{"id":46777,"date":"2010-08-15T18:36:29","date_gmt":"2010-08-15T18:36:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/08\/15\/homilia-de-d-anacleto-oliveira-na-entrada-solene-na-diocese-de-viana-do-castelo\/"},"modified":"2010-08-15T18:36:29","modified_gmt":"2010-08-15T18:36:29","slug":"homilia-de-d-anacleto-oliveira-na-entrada-solene-na-diocese-de-viana-do-castelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-anacleto-oliveira-na-entrada-solene-na-diocese-de-viana-do-castelo\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Anacleto Oliveira na entrada solene na Diocese de Viana do Castelo"},"content":{"rendered":"<p>1. A primeira vez que visitei esta Diocese de Viana do Castelo, depois da minha nomea&ccedil;&atilde;o para seu Bispo, foi h&aacute; pouco mais de um m&ecirc;s: uma visita de apenas dois dias, mas na qual colhi impress&otilde;es e experimentei sensa&ccedil;&otilde;es que desejo transmitir-vos.<\/p>\n<p>Fui acompanhado pelo meu antecessor neste minist&eacute;rio, o Senhor Dom Jos&eacute; Pedreira, a pessoa que certamente mais bem conhece esta Diocese. Nela nasceu, serviu-a longo tempo como presb&iacute;tero e, durante quase 13 anos, como Bispo.<\/p>\n<p>Agrade&ccedil;o-lhe muito, Senhor Dom Jos&eacute;, a disponibilidade com que me guiou nesse primeiro contacto com as gentes e as terras de Viana.<\/p>\n<p>Tive oportunidade, em Darque, de conhecer o Centro Pastoral Paulo VI, o novo audit&oacute;rio e a Casa do Clero, onde contactei com alguns sacerdotes e familiares que a&iacute; vivem.<\/p>\n<p>Visit&aacute;mos, depois, na cidade de Viana, a C&uacute;ria Diocesana, a igreja do Convento de S&atilde;o Domingos, rezando junto do sepulcro do Beato Frei Bartolomeu dos M&aacute;rtires, pass&aacute;mos pelo Col&eacute;gio do Minho, detivemo-nos, um pouco mais longamente, no Semin&aacute;rio e na Catedral onde nos encontramos.<\/p>\n<p>Reunimo-nos com os membros da Comiss&atilde;o Organizadora desta minha apresenta&ccedil;&atilde;o solene &agrave; comunidade de Viana do Castelo e ainda com o Col&eacute;gio de Consultores, aos quais agrade&ccedil;o todo o empenhamento.<\/p>\n<p>Tive ainda oportunidade de visitar as sedes de todos os restantes Arciprestados: Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valen&ccedil;a, Mon&ccedil;&atilde;o, Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Melga&ccedil;o e Paredes de Coura.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido uma visita informal, n&atilde;o anunciada, encontr&aacute;mo-nos, ainda que de passagem, com v&aacute;rios sacerdotes e crist&atilde;os leigos, muitos dos quais, para agrad&aacute;vel surpresa minha, me reconheceram e saudaram com particular afabilidade.<\/p>\n<p>Perante tudo o que fui recebendo e presenciando, confesso que dei comigo a ver as coisas com olhos e sentimentos de uma crian&ccedil;a, que se deixa encantar pelo que v&ecirc; e espera &ndash; aquela maneira de ver e sentir de que s&oacute; como adultos nos damos verdadeiramente conta. Vou tentar esclarecer melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Existem, ainda hoje, dois dos edif&iacute;cios que muito marcaram a minha vida na inf&acirc;ncia e princ&iacute;pio da adolesc&ecirc;ncia, mas nos quais, desde ent&atilde;o, n&atilde;o voltei a entrar. Refiro-me &agrave; Escola Prim&aacute;ria da minha terra natal, as Cortes, e ao edif&iacute;cio do Semin&aacute;rio Menor da Cova da Iria, em frente da Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo. Hoje, no meu imagin&aacute;rio, s&atilde;o dois edif&iacute;cios enormes, com salas muit&iacute;ssimo maiores do que, vistas de fora, na realidade podem ter. Como explicar esta discrep&acirc;ncia?