destas casas. Deve-se-lhe a cria&ccedil;&atilde;o do Museu de Arte Sacra?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; O Museu de Arte Sacra &eacute;, precisamente, uma tentativa de Bastos Pina para colocar a salvo muita arte destes conventos e de algumas igrejas. Mandou que algumas das salas do edif&iacute;cio da S&eacute; se destinassem a esse fim. Ali&aacute;s, em 1910, todo o esp&oacute;lio deste museu diocesano foi incorporado no Museu Machado de Castro. HRecordo que h&aacute; cerca de dez anos esteve patente ao p&uacute;blico uma exposi&ccedil;&atilde;o de ourivesaria no Museu Machado de Castro, com mais de trezentas pe&ccedil;as, e apenas tr&ecirc;s &eacute; que n&atilde;o eram do esp&oacute;lio que tinha sido adquirido por Bastos Pina. Ele dizia que o Museu da S&eacute; era, no seu g&eacute;nero, o segundo melhor da Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Apesar da ajuda monet&aacute;ria da rainha D. Am&eacute;lia, o restauro da S&eacute; velha de Coimbra tamb&eacute;m se lhe deve?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; O restauro da S&eacute; velha deve-se, sobretudo, a tr&ecirc;s pessoas: Ant&oacute;nio Augusto Gon&ccedil;alves, Bastos Pina e a Rainha D. Am&eacute;lia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A proximidade dele com a rainha D. Am&eacute;lia era conhecida. D. Manuel Bastos Pina chegou mesmo a pedir-lhe para que movesse influ&ecirc;ncias na transfer&ecirc;ncia de D. Ant&oacute;nio Mendes Belo (estava no Algarve) para a diocese do Porto, ap&oacute;s a morte do Cardeal D. Am&eacute;rico?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Apesar de ser um eclesi&aacute;stico de carreira, D. Ant&oacute;nio Mendes Belo era um bispo de provada virtude e com provas dadas na administra&ccedil;&atilde;o diocesana. D. Manuel Bastos de Pina intercedeu &ndash; lembrou &agrave; rainha &ndash; que quem deveria ir para o Porto era Mendes Belo. Foi uma atitude onde entrou, por certo, a amizade pessoal, mas sobretudo o reconhecimento de que os lugares importantes deveriam ser ocupados pelas pessoas mais preparadas. A futura nomea&ccedil;&atilde;o de Mendes Belo para o Patriarcado veio dar raz&atilde;o a Bastos Pina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Qual o papel do Bispo Conde &nbsp;no per&iacute;odo conturbado da 1&ordf; Rep&uacute;blica?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Em 1906, Bastos Pina teve uma doen&ccedil;a grave que o limitou bastante. Ele e o cardeal D. Am&eacute;rico haviam sido o esplendor do Episcopado no final do s&eacute;culo XIX. Mas aquando do advento da Rep&uacute;blica, a 5 de Outubro de 1910, tinha quase 80 anos e uma sa&uacute;de muito debilitada. Mesmo antes, j&aacute; tinha existido a tentativa por parte do Governo para que ele sa&iacute;sse do pa&ccedil;o episcopal, que deveria ser transformado em hospital. O Bispo Conde n&atilde;o aceitou, por lhe parecer que n&atilde;o era do mesmo valor a casa que lhe ofereciam em troca. Acabou, no entanto, por ficar sem nenhuma delas. De facto, quando foi implantada a Rep&uacute;blica Bastos Pina saiu de Coimbra para a casa que mandara construir na sua terra natal, e por l&aacute; ficou durante algum tempo. Quando voltou a Coimbra, o pa&ccedil;o episcopal tinha sido ocupado, como aconteceu a todos os outros pa&ccedil;os episcopais do pa&iacute;s. Nestas circunst&acirc;ncias, viu-se obrigado a aceitar o acolhimento que lhe o seu sobrinho, o poeta Eug&eacute;nio de Castro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A c&eacute;lebre pastoral de Novembro 1911 e o pedido de benepl&aacute;cito para o documento &laquo;manchou&raquo; a parte final do seu episcopado. Um deslize mal entendido pelo clero diocesano e tamb&eacute;m pelos bispos?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Era a idade&hellip; J&aacute; n&atilde;o estava na plenitude das suas faculdades. Depois pediu desculpa ao clero e membros do episcopado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Pediu mesmo a resigna&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Mas a Santa S&eacute; n&atilde;o aceitou. No entanto, ele nomeou um governador para o bispado, o C&oacute;nego Alves Matos, e foi viver para a sua terra, ali vindo a falecer a 19 de Novembro de 1913, no dia em que completava 83 anos de idade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Ap&oacute;s a sua morte, como &eacute; que a diocese viveu estes momentos de turbul&ecirc;ncia?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Quando faleceu Bastos Pina, D. Jos&eacute; Alves Matoso era o governador do bispado, mas estava desterrado no Luso. Ap&oacute;s a morte do bispo, o Cabido em vez de o escolher a ele para vig&aacute;rio capitular, elegeu o C&oacute;nego Jos&eacute; Duarte Dias Andrade, o que levantou algumas suspeitas de irregularidade can&oacute;nica. Mas tudo se recomp&ocirc;s com a nomea&ccedil;&atilde;o, no &uacute;ltimo dia do ano de 1914, do Dr. Manuel Lu&iacute;s Coelho da Silva (governador da diocese do Porto quando D. Ant&oacute;nio Barroso foi desterrado) para bispo diocesano<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Este seu sucessor era muito diferente?<\/p>\n<p><strong>JR<\/strong> &ndash; Todos os bispos s&atilde;o diferentes. Este era um homem muito corajoso e dotado de uma vontade f&eacute;rrea. Formado em Direito por Coimbra, D. Manuel Luis Coelho da Silva era o autor do manual de &laquo;Direito Paroquial&raquo;. Dominava, como poucos, a &aacute;rea da organiza&ccedil;&atilde;o eclesi&aacute;stica. A ele se deve a reestrutura&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os diocesanos e o relan&ccedil;amento de uma intensa actividade pastoral. Mas isso dava para outra longa conversa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O historiador Ant\u00f3nio de Jesus Ramos apresenta a figura de um dos bispos mais pol\u00e9micos do per\u00edodo da I Rep\u00fablica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[100,106,119,170,171,172,174,183,184,185,187,203,213,267],"class_list":["post-46834","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-advento","tag-angola","tag-arte-sacra","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-vila-real","tag-diocese-de-viseu","tag-diocese-do-algarve","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-franciscanos","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46834\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}