{"id":46239,"date":"2010-10-01T11:42:35","date_gmt":"2010-10-01T11:42:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/01\/d-augusto-eduardo-nunes-e-a-i-republica\/"},"modified":"2010-10-01T11:42:35","modified_gmt":"2010-10-01T11:42:35","slug":"d-augusto-eduardo-nunes-e-a-i-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-augusto-eduardo-nunes-e-a-i-republica\/","title":{"rendered":"D. Augusto Eduardo Nunes e a I Rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>A implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1910, deu in\u00edcio a um tempo de grandes dificuldades para a Igreja Cat\u00f3lica no Alentejo, na qual se destacou D. Augusto Eduardo Nunes, Arcebispo de \u00c9vora. <!--more--> <\/p>\n<p>A implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, em 1910, deu in&iacute;cio a um tempo de grandes dificuldades para a Igreja Cat&oacute;lica no Alentejo, na qual se destacou D. Augusto Eduardo Nunes, Arcebispo de &Eacute;vora.<\/p>\n<p>A primeira d&eacute;cada da Rep&uacute;blica foi extremamente dif&iacute;cil nesta &aacute;rea do Alentejo.<\/p>\n<p>O C&oacute;n. Francisco Senra Coelho, professor de Hist&oacute;ria de Igreja no Instituto Superior de Teologia de &Eacute;vora, refere em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA que &ldquo;em 1910 existiam 111 padres na diocese e dez anos depois s&oacute; existiam cerca de 30. A viv&ecirc;ncia destes dez anos foi muito espec&iacute;fica. De 1910-12, a pastoral diocesana sofreu imenso. Os sacerdotes deixaram de receber do Estado e passaram a viver da caridade p&uacute;blica&rdquo;.<\/p>\n<p>O Pe. Senra Coelho &eacute; autor de uma Tese de Doutoramento intitulada &ldquo;Monseigneur Augusto Eduardo Nunes, Archbishop of &Eacute;vora (1850-1920): From the University of Coimbra to Archbishop of &Eacute;vora in the Contexto f the First Republica&rdquo;, na Phoenix International University, com o reconhecimento do British Council.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" style=\"float: right;\" src=\"..\/..\/imgs\/bo\/augusto_eduardo_nunes_capa.jpg\" alt=\"\" \/>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE)<\/strong> &ndash; No di&aacute;logo entre a hierarquia da Igreja e os governantes da 1&ordf; Rep&uacute;blica, um bispo alentejano teve um papel fulcral. Como caracteriza D. Augusto Eduardo Nunes?<br \/><strong>Francisco Senra Coelho (FSC)<\/strong> &ndash; &Eacute; uma figura humana muito interessante e com uma personalidade muito vincada. Nasceu em 1849, na cidade de Portalegre, embora toda a sua fam&iacute;lia tenha origem em Elvas. &Eacute; um caso interessante, do ponto de vista eclesial, para a arquidiocese de &Eacute;vora porque &eacute; um dos bispos naturais desta arquidiocese. Elvas tinha deixado de ser diocese e fazia parte da diocese de &Eacute;vora. N&atilde;o h&aacute; muitos bispos alentejanos&hellip;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Existe alguma raz&atilde;o espec&iacute;fica?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; A partir do liberalismo, o Alentejo deixou de ter muitas voca&ccedil;&otilde;es. O clero de &Eacute;vora, Beja e tamb&eacute;m parte de Portalegre viveu bastante das voca&ccedil;&otilde;es vindas das Beiras e tamb&eacute;m alguns casos vindos do Minho. Com a falta de voca&ccedil;&otilde;es locais sentiu-se menos da possibilidade de existirem bispos alentejanos. Este &eacute; um bispo alentejano do s&eacute;culo XIX que nasceu na capital do Alto Alentejo, Portalegre.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Disse que D. Augusto Nunes era uma figura humana interessante. Porqu&ecirc;?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Ainda muito pequeno, Augusto Eduardo Nunes perde o seu pai. Um irm&atilde;o de seu pai que era sacerdote no Patriarcado de Lisboa protege-o. Traz a sua cunhada, D. Augusto e seus irm&atilde;os para a cidade de Lisboa. Depressa se apercebeu que se tratava de um menino com muita capacidade intelectual. Como tal, Augusto vai estudar para o col&eacute;gio de Campolide que pertencia aos jesu&iacute;tas. O tio investe nele. Revela-se uma crian&ccedil;a com o desejo de ser sacerdote e seguir as pisadas do tio. Posteriormente, entrou no Semin&aacute;rio Patriarcal de Santar&eacute;m e a&iacute; faz a forma&ccedil;&atilde;o sacerdotal com distint&iacute;ssimas notas. Foi um aluno brilhante.