{"id":46564,"date":"2012-06-17T08:46:00","date_gmt":"2012-06-17T08:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/17\/d-albino-cleto-um-percurso-ao-servico-da-igreja-repeticao\/"},"modified":"2012-06-17T08:46:00","modified_gmt":"2012-06-17T08:46:00","slug":"d-albino-cleto-um-percurso-ao-servico-da-igreja-repeticao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-albino-cleto-um-percurso-ao-servico-da-igreja-repeticao\/","title":{"rendered":"D. Albino Cleto, um percurso ao servi\u00e7o da Igreja (repeti\u00e7\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o da sua morte, a Ag\u00eancia ECCLESIA recorda o percurso do bispo em\u00e9rito de Coimbra, descrito na primeira pessoa em 2010. <!--more--> <\/p>\n<p>O Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, prepara a sua despedida da Diocese com o sentido do dever cumprido. Tendo completado 75 anos no &uacute;ltimo m&ecirc;s de Mar&ccedil;o <em>[2010, ndr]<\/em>, o prelado pediu a ren&uacute;ncia ao cargo e em Abril anunciou &agrave; Diocese que a mesma tinha sido aceite pelo Vaticano.<\/p>\n<p>Natural de Manteigas (Distrito da Guarda), junto da Serra da Estrela, D. Albino Cleto foi ordenado padre em 1959 e Bispo em 1983, como Auxiliar de Lisboa.<\/p>\n<p>Posteriormente, foi nomeado Bispo Coadjutor de Coimbra em Outubro de 1997, sucedendo a D. Jo&atilde;o Alves em Mar&ccedil;o de 2001.<\/p>\n<p>Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, passa em revista um percurso de muitos anos, perspectivando o seu futuro e o da Diocese que actualmente serve, enquanto Bispo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE)<\/strong> &ndash; Natural da Serra da Estrela, esteve na par&oacute;quia da Estrela (Lisboa) e est&aacute; na diocese onde passa o rio da &laquo;Estrela&raquo;. A estrela percorreu todos os passos da sua vida?<\/p>\n<p><strong>D. Albino Cleto (AC)<\/strong> &ndash; Tenho pensado nisso&hellip; Quando fui eleito bispo pedi a Nossa Senhora que fosse a minha Estrela, sem esquecer que a Sagrada Escritura diz que Jesus Cristo &eacute; a &laquo;Estrela da Manh&atilde;&raquo;. Realmente, a estrela tem-me acompanhado, pelo menos no nome.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Em Mar&ccedil;o deste ano fez 75 anos. Quando passar a bispo em&eacute;rito de Coimbra volta para a &laquo;Estrela&raquo;?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Volto para a &laquo;Estrela&raquo;. A serra ser&aacute; a minha base &ndash; assim o penso -, n&atilde;o ficando, evidentemente, ali retido constantemente. Estarei a servi&ccedil;o da Igreja, mas penso ir, bastantes vezes, a Lisboa porque tenho l&aacute; instala&ccedil;&atilde;o garantida, em fam&iacute;lia, e tenho tamb&eacute;m l&aacute; muitos amigos que quero revisitar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Natural da zona de Manteigas (diocese da Guarda), como foi o percurso de D. Albino Cleto at&eacute; &agrave; diocese de Coimbra?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Considero que tem o seu qu&ecirc; de original. Pelo menos a ida para Lisboa. Desde pequeno (a partir do Crisma) que dizia que queria ser padre. Naturalmente, as coisas encaminharam-se para ir para o semin&aacute;rio da diocese da Guarda. Havia tamb&eacute;m outro colega da escola prim&aacute;ria que tinha os mesmos prop&oacute;sitos. &Eacute;ramos muito amigos e fizemos um conluio os dois. Todavia, depois do exame de aptid&atilde;o &ndash; como se usava nessa altura &ndash; feito na Guarda, retardou a resposta. O nosso &laquo;velho prior&raquo; s&oacute; nos chamou para nos transmitir que estava tudo solucionado: &laquo;Tu, Albino, vais para o Fund&atilde;o, mas tu, Z&eacute;, vais para Santar&eacute;m&raquo;. Respondi, imediatamente: &laquo;N&atilde;o senhor vig&aacute;rio. Para onde vai um, v&atilde;o os dois&raquo;. &laquo;Se, ele n&atilde;o pode ir para o Fund&atilde;o, sou eu que quero ir para Santar&eacute;m&raquo;. Embirrei&hellip;. &laquo;Santa&raquo; birra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Era um menino birrento&hellip; Levou mesmo uma &laquo;bofetada&raquo; do seu pai devido a este epis&oacute;dio?