{"id":46801,"date":"2010-08-17T12:23:33","date_gmt":"2010-08-17T12:23:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/08\/17\/uma-nova-oportunidade-para-os-refugiados\/"},"modified":"2010-08-17T12:23:33","modified_gmt":"2010-08-17T12:23:33","slug":"uma-nova-oportunidade-para-os-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-nova-oportunidade-para-os-refugiados\/","title":{"rendered":"Uma nova oportunidade para os refugiados"},"content":{"rendered":"<p>Guerra e conflitos internos s\u00e3o as principais causas dos pedidos de asilo a Portugal <!--more--> <\/p>\n<p>Seguran&ccedil;a e temor, esperan&ccedil;a e incerteza, sonho e pesadelo s&atilde;o alguns dos sentimentos experimentados pelas dezenas de estrangeiros que anualmente passam pelo Centro de Acolhimento do Conselho Portugu&ecirc;s para os Refugiados, em Bobadela, Loures.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o &eacute; s&oacute; terem de fugir porque s&atilde;o perseguidos e violentados. &Eacute; o facto de deixarem a fam&iacute;lia e o pa&iacute;s para tr&aacute;s. O pr&oacute;prio processo de fuga n&atilde;o &eacute; nada f&aacute;cil e, por vezes, &eacute; at&eacute; mais traumatizante do que tudo o resto&rdquo;, explicou &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA a directora do Centro, Isabel Sales.<\/p>\n<p>Guerra, conflitos internos e viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos s&atilde;o as principais causas de pedido de asilo, come&ccedil;ando tamb&eacute;m a surgir refugiados que se v&ecirc;em obrigados a fugir devido &agrave; sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual.<\/p>\n<p>A viol&ecirc;ncia sofrida ou testemunhada nos territ&oacute;rios de origem e os imprevistos do trajecto at&eacute; outros pa&iacute;ses, muitas vezes &agrave; merc&ecirc; de redes clandestinas de migra&ccedil;&atilde;o cujos objectivos nem sempre s&atilde;o claros, fazem com que os refugiados se encontrem numa situa&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica de grande fragilidade.<\/p>\n<p>&ldquo;A primeira coisa que tentamos transmitir-lhes &eacute; que este &eacute; um local seguro&rdquo;, sublinha Isabel Sales, um esfor&ccedil;o que n&atilde;o evita que muitos migrantes precisem de ser acompanhados por psiquiatras, dado que &ldquo;mesmo quando a guerra acaba nos pa&iacute;ses de origem, permanecem muitos traumas que custam a sarar&rdquo;.<\/p>\n<p>A institui&ccedil;&atilde;o, que acolhe actualmente cerca de 40 pessoas, incluindo quatro agregados familiares &ndash; tr&ecirc;s s&atilde;o monoparentais femininos &ndash; recebe sobretudo homens solit&aacute;rios, &ldquo;mas tamb&eacute;m j&aacute; v&ecirc;m muitas mulheres sozinhas&rdquo;, diz a directora.<\/p>\n<p><strong>Pedidos de asilo baixaram em 2009<\/strong><\/p>\n<p>Em 2009, Portugal recebeu 139 pedidos de asilo &ndash; um decr&eacute;scimo de quase 15% face ao ano anterior &ndash; correspondentes a 30 nacionalidades.<\/p>\n<p>Dois ter&ccedil;os dos requerimentos &ndash; que podem ser individuais ou familiares &ndash; tiveram origem em cidad&atilde;os de &Aacute;frica, sendo a Eritreia, a Guin&eacute; Conacri e a Maurit&acirc;nia os estados mais representativos.<\/p>\n<p>A directora do Centro estima que em 2009 tenham sido aceites cerca de 40% dos pedidos &ndash; &ldquo;&Eacute; um bom n&uacute;mero em rela&ccedil;&atilde;o a outros pa&iacute;ses da Europa&rdquo;, considera Isabel Sales, que no entanto salienta tratar-se de uma quantidade reduzida.<\/p>\n<p>Al&eacute;m destes asilados, o Governo comprometeu-se com o Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (ACNUR) a receber uma quota m&iacute;nima anual de 30 reinstalados, isto &eacute;, pessoas que fugiram para um pa&iacute;s terceiro e depois s&atilde;o encaminhadas para Portugal, no seguimento de uma selec&ccedil;&atilde;o feita por aquela entidade internacional.<\/p>\n<p>O Servi&ccedil;o de Estrangeiros e Fronteiras encaminha os requerentes de asilo com car&ecirc;ncias econ&oacute;micas para o Centro de Acolhimento, que os assiste durante o per&iacute;odo em que se decide a sua perman&ecirc;ncia em Portugal.<\/p>\n<p><strong>Do acolhimento em pens&otilde;es a um centro dedicado<\/strong><\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.refugiados.net\/_novosite\/index58.html\" target=\"_blank\">Conselho Portugu&ecirc;s para os Refugiados<\/a> (CPR) foi constitu&iacute;do em 1991, tendo come&ccedil;ado a sua actividade com a colabora&ccedil;&atilde;o de um jurista, a que se seguiu a estrutura&ccedil;&atilde;o da vertente social.<\/p>\n<p>Em 1998, o ACNUR encerrou a delega&ccedil;&atilde;o em Portugal, pelo que o CPR passou a ser o interlocutor daquele organismo e a &uacute;nica institui&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s que protege o direito de asilo e os seus requerentes.