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Nos tempos de aluno exerceu a fun&ccedil;&atilde;o de secret&aacute;rio do Semin&aacute;rio.<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Tinha capacidades extraordin&aacute;rias. Distingue-se de tal forma que foi escolhido para se ir formar em Teologia, na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra. A&iacute;, mostra a plenitude da sua capacidade.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Chegou a leccionar nessa Faculdade.<br \/><strong>FSC <\/strong>&ndash; Foi professor. No entanto, como aluno fez uma s&eacute;rie de trabalhos que est&atilde;o marcados com um valor imenso para se perceber a Igreja em Portugal no s&eacute;culo XIX. Estuda os temas mais actuais do seu tempo e debate-os com as figuras proeminentes do pensamento.<br \/>A quest&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o e Darwin foram temas por ele aprofundados. Tem um trabalho &#8211; &laquo;Antropocentrismo&raquo; &#8211; que &eacute; fundamental para se perceber o pensamento de um te&oacute;logo face &agrave;s posturas darwianas que surgiam no s&eacute;culo XIX.<br \/>Na altura debatia-se muito sobre se &laquo;Jesus existiu historicamente ou n&atilde;o?&raquo;. Ele faz uma reflex&atilde;o com muita abertura e di&aacute;logo ao pensamento mais oposto &agrave; exist&ecirc;ncia de Cristo, atrav&eacute;s de um trabalho intitulado &laquo;O milagre&raquo;.<br \/>No seu tempo, debatia-se tamb&eacute;m o &laquo;futuro das col&oacute;nias portuguesas&raquo;. Depois do regresso da corte do Brasil, colocou-se muito este problema. Fez um trabalho profundo sobre a import&acirc;ncia de continuarmos a evangeliza&ccedil;&atilde;o no ultramar portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; H&aacute; uma tem&aacute;tica &ndash; retomada por Le&atilde;o XIII &ndash; sobre o valor do pensamento de S. Tom&aacute;s de Aquino. Ele tamb&eacute;m entrou nas discuss&otilde;es neotomistas?<br \/><strong>FSC <\/strong>&ndash; Foi uma das figuras que se envolveu na defesa do neotomismo. Faz estas reflex&otilde;es quando era aluno.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Era muito ecl&eacute;tico nas reflex&otilde;es?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Muit&iacute;ssimo. Apesar dos temas abordados faz uma tese de doutoramento sobre o &laquo;M&uacute;nus Social da Igreja&raquo;.<\/p>\n<p><strong>A &laquo;Rerum Novarum&raquo; n&atilde;o evolui em rela&ccedil;&atilde;o ao pensamento de D. Eduardo Nunes<\/p>\n<p>AE<\/strong> &ndash; Um trabalho anterior &agrave; celebre enc&iacute;clica de Le&atilde;o XIII &laquo;Rerum Novarum&raquo;.<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Sim. Das investiga&ccedil;&otilde;es que fiz, em Roma, apercebi-me que o Papa Le&atilde;o XIII tentou recolher tudo o que havia de bibliografia sobre esta tem&aacute;tica. Mandou ir de Portugal para Roma o &laquo;trabalho&raquo; deste jovem te&oacute;logo para o conhecer de perto na elabora&ccedil;&atilde;o da &laquo;Rerum Novarum&raquo;. N&atilde;o consigo comprovar isto documentalmente, mas consigo comprovar testemunhalmente atrav&eacute;s de cartas escritas &agrave; Nunciatura de Lisboa a pedir que lhe seja enviado a referida tese de D. Augusto Eduardo Nunes.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" style=\"float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;\" src=\"..\/..\/imgs\/bo\/senra_coelho_republica1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" \/>AE<\/strong> &ndash; Esta disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento teve mais de uma dezena de edi&ccedil;&otilde;es?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; O pensamento de D. Augusto Eduardo Nunes foi estudado, pela primeira vez e arrancado dos arquivos, pelo C&oacute;n. Jos&eacute; Paulo Abreu, da diocese de Braga. Foi tema de uma tese de licenciatura na Universidade Gregoriana, em Roma. Foi ele que teve o m&eacute;rito de descobrir o pensamento deste homem.