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Sim. Quando disse &laquo;santa&raquo; birra n&atilde;o era devido ao Semin&aacute;rio do Fund&atilde;o. Fui para Santar&eacute;m e passado algum tempo o meu colega deixa o semin&aacute;rio. Pensei: &laquo;Deus prega-nos cada partida&raquo;. Continuei&hellip; Fiz os semin&aacute;rios normais. Fiquei muito contente quando, em Setembro de 1959, recebi um cart&atilde;ozinho do secret&aacute;rio do Cardeal Cerejeira, Mons. Jos&eacute; Maria, a dizer-me: &laquo;Est&aacute;, vossa rever&ecirc;ncia, nomeada para o Semin&aacute;rio de Almada. Deve apresentar-se ao senhor reitor, C&oacute;n. Gon&ccedil;alves Pedro&raquo;. Devo dizer que considero isto um rebu&ccedil;ado que Deus me deu. Soube, depois, que cheguei a estar nomeado como coadjutor para a Par&oacute;quia de S. Mamede (Lisboa) que tinha como p&aacute;roco o C&oacute;n. Amaro Teixeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>&ndash; Sentia-se melhor a trabalhar com jovens&hellip;<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Tinha o sonho de trabalhar com gente nova. Gostei muito de passar tr&ecirc;s anos como aluno daquele semin&aacute;rio. H&aacute; coisas que se cruzam e, uma delas, foi esta: &laquo;Nessa mesma data passou a ser vice-reitor, o Pe. Jo&atilde;o Alves&raquo;. Foram 19 anos. O Pe. Jo&atilde;o Alves saiu &ndash; sete anos depois &ndash; e fiquei respons&aacute;vel pelo semin&aacute;rio. Tive muitas alegrias e tristezas. A tristeza maior foi ver o semin&aacute;rio descer de cento e setenta alunos para onze. Tamb&eacute;m tive a alegria de come&ccedil;ar a ver subir o n&uacute;mero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O semin&aacute;rio sempre foi uma paix&atilde;o?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Durante muitos anos&hellip; e ainda hoje. Fez-me padre e durante 19 anos da minha vida ali os &laquo;gastei&raquo; a ajudar outros a serem padres tamb&eacute;m. Na par&oacute;quia da Estrela acompanhei, afectivamente, o semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A sua sa&iacute;da do Semin&aacute;rio de Almada foi inesperada?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; No dia de S. Paulo (25 de Janeiro) do ano de 1978, o Cardeal Ant&oacute;nio Ribeiro &ndash; recordou-o sempre com profunda amizade &ndash; foi &agrave; festa do Semin&aacute;rio de Almada. Sei que and&aacute;mos a passear e a conversar&hellip; Disse-me: &laquo;precisava de si noutro lado, mas n&atilde;o o posso tirar porque voc&ecirc;s s&atilde;o t&atilde;o poucos&raquo;. Na Quinta-feira Santa (passados cerca de dois meses) disse-me: &laquo;sempre conto consigo para a par&oacute;quia da Estrela&raquo;. Fiquei espantado&hellip; e disse-me: &laquo;Em Maio, apare&ccedil;a para voltarmos a conversar&raquo;. Nunca mais me esque&ccedil;o deste epis&oacute;dio porque, no dia seguinte, tinha de acompanhar uma turma de finalistas do Col&eacute;gio Frei Luis de Sousa at&eacute; ao Funchal. E fui para a Par&oacute;quia da Estrela em Outubro.<\/p>\n<p>&nbsp;<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"float: left; margin-left: 5px; margin-right: 5px;\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_w6vY4fF7NY8\/SqbsMIPmVVI\/AAAAAAAAAHI\/TXqvMIJE2RA\/s1600\/D_+Albino+Cleto+1.JPG\" alt=\"\" width=\"311\" height=\"233\" \/><\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>&ndash; Um per&iacute;odo marcante na sua vida?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Sobretudo pela riqueza de contactos. Estes s&atilde;o variad&iacute;ssimos. Os outros que tinha, eram marcados por jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Chegou a frequentar a Faculdade de Letras?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Sim. Por causa do Portugu&ecirc;s. Como era professor de L&iacute;ngua Portuguesa, achei que o padre n&atilde;o devia de ficar atr&aacute;s do professor de Qu&iacute;mica, F&iacute;sica, Ingl&ecirc;s&hellip; Tirei o curso aos pinguinhos.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Nota-se que o percurso da sua vida est&aacute; muito ligado a D. Jo&atilde;o Alves?