{"id":46531,"date":"2010-07-27T12:08:38","date_gmt":"2010-07-27T12:08:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/07\/27\/juventude-de-hoje-e-pontes-com-a-igreja\/"},"modified":"2010-07-27T12:08:38","modified_gmt":"2010-07-27T12:08:38","slug":"juventude-de-hoje-e-pontes-com-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/juventude-de-hoje-e-pontes-com-a-igreja\/","title":{"rendered":"Juventude de hoje e pontes com a Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Rui Alberto, sdb <!--more--> <\/p>\n<p>&Eacute; arriscado, em poucas linhas, fazer um retrato da juventude. Com facilidade se cai em frases feitas, em preconceitos que distorcem a realidade. E que impedem uma ac&ccedil;&atilde;o eclesial significativa.<\/p>\n<p>Quantas juventudes?<\/p>\n<p>Uma ideia &oacute;bvia &eacute; que a juventude&hellip; existe. H&aacute; uma faixa da nossa popula&ccedil;&atilde;o que j&aacute; n&atilde;o est&aacute; na inf&acirc;ncia e que ainda n&atilde;o se assume como adulta. Tem vindo a perder peso no total da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, devido &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o da natalidade. Mas esta &ldquo;condi&ccedil;&atilde;o juvenil&rdquo;, que antes era uma fase de transi&ccedil;&atilde;o para a idade adulta, tende a tornar-se um estilo de vida, um estado permanente. Muitos &ldquo;adultos&rdquo; no vestu&aacute;rio, na forma de pensar, na rela&ccedil;&atilde;o com os compromissos, querem sentir-se como jovens eternos.<\/p>\n<p>Falar de jovens como uma entidade &uacute;nica n&atilde;o faz muito sentido. Se &eacute; verdade que o facto de ter entre 15 e 25 anos (para apontar uns limites muito t&eacute;nues) define algo, tamb&eacute;m &eacute; verdade que a vida real destes jovens &eacute; determinada por muitos outros factores que n&atilde;o apenas a idade. O g&eacute;nero, o n&iacute;vel social e cultural das fam&iacute;lias onde cresceram, a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica da zona onde vivem, s&atilde;o decisivos para entender a sua identidade de jovens.<\/p>\n<p>Para l&aacute; dos aspectos psicol&oacute;gicos (muito ligados ao factor idade) econ&oacute;micos e sociais, a poss&iacute;vel chave para entender o mundo juvenil esteja na &ldquo;cultura&rdquo;. Cultura no sentido dos modos de pensar, das tend&ecirc;ncias que configuram a ac&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o no sentido de &ldquo;erudi&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Complexidade<\/strong><\/p>\n<p>Uma marca distintiva das sociedades desenvolvidas e p&oacute;s-industriais &eacute; a complexidade social. Todos n&oacute;s, e os jovens tamb&eacute;m, vivemos numa sociedade onde nada &eacute; simples, onde tudo &eacute; complexo, fruto de m&uacute;ltiplos e contradit&oacute;rios interesses e for&ccedil;as. Onde tudo poderia ser configurado de forma diferente.<\/p>\n<p>Os jovens de hoje nasceram e cresceram numa sociedade onde n&atilde;o h&aacute; centros claros. Na nossa sociedade h&aacute; muitos centros de poder e de legitimidade. E cada um deles gera as suas &ldquo;regras&rdquo; e as suas legitimidades. As regras de jogo s&atilde;o umas quando estamos <em>on-line<\/em>, outras quando estamos num est&aacute;dio a aplaudir a nossa equipa (ou a insultar o advers&aacute;rio e o &aacute;rbitro), outras ainda quando estamos na escola. Pode-se cultivar uma sensibilidade ambientalista, dizer palavras bem sonantes sobre o desenvolvimento sustentado durante a semana e passar o fim-de-semana no centro comercial numa orgia de consumo. Pode-se passar a noite de 4&ordf; feira na ora&ccedil;&atilde;o de Taiz&eacute; com a pastoral universit&aacute;ria e a noite de 5&ordf; a &ldquo;abanar o capacete&rdquo; alimentado a <em>ecstasy<\/em>.<\/p>\n<p>Como n&atilde;o h&aacute; um centro &uacute;nico que d&ecirc; legitimidade aos valores e &agrave;s pr&aacute;ticas, &eacute; muito dif&iacute;cil a hierarquiza&ccedil;&atilde;o de valores, necessidades e oportunidades. E esta complexidade desarticulada n&atilde;o &eacute; somente uma situa&ccedil;&atilde;o de facto: torna-se ideologia. A possibilidade de encontrar um centro existencial s&oacute;lido aparece, para uma boa parte da cultura, como algo negativo e perigoso.