<\/p>\n<p>Os refugiados come&ccedil;aram por ser acolhidos em pens&otilde;es, situa&ccedil;&atilde;o que al&eacute;m de ser onerosa n&atilde;o proporcionava um acompanhamento permanente, o que levou o CPR a alugar um espa&ccedil;o para essa val&ecirc;ncia em Bobadela.<\/p>\n<p>As actuais instala&ccedil;&otilde;es, localizadas diante do edif&iacute;cio anteriormente utilizado, foram inauguradas em 2006, com o financiamento da Uni&atilde;o Europeia, Seguran&ccedil;a Social e Munic&iacute;pio de Loures.<\/p>\n<p>O complexo inclui creche, audit&oacute;rio, biblioteca e mediateca, polidesportivo ao ar livre, lavandaria, engomadoria, salas de forma&ccedil;&atilde;o, gabinete de inser&ccedil;&atilde;o profissional e centro de acolhimento com dez quartos comunit&aacute;rios.<\/p>\n<p>O Centro de Acolhimento distingue-se por alargar &agrave; comunidade local alguns dos servi&ccedil;os que presta aos refugiados, nomeadamente a creche, servindo tamb&eacute;m como Gabinete de Inser&ccedil;&atilde;o Profissional do Instituto do Emprego.<\/p>\n<p>Em 2009, a ac&ccedil;&atilde;o do Centro contou com a colabora&ccedil;&atilde;o de 37 funcion&aacute;rios e 10 volunt&aacute;rios, al&eacute;m de 26 estagi&aacute;rios, que adquirem uma experi&ecirc;ncia &uacute;nica no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&ldquo;Penso que ficam satisfeitos porque se trata de um est&aacute;gio um pouco diferente dado que se trata de uma popula&ccedil;&atilde;o com especificidades e problemas diferentes&rdquo;, assinala a directora.<\/p>\n<p><strong>Uma casa multicultural<\/strong><\/p>\n<p>&Agrave; chegada a Portugal, os refugiados, que s&atilde;o submetidos a exames m&eacute;dicos, recebem um cart&atilde;o telef&oacute;nico e o passe social, sendo desde logo inseridos em aulas de portugu&ecirc;s &ndash; &ldquo;sem elas n&atilde;o h&aacute; acolhimento nem integra&ccedil;&atilde;o poss&iacute;veis&rdquo;, frisa Isabel Sales.<\/p>\n<p>&Agrave; excep&ccedil;&atilde;o do pequeno-almo&ccedil;o, os utentes adquirem a comida com um subs&iacute;dio semanal atribu&iacute;do pelo CPR e cozinham-na nas instala&ccedil;&otilde;es do Centro, dado que seria incomport&aacute;vel fazer refei&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas.<\/p>\n<p>Nestes dias, por exemplo, os mu&ccedil;ulmanos vivem o Ramad&atilde;o, pelo que a cozinha abre das 3 &agrave;s 5 da madrugada, quebrando o habitual per&iacute;odo de sil&ecirc;ncio nocturno do Centro.<\/p>\n<p>&ldquo;Agora &eacute; excepcional, tem de se respeitar&rdquo;, afirma Isabel Sales, que est&aacute; habituada a gerir uma casa onde convivem dezenas de pessoas de diferentes culturas e religi&otilde;es, todas com os seus h&aacute;bitos e preceitos: &ldquo;Tem de haver muitas regras. Mas tamb&eacute;m temos de ser flex&iacute;veis e analisar caso a caso&rdquo;.<\/p>\n<p>Isabel Sales, a quem alguns refugiados, por respeito e carinho, chamam de m&atilde;e, entristece-se quando fala das pessoas que n&atilde;o s&atilde;o admitidos em Portugal:<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; muito complicado. Especialmente quando se tratam de casos em que acreditamos ou s&atilde;o mais vulner&aacute;veis.&rdquo;<\/p>\n<p>Na maior parte das vezes os refugiados n&atilde;o regressam ao seu pa&iacute;s de origem: alguns ficam em Portugal, frequentemente sem documentos que suportem a sua perman&ecirc;ncia, enquanto outros s&atilde;o transferidos para estados terceiros.<\/p>\n<p>A respons&aacute;vel recorda tamb&eacute;m casos de sucesso e &eacute; com alguma dificuldade que escolhe um: &ldquo;Ainda outro dia, quando fui ao m&eacute;dico, veio ter comigo, toda radiante, uma senhora que conseguiu fazer um curso de an&aacute;lises cl&iacute;nicas enquanto esteve no centro de acolhimento&rdquo;, complementando a forma&ccedil;&atilde;o recebida no pa&iacute;s de origem.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando a encontrei &ndash; continua Isabel Sales &ndash; lembrei-me do que ela e a fam&iacute;lia choraram quando chegaram c&aacute; e as inseguran&ccedil;as que sentiam devido &agrave;s persegui&ccedil;&otilde;es que sofreram num estado do Leste europeu, muito complicado do ponto de vista dos direitos humanos. Agora ela est&aacute; &oacute;ptima, assim como o marido e o filho.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra e conflitos internos s\u00e3o as principais causas dos pedidos de asilo a Portugal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[189,203,291],"class_list":["post-46801","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-direitos-humanos","tag-europa","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46801"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46801\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}