{"id":46335,"date":"2010-07-13T13:39:21","date_gmt":"2010-07-13T13:39:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/07\/13\/nao-basta-ser-cristao-porque-sim\/"},"modified":"2010-07-13T13:39:21","modified_gmt":"2010-07-13T13:39:21","slug":"nao-basta-ser-cristao-porque-sim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-basta-ser-cristao-porque-sim\/","title":{"rendered":"N\u00e3o basta ser crist\u00e3o porque sim&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Juan Ambr\u00f3sio <!--more--> <\/p>\n<p>Estamos j&aacute; em pleno ver&atilde;o e com ele surgem sempre uma s&eacute;rie de propostas que nos convidam a realizar e experimentar aquelas coisas para as quais, no meio da rotina do dia-a-dia, normalmente nunca resta tempo dispon&iacute;vel. N&atilde;o &eacute; preciso fazer um grande exerc&iacute;cio de investiga&ccedil;&atilde;o e aten&ccedil;&atilde;o para descobrirmos como somos constantemente convidados, para n&atilde;o dizer bombardeados, com aquela proposta de f&eacute;rias imperd&iacute;vel, ou com aquele convite para uma tal actividade que para sempre nos marcar&aacute;. E se estes convites e propostas nos chegam &#8216;de fora&#8217;, tamb&eacute;m podemos fazer refer&ecirc;ncia aqueles impulsos que brotam do interior e que nos recomendam a leitura daquele livro que j&aacute; h&aacute; muito jaz sobre prateleira, ou para dar uma arruma&ccedil;&atilde;o naquele quarto onde as coisas, as mais variadas coisas, n&atilde;o param de se acumular. E pod&iacute;amos continuar com exemplos at&eacute; mesmo chegar &agrave;quela proposta que simplesmente nos convida a n&atilde;o fazer nada.<\/p>\n<p>A verdade, &eacute; que tamb&eacute;m ao n&iacute;vel da forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; surgem v&aacute;rias e diversificadas propostas durante este tempo. N&atilde;o &eacute; certamente este o espa&ccedil;o para as elencar &#8211; esse exerc&iacute;cio facilmente pode ser feito, como sabemos, com a ajuda da Ag&ecirc;ncia ECCLESIA -, mas pode ser este o tempo para fazermos uma pequena reflex&atilde;o acerca destas propostas.<\/p>\n<p>Todos podemos intuir, de uma maneira ou de outra, com maior ou menor dificuldade, que hoje a op&ccedil;&atilde;o crist&atilde; n&atilde;o pode apenas ser feita porque sim. Cada vez somos mais solicitados a dar as raz&otilde;es de ser da nossa f&eacute;, e esta interpela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vem s&oacute; da parte daqueles que n&atilde;o acreditam e nos interrogam acerca das raz&otilde;es do nosso acreditar, mas brota tamb&eacute;m do exerc&iacute;cio da nossa exist&ecirc;ncia crente, que tamb&eacute;m j&aacute; n&atilde;o se vai contentando com um mero porque sim.<\/p>\n<p>Neste sentido, todas as propostas de forma&ccedil;&atilde;o s&atilde;o bem-vindas e se elas podem ser realizadas durante um per&iacute;odo no qual temos mais disponibilidade de tempo e de vontade, ent&atilde;o, tanto melhor, porque mais facilmente estas oportunidades podem ser agarradas e concretizadas. A este n&iacute;vel talvez fosse bom dizer que julgo haver bastante caminho a percorrer no modo como tais actividades s&atilde;o apresentadas e propostas. Porque n&atilde;o sermos mais criativos e ousados, de tal modo que elas se possam revestir de contornos onde a dimens&atilde;o l&uacute;dica e de descompress&atilde;o possa tamb&eacute;m estar presente de uma maneira clara, uma vez que no fim de um ano de trabalho tamb&eacute;m &eacute; muito importante podermos introduzir essas din&acirc;micas.<\/p>\n<p>E se isto &eacute; importante, ou seja a tal altera&ccedil;&atilde;o das rotinas di&aacute;rias, &eacute; aqui tamb&eacute;m que se pode revelar um dos riscos aos quais julgo devemos estar muito atentos.<\/p>\n<p>&Eacute; claro que a op&ccedil;&atilde;o crist&atilde; n&atilde;o pode ser reduzida a uma mera rotina. O exerc&iacute;cio da exist&ecirc;ncia crente pressup&otilde;e sempre mais do que um h&aacute;bito ou um costume, sob pena de n&atilde;o tocar o nuclear da exist&ecirc;ncia e ficar a um n&iacute;vel epid&eacute;rmico. Contudo, essa mesma op&ccedil;&atilde;o deve abarcar a totalidade do existir, dando-lhe um sabor e uma tonalidade especial que brota, como que naturalmente, n&atilde;o tendo que ser constantemente consciencializada.<\/p>\n<p>&Eacute; obvio que a este n&iacute;vel estamos perante uma das tens&otilde;es caracter&iacute;sticas do cristianismo. Se por um lado n&atilde;o falamos de um mero h&aacute;bito ou rotina, por outro, n&atilde;o falamos tamb&eacute;m de algo que excepcionalmente se vai sempre acrescentando ao exerc&iacute;cio da vida. &Eacute; por isso que a forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; n&atilde;o &eacute; de todo uma tarefa f&aacute;cil. Ela n&atilde;o se pode reduzir a um mero treino de atitudes e afirma&ccedil;&otilde;es, de tal modo que o ser crist&atilde;o se concretizasse mediante o dizer mec&acirc;nico de determinadas afirma&ccedil;&otilde;es e a realiza&ccedil;&atilde;o treinada de determinadas ac&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m n&atilde;o pode ser transformada numa actividade que pretenda apresentar os fundamentos de cada gesto concreto e de cada palavra articulada, de tal modo que o exerc&iacute;cio da exist&ecirc;ncia crente implicasse obrigatoriamente uma atitude de investiga&ccedil;&atilde;o e justifica&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel de todos os pensamentos e ac&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>As muitas propostas que neste tempo nos s&atilde;o disponibilizadas devem, no meu entender, ser pensadas neste contexto, pois n&atilde;o podemos cair na tenta&ccedil;&atilde;o de julgar que a forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; se resolver&aacute; mediante a realiza&ccedil;&atilde;o de confer&ecirc;ncias, cursos e semanas de estudo. Claro que eles s&atilde;o muito importantes e mesmo indispens&aacute;veis, mas tanto mais o ser&atilde;o, quanto mais forem capazes de dar o toque de sabor e de sentido a uma exist&ecirc;ncia que tem que ser vivida ao n&iacute;vel do dia-a-dia.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Juan Ambr&oacute;sio, Professor da Faculdade de Teologia da UCP<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juan Ambr\u00f3sio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[321],"class_list":["post-46335","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46335"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46335\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}