<br \/>Podemos considerar que D. Augusto tem um pensamento de estrutura conservadora. Pretendia resolver a quest&atilde;o social a partir da caridade crist&atilde;. Faz uma leitura conservadora de uma sociedade estratificada, mas prop&otilde;e coisas interessantes: a constitui&ccedil;&atilde;o de sindicatos para defender o interesse dos oper&aacute;rios e prop&otilde;e a vincula&ccedil;&atilde;o da Igreja aos interesses dos oper&aacute;rios, atrav&eacute;s dos C&iacute;rculos Oper&aacute;rios Cat&oacute;licos.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Enquadra-se na &oacute;ptica da &laquo;Rerum Novarum&raquo;.<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Isso &eacute; n&iacute;tido. A &laquo;Rerum Novarum&raquo; n&atilde;o evolui em rela&ccedil;&atilde;o ao pensamento de D. Eduardo Nunes. Ele compreende duas coisas que n&atilde;o eram comuns no clero portugu&ecirc;s. Havia &laquo;coisas novas&raquo; e que a Igreja tinha de estar atenta a algo que estava a acontecer. Portugal n&atilde;o era apenas uma sociedade rural e a Igreja tinha a obriga&ccedil;&atilde;o de ter uma palavra esclarecedora e comprometida com a nova realidade.<br \/>No contexto liberal, onde a Igreja era atirada apenas para fun&ccedil;&otilde;es religiosas\/lit&uacute;rgicas &ndash; um p&aacute;ssaro em jaula de ouro -, ele afirma que a Igreja tem direito a pronunciar-se sobre as quest&otilde;es sociais.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Est&aacute;vamos no in&iacute;cio da quest&atilde;o da &laquo;proposta socialista&raquo;, na altura chamado socialismo ut&oacute;pico.<br \/><strong>FSC<\/strong> &#8211; Tamb&eacute;m foi objecto de reflex&atilde;o por parte de D. Augusto Eduardo Nunes. Para concorrer &agrave; c&aacute;tedra, faz a c&eacute;lebre disserta&ccedil;&atilde;o sobre &laquo;O Socialismo e o Catolicismo&raquo; onde faz a an&aacute;lise das propostas para a resolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o social que surgia com uma incipiente revolu&ccedil;&atilde;o industrial em Portugal. &Eacute; neste contexto que se coloca um problema muito grave &agrave; Faculdade de Teologia de Coimbra. O manual de Teologia utilizado n&atilde;o continha os ensinamentos do I Conc&iacute;lio do Vaticano porque o regalismo do Estado portugu&ecirc;s, da monarquia constitucional, n&atilde;o permitia que fosse publicada a posi&ccedil;&atilde;o sobre a infalibilidade pontif&iacute;cia. Isto era grave.<br \/>D. Augusto Eduardo Nunes escreve o primeiro comp&ecirc;ndio de Teologia Dogm&aacute;tica que n&atilde;o teve benepl&aacute;cito r&eacute;gio pelo facto de ser fiel &agrave; doutrina da Santa S&eacute;. Esse comp&ecirc;ndio n&atilde;o p&ocirc;de ser publicado. Em 1885 foi nomeado arcebispo de &Eacute;vora e, um ano depois, consegue publicar esse comp&ecirc;ndio. Um manual que teve v&aacute;rias edi&ccedil;&otilde;es, a &uacute;ltima &eacute; de 1911.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A maioria dos padres do final do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo passado estudaram pelo comp&ecirc;ndio de D. Augusto Eduardo Nunes.<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; &Eacute; verdade. Em quase todos os semin&aacute;rios era utilizado esse manual.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Apesar do seu valor intelectual, D. Augusto Eduardo Nunes &eacute; uma figura quase desconhecida?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; As principais obras que falaram da I Rep&uacute;blica em Portugal &ndash; por exemplo a persegui&ccedil;&atilde;o da Igreja na I Rep&uacute;blica &ndash; n&atilde;o apresentam no &iacute;ndice anal&iacute;tico qualquer refer&ecirc;ncia a D. Augusto Eduardo Nunes.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; &Eacute; intencional?