{"id":46317,"date":"2010-07-13T11:43:32","date_gmt":"2010-07-13T11:43:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/07\/13\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-de-ordenacao\/"},"modified":"2010-07-13T11:43:32","modified_gmt":"2010-07-13T11:43:32","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-de-ordenacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-de-ordenacao\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Aveiro na Missa de Ordena\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">HOMILIA NA ORDENA&Ccedil;&Atilde;O PRESBITERAL<br \/>DE JOS&Eacute; CARLOS DA SILVA LOPES<\/p>\n<p align=\"center\">S&eacute; de Aveiro, 11 de Julho de 2010<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>&ldquo;Pedro, tu amas-me? Sim, Senhor. Tu sabes que te amo.&rdquo; (cf Jo 21, 15-18)<\/em><\/p>\n<p>1. Hoje &eacute; um dia de alegria e de esperan&ccedil;a para a Igreja de Aveiro. Vivemos esta hora em Igreja Diocesana como momento marcante de uma longa caminhada, em que o dom da vida, a gra&ccedil;a da f&eacute;, a voz do chamamento, a presen&ccedil;a da fam&iacute;lia e da par&oacute;quia e a forma&ccedil;&atilde;o recebida nos semin&aacute;rios e nas escolas se fizeram companheiros de viagem deste ordinando. A ora&ccedil;&atilde;o e a escuta da voz de Deus guiaram os passos dados pelo Di&aacute;cono Jos&eacute; Carlos da Silva Lopes e abriram horizontes de esperan&ccedil;a a todos quantos desde o in&iacute;cio acreditaram que este dia havia de chegar.<\/p>\n<p>Ouvimos a Palavra de Deus que ilumina a longa viagem da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o da humanidade e lan&ccedil;a luz abundante sobre o acontecimento que aqui nos re&uacute;ne.<\/p>\n<p>Na primeira leitura, tirada da chamada Alian&ccedil;a de Moab, Mois&eacute;s diz-nos de forma po&eacute;tica muita bela que Deus &eacute; acess&iacute;vel, que a sua lei est&aacute; ao nosso alcance e que a sua palavra est&aacute; perto de n&oacute;s, na nossa boca e no nosso cora&ccedil;&atilde;o, para que a possamos p&ocirc;r em pr&aacute;tica (cf Deut. 30, 10-14).<\/p>\n<p>Na leitura da carta aos crist&atilde;os de Colossos, escrita no cativeiro, S. Paulo centra a sua f&eacute; em Cristo, imagem do Deus invis&iacute;vel, primog&eacute;nito de toda a cria&ccedil;&atilde;o. N&rsquo;Ele reside toda a plenitude da divindade (cf Col 1, 15-20).<\/p>\n<p>&Eacute; de Jesus Cristo o ensinamento do Evangelho e a resposta dada a uma quest&atilde;o aparentemente inc&oacute;moda de um doutor da lei. A par&aacute;bola do bom samaritano ajuda-nos a ver com os olhos do cora&ccedil;&atilde;o e a agir com a ousadia da caridade que vence rupturas e barreiras e desfaz medos e dist&acirc;ncias. (cf Luc 10, 25-37).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Uma ordena&ccedil;&atilde;o presbiteral s&oacute; se compreende e s&oacute; se pode viver centrados em Cristo. Uma ordena&ccedil;&atilde;o presbiteral n&atilde;o &eacute; uma gra&ccedil;a f&aacute;cil. Exige ora&ccedil;&atilde;o confiante de toda a Igreja e implica uma permanente generosidade daquele que acolhe o chamamento e se decide livremente a seguir Jesus na alegria e na fidelidade. O sacerd&oacute;cio &eacute; um sacramento e n&atilde;o um simples of&iacute;cio, dizia-nos o Papa Bento XVI, no encerramento do ano sacerdotal.<\/p>\n<p>Jesus iniciou o seu minist&eacute;rio num contexto lit&uacute;rgico, lendo o an&uacute;ncio do profeta Isa&iacute;as: &ldquo; O Esp&iacute;rito do Senhor est&aacute; sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres&rdquo;.<\/p>\n<p>A Boa Nova tem de ser proclamada com um sentido de urg&ecirc;ncia irresist&iacute;vel, com uma profunda confian&ccedil;a em Deus e com uma incontida doa&ccedil;&atilde;o no servi&ccedil;o ao seu povo.<\/p>\n<p>&Eacute; neste contexto que somos ungidos para pregar, consolar, dar coragem e esperan&ccedil;a a quantos est&atilde;o subjugados pela dura realidade da vida presente. Tamb&eacute;m n&oacute;s fomos ungidos para levar a Boa Nova aos pobres, a vista aos cegos, a liberdade aos oprimidos.<\/p>\n<p>&Eacute;-nos imposs&iacute;vel concretizar, sozinhos, esta miss&atilde;o. Na nossa fraqueza e nas nossas limita&ccedil;&otilde;es, conforta-nos a certeza da aud&aacute;cia de Deus que nos chama a participar do seu sacerd&oacute;cio e a sermos no meio deste povo sacerdotal portadores de tesouros da gra&ccedil;a e do amor de Deus.<\/p>\n<p>Os crist&atilde;os nunca viram o sacerd&oacute;cio como uma inven&ccedil;&atilde;o humana, mas sim como um dom que torna poss&iacute;vel, gera&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s gera&ccedil;&atilde;o, o minist&eacute;rio de Cristo, Bom Pastor.<\/p>\n<p>Possa Jesus ressuscitado, que se p&otilde;e a caminho connosco pelas nossas estradas, deixando-se reconhecer, como sucedeu aos disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s, encontrar-nos vigilantes e prontos para reconhecer o seu rosto e correr e levar aos nossos irm&atilde;os o grande an&uacute;ncio: &ldquo;Vimos o Senhor!