{"id":46785,"date":"2010-08-16T11:54:28","date_gmt":"2010-08-16T11:54:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/08\/16\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-solenidade-de-nossa-senhora-de-guadalupe\/"},"modified":"2010-08-16T11:54:28","modified_gmt":"2010-08-16T11:54:28","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-solenidade-de-nossa-senhora-de-guadalupe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-solenidade-de-nossa-senhora-de-guadalupe\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Funchal na Solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Maria, modelo de f&eacute;, esperan&ccedil;a do Povo de Deus!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Celebramos com grande alegria, desde o s&eacute;c. XVI, a tradicional solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe, na Vig&iacute;lia da Assun&ccedil;&atilde;o. De proveni&ecirc;ncia devocional espanhola, esta par&oacute;quia do Porto da Cruz &eacute; a &uacute;nica da Diocese do Funchal que a tem como padroeira.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria e devo&ccedil;&atilde;o a Nossa Senhora de Guadalupe remontam ao s&eacute;c. XII, em C&aacute;ceres, Espanha. De facto, a bela imagem da &ldquo;Virgem Morena&rdquo; com o Menino Jesus ao colo, despertou e animou, ao longo dos s&eacute;culos, o amor filial do povo crist&atilde;o &agrave; M&atilde;e de Deus. Por ter acompanhado e conduzido os mission&aacute;rios e descobridores espanh&oacute;is nas suas aventuras mar&iacute;timas, &eacute; honrada como M&atilde;e, Rainha e Padroeira da Espanha e das Am&eacute;ricas.<\/p>\n<p>O seu famoso santu&aacute;rio mariano, verdadeira j&oacute;ia de arte, integrado no Real Mosteiro Franciscano de Santa Maria de Guadalupe, &eacute; considerado patrim&oacute;nio mundial da humanidade. Por feliz coincid&ecirc;ncia, neste ano de 2010, ainda est&atilde;o a decorrer as celebra&ccedil;&otilde;es do Ano Santo de Nossa Senhora de Guadalupe, tempo especial de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os e gra&ccedil;as espirituais, a finalizar no pr&oacute;ximo dia 8 de Setembro.<\/p>\n<p>As diversas invoca&ccedil;&otilde;es &agrave; Virgem Maria, M&atilde;e de Jesus, s&atilde;o memorial vivo da f&eacute; e da cultura do povo crist&atilde;o, consciente da proximidade, amor e protec&ccedil;&atilde;o materna de Maria, junto de cada homem e de cada mulher, na sua peregrina&ccedil;&atilde;o neste mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Maria, Arca da Nova Alian&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>A Liturgia da Palavra evoca o eterno amor de Deus pela fam&iacute;lia humana, que responde totalmente aos seus anseios mais profundos de felicidade, com a gl&oacute;ria eterna, que lhe adv&eacute;m de Cristo morto e ressuscitado. Em Maria, j&aacute; se realizou a plenitude desta salva&ccedil;&atilde;o que vem de Deus.<\/p>\n<p>Na primeira leitura, extra&iacute;da do livro das Cr&oacute;nicas (1Cr 15,3-4.15-16;16,1-2), a Arca da Alian&ccedil;a, s&iacute;mbolo da presen&ccedil;a e da comunh&atilde;o de Deus com o Seu Povo, &eacute; introduzida solene e alegremente, com &ldquo;instrumentos de m&uacute;sica &ndash; c&iacute;taras, harpas e c&iacute;mbalos&hellip;&rdquo; (1Cr 15,16), na tenda que David mandara construir.<\/p>\n<p>Na plenitude dos tempos, a Arca da nova Alian&ccedil;a simboliza Maria, que foi introduzida triunfalmente na Jerusal&eacute;m celeste e vive para sempre na gl&oacute;ria da Sant&iacute;ssima Trindade. De facto, a Virgem Imaculada n&atilde;o podia de modo algum ficar sujeita &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o do t&uacute;mulo. Associada intimamente aos mist&eacute;rios da vida e da morte de Cristo, Maria subiu ao c&eacute;u em corpo e alma, revestida da Beleza e Formosura da Luz do Ressuscitado.<\/p>\n<p>Na segunda leitura, tamb&eacute;m h&aacute; pouco proclamada (1Cor 15,54-57), S. Paulo exulta de alegria e canta um singular hino de louvor e ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as pelo triunfo definitivo de Cristo sobre a morte com a sua Ressurrei&ccedil;&atilde;o gloriosa. &ldquo;&Oacute; morte, onde est&aacute; o teu aguilh&atilde;o? (&#8230;) Demos gra&ccedil;as a Deus, que nos d&aacute; esta vit&oacute;ria por Nosso Senhor Jesus Cristo&rdquo; (1Cor 15, 56). A Sant&iacute;ssima Virgem foi a primeira criatura a participar desta admir&aacute;vel vit&oacute;ria, que &eacute; tamb&eacute;m a esperan&ccedil;a de todos os baptizados. &Eacute; o mist&eacute;rio da gloriosa Assun&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora, que a Igreja celebra, solenemente, na Liturgia do dia 15 de Agosto.