{"id":4663,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-lei-sobre-a-laicidade-em-franca\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-lei-sobre-a-laicidade-em-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-lei-sobre-a-laicidade-em-franca\/","title":{"rendered":"A lei sobre a laicidade em Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Manuel Marques Gon\u00e7alves, Reitor do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima &#8211; Paris <!--more--> Foi aprovada, em 10 de Fevereiro, pelo Parlamento, a lei que pro\u00edbe o porte \u201costensivo\u201d de sinais religiosos, nas escolas p\u00fablicas.  A  lei passou com a grande maioria dos votos dos deputados do UMP, PS, UDG e dos Comunistas e republicanos, com a seguinte formula\u00e7\u00e3o, no artigo 1\u00ba: \u201cNas escolas, col\u00e9gios e liceus p\u00fablicos, o porte de sinais ou trajes pelos quais os alunos manifestem ostensivamente uma perten\u00e7a religiosa, \u00e9 proibido\u201d. Esta decis\u00e3o legislativa \u00e9 o termo de 15 anos de pol\u00e9micas acerca do porte do v\u00e9u isl\u00e2mico nas escolas, iniciadas em 1989, com o caso de Creil (Oise).  A partir  da\u00ed, estava lan\u00e7ada a quest\u00e3o, agravada depois pelas discord\u00e2n-cias instaladas entre as autoridades aca-d\u00e9micas e as posi\u00e7\u00f5es l\u00facidas do Conselho de Estado que ia declarando que o uso do v\u00e9u isl\u00e2mico n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com o princ\u00edpio de laicidade da Rep\u00fablica. Um mal-estar nas escolas e as suspei\u00e7\u00f5es sobre uma dada camada da popula\u00e7\u00e3o de origem imigrante levaram o Presidente da Rep\u00fablica a analisar o princ\u00edpio de laicidade, na sua aplica\u00e7\u00e3o nas escolas.  Nomeou ent\u00e3o a Comiss\u00e3o Stasi para investigar no terreno e esclarecer o conceito de laicidade.   As conclus\u00f5es da Comiss\u00e3o abriram caminho ao avan\u00e7o da lei que proibira os sinais religiosos ostensivos nas escolas p\u00fablicas. Mas neste processo, est\u00e1 j\u00e1 patente uma ideologia radical que exalta a laicidade, como valor absoluto, uma esp\u00e9cie de divindade que dever\u00e1 dominar toda a vida da Fran\u00e7a. Tal conceito vai resvalar logo num laicismo militante que se traduzir\u00e1 na lei agora aprovada. Houve, ao longo deste  processo, reac\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e reac\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias, ao sabor duma certa experi\u00eancia de inseguran\u00e7a e de xenofobia selectiva. Os intelectuais l\u00facidos e com os p\u00e9s na evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, criticaram a lei e t\u00eam expresso o seu recuo face a uma inten\u00e7\u00e3o hegem\u00f3nica, que chega \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais da pessoa. As Igrejas, por seu lado, tiveram a imediata percep\u00e7\u00e3o do perigo.  Assim se exprimiram em diversas circunst\u00e2ncias o Conselho das Igrejas Crist\u00e3s em Fran\u00e7a, a Confer\u00eancia dos Bispos de Fran\u00e7a, e o pr\u00f3prio Papa, em Roma, na recep\u00e7\u00e3o ao Corpo Diplom\u00e1tico, em 12 de Janeiro passado. O Cardeal Ricard, Presidente da confer\u00eancia dos Bispos, n\u00e3o querendo ignorar certas situa\u00e7\u00f5es de perigos comu-nitaristas, reprovou totalmente o conceito de laicidade que n\u00e3o assegure o exerc\u00edcio dos cultos, no seu \u00e2mbito p\u00fablico e recordou que o Estado tem a responsabilidade, dentro do seu esp\u00edrito laico, de atribuir o mesmo respeito, a mesma considera\u00e7\u00e3o a todas as grandes fam\u00edlias espirituais e deve ter em conta as diversidades religiosas, que n\u00e3o t\u00eam todas a mesma hist\u00f3ria. Esta lei v\u00ea mal as causas de certas concentra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a proibi\u00e7\u00e3o dos sinais religiosos.  Concerteza a pr\u00f3pria Comiss\u00e3o Stasi ter\u00e1 um d\u00e9fice da investiga\u00e7\u00e3o rigorosa.   N\u00e3o basta respeitar a op\u00e7\u00e3o privada, \u00e9 necess\u00e1rio respeitar a dimens\u00e3o social e institucional das religi\u00f5es na sociedade. Estamos perante uma lei que exprime a experi\u00eancia hist\u00f3rica da Fran\u00e7a, no campo de laicidade.  Mas n\u00e3o basta viv\u00ea-la e imp\u00f4-la como valor nacional.  \u00c9 necess\u00e1rio situar-se na universalidade da Europa, que sendo laica, lida de uma maneira serena com o valor da laicidade, na sua rela\u00e7\u00e3o com a Igreja e com os outros grupos religiosos. \u00c9 pois fundamental que esta decis\u00e3o n\u00e3o alastre, mas antes seja energicamente reprovada, na defesa de uma leg\u00edtima laicidade, geradora de frutos exaltantes da dignidade humana. Pe. Manuel Marques Gon\u00e7alves, Reitor do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima &#8211; Paris <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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