<\/p>\n<p>&Eacute; natural que, com o rodar dos anos, se mantenha a percep&ccedil;&atilde;o desse tempo, sobretudo tratando-se de duas institui&ccedil;&otilde;es que muito contribu&iacute;ram para a minha forma&ccedil;&atilde;o. Sem tudo o que l&aacute; aprendi, n&atilde;o seria hoje quem sou. Esses s&iacute;mbolos continuam grandes para mim, pelo que de grandioso me proporcionaram. S&atilde;o grandes pelo lugar insubstitu&iacute;vel que ocupam na minha exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Mas penso que h&aacute; uma outra raz&atilde;o, que n&atilde;o &eacute; alheia a todo este processo: o modo como vemos as coisas depende muito do nosso estado de esp&iacute;rito e da situa&ccedil;&atilde;o em que nos encontramos, quando as vivenciamos. Para uma crian&ccedil;a, tudo &eacute; grande, ainda que s&oacute; mais tarde, em adulto, ganhe plena consci&ecirc;ncia dessa grandiosidade.<\/p>\n<p>Mas tamb&eacute;m pode suceder o inverso: quanto mais grandiosas forem as coisas, os acontecimentos e as pessoas com que nos deparamos, seja a que n&iacute;vel for, mais pequenos poderemos sentir-nos. Mesmo sendo adultos. Mesmo ent&atilde;o continuamos sujeitos a tantas limita&ccedil;&otilde;es, fragilidades, depend&ecirc;ncias. Sem sermos infantis, transpomos connosco a crian&ccedil;a que fomos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Foi um pouco de tudo isto que senti, quando, no m&ecirc;s passado, ia percorrendo esta Diocese: meu Deus, como tudo isto &eacute; enorme para mim!<\/p>\n<p>Enorme, acima de tudo, pelo peso da responsabilidade que aqui me espera como vosso Bispo. Segundo o Direct&oacute;rio para o Minist&eacute;rio Pastoral dos Bispos (n. 1), &ldquo;o Bispo, ao ter-se em conta a si mesmo e &agrave;s suas fun&ccedil;&otilde;es, deve ter presente, como centro que define a sua identidade e a sua miss&atilde;o, o mist&eacute;rio de Cristo e as caracter&iacute;sticas que o Senhor Jesus quis para a sua Igreja, &laquo;povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Esp&iacute;rito Santo&raquo; (LG)&rdquo;.<\/p>\n<p>E o mesmo Direct&oacute;rio esclarece o que essa identidade, na pr&aacute;tica, significa: &ldquo;Vig&aacute;rio do &laquo;grande Pastor das ovelhas&raquo; (Heb 13, 20), o Bispo deve manifestar com a sua vida e com o seu minist&eacute;rio episcopal a paternidade de Deus, a bondade, a solicitude, a miseric&oacute;rdia, a do&ccedil;ura e a autoridade de Cristo, o qual veio para dar a vida e para fazer de todos os homens uma s&oacute; fam&iacute;lia, reconciliada no amor do Pai, e a perene vitalidade do Esp&iacute;rito Santo que anima a Igreja e a apoia na sua debilidade humana&rdquo; (Ibidem).<\/p>\n<p>Vig&aacute;rio de Cristo, com uma miss&atilde;o divina, trinit&aacute;ria! &ndash; Mas quem sou eu para assumir tal responsabilidade?<\/p>\n<p>Uma miss&atilde;o repartida pelas tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es de ensinar, santificar e governar, que, por sua vez, se realizam numa imensid&atilde;o de actividades que envolvem um sem n&uacute;mero de pessoas, como agentes e destinat&aacute;rios &ndash; presb&iacute;teros, religiosos e leigos, crist&atilde;os e at&eacute; n&atilde;o crist&atilde;os, com problemas e necessidades de toda a ordem! E todos &agrave; espera de uma palavra ou um gesto, uma orienta&ccedil;&atilde;o ou uma decis&atilde;o da parte do Bispo.<\/p>\n<p>Mais: nesse primeiro contacto fiquei com a impress&atilde;o de que s&atilde;o grandes as expectativas que me esperam; o que &eacute; normal e at&eacute; gratificante. Mas estarei eu &agrave; altura de merecer a confian&ccedil;a que depositam em mim?