<br \/><strong>FSC <\/strong>&ndash; Penso que foi por falta de conhecimento e de apresenta&ccedil;&atilde;o da figura. Como n&atilde;o teve essa proposta acabou por ficar empalidecida perante a grande figura de D. Manuel Vieira de Matos, do Cardeal Mendes Belo e de D. Ant&oacute;nio Barroso. Agora aparece a sua recupera&ccedil;&atilde;o que coloca no s&iacute;tio exacto aquele homem que &eacute; o autor dos principais documentos colectivos do episcopado do portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p><strong>Era considerado a &laquo;boca de ouro&raquo; da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica<\/p>\n<p>AE<\/strong> &ndash; Voltando aos tempos de Coimbra, como era o relacionamento dele com os futuros pol&iacute;ticos republicanos?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Depois da proclama&ccedil;&atilde;o da chamada &laquo;Lei das Cultuais&raquo; (Os bens da Igreja deviam ser administrados e conduzidos por grupos de leigos), ele fez, como todos os bispos, a den&uacute;ncia dessa lei. Acontece que, pelo facto de terem denunciado essa lei, os bispos foram desterrados das suas dioceses, menos ele (foi desterrado apenas a 8 de Abril de 1912). Vivia uma amargura imensa e curiosa: &ldquo;Devem pensar que sou um traidor e que fa&ccedil;o uma posi&ccedil;&atilde;o dupla perante os meus colegas&rdquo;.<br \/>Esta poss&iacute;vel interpreta&ccedil;&atilde;o adv&eacute;m da rela&ccedil;&atilde;o que tinha com Afonso Costa, Te&oacute;filo Braga e grandes pensadores da Rep&uacute;blica que foram antigos colegas em Coimbra. Da&iacute;, como muita probabilidade, ele ter sido alvo de um grande encontro pessoal com Monsenhor Aloisi Masella, respons&aacute;vel dos neg&oacute;cios da Santa S&eacute; em Portugal, para, constantemente, dar o seu parecer. Era a pessoa da hierarquia da Igreja mais pr&oacute;xima dos governantes republicanos.<br \/>Por outro lado, esta pessoa que faz a redac&ccedil;&atilde;o dos documentos colectivos do episcopado portugu&ecirc;s &ndash; estava muito bem preparado teologicamente e era considerado a &laquo;boca de ouro&raquo; da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica &ndash; tinha a capacidade de ser compreendida pelos grandes paladinos da 1&ordf; Rep&uacute;blica. Ele era uma figura grada aos professores de Coimbra.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Era um homem muito aberto para o seu tempo.<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Era um dos poucos bispos portugueses que tinha compreendido que n&atilde;o era necess&aacute;rio a Igreja viver um regime mon&aacute;rquico. Ele apontava o caso da B&eacute;lgica e dos Estados Unidos da Am&eacute;rica. Compreendeu que a Igreja n&atilde;o tinha que ser filo-mon&aacute;rquica nem anti-republicana. Ela tinha que exigir liberdade para ser Igreja.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" style=\"float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;\" src=\"..\/..\/imgs\/bo\/augusto_eduardo_nunes_cortado.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" \/>AE<\/strong> &ndash; Do ponto vista de pol&iacute;tico, onde se situava D. Augusto Eduardo Nunes?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; N&atilde;o tinha depend&ecirc;ncia partid&aacute;ria, mas &ndash; quando se d&aacute; a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica &ndash; ele assume uma posi&ccedil;&atilde;o de sauda&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. Faz i&ccedil;ar a bandeira republicana no pa&ccedil;o episcopal. Re&uacute;ne o cabido e faz a sauda&ccedil;&atilde;o &agrave; Rep&uacute;blica. No percurso da sua vida encontramos como que uma desilus&atilde;o na forma como esta se desenvolveu. N&atilde;o posso dizer que ele teve uma fase que foi republicano, mas saudou a Rep&uacute;blica com esperan&ccedil;a. N&atilde;o podemos esquecer que a experi&ecirc;ncia que ele tinha da Monarquia Constitucional era extremamente negativa: uma Igreja oprimida que tinha sofrido a confisca&ccedil;&atilde;o de 1834 e o posterior envelhecimento das religiosas e encerramento dos conventos.