{"id":46719,"date":"2010-08-10T11:51:31","date_gmt":"2010-08-10T11:51:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/08\/10\/igreja-atenta-aos-filhos-de-imigrantes\/"},"modified":"2010-08-10T11:51:31","modified_gmt":"2010-08-10T11:51:31","slug":"igreja-atenta-aos-filhos-de-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-atenta-aos-filhos-de-imigrantes\/","title":{"rendered":"Igreja atenta aos filhos de imigrantes"},"content":{"rendered":"<p>Director da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es defende que legisla\u00e7\u00e3o em vigor contribui para o aumento de grupos marginais <!--more--> <\/p>\n<p>A dificuldade no acesso &agrave; nacionalidade portuguesa sentida por filhos de imigrantes nascidos no pa&iacute;s &eacute; uma das causas da criminalidade, considera o director da <a href=\"http:\/\/www.ecclesia.pt\/ocpm\/\" target=\"_blank\">Obra Cat&oacute;lica Portuguesa das Migra&ccedil;&otilde;es<\/a>, Fr. Francisco Sales.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o atinge a popula&ccedil;&atilde;o mais nova que, al&eacute;m de exclu&iacute;da por Portugal, n&atilde;o &eacute; aceite pelos Estados de origem dos pais devido &agrave; instabilidade pol&iacute;tica ou &agrave; aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas que protejam os seus emigrantes, como acontece na Guin&eacute;-Bissau, que para o sacerdote constitui &ldquo;o caso mais flagrante&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Muitos desses jovens viram-se obrigados a criar estruturas marginais por estarem sem documentos&rdquo; referiu o religioso em declara&ccedil;&otilde;es &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Esses grupos, assinala o sacerdote, defendem os seus membros de &ldquo;uma sociedade que n&atilde;o os acolhe, n&atilde;o lhes d&aacute; o direito de serem cidad&atilde;os do pa&iacute;s onde nasceram nem lhes proporciona os meios para se integrarem e desenvolverem&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Quem n&atilde;o tem documentos, n&atilde;o existe. N&atilde;o tem direito a exigir o que quer que seja da sociedade para o ajudar. Por isso tem de sobreviver como se estivesse num mundo selvagem&rdquo;, real&ccedil;a o padre franciscano.<\/p>\n<p>Susana Ferro, t&eacute;cnica ao servi&ccedil;o do <a href=\"http:\/\/csb6maio.eco-gaia.net\/\" target=\"_blank\">Centro Social do Bairro 6 de Maio<\/a>, na periferia de Lisboa, confirma que h&aacute; grupos organizados &agrave; margem da lei nascidos, entre outras causas, da &ldquo;burocracia&rdquo; necess&aacute;ria para obter pelo menos o t&iacute;tulo de resid&ecirc;ncia: &ldquo;Acaba por ser uma estrat&eacute;gia quase de sobreviv&ecirc;ncia&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>&ldquo;Eles, que n&atilde;o conhecem a terra de origem dos pais, consideram-se de c&aacute; porque nasceram c&aacute;. E n&oacute;s consideramo-los de l&aacute; porque s&atilde;o filhos de imigrantes que est&atilde;o clandestinos&rdquo;, sublinha o religioso.<\/p>\n<p>O problema remonta ao processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o ocorrido na sequ&ecirc;ncia do 25 de Abril de 1974: &ldquo;Pessoas que se julgavam portuguesas&rdquo; perderam a nacionalidade com a independ&ecirc;ncia dos antigos territ&oacute;rios do ultramar e &ldquo;nunca conseguiram registar os filhos ou nem sequer se preocuparam&rdquo; com esse procedimento legal, explica.<\/p>\n<p>O Fr. Francisco Sales real&ccedil;a que tem &ldquo;orgulho&rdquo; em ser portugu&ecirc;s devido &agrave;s &ldquo;nossas leis de imigra&ccedil;&atilde;o&rdquo; e salienta que &ldquo;n&atilde;o conhece nenhum pa&iacute;s do mundo com o trabalho de acolhimento que tem sido feito&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas apesar de a legisla&ccedil;&atilde;o ter resolvido &ldquo;muitas situa&ccedil;&otilde;es&rdquo;, continua a haver &ldquo;uma grande faixa que fica &agrave; margem&rdquo;, denuncia.<\/p>\n<p>A resolu&ccedil;&atilde;o do problema, &ldquo;que se arrasta desde a descoloniza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, exige &ldquo;coragem, coer&ecirc;ncia e, principalmente, respeito pela pessoa humana&rdquo;, vinca o respons&aacute;vel, que advoga a atribui&ccedil;&atilde;o da nacionalidade portuguesa a quem nasceu no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de ser necess&aacute;rio consignar na lei a atribui&ccedil;&atilde;o de nacionalidade &agrave;s pessoas que nasceram no pa&iacute;s, n&atilde;o basta esperar que elas se dirijam aos servi&ccedil;os oficiais para solicitar a documenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A regulariza&ccedil;&atilde;o destes casos, indica o religioso, deve ser feita a partir dos organismos que trabalham nas &aacute;reas de resid&ecirc;ncia dos imigrantes, numa aproxima&ccedil;&atilde;o que os ajude a perder o medo de san&ccedil;&otilde;es penais.