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Somos muito amigos. Desde os meus tempos de aluno. Na gama de professores que recordo com muita saudade, o ent&atilde;o Pe. Jo&atilde;o Alves, professor de Hist&oacute;ria, marcou-me imenso. Fiquei profundamente ligado a ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Consta que foi ele quem n&atilde;o deixou que fosse para bispo de Beja<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Dizem isso&hellip; Mas s&atilde;o segredos dos corredores do Vaticano (risos). Soube, por zunzuns indiscretos, que na terna (tr&ecirc;s bispos poss&iacute;veis para uma diocese) para Beja, eu andava nela. Cheguei a receber algumas cartas de padres de Beja a dizer que me esperavam. Nunca respondi porque ningu&eacute;m me tinha nomeado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Se fosse para Beja, a adapta&ccedil;&atilde;o seria mais dif&iacute;cil&hellip;<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Ia para Beja com muito prazer. S&oacute; teria medo de uma coisa: o calor. Quando chegassem os meses quentes de Beja teria de me colocar &agrave; sombra. (risos)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; N&atilde;o tinha medo do Alentejo &laquo;vermelho&raquo;?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; N&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; grandes confrontos. A ideia de que as pessoas &laquo;mais vermelhas&raquo; atacam a Igreja &eacute; capaz de n&atilde;o ser muito acertada. Uma das afirma&ccedil;&otilde;es de D. Manuel Falc&atilde;o fala nessa quest&atilde;o&hellip; &Eacute; um bel&iacute;ssimo e santo conselheiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_ZEw0eNv1caw\/RcdjXVCnSII\/AAAAAAAAAC4\/oQ8XlHHSW-A\/s400\/FOTO+1.JPG\" alt=\"\" width=\"311\" height=\"233\" \/><\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O trabalho e a experi&ecirc;ncia paroquial foram importantes para o exerc&iacute;cio do seu m&uacute;nus episcopal?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Todos os bispos deviam ter uma experi&ecirc;ncia numa par&oacute;quia?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; N&atilde;o obrigatoriamente, mas ela &eacute; enriquecedora. &Agrave;s vezes quando falo com um p&aacute;roco meto esta deixa: &laquo;Como sabem, eu tamb&eacute;m fui prior&raquo;. (risos). &Agrave;s vezes existe a tenta&ccedil;&atilde;o dos p&aacute;rocos dizerem: &laquo;N&oacute;s &eacute; que estamos no terreno&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Antes de ser nomeado bispo auxiliar de Lisboa, num conselho presbiteral os olhares dos seus colegas padres estavam focados em si.<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; J&aacute; existia a boateira &#8211; como h&aacute; sempre &ndash; de que eu ia ser bispo. &Agrave;s vezes, isso irritava-me&hellip; Recordo tamb&eacute;m que, numa peregrina&ccedil;&atilde;o a It&aacute;lia, passei por Assis e &ndash; de joelhos &ndash; coloquei-me junto do t&uacute;mulo de S. Francisco de Assis. Disse-lhe: &laquo;Oh Santo, tu que nem quiseste ser presb&iacute;tero &ndash; ficaste di&aacute;cono toda a vida &ndash; faz-me um jeito e tira-me da cabe&ccedil;a a preocupa&ccedil;&atilde;o de saber se vou ser bispo ou n&atilde;o&raquo;.<\/p>\n<p>Num conselho presbiteral de Dezembro de 1982, um padre meu amigo perguntou ao patriarca: &laquo;Afinal, quando vem um bispo auxiliar para Lisboa?&raquo;. Vi que alguns olhos se voltaram para mim. Pus-me a escrever&hellip; O patriarca respondeu: &laquo;tenham calma&raquo;. No intervalo, enquanto tomava a sua bica e fumava o seu cigarrinho, o Cardeal Ribeiro fez-me sinal e perguntou-me: &laquo;Est&aacute; livre hoje &agrave; noite?&raquo;. Caiu-me o cora&ccedil;&atilde;o&hellip; Nunca me tremeram as pernas, sen&atilde;o naquele dia que me sentei junto do Cardeal Ribeiro. P&ocirc;s-se a rir e disse-me: &laquo;Voc&ecirc; est&aacute; a tremer&hellip; (risos) tenho a dizer-lhe est&aacute; escolhido para ser bispo auxiliar de Lisboa&raquo;. Foi tornado oficial ainda nesse m&ecirc;s e no dia 22 de Janeiro de 1983 fui sagrado bispo, na Igreja dos Jer&oacute;nimos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Tremeu quando soube da escolha para bispo auxiliar, mas depois tornaram-se amigos e at&eacute; passavam f&eacute;rias em conjunto?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Por uma raz&atilde;o simples. Quando falei com ele sobre os meus trabalhos e onde ficava a residir, ele disse-me que iria ocupar o lugar que o D. Maur&iacute;lio de Gouveia tinha deixado vago e ficaria com a regi&atilde;o pastoral de Lisboa &ndash; &eacute; a mais f&aacute;cil do Patriarcado, dif&iacute;cil &eacute; o aro da cidade &ndash; e ficava a residir onde quisesse. Fiquei nos aposentos do D. Maur&iacute;lio. Era o bispo auxiliar que residia na mesma casa do senhor Patriarca.