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Olhou para a Rep&uacute;blica como uma nova Primavera<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Sim, mas depois fez uma experi&ecirc;ncia de certa amargura e desilus&atilde;o. Defendeu &#8211; sem d&uacute;vida nenhuma &ndash; atrav&eacute;s de uma ac&ccedil;&atilde;o que o episcopado empreendeu de constituir em Portugal a Uni&atilde;o Cat&oacute;lica. Defendeu, pelo menos estrategicamente &ndash; n&atilde;o direi que o tenha feito oficialmente &ndash; a possibilidade existir um partido cat&oacute;lico para defender os interesses da Igreja. Por outro lado, nos principais documentos colectivos do episcopado portugu&ecirc;s, ele incentivava os leigos a n&atilde;o reagirem violentamente contra a Rep&uacute;blica, mas a tomarem uma posi&ccedil;&atilde;o intransigente na defesa da Igreja.<\/p>\n<p><strong>Era um bispo com grande substrato universit&aacute;rio<\/p>\n<p>AE<\/strong> &ndash; Como &eacute; que ele lidou com este reacender do &oacute;dio &agrave; Igreja?<br \/><strong>FSC <\/strong>&ndash; Atrav&eacute;s de uma den&uacute;ncia muito forte e activa. Pediu aos cat&oacute;licos que fizessem uma uni&atilde;o de esfor&ccedil;os pela defesa da Igreja. A&iacute; descobrimos as sementes do seu apoio a um partido cat&oacute;lico no contexto da 1&ordf; Rep&uacute;blica. Ele est&aacute; inserido neste apoio a que os cat&oacute;licos se organizem e tenham o seu partido.<br \/>Ele escreveu o protesto colectivo dos bispos portugueses &agrave; Lei da Separa&ccedil;&atilde;o do Estado e das Igrejas. Classifica esta lei como vilip&ecirc;ndio. Como arcebispo de &Eacute;vora a sua interven&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; forte. Uma das obras mais belas da sua pena foi o protesto dirigido ao Presidente da Rep&uacute;blica aquando do seu desterro. Nunca baixou a sua voz e denunciou com muita categoria todos os atropelos.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Os governantes republicanos sabiam que era ele que escrevia estas pastorais colectivas do episcopado?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; O processo era muito discreto. Os bispos reuniam-se em Lisboa, S. Vicente de Fora, onde faziam uma leitura dos acontecimentos. Depois do per&iacute;odo de di&aacute;logo, atribu&iacute;am a D. Augusto Eduardo Nunes a tarefa de escrever os documentos. Estas reuni&otilde;es eram do conhecimento de Mons. Aloisi Masella.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Havia alguma raz&atilde;o espec&iacute;fica para lhe atribu&iacute;rem esta tarefa de escrever em nome dos bispos de Portugal?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Era o te&oacute;logo dos bispos portugueses. Era um bispo com grande substrato universit&aacute;rio e com uma grande capacidade de redac&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Era muito equilibrado nas posi&ccedil;&otilde;es: nem filo-mon&aacute;rquico, nem anti-republicano.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O bispo do Porto, D. Ant&oacute;nio Barroso, tamb&eacute;m era cred&iacute;vel e muito respeitado entre os seus pares.<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; D. Ant&oacute;nio Barroso era um bispo mission&aacute;rio (esteve em Mo&ccedil;ambique e &Iacute;ndia) e n&atilde;o tinha a forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria de D. Augusto Eduardo Nunes. D. Ant&oacute;nio Barroso primava pela sua santidade e pelos gestos prof&eacute;ticos. N&atilde;o podemos esquecer que o arcebispo de &Eacute;vora tinha um percurso acad&eacute;mico e com rela&ccedil;&atilde;o pessoal com os ministros da Rep&uacute;blica. Foram antigos companheiros de Coimbra.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Realizaram-se encontros privados entre D. Augusto Eduardo Nunes e Afonso Costa?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; O arcebispo de &Eacute;vora veio negociar, privadamente e confidencialmente, posi&ccedil;&otilde;es com Afonso Costa. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Lei da Separa&ccedil;&atilde;o, D. Augusto Eduardo Nunes escreveu uma carta a Te&oacute;filo Braga dizendo que a referida legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deveria acontecer sem as constituintes estarem devidamente constitu&iacute;das, visto que ainda n&atilde;o tinha havido elei&ccedil;&otilde;es. Uma lei t&atilde;o fundamental para o pa&iacute;s, como a Lei da Separa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o deveria ser decretada por um Governo provis&oacute;rio. Alguns pontos mais acutilantes da nova Lei da Separa&ccedil;&atilde;o &ndash; conforme relatou mais tarde a Mons. Aloisi Masella &ndash; talvez os bispos aceitassem se fossem propostas de outro modo.