<\/p>\n<p>&Eacute; certo que nem tudo &eacute; novidade para mim. Dou gra&ccedil;as a Deus pelos cinco anos que me concedeu no Patriarcado de Lisboa e pela experi&ecirc;ncia que fui adquirindo com o Senhor Cardeal Dom Jos&eacute; Policarpo, os restantes bispos auxiliares, tantos padres, di&aacute;conos, crist&atilde;os consagrados e leigos. Mas, tenho consci&ecirc;ncia de que irei encontrar aqui uma realidade diferente, quer a n&iacute;vel social, cultural e econ&oacute;mico quer mesmo a n&iacute;vel religioso. Para n&atilde;o falar da responsabilidade de ser o primeiro animador da F&eacute;.<\/p>\n<p>Raz&otilde;es, portanto, entre muitas outras que n&atilde;o v&ecirc;m a prop&oacute;sito, para me sentir pequeno, como uma crian&ccedil;a que tudo espera&hellip; mas confiante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Sim, por estranho que pare&ccedil;a, &eacute; assim &ndash; pequeno como uma crian&ccedil;a &ndash; que me reconhe&ccedil;o. Mais: estou plenamente convencido de que s&oacute; assim devo sentir-me. Por isso n&atilde;o mais entrei nos lugares da minha inf&acirc;ncia de que falei h&aacute; pouco. Preciso de continuar a v&ecirc;-los, como tantas outras coisas, com olhos de crian&ccedil;a, para n&atilde;o perder de vista a import&acirc;ncia de, mesmo em adulto, conservar a sensibilidade e a abertura de uma crian&ccedil;a.<\/p>\n<p>N&atilde;o para fugir &agrave;s responsabilidades que me esperam. Uma crian&ccedil;a s&oacute; evita aqueles em quem n&atilde;o confia. A quem lhe oferece motivos de confian&ccedil;a, ela entrega-se, muito mais do que um adulto. Entrega-se, porque, nas suas car&ecirc;ncias e necessidade de viver e crescer, precisa de quem lhe d&ecirc; o que n&atilde;o tem. As crian&ccedil;as s&atilde;o, por natureza, dependentes.<\/p>\n<p>E &eacute; nesse sentido que Jesus faz delas modelos de f&eacute;. Aos disc&iacute;pulos, desejosos de saber &ldquo;quem &eacute; o maior no reino dos C&eacute;us&rdquo;, e depois de colocar uma crian&ccedil;a no meio deles, diz Ele: &ldquo;Em verdade vos digo: se n&atilde;o vos converterdes e vos tornardes como crian&ccedil;as, n&atilde;o entrareis no reino dos C&eacute;us. Quem for humilde como esta crian&ccedil;a, esse ser&aacute; o maior no reino dos C&eacute;us&rdquo; (Mt 18, 1-4).<\/p>\n<p>Isto &eacute;, Deus s&oacute; entra e reina na vida daqueles que d&rsquo;Ele se tornam totalmente dependentes, a Ele se abandonam pela f&eacute;, como uma crian&ccedil;a ao pai e &agrave; m&atilde;e que lhe s&atilde;o queridos. No dizer do Santo Padre, na sua recente peregrina&ccedil;&atilde;o a F&aacute;tima, &ldquo;a f&eacute; em Deus (&hellip;) pede o abandono, cheio de confian&ccedil;a, nas m&atilde;os do Amor que sustenta o mundo&rdquo; (Homilia em F&aacute;tima, 13.05.2010)<\/p>\n<p>Um dos maiores exemplos desta entrega de f&eacute; &eacute; o de Santa Maria, padroeira desta Diocese e que, nesta solenidade da sua Assun&ccedil;&atilde;o, veneramos como a Maior. Maior por ser t&atilde;o pequena. Ao ver-se eleita para a miss&atilde;o sobre-humana de ser M&atilde;e do Filho do Alt&iacute;ssimo, foi ent&atilde;o que ela mais se apercebeu da sua pequenez. Sentiu-o mais do que nunca, quando se viu extremamente agraciada por Deus. E foi, levada por essa gra&ccedil;a, que se entregou: &ldquo;Eis a escrava do Senhor; fa&ccedil;a-se em mim segundo a tua Palavra&rdquo; (Lc 1, 38). A gra&ccedil;a do Senhor, que a fez sentir-se t&atilde;o humilde, como uma escrava, foi essa mesma gra&ccedil;a que a levou a dar-se ao Senhor, para a plena realiza&ccedil;&atilde;o da sua palavra.<\/p>\n<p>E foi assim que o Filho de Deus ganhou corpo no seu corpo virginal: pela gra&ccedil;a da f&eacute; &ndash; a gra&ccedil;a que sempre precede, acompanha e alimenta toda a entrega de f&eacute; &ndash; como uma crian&ccedil;a que, se ama o pai e a m&atilde;e, deve-o afinal ao amor que deles recebe.