{"id":4649,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/discurso-de-joao-paulo-ii-aos-participantes-na-sessao-plenaria-da-congregacao-para-a-doutrina-da-fe\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"discurso-de-joao-paulo-ii-aos-participantes-na-sessao-plenaria-da-congregacao-para-a-doutrina-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-joao-paulo-ii-aos-participantes-na-sessao-plenaria-da-congregacao-para-a-doutrina-da-fe\/","title":{"rendered":"Discurso de Jo\u00e3o Paulo II aos participantes na Sess\u00e3o Plen\u00e1ria da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>O contexto cultural contempor\u00e2neo exige mais do que nunca o an\u00fancio corajoso das verdades que salvam o homem <!--more--> Audi\u00eancia de Jo\u00e3o Paulo II aos participantes na Sess\u00e3o Plen\u00e1ria da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, no dia 6 de Fevereiro  &#8220;Senhores Cardeais  Venerados Irm\u00e3os  no Episcopado e no Sacerd\u00f3cio  Car\u00edssimos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s  1. Renova-se a minha alegria, ao poder encontrar-me convosco no final da Sess\u00e3o Plen\u00e1ria da vossa Congrega\u00e7\u00e3o. Enquanto dirijo uma sauda\u00e7\u00e3o cordial a cada um, desejo agradecer de modo particular  ao  Senhor  Cardeal  Joseph Ratzinger os sentimentos que desejou expressar em nome de todos e a s\u00edntese eficaz dos m\u00faltiplos trabalhos da Congrega\u00e7\u00e3o.  Este encontro bienal permite-me reflectir de novo sobre os pontos salientes da vossa actividade e de indicar, outrossim, o horizonte dos desafios que vos comprometem na delicada tarefa de promover e de salvaguardar a verdade da f\u00e9 cat\u00f3lica, ao servi\u00e7o do Magist\u00e9rio do Sucessor de Pedro.  Neste sentido, o perfil doutrinal que caracteriza de maneira especial a vossa compet\u00eancia pode definir-se como propriamente &#8220;pastoral&#8221;, porque participa na miss\u00e3o universal do Pastor Supremo (cf. Pastor bonus, 33). Uma miss\u00e3o que tem entre as suas prioridades sobretudo a unidade da f\u00e9 e da comunh\u00e3o de todos os crentes, unidade necess\u00e1ria para o cumprimento da miss\u00e3o salv\u00edfica da Igreja.  Esta unidade deve ser descoberta de novo de modo incessante na sua riqueza e oportunamente defendida, enfrentando os desafios que se apresentam em cada \u00e9poca. O contexto cultural contempor\u00e2neo, qualificado tanto por um relativismo difundido como pela tenta\u00e7\u00e3o de um pragmatismo f\u00e1cil, exige mais do que nunca o an\u00fancio corajoso das verdades que salvam o homem e um renovado impulso evangelizador.  2. A traditio evangelii constitui o principal e fundamental compromisso da Igreja. Cada uma das suas actividades deve ser insepar\u00e1vel do empenho em vista de ajudar todos a encontrar Cristo na f\u00e9. Por este motivo, desejo de modo particular que a evangeliza\u00e7\u00e3o de toda a Igreja nunca se debilite, quer diante de um mundo que ainda n\u00e3o conhece Cristo, quer perante muitas pessoas que, embora j\u00e1 O tenham conhecido, em seguida vivem distantes dele.  Sem d\u00favida, o testemunho da vida \u00e9 a primeira palavra com que se anuncia o Evangelho; por\u00e9m, esta palavra n\u00e3o ser\u00e1 suficiente, &#8220;se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o Reino, o mist\u00e9rio de Jesus de Nazar\u00e9, Filho de Deus, n\u00e3o forem anunciados&#8221; (Evangelii nuntiandi, 22). Este an\u00fancio claro \u00e9 necess\u00e1rio para sensibilizar o cora\u00e7\u00e3o a aderir \u00e0 boa not\u00edcia da salva\u00e7\u00e3o. Agindo assim, presta-se um servi\u00e7o grandioso aos homens que procuram a luz da verdade.  