<br \/>D. Augusto Eduardo Nunes teve tamb&eacute;m dois encontros pessoais com Afonso Costa sempre relativos ao problema da diocese de Beja. Esta diocese ficou sem bispo &ndash; D. Sebasti&atilde;o Leite Vasconcelos foi expulso (fugiu para Sevilha e depois para Roma) de Portugal &ndash; e era necess&aacute;rio um administrador apost&oacute;lico para Beja. Afonso Costa queria fazer a destitui&ccedil;&atilde;o do bispo de Beja como se fosse uma morte.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o admitida pela Santa S&eacute;.<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Para a Santa S&eacute;, ele seria sempre bispo de Beja. Esta foi a posi&ccedil;&atilde;o recomendada a D. Augusto Eduardo Nunes. Se algu&eacute;m fosse nomeado para Beja deveria s&ecirc;-lo pela Santa S&eacute; e ter a fun&ccedil;&atilde;o de administrador apost&oacute;lico em nome do bispo titular, mas que n&atilde;o podia estar devido &agrave; situa&ccedil;&atilde;o gerada. Esta posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era aceite pelo Ministro da Justi&ccedil;a, Afonso Costa.<\/p>\n<p><strong>Fez a ponte diplom&aacute;tica entre alguns republicanos e a posi&ccedil;&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p>AE<\/strong> &ndash; Mas D. Augusto Nunes foi nomeado administrador apost&oacute;lico de Beja?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Foi uma contenda complexa. D. Augusto teve de ser fiel &agrave; Santa S&eacute; e entender-se com Afonso Costa. O arcebispo de &Eacute;vora procurou que Afonso Costa percebesse a posi&ccedil;&atilde;o da Santa S&eacute;: que ele fosse nomeado pela Santa S&eacute; e n&atilde;o por Afonso Costa. Uma nomea&ccedil;&atilde;o sem nunca D. Sebasti&atilde;o Leite Vasconcelos deixar de ser bispo de Beja. Ser em nome de e na aus&ecirc;ncia de, provocou v&aacute;rios encontros pessoais entre D. Augusto Eduardo Nunes e o Ministro da Justi&ccedil;a. Entenderam-se e a posi&ccedil;&atilde;o foi evoluindo. Fez a ponte diplom&aacute;tica entre alguns republicanos e a posi&ccedil;&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Para al&eacute;m das suas qualidades intelectuais, o lado diplom&aacute;tico tamb&eacute;m se fez notar em D. Augusto Eduardo Nunes?<br \/><strong><img decoding=\"async\" style=\"float: right;\" src=\"..\/..\/imgs\/bo\/aloisi_masella.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/>FSC<\/strong> &ndash; Muit&iacute;ssimo. O arcebispo de &Eacute;vora era um correspondente com Mons. Aloisi Masella quase permanente. No arquivo diocesano de &Eacute;vora e no arquivo da Nunciatura Apost&oacute;lica de Lisboa (presente agora no Arquivo Secreto do Vaticano) encontr&aacute;mos uma correspond&ecirc;ncia ao ritmo do tempo que demorava a chegar cada carta. Mons. Aloisi Masella era um jovem. Neste percurso, este monsenhor necessitava de uma pessoa experiente: D. Augusto Eduardo Nunes teve uma fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica na ac&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica dele. Ningu&eacute;m imaginava que em &Eacute;vora estava um c&eacute;rebro que fazia os documentos do episcopado e fazia a ponte entre a Nunciatura, Santa S&eacute; e Governo provis&oacute;rio.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Existem documentos que provam que era D. Augusto Eduardo Nunes que escrevia as pastorais colectivas?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; H&aacute; correspond&ecirc;ncia entre ele e o cardeal. Este pedia-lhe para ele escrever em nome dos colegas. Mandava o texto para o cardeal e para Mons. Aloisi Masella. A maioria dos historiadores faz apenas a refer&ecirc;ncia que ele &eacute; o autor da primeira carta pastoral, mas ele redige tr&ecirc;s documentos: a primeira carta, o protesto e a carta de 1917.