{"id":46454,"date":"2010-07-21T11:59:41","date_gmt":"2010-07-21T11:59:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/07\/21\/os-migrantes-e-refugiados-menores\/"},"modified":"2010-07-21T11:59:41","modified_gmt":"2010-07-21T11:59:41","slug":"os-migrantes-e-refugiados-menores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-migrantes-e-refugiados-menores\/","title":{"rendered":"Os Migrantes e Refugiados Menores"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Vitalino, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana <!--more--> <\/p>\n<p>Vivemos num mundo da mobilidade, pelos mais diversos motivos. Turismo de lazer e de sa&uacute;de, cultura, desporto, subsist&ecirc;ncia, guerras, racismo e a n&atilde;o esquecer o turismo religioso, de que podemos destacar as peregrina&ccedil;&otilde;es a santu&aacute;rios e locais de devo&ccedil;&atilde;o. Nestas movimenta&ccedil;&otilde;es a fam&iacute;lia nem sempre se mant&eacute;m junta e unida, sendo os idosos e os menores os mais sacrificados.<\/p>\n<p>O Santo Padre dedicou a Mensagem deste ano para o 96&ordm; Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados precisamente aos menores, crian&ccedil;as e jovens, alertando para os seus problemas espec&iacute;ficos, pois sofrem com a separa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, cuja estabilidade &eacute; muito importante para o crescimento harmonioso e integral, do qual faz parte o despertar para os valores da vida e da pessoa humana, que se transmitem pelo testemunho das pessoas mais pr&oacute;ximas, pela linguagem e pela cultura.<\/p>\n<p>Como se costuma dizer, as crian&ccedil;as e os jovens s&atilde;o o futuro de uma sociedade. Ora que futuro ser&aacute; esse, se a sua prepara&ccedil;&atilde;o est&aacute; minada pela desagrega&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia e dos seus membros? Al&eacute;m disso, mais que o futuro da sociedade, interessa que se respeitem os direitos fundamentais da pessoa humana, com aten&ccedil;&atilde;o especial para as mais d&eacute;beis, entre elas as crian&ccedil;as, doentes e idosos.<\/p>\n<p>Apesar de termos uma Conven&ccedil;&atilde;o internacional dos direitos da crian&ccedil;a, sabemos como, na pr&aacute;tica, ami&uacute;de e em muitas partes n&atilde;o se respeitam os seus direitos fundamentais. Os adultos, a sociedade e os Estados programam a sua vida e as suas estruturas quase exclusivamente a partir de si mesmos, do seu bem estar individual, deixando os outros e muito especialmente os mais d&eacute;beis para &uacute;ltimos nos seus projectos de vida. Embora muitos digam que emigram por causa da fam&iacute;lia, sobretudo dos filhos, para lhes dar um futuro melhor, no entanto acabam por prejudic&aacute;-los ao pensar apenas nos valores financeiros e econ&oacute;micos. Por isso vemos cada vez mais crian&ccedil;as entregues &agrave; rua, &agrave; delinqu&ecirc;ncia, ao abuso e ao tr&aacute;fico, &agrave; explora&ccedil;&atilde;o e at&eacute; mesmo alugadas &agrave; mendicidade em favor de adultos, sen&atilde;o mesmo armadas e envolvidas em guerras tribais. Muitas vivem em condi&ccedil;&otilde;es desumanas, sem alimenta&ccedil;&atilde;o conveniente, sem cuidados de sa&uacute;de, sem higiene e sem casa, sem escola adequada, etc. Que futuro ter&aacute; esta sociedade que assim despreza os seus cidad&atilde;os menores?<\/p>\n<p>Na sua Mensagem o Santo Padre lembra algumas frases evang&eacute;licas, que, apesar da sua antiguidade, mant&ecirc;m plena actualidade, pois interpelam directamente as nossas consci&ecirc;ncias. Cito apenas esta, atribu&iacute;da a Jesus Cristo: <em>Sempre que fizestes isto a um destes meus irm&atilde;os mais pequeninos, a Mim o fizestes (Mt25, 40).