<\/p>\n<p>Convers&aacute;vamos, frequentemente, n&atilde;o s&oacute; &agrave; mesa das refei&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m nas horas seguintes. Por vezes dizia-me: &laquo;quando vai de f&eacute;rias?&raquo;. E perguntou-me se estava livre em Agosto e se queria dar uma volta. Disse-lhe que sim&hellip;. Tudo come&ccedil;ou assim. No primeiro ano fomos tomar posse da minha diocese: Elvira. Passe&aacute;mos por C&oacute;rdoba, Sevilha e Granada. Depois deste passeio, come&ccedil;amos a ir mais vezes.<\/p>\n<p>Recordo com saudades essas f&eacute;rias de Agosto, mas com menos alegria recordo a &uacute;ltima que fiz porque o senhor Patriarca j&aacute; estava doente e apressou o regresso a casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Consta que o Cardeal Ribeiro se &laquo;transfigurava&raquo; quando sa&iacute;a de Portugal?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Percebo porqu&ecirc;. Ele era conhecido em toda &agrave; parte. Numa viagem para o Sul de Espanha par&aacute;mos no Alentejo para a bica matinal. &Agrave; sa&iacute;da do caf&eacute;, um &laquo;bom amigo alentejano&raquo; toca-me nas costas e pergunta-me: &laquo;Aquele n&atilde;o &eacute; o cardeal?&raquo;. Respondi-lhe: &laquo;&Eacute; sim senhor&raquo;. Era muito conhecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Antes das viagens, os roteiros estavam todos tra&ccedil;ados. O Cardeal Ant&oacute;nio Ribeiro era muito meticuloso?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Eu n&atilde;o tinha preocupa&ccedil;&atilde;o nenhuma. Os hot&eacute;is estavam combinados e o percurso delineado. Limitava-me a conduzir. Noutras ocasi&otilde;es era o D. Maur&iacute;lio ou ent&atilde;o o Pe. Moita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Como foi a sua experi&ecirc;ncia pastoral como bispo auxiliar no Patriarcado?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Foi muito enriquecedora. A minha regi&atilde;o pastoral era das mais f&aacute;ceis. Em Lisboa, as igrejas estavam feitas e quando havia falta de padres as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas ajudavam. Estive sempre muito ligado &agrave;s comunidades paroquiais que visitava com facilidade. Sa&iacute;a de casa, e minutos depois estava na par&oacute;quia que ia visitar. Conhecia os leigos, os padres, os conselhos pastorais&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Era muito pr&oacute;ximo das pessoas?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Isso &eacute; do temperamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>&ndash; Ent&atilde;o foram 15 anos enriquecedores?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &#8211; &Eacute; verdade. Tive uma escola formid&aacute;vel: o Cardeal Patriarca, D. Ant&oacute;nio Ribeiro; D. Ant&oacute;nio Reis Rodrigues, um mestre, D. Jos&eacute; Policarpo, outro mestre. Grandes amigos que tinha &agrave; mesa. Fui um felizardo na escola episcopal e nas conversas que tive.<\/p>\n<p>&nbsp;<img decoding=\"async\" style=\"float: left; margin-left: 5px; margin-right: 5px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_ZEw0eNv1caw\/Rn7B5QdwJbI\/AAAAAAAAAcY\/4mxqEwbIXgk\/s320\/DSC08782.JPG\" alt=\"\" width=\"311\" height=\"233\" \/><\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>&ndash; Uma escola importante para chegar &agrave; &laquo;universidade&raquo; de Coimbra. Nesta diocese cometeu &laquo;pecados&raquo; ao longo destes anos?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Houve realiza&ccedil;&otilde;es conseguidas, outras que deixo a meio e algumas em que bato com a m&atilde;o no peito. Sonhei&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Bata-nos com &laquo;m&atilde;o no peito&raquo;.<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Logo no discurso de entrada e, sobretudo, na carta pastoral que escrevi, eu sonhava e apontava duas coisas important&iacute;ssimas: a Pastoral Universit&aacute;ria &ndash; sabia que n&atilde;o partia do zero, mas era necess&aacute;rio dar novo &acirc;nimo -, n&atilde;o atingimos o n&iacute;vel que tinha sonhado&hellip; No entanto acho que ela est&aacute; a crescer, mas muito lentamente porque se mudaram as circunst&acirc;ncias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A Universidade de Coimbra est&aacute; espalhada pela cidade&hellip;<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; &Eacute; verdade. H&aacute; encontros. Ainda se sente uma unidade acad&eacute;mica em Coimbra &ndash; queira Deus que ela n&atilde;o se perca -, mas &agrave; quinta-feira de noite ou sexta-feira de manh&atilde; ou &agrave; tarde ela desaparece. Isto fundamentado com estat&iacute;sticas fornecidas pela reitoria da universidade. S&oacute; retoma possibilidades de encontro na ter&ccedil;a-feira. Na segunda est&aacute; c&aacute;, mas cheia de sono. Vem ensonada das noites de fim-de-semana&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>&ndash; A sigla SPES (Servi&ccedil;o Pastoral do Ensino Superior) significa esperan&ccedil;a. Quer dizer que tem esperan&ccedil;a nesta &aacute;rea?