<\/p>\n<p><strong>Mons Aloisi Masella: uma profunda admira&ccedil;&atilde;o pelo arcebispo de &Eacute;vora.<\/p>\n<p>AE<\/strong> &ndash; Como nasceu esta proximidade com Mons. Aloisi Masella?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; H&aacute; um pormenor que merece ser real&ccedil;ado. Quando a monarquia percebe que estava no fim, come&ccedil;ou a tomar posi&ccedil;&otilde;es semelhantes &agrave;quelas que a Rep&uacute;blica acabou por assumir. Quando se d&aacute; a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica estava para sair uma legisla&ccedil;&atilde;o muito semelhante &agrave; que a 1&ordf; Rep&uacute;blica assumia. A monarquia fez um &laquo;golpe de rins&raquo; para tentar ganhar a ala republicana. Neste contexto, D. Augusto Eduardo Nunes manifesta-se muito magoado pela monarquia. Em 1908, para o acalmar, esta atribui-lhe uma medalha que D. Augusto Eduardo Nunes recusa. N&atilde;o veio a Lisboa receber a condecora&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os de D. Carlos. A n&iacute;vel nacional foi assumido como um protesto do arcebispo de &Eacute;vora.<br \/>Esta atitude de D. Augusto Eduardo Nunes gerou em Mons Aloisi Masella uma profunda admira&ccedil;&atilde;o pelo arcebispo de &Eacute;vora. A maioria dos bispos tinha uma postura filo-mon&aacute;rquica. O cardeal Mendes Belo foi bispo do Algarve antes de vir para Lisboa. Foi transferido para a capital pela sua postura pol&iacute;tica filo-mon&aacute;rquica. A Santa S&eacute; percebeu que o homem interiormente livre era D. Augusto Eduardo Nunes. O Papa Pio X condecorou-o pela sua colabora&ccedil;&atilde;o com a Santa S&eacute;.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A sua forma&ccedil;&atilde;o inicial foi nos Jesu&iacute;tas. Existindo um &laquo;&oacute;dio de estima&ccedil;&atilde;o&raquo; dos republicanos aos elementos da Companhia de Jesus, D. Augusto Eduardo Nunes n&atilde;o sofreu com esta proximidade?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; O fen&oacute;meno do anti-jesuitismo em Portugal n&atilde;o est&aacute; relacionado com os Jesu&iacute;tas. O termo &laquo;jesuitismo&raquo; era uma forma pejorativa que equivalia a dizer que algu&eacute;m era fiel aos princ&iacute;pios e ensinamentos da Igreja Cat&oacute;lica. Chamava-se &laquo;jesu&iacute;ta&raquo; a uma pessoa que se confessasse normalmente ou que fosse catequista. Era uma forma de agredir um crist&atilde;o empenhado. D. Augusto Eduardo Nunes &eacute; alcunhado de membro do &laquo;jesuitismo&raquo;. Quando fez um centro catequ&eacute;tico na Igreja dos L&oacute;ios, gerou-se um movimento, na d&eacute;cada de 80 e 90 do s&eacute;culo XIX, contra ele. Queriam fechar o centro porque o arcebispo de &Eacute;vora era um &laquo;jesuitista&raquo;. No entanto, n&atilde;o havia nenhum jesu&iacute;ta envolvido no centro catequ&eacute;tico, nem existiam jesu&iacute;tas em &Eacute;vora. Surgiu mesmo um panfleto com v&aacute;rias p&aacute;ginas contra D. Augusto Eduardo Nunes.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Isto denota que teve problemas na sua diocese?<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Enquanto arcebispo de &Eacute;vora, D. Augusto Eduardo Nunes tem p&aacute;ginas de muito sofrimento. Chegou &agrave; diocese numa situa&ccedil;&atilde;o de vac&acirc;ncia muito prolongada. O arcebispo de &Eacute;vora &#8211; D. Jos&eacute; Ant&oacute;nio Pereira Bilhano &ndash; era um homem idoso que vivia em &Iacute;lhavo (na actual diocese de Aveiro). N&atilde;o tinha sa&uacute;de para estar em &Eacute;vora. A sua nomea&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi pol&eacute;mica porque ousou presidir &agrave;s ex&eacute;quias do gr&atilde;o-mestre da ma&ccedil;onaria portuguesa. Perante esta situa&ccedil;&atilde;o, a Santa S&eacute; duvidou de D. Jos&eacute; Ant&oacute;nio Pereira Bilhano.<br \/>Quando D. Augusto Eduardo Nunes entrou em &Eacute;vora encontra-a num estado pastoral lastimoso. Como pastor, a ac&ccedil;&atilde;o dele confrontou-se com as for&ccedil;as liberais e anti-jesu&iacute;ticas. Quis impor &agrave; diocese determinada din&acirc;mica, sobretudo na linha da catequese. A sua primeira carta pastoral &eacute; sobre a catequese e da necessidade dos p&aacute;rocos ensinarem a catequese. Na altura, o ensino da catequese era muito prec&aacute;rio.