{"id":4666,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/luta-de-classes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"luta-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/luta-de-classes\/","title":{"rendered":"Luta de classes"},"content":{"rendered":"<p>Os media, em particular a televis\u00e3o &#8211; por virtude da imagem &#8211; oferecem-nos hoje um espectro social muito singular. Cada vez \u00e9 mais vasta a gama de intervenientes, entrevistados, depoentes, comentadores, cr\u00edticos e analistas, com acesso \u00e0 express\u00e3o p\u00fablica e consequente exposi\u00e7\u00e3o e julgamento popular. Os actores dos grandes eventos das revistas sociais e de espect\u00e1culo, tanto encontram editadas, revistas e aumentadas, as suas gl\u00f3rias e prod\u00edgios, como v\u00eaem espalhados aos ventos os deslizes, privados ou p\u00fablicos, ficando quase indefesos para desmentir a aleivosia, como antes o eram para a vangl\u00f3ria.  Mas as classes v\u00e3o-se alinhando. \u00c9 f\u00e1cil, quase sem or\u00e1culo explicativo, saber quem fala: se um pol\u00edtico, um m\u00e9dico, um arquitecto, um padre, um jurista, um patr\u00e3o, um sindicalista. As classes existem e t\u00eam uma esp\u00e9cie de m\u00fasica indicativa no falar, na escolha das frases, nas g\u00edrias e cassetes. Deve dizer-se que de todas, possivelmente a classe pol\u00edtica \u00e9 a mais exposta, a mais criticada, e menos merecedora de cr\u00e9dito. As sondagens repetem essa convic\u00e7\u00e3o sem explicarem as raz\u00f5es por que tal sucede. Uma delas, ser\u00e1 possivelmente a quantidade, forma e conte\u00fado das presta\u00e7\u00f5es dos pol\u00edticos na pra\u00e7a p\u00fablica. A op\u00e7\u00e3o pela vida pol\u00edtica \u00e9 tida, muitas vezes, como o trabalho poss\u00edvel, \u00e0 falta de melhor emprego. E tamb\u00e9m parece ter, como tarefa priorit\u00e1ria, estabelecer a velha dial\u00e9ctica com os eleitores e os concorrentes &#8211; poder ou oposi\u00e7\u00e3o &#8211; de outros partidos. \u00c9 facto que muitos, pol\u00edticos e pol\u00edticas, concorrem para esta imagem. Mas importa recordar que a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, nomeadamente nos escal\u00f5es do poder, \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o, um carisma, uma miss\u00e3o, uma forma de servi\u00e7o \u00e0 comunidade, para al\u00e9m da realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Muita gente est\u00e1 na vida pol\u00edtica na sequ\u00eancia de empenhamentos anteriores na justi\u00e7a social, nos combates pela cultura e pelos valores marcantes do povo a que pertence. N\u00e3o \u00e9 justo reduzir os pol\u00edticos a mercen\u00e1rios do poder, malabaristas da palavra e manipuladores de massas. Importa dizer que, no contexto democr\u00e1tico e de liberdade plena da informa\u00e7\u00e3o, tudo est\u00e1 mais exposto e pode, por isso, degenerar, por culpa de alguns, em descr\u00e9dito de uma classe que \u00e9 essencial ao desenvolvimento e dignifica\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds. A foguearia do descr\u00e9dito pode servir desejos rec\u00f4nditos de um qualquer ditador que, esteja do lado de quem estiver, pretende atingir mortalmente a democracia. E pode ser uma nova forma de luta de classes \u2013 h\u00e1 a classe pol\u00edtica e as outras &#8211; para dirimir quem verdadeiramente manda na sociedade. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os media, em particular a televis\u00e3o &#8211; por virtude da imagem &#8211; oferecem-nos hoje um espectro social muito singular. Cada vez \u00e9 mais vasta a gama de intervenientes, entrevistados, depoentes, comentadores, cr\u00edticos e analistas, com acesso \u00e0 express\u00e3o p\u00fablica e consequente exposi\u00e7\u00e3o e julgamento popular. Os actores dos grandes eventos das revistas sociais e de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-4666","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4666"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4666\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}