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Estamos a sentir respostas novas. Temos rapazes e raparigas que, alegremente, se entregam a uma pastoral que mete a vertente reflexiva e a ora&ccedil;&atilde;o. H&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o de peregrina&ccedil;&otilde;es e de noites de ora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Ainda falta a outra prioridade?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Ainda n&atilde;o temos constru&iacute;do um centro pastoral. Temos lugar para ele e algum dinheiro, mas problemas burocr&aacute;ticos &ndash; ligados ao PDM de Coimbra que agora est&atilde;o resolvidos &ndash; n&atilde;o possibilitaram avan&ccedil;armos com a obra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; As obras ter&atilde;o o seu in&iacute;cio antes de se despedir de Coimbra?<\/p>\n<p><strong>AC <\/strong>&ndash; O projecto ainda n&atilde;o est&aacute; devidamente aprovado. N&atilde;o conseguimos&hellip; N&atilde;o quero sair e que digam: olhem, olhem&hellip; Fiz o que fiz e alguma coisa se fez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Neste anos tamb&eacute;m sentiu o perfume das vit&oacute;rias. Qual a realiza&ccedil;&atilde;o que lhe deu mais gozo?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Aponto &ndash; desculpem se estou a ser vaidoso &ndash; a unidade da diocese. A diocese est&aacute; unida, embora com pequenas fracturas. O clero da diocese estima-se a si pr&oacute;prio. Sinto-me &agrave; vontade no meio do clero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mas &eacute; capaz de mandar um &laquo;murro na mesa&raquo;?<\/p>\n<p><strong>AC <\/strong>&ndash; J&aacute; tenho mandado. Algumas coisas tive de resolver, como se costuma dizer, &agrave; faca. Algumas nomea&ccedil;&otilde;es de p&aacute;rocos, decis&otilde;es de par&oacute;quias, quest&otilde;es de capelas que foram parar a tribunal&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O seu sucessor ter&aacute; o trabalho facilitado&hellip;<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Sim, mas vai ter muitas afli&ccedil;&otilde;es para responder a todas as solicita&ccedil;&otilde;es, relativamente ao n&uacute;mero de padres. Todas as dioceses &ndash; tirando uma ou duas l&aacute; para o Norte do pa&iacute;s &ndash; se queixam do mesmo. Aqui pode haver tamb&eacute;m uma culpa da minha parte que foi o retardar a prepara&ccedil;&atilde;o de entrega de algumas par&oacute;quias a leigos e a di&aacute;conos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; &Eacute; preciso apostar na Pastoral Vocacional?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Est&aacute; a crescer, mas posso dizer que j&aacute; enterrei, em 12 anos, 61 padres. Entre os que ordenei, os que vieram de outras dioceses (Benguela ou Institutos Brasileiros) e uma ou duas incardina&ccedil;&otilde;es foram 21 ou 22. Perante esta realidade, &eacute; preciso dar &agrave;s pequenas par&oacute;quias a consci&ecirc;ncia que s&atilde;o elas as respons&aacute;veis. Ter uma ou duas pessoas que tomam a peito as responsabilidades. N&atilde;o &eacute; apenas a comiss&atilde;o que conta os dinheiros da festa. O p&aacute;roco deve ser o grande coordenador das dez ou quinze par&oacute;quias do concelho. Temos que ir mais longe, para que as par&oacute;quias n&atilde;o digam: &laquo;Ent&atilde;o, em Outubro, quem ser&aacute; o nosso prior?&raquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; E tamb&eacute;m podem perguntar quem ser&aacute; o nosso bispo? Sente essa preocupa&ccedil;&atilde;o no clero e nos seus diocesanos?