<\/p>\n<p><strong>Pontes<\/strong><\/p>\n<p>Na Igreja, &eacute; comum os mais sens&iacute;veis &agrave; pastoral juvenil perguntarem-se: &ldquo;O que pedem os jovens &agrave; Igreja?&rdquo; &Eacute; uma pergunta sem grande sentido. A esmagadora maioria dos jovens nada pede &agrave; Igreja. Cresceram num mundo onde tudo &eacute; comprado e onde o m&eacute;rito das propostas de felicidade se mede pela rapidez e pelo baixo custo.<\/p>\n<p>Alguns sectores eclesiais respondem a este estado de coisas tentando &ldquo;jogar&rdquo; segundo as regras da cultura dominante, sem coragem de p&ocirc;r em causa este modelo consumista e relativista. E fazem uma pastoral juvenil que &eacute; mais uma mercadoria de consumo: consumo de socializa&ccedil;&atilde;o (grupos de jovens sem rumo que se resumem a ser umas meras sociedades recreativas), consumo de eventos, consumo de emo&ccedil;&otilde;es e est&eacute;tica (ainda que mascarada de ora&ccedil;&atilde;o). &Eacute; uma forma de fazer pastoral juvenil que, em nome duma mal-entendida incultura&ccedil;&atilde;o, reduz o Evangelho a um produto descafeinado, que n&atilde;o tem coragem de falar das exig&ecirc;ncias do Evangelho (a n&iacute;vel sexual, econ&oacute;mico ou pol&iacute;tico). &Eacute; uma caricatura de pastoral juvenil com &ldquo;tiques de seita&rdquo;. Onde custa sempre muito a comunh&atilde;o eclesial (com a par&oacute;quia, com as estruturas diocesanas de coordena&ccedil;&atilde;o). Onde se gasta o melhor das energias virados &ldquo;para dentro&rdquo;; onde n&atilde;o h&aacute; abertura &agrave; miss&atilde;o, ao mundo da vida.<\/p>\n<p><strong>Sementes de um futuro j&aacute; presente<\/strong><\/p>\n<p>Mas h&aacute; j&aacute; presentes nas nossas comunidades eclesiais alternativas de pastoral juvenil bem mais consistentes. Vai estando claro que a pastoral juvenil tem de ser profundamente diversificada (porque diversa &eacute; a realidade dos jovens). &Eacute; in&uacute;til procurar um modelo <em>standard<\/em> de pastoral juvenil. Na boa tradi&ccedil;&atilde;o da Igreja, o Evangelho torna-se realidade ao encontrar os jovens onde eles est&atilde;o. E sendo o mundo dos jovens t&atilde;o fragmentado, a ac&ccedil;&atilde;o da Igreja com os jovens (a pastoral juvenil) assume uma mir&iacute;ade de configura&ccedil;&otilde;es e propostas. Esta pluralidade de ofertas e de percursos tem um bom respaldo no documento dos bispos portugueses &ldquo;Para que acreditem e tenham vida&rdquo;. Assumindo o modelo da inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, os bispos desenham um percurso que envolve toda a comunidade e a torna capaz de dizer o mesmo evangelho de formas diferentes a quem est&aacute; em situa&ccedil;&otilde;es de vida e de f&eacute; diferentes.<\/p>\n<p>Outra das grandes intui&ccedil;&otilde;es para a pastoral juvenil &eacute; profundamente contra-cultural: numa cultura consumista, o Evangelho faz-se <strong>amor gratuito<\/strong>. A pastoral juvenil que vai tendo sucesso consistente &eacute; aquela em que a Igreja se aproxima dos jovens oferecendo o melhor que tem (o evangelho de Jesus Cristo na sua pureza original) sem nada esperar em troca. Sem instrumentalizar os jovens. Sem os usar como m&atilde;o-de-obra barata para eventos eclesiais.<\/p>\n<p align=\"left\">A pastoral juvenil est&aacute; tamb&eacute;m a tornar-se <strong>amor educativo<\/strong>. Olhamos para cada jovem e vemo-lo com o olhar de Cristo. Vemos, ainda que em pot&ecirc;ncia, tudo o que ele tem para dar. E oferecemo-nos para caminhar ao seu lado, descobrindo a gra&ccedil;a libertadora que vem de Cristo Ressucitado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Pe. Rui Alberto, sdb<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Rui Alberto, sdb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[267,280],"class_list":["post-46531","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-natal","tag-pastoral-juvenil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46531\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}