{"id":46199,"date":"2010-07-06T11:28:57","date_gmt":"2010-07-06T11:28:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/07\/06\/guine-bissau-diversidade-cultural\/"},"modified":"2010-07-06T11:28:57","modified_gmt":"2010-07-06T11:28:57","slug":"guine-bissau-diversidade-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/guine-bissau-diversidade-cultural\/","title":{"rendered":"Guin\u00e9-Bissau: diversidade cultural"},"content":{"rendered":"<p>A Guin&eacute;-Bissau &eacute; um pequeno pa&iacute;s, do tamanho do Alentejo, situado entre os pa&iacute;ses franc&oacute;fonos da &Aacute;frica Ocidental. Apesar de apenas ter cerca de 5% de cat&oacute;licos (sendo a religi&atilde;o tradicional africana a mais praticada &ndash; 50% &ndash; seguida da mu&ccedil;ulmana &ndash; 45%) a Guin&eacute;-Bissau &eacute; constitu&iacute;da por duas dioceses: a de Bissau e a de Bafat&aacute;. Foi nesta &uacute;ltima, que abrange as zonas leste e sul do pa&iacute;s, que passei cerca de dois anos da minha vida, numa diversidade cultural muito singular, onde interagem v&aacute;rias etnias, que s&atilde;o essencialmente marcadas por uma cultura e religi&atilde;o diferentes.<\/p>\n<p>A minha resid&ecirc;ncia era a leste, na cidade de Bafat&aacute;, a 120 km da capital Bissau. A minha casa estava excelentemente localizada no planalto com vista para o rio Geba, dentro da c&uacute;ria de Bafat&aacute;. O meu trabalho na FEC (1), com quem trabalhei tr&ecirc;s anos, era com as escolas ligadas &agrave; Diocese de Bafat&aacute; e por isso deslocava-me frequentemente no leste e a sul.<\/p>\n<p>O leste, que faz fronteira com o Senegal e a Guin&eacute;-Conacri, vive do com&eacute;rcio, para al&eacute;m da agricultura, que &eacute; a principal actividade do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A caminho do sul o isolamento aumenta, as estradas tornam-se cada vez mais dif&iacute;ceis, tornando longos os pequenos trajectos. S&atilde;o zonas isoladas e de rara beleza, para quem vai de visita, mas um pouco duras para quem tem que l&aacute; viver o seu dia-a-dia.<\/p>\n<p>Existem miss&otilde;es que se encontram em s&iacute;tios que est&atilde;o de tal forma isolados que nem os transportes p&uacute;blicos transitam, algumas delas em plena floresta de Cantanhez. O mesmo se passa em Bolama, a ilha que foi capital da Guin&eacute;-Bissau, candidata a patrim&oacute;nio da humanidade, onde ainda se reconhece o estilo arquitect&oacute;nico portugu&ecirc;s do tempo colonial.<\/p>\n<p>Nestas regi&otilde;es, o acesso a uma educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de b&aacute;sicas &eacute; muito prec&aacute;rio e assim a Igreja Cat&oacute;lica tem um papel importante nestas &aacute;reas. Quase metade da popula&ccedil;&atilde;o guineense &eacute; analfabeta e este n&uacute;mero aumenta substancialmente se tivermos em conta apenas as mulheres e as regi&otilde;es mais isoladas.<\/p>\n<p>Este pa&iacute;s est&aacute; entre os dez mais pobres do mundo (2). Toda a gente ouve falar na instabilidade pol&iacute;tica de que este pa&iacute;s tem sido alvo. A maioria da popula&ccedil;&atilde;o guineense n&atilde;o tem acesso a electricidade, &aacute;gua pot&aacute;vel, esgotos e n&atilde;o tem sistema de recolha de lixo.<\/p>\n<p>Como &eacute; viver num pa&iacute;s assim? Acho que s&oacute; quem experimenta &eacute; que consegue verdadeiramente perceber o prazer dos sorrisos imensos e genu&iacute;nos das crian&ccedil;as, da for&ccedil;a do trabalho das mulheres, sempre de cabe&ccedil;a erguida, das paisagens imensas de cortar a respira&ccedil;&atilde;o, dos cheiros e dos sabores que, como diz o prov&eacute;rbio: &ldquo;Primeiro estranham-se e depois entranham-se!&rdquo;.<\/p>\n<p>Nunca vou esquecer os fins de tarde passados na ponte sobre o rio Geba, as noites de lua cheia reflectida na &aacute;gua, quanto tudo &agrave; volta era escurid&atilde;o, o som dos batuques que marcam o ritmo dos corpos e da vida, as longas conversas com o bispo de Bafat&aacute;, D. Pedro Zilli, sempre acompanhados com as suas hist&oacute;rias s&aacute;bias&hellip;<\/p>\n<p>O que aprendi? Tanta coisa, mas uma marcou-me especialmente: nunca perdermos as nossas refer&ecirc;ncias. Termino com um dos meus prov&eacute;rbios africanos favoritos (cantado pelo grande cantor guineense Jos&eacute; Carlos Schwartz): <em>&ldquo;Po tudu tarda ki tarda na iagu i ka ta bida lagartu&rdquo;<\/em> (o tronco, por mais tempo que fique na &aacute;gua nunca ser&aacute; crocodilo).<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Sara Po&ccedil;as<\/em><\/p>\n<p><em>NOTAS:<\/em><\/p>\n<p><em>1 &#8211; Funda&ccedil;&atilde;o Evangeliza&ccedil;&atilde;o e Culturas<\/em><\/p>\n<p><em>2- Dados do &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano, do Relat&oacute;rio de Desenvolvimento Humano 2009 do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Guin&eacute;-Bissau &eacute; um pequeno pa&iacute;s, do tamanho do Alentejo, situado entre os pa&iacute;ses franc&oacute;fonos da &Aacute;frica Ocidental. 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