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Sinto essa preocupa&ccedil;&atilde;o mais no clero do que no laicado. Tornei p&uacute;blica a resposta que recebi (dizendo mesmo que devia torn&aacute;-la p&uacute;blica) do N&uacute;ncio Apost&oacute;lico de que estava aceite a minha substitui&ccedil;&atilde;o e que ela seria executada, presumivelmente, daqui a um ano. Foi o que ele me disse na Quinta-feira Santa. At&eacute; Fevereiro ou Mar&ccedil;o, eu tenho a responsabilidade da diocese e procuro cumprir o meu dever.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Tem curiosidade em saber quem ser&aacute; o seu sucessor?<\/p>\n<p><strong>AC <\/strong>&#8211; &Eacute; normal que tenha curiosidade em saber, mas n&atilde;o me quero intrometer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Qual o melhor perfil para o seu sucessor?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Tem de ser uma pessoa muito presente localmente porque a diocese &eacute; grande. T&atilde;o depressa &eacute; solicitado para ir celebrar um crisma a Oliveira do Hospital como, no dia seguinte, ter&aacute; de presidir a uma reuni&atilde;o em Pombal ou na Figueira da Foz.<\/p>\n<p>Dever&aacute; tamb&eacute;m ter facilidade de rela&ccedil;&otilde;es, tanto com o clero como com os leigos. Dever&aacute; ter uma rela&ccedil;&atilde;o de proximidade porque, bem ou mal, a diocese est&aacute; habituada a isso.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio que seja catedr&aacute;tico, mas h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o com o mundo da sa&uacute;de e da cultura que tem de ser garantida. O bispo de Coimbra tem de saber estar &agrave; vontade com professores universit&aacute;rios, grandes m&eacute;dicos&hellip; A diocese dialoga com hospitais para ver como havemos de responder &ndash; religiosa e socialmente &ndash; a situa&ccedil;&otilde;es de fam&iacute;lias que v&ecirc;m do interior. Temos 8 capel&atilde;es hospitalares em toda a diocese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Adaptou-se facilmente &agrave; diocese de Coimbra? Os anos como coadjutor foram ben&eacute;ficos?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Perfeitamente. Uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Conheceu a realidade, antes de assumir a diocese&hellip;<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Eu quis ter um coadjutor, mas na altura disseram-me que, talvez, agora n&atilde;o. Depois passou o tempo. Quando faltavam um ou dois anos n&atilde;o davam um coadjutor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A aposta para este ano est&aacute; situada em que &aacute;rea?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Trabalhar sem estar a pensar que &eacute; o &uacute;ltimo m&ecirc;s, &eacute; o &uacute;ltimo dia, &eacute; a &uacute;ltima vez&hellip; Trabalho porque vamos lan&ccedil;ar o ano 2010\/11. O programa est&aacute; feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Continua a marcar actividades na sua agenda?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Marco. Quando vier o meu sucessor digo-lhe que marquei esta actividade. Se eu soubesse que o meu sucessor vem no dia 1 de Fevereiro ou dia 1 de Mar&ccedil;o&hellip; Mas como n&atilde;o sei. Vou marcando actividades, embora para o final do ano n&atilde;o me comprometa muito. Tenho tamb&eacute;m a preocupa&ccedil;&atilde;o de deixar a casa arrumada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Casa arrumada?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; S&atilde;o as quest&otilde;es pendentes que existem em todas as dioceses. N&atilde;o queria deixar ao meu sucessor uma s&eacute;rie de dossiers. Tenho meio ano para o fazer e j&aacute; estou empenhado nisso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A diocese ainda est&aacute; na din&acirc;mica sinodal?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &#8211; Eu diria que est&aacute; em din&acirc;mica sinodal, mas devo dizer que n&atilde;o me empenhei &ndash; foi outra culpa minha porque assisti &agrave; parte final do s&iacute;nodo (h&aacute; cerca de 11 anos) &ndash; porque senti que o s&iacute;nodo foi bom e realizou bom trabalho, mas n&atilde;o deixou balan&ccedil;o. O congresso dos leigos (dois anos antes) &eacute; que marcou a diocese e deu-lhe um novo impulso. O s&iacute;nodo n&atilde;o foi agarrado pela diocese na sua execu&ccedil;&atilde;o e eu tamb&eacute;m n&atilde;o o agarrei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mas existem sinais vis&iacute;veis deste s&iacute;nodo?