<\/p>\n<p>&ldquo;Quem est&aacute; numa situa&ccedil;&atilde;o marginal tem sempre medo de tudo o que esteja relacionado com a autoridade&rdquo; e com a possibilidade de, &ldquo;apesar de ter nascido em Portugal, ser enviado para o pa&iacute;s de origem dos pais&rdquo;.<\/p>\n<p>O religioso lembra o que aconteceu com os emigrantes portugueses nos Estados Unidos e no Canad&aacute;: jovens que nasceram nesses pa&iacute;ses ou que foram para l&aacute; ainda muito pequenos e que, &ldquo;por causa do mais pequeno crime&rdquo;, foram repatriados para os A&ccedil;ores por n&atilde;o possu&iacute;rem nacionalidade daqueles Estados.<\/p>\n<p>A dificuldade em conseguir documentos estende-se tamb&eacute;m aos imigrantes que procuram trabalho: &ldquo;Para renovar, e sobretudo obter o t&iacute;tulo de resid&ecirc;ncia, precisa-se de ter um contracto de trabalho; mas para exercer actividade laboral &eacute; necess&aacute;rio possuir o t&iacute;tulo de resid&ecirc;ncia. Acaba de ser um fen&oacute;meno circular&rdquo;, assinala Susana Ferro.<\/p>\n<p>A esta incoer&ecirc;ncia na legisla&ccedil;&atilde;o acresce um fen&oacute;meno que a t&eacute;cnica&nbsp;qualifica de &ldquo;curioso&rdquo;: &ldquo;Muitas pessoas sem autoriza&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncia arranjam trabalho, os ditos biscates, sem contracto. E ainda assim descontam para a Seguran&ccedil;a Social&rdquo;.<\/p>\n<p>Os dois respons&aacute;veis defendem que sem a altera&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o, a condi&ccedil;&atilde;o das pessoas que nasceram e trabalham em Portugal mas que permanecem sem nacionalidade corre o risco de se transmitir para os seus filhos, prolongando uma situa&ccedil;&atilde;o que nenhum Governo conseguiu ou quis resolver.<\/p>\n<p><strong>Semana Nacional das Migra&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>A Igreja Cat&oacute;lica portuguesa celebra at&eacute; 15 de Agosto a 38.&ordf; Semana Nacional de Migra&ccedil;&otilde;es, dedicada ao tema &ldquo;Com Francisco e Jacinta acolher Cristo nos Migrantes e Refugiados Menores&rdquo;.<\/p>\n<p>O t&iacute;tulo inspira-se no d&eacute;cimo anivers&aacute;rio da beatifica&ccedil;&atilde;o das duas crian&ccedil;as a quem Maria, m&atilde;e de Jesus, apareceu por diversas vezes em 1917, e no teor da <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/migration\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20091016_world-migrants-day_po.html\" target=\"_blank\">mensagem<\/a> de Bento XVI para a edi&ccedil;&atilde;o de 2010 do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, alusiva aos migrantes e refugiados menores.<\/p>\n<p>A Comiss&atilde;o Episcopal da Mobilidade Humana lembra que muitos filhos de imigrantes nascidos em Portugal est&atilde;o &ldquo;votados &agrave; marginalidade, sem documentos nem registo de exist&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;A estes &ndash; refere a mensagem para a Semana das Migra&ccedil;&otilde;es &ndash; &eacute; preciso fazer justi&ccedil;a dando-lhes uma identidade e nacionalidade, pois n&atilde;o conhecem outro pa&iacute;s sen&atilde;o aquele que os viu nascer e que, ao exclu&iacute;-los est&aacute; a contribuir para que surjam organiza&ccedil;&otilde;es juvenis marginais, muitas vezes criminosas e identificadas com determinada origem &eacute;tnica, que s&atilde;o, na verdade, uma forma de defesa contra um meio social que lhes &eacute; hostil&rdquo;.<\/p>\n<p>Entre 12 e 13 de Agosto realiza-se a Peregrina&ccedil;&atilde;o Anual dos Migrantes a F&aacute;tima e no dia 15, solenidade da Assun&ccedil;&atilde;o da Virgem Maria, as comunidades eclesiais evocam a &ldquo;Jornada de Solidariedade para com a Pastoral da Mobilidade Humana&rdquo;, com os ofert&oacute;rios das missas a reverterem para este departamento da Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Director da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es defende que legisla\u00e7\u00e3o em vigor contribui para o aumento de grupos 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