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Igreja Portuguesa, por sua vez, dado que desde h&aacute; muitos anos celebra este Dia Mundial no m&ecirc;s de Agosto, durante uma semana e com uma peregrina&ccedil;&atilde;o internacional a F&aacute;tima, assumiu o tema pontif&iacute;cio, mas com uma caracter&iacute;stica muito pr&oacute;pria: &ldquo;Com Francisco e Jacinta acolher Cristo nos Migrantes e Refugiados Menores&rdquo;. Todos conhecemos as figuras dos bem-aventurados Francisco e Jacinta Marto, o seu amor a Jesus, &agrave; fam&iacute;lia, a Nossa Senhora, ao Santo Padre, aos soldados em guerra, aos pecadores por cuja convers&atilde;o rezavam e se sacrificavam, aos pobres e at&eacute; aos pr&oacute;prios animais, com quem repartiam a sua escassa merenda. Este amor e compromisso coerente foi-lhes transmitido pela fam&iacute;lia, pela Igreja e pelas apari&ccedil;&otilde;es de Nossa Senhora. Aprenderam na sua inf&acirc;ncia a viver identificados com Deus, os valores evang&eacute;licos, os outros. A viver desta maneira aprende-se na fam&iacute;lia e na familiaridade com a Palavra de Deus, mais a partir do testemunho de Jesus Cristo e dos pais crist&atilde;os. N&atilde;o &eacute; o dinheiro, a riqueza material, as estruturas econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas, que d&atilde;o testemunho dos valores essenciais para o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, sobretudo da crian&ccedil;a. Sendo pobres em rela&ccedil;&atilde;o aos meios de que hoje muitas disp&otilde;em, os pastorinhos de F&aacute;tima d&atilde;o-nos o exemplo de crian&ccedil;as realizadas e felizes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2012 celebraremos o 50.&ordm; anivers&aacute;rio da cria&ccedil;&atilde;o oficial da Obra Cat&oacute;lica Portuguesa das Migra&ccedil;&otilde;es (OCPM), que, numa altura em que aumentou o n&uacute;mero de emigrantes sobretudo para os pa&iacute;ses da Europa central, a Igreja organizou estruturas de prepara&ccedil;&atilde;o e acompanhamento, a n&iacute;vel pastoral e social. Noutros continentes, sobretudo na Am&eacute;rica do Norte, j&aacute; existiam essas estruturas, implementadas tamb&eacute;m pela Igreja. Quando come&ccedil;ou o reagrupamento familiar nos pa&iacute;ses de destino, foi &agrave; volta das Miss&otilde;es e da Igreja que se pensou tamb&eacute;m na forma&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as na fam&iacute;lia e na sociedade, organizando-se o ensino da nossa l&iacute;ngua, importante para a sua integra&ccedil;&atilde;o na fam&iacute;lia, e tamb&eacute;m a catequese. Ficamos deslumbrados com a vida que existe ainda hoje &agrave; volta de muitas miss&otilde;es de l&iacute;ngua portuguesa. Costumo dizer que a maior par&oacute;quia da nossa l&iacute;ngua, no que se refere &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as, n&atilde;o est&aacute; em Portugal, mas no estrangeiro. Impressiona ver o movimento de crian&ccedil;as e fam&iacute;lias nos espa&ccedil;os da miss&atilde;o portuguesa de Genebra. Cerca de tr&ecirc;s mil crian&ccedil;as a frequentar a catequese!<\/p>\n<p>Sem poder reproduzir o passado, queremos, nesta peregrina&ccedil;&atilde;o internacional de 2010, apresentar aos portugueses e ao mundo estas interpela&ccedil;&otilde;es veementes do Evangelho, da Mensagem do Santo Padre e da situa&ccedil;&atilde;o em Portugal no que se refere aos migrantes e refugiados menores, com o amor, a ora&ccedil;&atilde;o e o testemunho dos bem-aventurados Francisco e Jacinta. Se a presente crise exigir mais modera&ccedil;&atilde;o nos nossos consumos e estilo de vida, que nunca falte &agrave;s nossas crian&ccedil;as a comunh&atilde;o da fam&iacute;lia, o amor e dedica&ccedil;&atilde;o dos adultos e da sociedade, para que o futuro deste mundo global seja mais pac&iacute;fico e coeso.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Vitalino, Bispo de Beja e Presidente da CEMH<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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