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Acolher e viver a Palavra de Deus<\/strong><\/p>\n<p>No texto evang&eacute;lico de S. Lucas (11,27-28), Jesus sublinha a grandeza e a felicidade de Maria, que lhe adv&eacute;m da &iacute;ntima escuta e viv&ecirc;ncia da Palavra de Deus, e n&atilde;o simplesmente por ser Sua M&atilde;e, na ordem da natureza. &Agrave; mulher, que no meio da multid&atilde;o, enaltecia a felicidade da M&atilde;e daquele Filho, o pr&oacute;prio Jesus disse: &ldquo;Mais felizes s&atilde;o os que ouvem a Palavra de Deus e a p&otilde;em em pr&aacute;tica&rdquo;(Lc 11,28).&nbsp; Na vida de Maria, tecida com humildade, amor, sofrimento e doa&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nuas, podemos ler e contemplar a bondade infinita de Deus, porque foi sempre iluminada pela Sua Palavra.<\/p>\n<p>As fam&iacute;lias dos nossos dias podem encontrar nesta M&atilde;e querida a sua melhor consola&ccedil;&atilde;o e esperan&ccedil;a, sobretudo, nos momentos mais dif&iacute;ceis da vida. Tende confian&ccedil;a! Maria est&aacute; sempre ao vosso lado, na vossa casa, no descanso, no emprego, junto da vossa cruz!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O testemunho de um M&aacute;rtir<\/strong><\/p>\n<p>Como testemunho de incondicional amor filial a Nossa Senhora, recordo o padre franciscano polaco, S. Maximiliano Kolbe, falecido heroicamente no campo de concentra&ccedil;&atilde;o de Auschwitz, no dia 14 de Agosto de 1941, durante a II guerra mundial.<\/p>\n<p>Colhemos dos seus escritos estas palavras de invulgar amor &agrave; Sant&iacute;ssima Virgem: &ldquo;Deixemos que a Imaculada nos conduza. Ela pensar&aacute; em tudo, satisfar&aacute; todos os anseios da alma e do corpo. Entreguemos-lhe todas as nossas dificuldades, desgostos, tudo consagremos a Ela e confiemos que Ela cuidar&aacute; de n&oacute;s melhor que n&oacute;s mesmos. Tenhamos, pois, paz, paz, muita paz e uma confian&ccedil;a ilimitada nela&rdquo;.<\/p>\n<p>De cora&ccedil;&atilde;o magn&acirc;nimo, este m&aacute;rtir da caridade ofereceu a sua vida em vez de outro prisioneiro, pai de fam&iacute;lia polaco, que havia sido condenado &agrave; morte. Tive o gosto de visitar, em Auschwitz, a cela escura, ocupada por ele, testemunha da maior prova de amor, que &eacute;, como nos ensina Jesus, a aceita&ccedil;&atilde;o da cruz de cada dia e a entrega da vida pelos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Naquele subterr&acirc;neo de sofrimento confortou e assistiu, com grande caridade sacerdotal, &agrave; morte de muitos dos seus companheiros, transformando esse espa&ccedil;o de tristeza e desespero em local de ora&ccedil;&atilde;o, louvor e oferta generosa da vida. Com uma for&ccedil;a verdadeiramente sobrenatural, que lhe advinha do Esp&iacute;rito Santo e do seu amor filial &agrave; Virgem Imaculada, resistiu, durante quinze dias, &agrave; fome, &agrave; sede e &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o do desespero.<\/p>\n<p>O P. Maximiliano faleceu aos 47 anos, na escura cela da pris&atilde;o de Auschwitz, com grande dignidade e paz, celebrando o triunfo do amor sobre o &oacute;dio e entoando louvores a Nossa Senhora. A M&atilde;e Imaculada, que na inf&acirc;ncia lhe tinha prometido as duas coroas de rosas, a branca e a vermelha, na vig&iacute;lia da sua Assun&ccedil;&atilde;o, cumpriu a promessa materna, concedendo-lhe a gra&ccedil;a do sacerd&oacute;cio e do mart&iacute;rio.<\/p>\n<p>Que o testemunho de S. Maximiliano Kolbe, cuja mem&oacute;ria a Igreja celebra neste dia, seja um incentivo para todos os crist&atilde;os da par&oacute;quia do Porto da Cruz e de toda a nossa Diocese, no amor a Nossa Senhora, &agrave; Palavra de Deus e aos irm&atilde;os, at&eacute; &agrave; doa&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria vida, como ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Prece<\/strong><\/p>\n<p>Senhora de Guadalupe, <br \/>Padroeira desta Par&oacute;quia,<br \/>M&atilde;e da nossa confian&ccedil;a, <br \/>que apontas caminhos de Vida e de Esperan&ccedil;a,<br \/>vem caminhar com este povo,<br \/>que te invoca e ama de todo o cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Seguros na tua m&atilde;o, &oacute; M&atilde;e,<br \/>n&atilde;o temos medo da noite&#8230; <br \/>Contigo seguiremos<br \/>o teu Filho Jesus, <br \/>com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo,<br \/>pelos caminhos da vida,<br \/>at&eacute; &agrave; eternidade. &Aacute;men.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Porto da Cruz, 14 de Agosto de 2010<\/em><\/p>\n<p>&dagger; Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria, modelo de f&eacute;, esperan&ccedil;a do Povo de Deus! &nbsp; Celebramos com grande alegria, desde o s&eacute;c. 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