<\/p>\n<p>E qu&atilde;o feliz Maria se sentiu assim, totalmente possu&iacute;da pelo Senhor. Ouvimo-lo h&aacute; pouco, de sua prima Santa Isabel: &ldquo;Bendita &eacute;s tu entre as mulheres e bendito &eacute; o fruto do teu ventre.&rdquo; A b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do Filho apodera-se da M&atilde;e. E esta &eacute; feliz, porque &ldquo;acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor&rdquo; (Lc 1, 42.45).<\/p>\n<p>E como reagiu Maria &agrave;s palavras de Isabel? &ndash; &ldquo;A minha alma glorifica o Senhor e o meu esp&iacute;rito se alegra em Deus meu salvador&rdquo;. Repare-se como toda ela, neste louvor, se confia ao Senhor: com o corpo que fala, a alma que vibra e o esp&iacute;rito de que vive. Tudo isto, porque Ele, o Deus Salvador, &ldquo;p&ocirc;s os olhos na humildade da sua serva&rdquo; (Lc 1, 46-48).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Por isso, desde ent&atilde;o, todas as gera&ccedil;&otilde;es lhe chamam &ldquo;bem-aventurada&rdquo;. Chamamos-lhe assim, na medida em que fazemos, tamb&eacute;m n&oacute;s e no grau que nos &eacute; acess&iacute;vel, a sua experi&ecirc;ncia de f&eacute;. Tamb&eacute;m por meio de n&oacute;s, o Senhor quer fazer &ldquo;maravilhas&rdquo;, fruto da &ldquo;sua miseric&oacute;rdia&rdquo;: a miseric&oacute;rdia que, ao mesmo tempo, nos faz sentir pequenos e nos capacita para sermos agentes de tudo aquilo que s&oacute; Ele tem poder para realizar (Lc 1, 49.50).<\/p>\n<p>Vejamos o que, sobre isso, as leituras b&iacute;blicas desta celebra&ccedil;&atilde;o ainda nos sugerem.<\/p>\n<p>Segundo a do livro do Apocalipse (12, 1-6), &eacute; o Senhor, na sua infinita miseric&oacute;rdia, que faz de n&oacute;s o Seu Povo, aquela &ldquo;mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos p&eacute;s e uma coroa de doze estrelas na cabe&ccedil;a&rdquo;: a mulher que Deus ama e que, &agrave; imagem de Maria e por meio dela, d&aacute; &agrave; luz o Messias; a mulher que, depois da glorifica&ccedil;&atilde;o de Cristo, tem de retirar-se para o deserto das car&ecirc;ncias e do sofrimento, mas onde recebe de Deus a energia necess&aacute;ria para enfrentar o poder do mal e n&atilde;o ceder &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de alinhar com os seus adoradores.<\/p>\n<p>Ainda hoje a Igreja sofre persegui&ccedil;&otilde;es; e &eacute; sua miss&atilde;o assegurar que os seus membros se n&atilde;o deixem conquistar por tantos &iacute;dolos destruidores.<\/p>\n<p>Em F&aacute;tima, o Papa chamava a nossa aten&ccedil;&atilde;o, como Bispos, para isso: para o que se passa em v&aacute;rios &acirc;mbitos da nossa sociedade, onde, segundo as suas palavras, h&aacute; &ldquo;crentes envergonhados que d&atilde;o as m&atilde;os ao secularismo, construtor de barreiras &agrave; inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde;.&rdquo; E exortava-nos a que, &ldquo;mesmo aqueles que l&aacute; defendem com coragem um pensamento cat&oacute;lico vigoroso e fiel ao Magist&eacute;rio continuem a receber o vosso est&iacute;mulo e palavra esclarecedora para, como leigos, viverem a liberdade crist&atilde;&rdquo; (Discurso aos Bispos, 13.05.2010).<\/p>\n<p>E, em Lisboa, afirmava que &ldquo;para fazer de cada mulher e homem crist&atilde;o uma presen&ccedil;a irradiante da perspectiva evang&eacute;lica no meio do mundo, na fam&iacute;lia, na cultura, na economia, na pol&iacute;tica&rdquo; &ndash; &ldquo;para isso &eacute; preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo, cora&ccedil;&atilde;o do Cristianismo, fulcro e sustent&aacute;culo da nossa f&eacute;, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecis&atilde;o, qualquer d&uacute;vida e c&aacute;lculo humano&rdquo; (Homilia em Lisboa, 12.05.2010).