<\/p>\n<p><strong>AC <\/strong>&#8211; Existem. Temos v&aacute;rios conselhos pastorais (est&atilde;o a crescer) e econ&oacute;micos. Uma pastoral familiar que est&aacute; a ser bem coordenada. Chamo a isto uma din&acirc;mica que me foi deixada pelo meu antecessor, D. Jo&atilde;o Alves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Os seus 4 vig&aacute;rios regionais tamb&eacute;m celebram o Crisma?<\/p>\n<p><strong>AC <\/strong>&ndash; Sim, mal de mim&hellip; S&atilde;o 270 par&oacute;quias e, nesta altura do ano celebram o Crisma todos os domingos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Como est&aacute; a decorrer o processo da Irm&atilde; L&uacute;cia?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; &Eacute; um dos dossiers onde quero deixar a casa arrumada. Tendo o Santo Padre dado a benesse de nos dispensar dois anos, abrand&aacute;mos o ritmo. As comiss&otilde;es t&ecirc;m de ser &laquo;picadas&raquo; por mim porque re&uacute;nem-se lentamente. A partir de Outubro vou &laquo;picar os calos&raquo; &agrave; comiss&atilde;o hist&oacute;rica&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O dossier devia estar mais avan&ccedil;ado?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Exactamente. Est&aacute; a caminhar, mas tenho de pressionar mais. Quando vou ao Carmelo sinto que aquilo &eacute; um p&oacute;lo de espiritualidade para o exterior. &Eacute; interessante verificar que muitas peregrina&ccedil;&otilde;es a F&aacute;tima passam por aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_ZEw0eNv1caw\/RzsJuVHT7EI\/AAAAAAAAAq4\/rGCxDnpq_nU\/s400\/D.+Albino+Cleto+e+Bento+XVI+-+Visita+Ad+Limina+(2).jpg\" alt=\"\" width=\"311\" height=\"207\" \/><\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Em Maio &uacute;ltimo, Bento XVI esteve em Portugal. Coimbra n&atilde;o merecia que o Papa viesse a esta cidade?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Merecia e n&atilde;o foi por falta de pedidos meus. Mas foram pedidos derrotados. O Papa n&atilde;o podia ir a Coimbra se n&atilde;o fosse tamb&eacute;m a Braga.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &ndash; <\/strong>O que fica desta visita a Portugal?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Deve ficar o apelo a um ritmo de vida crist&atilde; mais consciente e mais dinamizador. Bento XVI deu-nos um &laquo;empurr&atilde;o&raquo; portanto temos de andar mais depressa. E tamb&eacute;m nos disse para onde devemos andar. O bispo tem de ser o homem que coordena, mas tem que andar. Fica tamb&eacute;m na mem&oacute;ria a afirma&ccedil;&atilde;o &laquo;atrevida&raquo; proferida no Porto: &laquo;caminhar repetindo &eacute; morrer. Repetir &eacute; morrer&raquo;. Deixou-nos tamb&eacute;m a mensagem para um di&aacute;logo com o mundo actual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Na visita &laquo;Ad Limina&raquo;, Bento XVI tamb&eacute;m deixou apelos&hellip;<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Mas n&atilde;o &eacute; um discurso program&aacute;tico. Bento XVI disse-nos coisas acertad&iacute;ssimas que disse tamb&eacute;m a outros episcopados. N&atilde;o foram espec&iacute;ficas para n&oacute;s. Devo dizer que nesses mesmos dias fizemos uma reuni&atilde;o, em Roma, s&oacute; que &ndash; receio que aconte&ccedil;a o mesmo com a vinda o Papa &ndash; estamos todos preocupados em ver como est&aacute; a nossa &laquo;quinta&raquo; e est&aacute; a diminuir a preocupa&ccedil;&atilde;o global pelo pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mas formou-se um grupo para repensar a pastoral em Portugal?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Exactamente. Queira Deus que esse grupo seja dinamizador. O receio de alguns bispos &eacute; que este grupo v&aacute; tamb&eacute;m ser &laquo;mordido&raquo; pela epidemia que est&aacute; a morder a todos: &laquo;N&atilde;o tenho tempo porque tamb&eacute;m tenho um fogo em casa&raquo;. Isto &eacute; muito portugu&ecirc;s. &Eacute; o regionalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Actualmente &eacute; vogal da Comiss&atilde;o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais. Sempre teve sensibilidade para estas &aacute;reas?