&rdquo;.<\/p>\n<p>Jesus escolheu homens nascidos no interior e nas periferias da cidade voltados para os lados do mar, ou vindos do mundo rural, habituados ao trabalho, e escolheu tamb&eacute;m homens oriundos dos campos novos do saber e das diversas profiss&otilde;es desse tempo. E foi na escola de Jesus, o Mestre, que estes homens provenientes de origens diferentes se transformaram em pilares s&oacute;lidos sobre os quais iria construir a Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. No Evangelho, a entrega do minist&eacute;rio pastoral a Pedro &eacute; tomada como modelo da miss&atilde;o: &laquo;Pedro, tu amas-me? Sim, Senhor. Tu sabes que te amo&raquo; (cf Jo 21, 15-18).<\/p>\n<p>Ou&ccedil;amos tamb&eacute;m hoje a pergunta de Jesus a Pedro: &laquo;Amas-me?&raquo;. Foi este o texto inspirador do lema escolhido pelo di&aacute;cono Jos&eacute; Carlos para a sua ordena&ccedil;&atilde;o e para o seu minist&eacute;rio, segundo nos revelou, em recente e oportuna entrevista, dada ao nosso Jornal diocesano.<\/p>\n<p>Irm&atilde;os sacerdotes: Em nome deste irm&atilde;o di&aacute;cono que hoje avan&ccedil;a, firme e destemido para a ordena&ccedil;&atilde;o; em nome dos seminaristas e dos jovens que em n&oacute;s procuram um testemunho a suscitar voca&ccedil;&otilde;es e em nome de toda a nossa Diocese e dos seus 350 mil habitantes que contam com o nosso minist&eacute;rio e s&atilde;o sustentados pela vossa doa&ccedil;&atilde;o de vida e trabalho pastoral, agrade&ccedil;o o vosso testemunho exemplar e a vossa presen&ccedil;a t&atilde;o expressiva aqui hoje.<\/p>\n<p>&Eacute; apenas um presb&iacute;tero a ser ordenado mas tem o sentido da totalidade e o valor de uma vida dada por inteiro e para sempre. &Eacute; o sangue novo a pulsar no nosso presbit&eacute;rio e a dizer-nos o sentido do caminho a percorrer.<\/p>\n<p>Cada um de n&oacute;s padres lembra-se bem que no dia da nossa ordena&ccedil;&atilde;o o bispo celebrante nos apresentou a patena e o c&aacute;lice e nos disse: &ldquo; Aceita do povo santo de Deus os dons que lhe s&atilde;o oferecidos. Considera o que fazes e imita aquilo que celebras: modela a tua vida no mist&eacute;rio da Cruz de Cristo, Senhor&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Irm&atilde;os e irm&atilde;s em Cristo, di&aacute;conos, religiosos (as), consagrados (as) e leigos (as): A caminhada da vida, da f&eacute;, da voca&ccedil;&atilde;o e da miss&atilde;o &eacute; para todos n&oacute;s exigente e apaixonante.<\/p>\n<p>Sabemo-nos membros activos da Igreja e somos um dom e uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para o mundo.<\/p>\n<p>Na primeira Jornada Mundial da Juventude em que participou, em Col&oacute;nia, o Santo Padre Bento XVI reuniu os bispos alem&atilde;es presentes e falou-lhes da sua terra natal como terra de miss&atilde;o. E isto &eacute; verdade para todas as terras do mundo e isto &eacute; verdade igualmente para todos os sectores da miss&atilde;o, afirm&aacute;vamos recentemente, em Carta Pastoral, n&oacute;s os Bispos de Portugal.<\/p>\n<p>Esta &eacute; tamb&eacute;m uma hora de gratid&atilde;o para com todos os que estiveram na g&eacute;nese e no percurso da voca&ccedil;&atilde;o desde novo presb&iacute;tero: a sua fam&iacute;lia, a sua comunidade de S. Tiago de Ribeira de Fr&aacute;guas, os seus p&aacute;rocos, os semin&aacute;rios de Aveiro, Leiria e Coimbra, as comunidades e servi&ccedil;os pastorais onde realizou o seu est&aacute;gio pastoral, os seus companheiros de caminho e tantos outros que s&oacute; Deus conhece. Para todos vai a gratid&atilde;o da Diocese, a dedica&ccedil;&atilde;o do seu bispo e a certeza da b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus.<\/p>\n<p>Uma ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal aliada &agrave; miss&atilde;o e ao minist&eacute;rio de cada um de n&oacute;s tem o poder mobilizador de unir toda a Igreja na mesma miss&atilde;o e de lhe dar o encanto da alegria e o sentido da esperan&ccedil;a, atrav&eacute;s da renova&ccedil;&atilde;o espiritual, da educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, da forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e da ac&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria a favor da justi&ccedil;a e da caridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5.Que Maria, a M&atilde;e do Bom Pastor, e Santa Joana Princesa, nossa Padroeira, nos ajudem a assumir esta miss&atilde;o com alegria e confian&ccedil;a para sermos uma Igreja renovada na caridade, educadora da f&eacute; e fundamento de esperan&ccedil;a para o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>+Ant&oacute;nio Francisco dos Santos<br \/><\/em><em>Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HOMILIA NA ORDENA&Ccedil;&Atilde;O PRESBITERALDE JOS&Eacute; CARLOS DA SILVA LOPES S&eacute; de Aveiro, 11 de Julho de 2010 &nbsp; &ldquo;Pedro, tu amas-me? 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