3. Sem d\u00favida, o Evangelho exige a livre ades\u00e3o do homem. Contudo, para que esta ades\u00e3o possa ser expressa, o Evangelho deve ser proposto, j\u00e1 que &#8220;as multid\u00f5es t\u00eam o direito de conhecer as riquezas do mist\u00e9rio de Cristo, nas quais toda a humanidade assim acreditamos pode encontrar numa plenitude inimagin\u00e1vel tudo aquilo que procura \u00e0s apalpadelas a respeito de Deus, do homem, do seu destino, da vida, da verdade&#8230;&#8221; (Redemptoris missio, 8). A plena ades\u00e3o \u00e0 verdade cat\u00f3lica n\u00e3o diminui, mas exalta a liberdade humana e impele-a rumo ao seu cumprimento, num amor gratuito e repleto de esmero pelo bem de todos os homens.  Este amor \u00e9 o selo precioso do Esp\u00edrito Santo que, como protagonista da evangeliza\u00e7\u00e3o (cf. Redemptoris missio, 30), n\u00e3o cessa de sensibilizar os cora\u00e7\u00f5es ao an\u00fancio do Evangelho e, ao mesmo tempo, de os abrir ao seu acolhimento. Este \u00e9 o horizonte de caridade que leva \u00e0 nova evangeliza\u00e7\u00e3o, para a qual convidei v\u00e1rias vezes toda a Igreja e \u00e0 qual desejo exort\u00e1-la uma vez mais no in\u00edcio deste terceiro mil\u00e9nio.  4. Um tema que j\u00e1 foi evocado outras vezes \u00e9 o da recep\u00e7\u00e3o dos documentos magisteriais por parte dos fi\u00e9is cat\u00f3licos, frequentemente mais desorientados do que informados pelas reac\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es imediatas dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.  Na realidade, a recep\u00e7\u00e3o de um documento, mais do que um facto medi\u00e1tico, deve ser considerada sobretudo como um acontecimento eclesial de acolhimento mais cordial do Magist\u00e9rio, na comunh\u00e3o e na partilha da doutrina da Igreja. Com efeito, trata-se de uma palavra autorizada que lan\u00e7a luz sobre uma verdade de f\u00e9 ou sobre determinados aspectos da doutrina cat\u00f3lica, contestados ou subestimados por particulares correntes de pensamento e de ac\u00e7\u00e3o. E \u00e9 precisamente neste seu valor doutrinal que se encontra a \u00edndole altamente pastoral do documento, cujo acolhimento se torna, por conseguinte, uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia de forma\u00e7\u00e3o, de catequese e de evangeliza\u00e7\u00e3o.  Para que a recep\u00e7\u00e3o se torne um acontecimento autenticamente eclesial, \u00e9 necess\u00e1rio prever modos oportunos de transmiss\u00e3o e de difus\u00e3o do pr\u00f3prio documento, que permitam o seu conhecimento integral, sobretudo por parte dos Pastores da Igreja, primeiros respons\u00e1veis do acolhimento e da valoriza\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio pontif\u00edcio, como ensinamento que contribui para formar a consci\u00eancia crist\u00e3 dos fi\u00e9is diante dos desafios do mundo contempor\u00e2neo.  5. Outro tema importante e urgente que gostaria de submeter \u00e0 vossa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o da lei moral natural. Esta lei pertence ao grande patrim\u00f3nio da sabedoria humana, que a Revela\u00e7\u00e3o, com a sua luz, contribuiu para purificar e desenvolver ulteriormente. A lei natural, por si s\u00f3 acess\u00edvel a toda a criatura racional, indica as normas principais e essenciais que regulam a vida moral. Com base nesta lei, pode-se construir uma plataforma de valores compartilhados, em redor dos quais desenvolver um di\u00e1logo construtivo com todos os homens de boa vontade e, de modo mais gen\u00e9rico, com a sociedade secular.  