<\/p>\n<p>Trata-se da mesma mensagem da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo que, h&aacute; pouco, S&atilde;o Paulo proclamava como &ldquo;prim&iacute;cias&rdquo; da nossa ressurrei&ccedil;&atilde;o (1 Cor 15, 20.23). Tamb&eacute;m a essa mensagem podemos associar outras palavras do Santo Padre, neste caso relativas &agrave; esperan&ccedil;a que nos anima: &ldquo;S&oacute; Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada cora&ccedil;&atilde;o humano e responder &agrave;s suas quest&otilde;es mais inquietantes acerca do sofrimento, da injusti&ccedil;a e do mal, sobre a morte e a vida do Al&eacute;m&rdquo; (Ibidem).<\/p>\n<p>S&oacute; Cristo! &ndash; O mesmo Cristo que passou pela terr&iacute;vel humilha&ccedil;&atilde;o da cruz e pelo qual o Deus Todo-poderoso &ldquo;manifestou o poder de seu bra&ccedil;o e dispersou os soberbos; derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes; aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de m&atilde;os vazias&rdquo; (Lc 1, 51-53).<\/p>\n<p>Palavras que Maria coloca nos nossos l&aacute;bios, como programa de vida: da minha como Bispo e da de cada um de v&oacute;s, particularmente os da diocese que me &eacute; confiada, com colaboradores que o Senhor me concede e aos quais me confio&hellip; como uma crian&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Convido-vos, car&iacute;ssimos Diocesanos, a fazermos todos o mesmo: a conservarmo-nos dependentes uns dos outros, unindo os carismas que o Esp&iacute;rito do Senhor suscita em cada um de n&oacute;s, em ordem &agrave; constru&ccedil;&atilde;o das comunidades a que pertencemos e que precisam de todos. S&oacute; assim, poderemos, para j&aacute;, realizar plenamente o Projecto Pastoral Diocesano, escolhido para o tri&eacute;nio que termina no pr&oacute;ximo ano: o de encarnarmos nas nossas vidas e levarmos outros a encarnar, conforme o t&iacute;tulo dado a esse Projecto, &ldquo;A Palavra de Deus feita amor entre n&oacute;s.&rdquo;<\/p>\n<p>Que esse amor ganhe express&otilde;es concretas, dentro e fora das nossas comunidades crist&atilde;s, nomeadamente em rela&ccedil;&atilde;o a tantos carenciados e bens materiais e espirituais, entre os quais destaco, pela sua actualidade, os que t&ecirc;m estado a bra&ccedil;os com os inc&ecirc;ndios que t&ecirc;m assolado terras da nossa Diocese e fora dela.<\/p>\n<p>Mas lembremo-nos de que esse amor s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel ou, pelo menos, &eacute; muito mais poss&iacute;vel, se todos nos entregarmos inteiramente nas m&atilde;os de Deus, deixando-nos encantar e conquistar pela sua miseric&oacute;rdia de Pai, para que Ele, em n&oacute;s, continue a fazer maravilhas. Confiemo-nos a Ele, com estas palavras do Salmo 130\/131 que Ele pr&oacute;prio coloca nos meus l&aacute;bios:<\/p>\n<p>&ldquo;Senhor, n&atilde;o se eleva soberbo o meu cora&ccedil;&atilde;o, nem se levantam altivos os meus olhos.<\/p>\n<p>N&atilde;o ambiciono grandezas nem coisas superiores a mim.<\/p>\n<p>Antes fico sossegado e tranquilo como crian&ccedil;a ao colo da m&atilde;e.<\/p>\n<p>Espera, Israel, no Senhor, agora e para sempre.&rdquo;<\/p>\n<p>Espera, Igreja de Viana, no Senhor<\/p>\n<p>agora e para sempre!<\/p>\n<p>Amen.<\/p>\n<p>Viana do Castelo, 15 de Agosto de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Anacleto de Oliveira, Bispo de Viana do Castelo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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