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Sempre. Inicialmente por um gosto natural. Quando era rapaz &ndash; sobretudo depois no Semin&aacute;rio dos Olivais &ndash; gostava de visitar monumentos, viajar e conhecer a hist&oacute;ria da Igreja, do castelo. No Semin&aacute;rio dos Olivais tive bons mestres que me ajudaram nesse sentido. Constitu&iacute;mos uma equipa de arte que estava muito ligada ao Movimento Renova&ccedil;&atilde;o de Arte Religiosa (MRAR). Desenvolvi o gosto e o interesse por saber mais em rela&ccedil;&atilde;o a estes assuntos.<\/p>\n<p>Quando fui colocado no Semin&aacute;rio de Almada, uma das vertentes da educa&ccedil;&atilde;o dos seminaristas era a sensibilidade art&iacute;stica. Comecei a estudar os pintores&hellip; Mais tarde fui chamado para a Comiss&atilde;o de Arte Sacra do Patriarcado. Ficou em mim este &laquo;bichinho&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A constru&ccedil;&atilde;o de novas igrejas tem de obedecer a determinados crit&eacute;rios. Para n&atilde;o acontecerem casos pol&eacute;micos como a igreja de Troufa Real, em Lisboa?<\/p>\n<p><strong>AC <\/strong>&ndash; Tamb&eacute;m acompanhei&hellip; Fui das primeiras pessoas a receber os estudos pr&eacute;vios dessa igreja. Dei os meus pareceres, o arquitecto fez correc&ccedil;&otilde;es. Tive algumas interroga&ccedil;&otilde;es que apresentei ao Conselho Episcopal, presidido pelo Cardeal Ribeiro. Houve interroga&ccedil;&otilde;es, mas disseram-me para dar luz verde para continuar a estudar. Para passar a projecto. Entretanto vim para Coimbra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Concorda com este estilo de constru&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Aquela acho-a, excessivamente, dependente do s&iacute;mbolo. A Igreja n&atilde;o tem que parecer um barco. Tem de parecer um edif&iacute;cio onde se re&uacute;nem pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; As dioceses de Aveiro, Leiria-F&aacute;tima e Portalegre-Castelo Branco retiraram os seminaristas da diocese de Coimbra. O Instituto Superior de Estudos Teol&oacute;gicos (ISET) de Coimbra est&aacute; em perigo?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; No pr&oacute;ximo ano, o ISET funciona com 20 alunos, tantos quantos t&ecirc;m outras escolas superiores de Teologia em Portugal. Mas reconhe&ccedil;o que uma escola superior de Teologia com 20 alunos &eacute; pouco. N&atilde;o ia deslocar 16 alunos de Coimbra e 4 de Cabo Verde para Lisboa, Porto ou Braga.<\/p>\n<p>Por outro lado, n&atilde;o est&aacute; encerrado o processo de termos no centro do pa&iacute;s um instituto superior de estudos teol&oacute;gicos, em di&aacute;logo com outras dioceses. As dioceses de Leiria, Aveiro e Portalegre n&atilde;o nos bateram a porta para todo o futuro.<\/p>\n<p>Um Instituto Superior de Estudos Teol&oacute;gicos, tal como uma faculdade, preparam te&oacute;logos (homens, mulheres, frades, leigos, padres), mas na prepara&ccedil;&atilde;o do padre, cada diocese tem que cuidar dela. Cada presbit&eacute;rio prepara os seus futuros presb&iacute;teros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O que ir&aacute; fazer quando passar a em&eacute;rito?<\/p>\n<p><strong>AC<\/strong> &ndash; Tenho o desejo de voltar &agrave; serenidade e ao sil&ecirc;ncio. Vou acompanhar &#8211; n&atilde;o quero magoar ningu&eacute;m -, mas procurarei observar. Para mim, o grande mestre nisso foi Mons. Pereira dos Reis. Retirou-se para Singeverga. Deus n&atilde;o quis que o Cardeal Ribeiro chegasse at&eacute; aos 75 anos, mas o prop&oacute;sito dele era retirar-se mais cedo. Disse-me: &ldquo;quando fizer xis anos (disse-me quantos), eu retiro-me&raquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Correio de Coimbra\/Amicor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><span style=\"color: #666666; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: center;\">2010-07-28<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o da sua morte, a Ag\u00eancia ECCLESIA recorda o percurso do bispo em\u00e9rito de Coimbra, descrito na primeira pessoa em 2010.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[119,120,295,122,123,168,170,171,172,174,179,186,187,199],"class_list":["post-46564","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-arte-sacra","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-brasil","tag-cabo-verde","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-diocese-do-funchal","tag-diocese-do-porto","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46564"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46564\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}