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Esta desertifica&ccedil;&atilde;o catequ&eacute;tica teve consequ&ecirc;ncias nefastas nas voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais.<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; At&eacute; 1880, o Semin&aacute;rio de &Eacute;vora foi abastecido por voca&ccedil;&otilde;es alentejanas. Este semin&aacute;rio come&ccedil;ou a receber as primeiras voca&ccedil;&otilde;es do Norte do pa&iacute;s e tamb&eacute;m das Beiras, na d&eacute;cada de 80 do s&eacute;culo XIX. At&eacute; esta data, Redondo, Campo Maior, Elvas, Estremoz e Vila Vi&ccedil;osa forneciam vocacionalmente o Semin&aacute;rio de &Eacute;vora.<br \/>Com a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, os semin&aacute;rios foram encerrados. Destes, apenas o Semin&aacute;rio de Braga, Porto, Coimbra, Lisboa e &Eacute;vora se mantiveram abertos apesar de pagar uma renda ao Estado. O Semin&aacute;rio de &Eacute;vora estava aberto, mas com um ex&iacute;guo n&uacute;mero de alunos. No ano da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica (1910), os cinco candidatos &agrave; ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal foram-se embora. Em 1917, o Semin&aacute;rio passou a ser um quartel.<br \/>S&oacute; com a chegada (1920) de D. Manuel Mendes da Concei&ccedil;&atilde;o, a diocese come&ccedil;ou a recuperar a sua din&acirc;mica pastoral.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A primeira d&eacute;cada da Rep&uacute;blica foi extremamente dif&iacute;cil nesta &aacute;rea do Alentejo.<br \/><strong>FSC<\/strong> &ndash; Em 1910 existiam 111 padres na diocese e dez anos depois s&oacute; existiam cerca de 30. A viv&ecirc;ncia destes dez anos foi muito espec&iacute;fica. De 1910-12, a pastoral diocesana sofreu imenso. Os sacerdotes deixaram de receber do Estado e passaram a viver da caridade p&uacute;blica.<br \/>De 1912-14, D. Augusto Eduardo Nunes foi desterrado para Elvas. Desta localidade fazia o governo &ndash; atrav&eacute;s de correspond&ecirc;ncia &ndash; de &Eacute;vora e de Beja. Quando voltou a &Eacute;vora, em 1914, come&ccedil;a a odisseia para reabrir o Semin&aacute;rio.<br \/>Em 1917, na defesa feita a D. Ant&oacute;nio Barroso e ao Cardeal Patriarca Mendes Belo, D. Augusto Eduardo Nunes sofre a segunda expuls&atilde;o. &Eacute; expulso, conjuntamente com D. Manuel Vieira de Matos (arcebispo de Braga), de Portugal. Quando de d&aacute; o golpe de Sid&oacute;nio Pais &eacute; revogada essa situa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o necessita de sair de &Eacute;vora.<\/p>\n<p><strong>Registo biogr&aacute;fico<br \/><\/strong>O Pe. Francisco Senra Coelho nasceu na cidade de Louren&ccedil;o Marques, a 12 de Mar&ccedil;o de 1961. De uma fam&iacute;lia origin&aacute;ria de Barcelos, foi ordenado padre a 29 de Junho de 1986, por D. Maur&iacute;lio de Gouveia.<br \/>Esteve dois anos como coadjutor da cidade de &Eacute;vora onde desempenho tamb&eacute;m as fun&ccedil;&otilde;es de redactor da R&aacute;dio Renascen&ccedil;a &#8211; Voz do Alentejo. Estudou Teologia, Filosofia e Hist&oacute;ria da Igreja em Roma.<br \/>Regressado a &Eacute;vora, o Pe. Senra Coelho assumiu a doc&ecirc;ncia das cadeiras de hist&oacute;ria da Igreja. Conclui o doutoramento em Hist&oacute;ria, nos Estados Unidos, sobre D. Augusto Eduardo Nunes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1910, deu in\u00edcio a um tempo de grandes dificuldades para a Igreja Cat\u00f3lica no Alentejo, na qual se destacou D. Augusto Eduardo Nunes, Arcebispo de \u00c9vora.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[122,127,170,171,172,174,175,185,187],"class_list":["post-46239","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-brasil","tag-catequese","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-evora","tag-diocese-do-algarve","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46239\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}