Hoje, devido \u00e0 crise da metaf\u00edsica, em muitos ambientes j\u00e1 n\u00e3o se reconhece uma verdade inscrita no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa humana. Por conseguinte, por um lado, assiste-se \u00e0 difus\u00e3o entre os crentes de uma moral de \u00edndole fide\u00edsta e, por outro, deixa de existir uma refer\u00eancia objectiva para as legisla\u00e7\u00f5es, que muitas vezes se fundamentam unicamente no consenso social, de modo que se torna cada vez mais dif\u00edcil alcan\u00e7ar uma base \u00e9tica comum para toda a humanidade.  Nas Cartas Enc\u00edclicas Veritatis splendor e Fides et ratio, desejei oferecer elementos \u00fateis para descobrir de novo, entre outras coisas, a ideia da lei moral natural. Infelizmente, n\u00e3o parece que estes ensinamentos foram compreendidos at\u00e9 agora na medida desejada, e esta problem\u00e1tica complexa merece ulteriores aprofundamentos. Por conseguinte, convido-vos a promover iniciativas oportunas com a finalidade de contribuir para uma renova\u00e7\u00e3o construtiva da doutrina da lei moral natural, buscando tamb\u00e9m converg\u00eancias com representantes das diversas confiss\u00f5es, religi\u00f5es e culturas.  6. Por fim, desejo mencionar uma quest\u00e3o delicada e actual. No \u00faltimo bi\u00e9nio a vossa Congrega\u00e7\u00e3o assistiu a um not\u00e1vel incremento no n\u00famero dos casos disciplinares a ela referidos pela compet\u00eancia que a Congrega\u00e7\u00e3o tem ratione materiae sobre os delicta graviora, e inclusivamente os delicta contra mores. As normas can\u00f3nicas, que a vossa Congrega\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada a aplicar com justi\u00e7a e equidade, tende a garantir tanto o exerc\u00edcio do direito de defesa de quem \u00e9 acusado, como as exig\u00eancias do bem comum. Quando se comprova o delito, de qualquer forma \u00e9 necess\u00e1rio avaliar bem, tanto o justo princ\u00edpio da proporcionalidade entre culpa e pena, como a exig\u00eancia predominante de salvaguardar o Povo de Deus.  Por\u00e9m, isto n\u00e3o depende da aplica\u00e7\u00e3o do direito penal can\u00f3nico, mas encontra a sua garantia melhor na forma\u00e7\u00e3o justa e equilibrada dos futuros sacerdotes, chamados de modo expl\u00edcito a abra\u00e7ar com alegria e generosidade aquele estilo de vida humilde, modesto e casto, que constitui o fundamento pr\u00e1tico do celibato eclesi\u00e1stico. Portanto, convido a vossa Congrega\u00e7\u00e3o a colaborar com os outros Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana, competentes na forma\u00e7\u00e3o dos seminaristas e do clero, a fim de que adoptem as medidas necess\u00e1rias para assegurar que os cl\u00e9rigos vivam em sintonia com a sua voca\u00e7\u00e3o e com o seu compromisso de castidade perfeita e perp\u00e9tua pelo Reino de Deus.  7. Car\u00edssimos, agrade\u00e7o-vos o servi\u00e7o precioso que prestais \u00e0 S\u00e9 Apost\u00f3lica e a favor da Igreja inteira. Possa o vosso trabalho dar os frutos a que todos n\u00f3s almejamos. Por isso, asseguro-vos uma lembran\u00e7a especial na ora\u00e7\u00e3o.  Acompanhe-vos a minha B\u00ean\u00e7\u00e3o que, com afecto reconhecido, concedo de cora\u00e7\u00e3o a todos v\u00f3s e \u00e0s pessoas que vos s\u00e3o queridas no Senhor&#8221;.  (\u00a9L&#8217;Osservatore Romano &#8211; 14 de Fevereiro de 2004)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O contexto cultural contempor\u00e2neo exige mais do que nunca o an\u00fancio corajoso das verdades que salvam o homem<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,168,237,268,285],"class_list":["post-4649","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-joao-paulo-ii","tag-nova-evangelizacao","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4649","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4649"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4649\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}