{"id":46099,"date":"2010-06-30T11:43:46","date_gmt":"2010-06-30T11:43:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/30\/que-pastoral-em-tempo-de-verao\/"},"modified":"2010-06-30T11:43:46","modified_gmt":"2010-06-30T11:43:46","slug":"que-pastoral-em-tempo-de-verao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/que-pastoral-em-tempo-de-verao\/","title":{"rendered":"Que pastoral em tempo de Ver\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Se o Ver&atilde;o sugere um certo abrandamento da ac&ccedil;&atilde;o pastoral da Igreja, considerada sob ponto de vista do ritmo da normalidade do quotidiano, como uma esp&eacute;cie de interregno &agrave; espera de um novo ciclo, isso n&atilde;o dever&aacute; significar aus&ecirc;ncia de projecto na programa&ccedil;&atilde;o anual das comunidades crist&atilde;s.<\/p>\n<p>Entendamo-lo, outrossim, como um tempo de especial aten&ccedil;&atilde;o, a solicitar, por isso mesmo, uma particular resposta pastoral.<\/p>\n<p>A Igreja, consciente da sua miss&atilde;o de &ldquo;sal&rdquo; e &ldquo;luz&rdquo; do mundo, portadora de um des&iacute;gnio de salva&ccedil;&atilde;o universal, cedo se foi dando conta das sementes de revela&ccedil;&atilde;o subsistentes nas culturas dos povos e, por isso, ainda que nem sempre com a melhor resposta, foi-se-lhe&nbsp; impondo a pedagogia do di&aacute;logo como via privilegiada na sua ac&ccedil;&atilde;o evangelizadora.<\/p>\n<p>Foi assim, por exemplo, que m&uacute;ltiplas tradi&ccedil;&otilde;es culturais de natureza c&oacute;smica e outras, foram aproveitadas para potencializar o an&uacute;ncio do mist&eacute;rio crist&atilde;o. Basta-nos lembrar o 25 de Dezembro que, para os crist&atilde;os, deixa de ser a festa do nascimento do sol para ser assumido como o dia do nascimento de Cristo, <em>sol invicto<\/em>. Tamb&eacute;m a P&aacute;scoa oferece o seu contexto agr&iacute;cola e pastoril do ciclo da Primavera para se impor como mem&oacute;ria da vida nova, presente no acontecimento do &ecirc;xodo libertador do povo de Deus e, consequentemente, na passagem de Jesus Cristo deste mundo para o Pai, pela morte, sepultura e ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Este di&aacute;logo continua-se, e, no nosso hoje, em que a sociedade industrial, urbana e t&eacute;cnica, tem vindo a provocar altera&ccedil;&otilde;es profundas nos comportamentos e estilo de vida do homem contempor&acirc;neo, n&atilde;o esteve ausente na reflex&atilde;o da Igreja na sua procura de discernimento dos sinais dos tempos. A estas mudan&ccedil;as, de facto, alude, com lucidez, a constitui&ccedil;&atilde;o <em>Gaudium et Spes<\/em>, nestes termos: &ldquo;<em>As condi&ccedil;&otilde;es de vida do homem moderno sofreram t&atilde;o profunda transforma&ccedil;&atilde;o no campo social e cultural, que &eacute; l&iacute;cito falar de uma nova era da hist&oacute;ria humana. Novos caminhos se abrem assim ao progresso e difus&atilde;o da cultura, conferindo-lhe uma nova express&atilde;o (&hellip;) As maneiras de viver e os costumes tornaram-se cada vez mais uniformes; a industrializa&ccedil;&atilde;o, a urbaniza&ccedil;&atilde;o e outras causas que favorecem a vida comunit&aacute;ria, criam novas formas de cultura (cultura de massas), de que resultam novas maneiras de sentir e de agir e de utilizar o tempo livre<\/em>&rdquo; (GS. 54).<\/p>\n<p>O fen&oacute;meno da mobilidade humana est&aacute; cada vez mais presente na vida de todos n&oacute;s, sem d&uacute;vida como uma das consequ&ecirc;ncias da globaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A mobilidade, enquanto pausa oportuna e confortante para a pessoa se encontrar consigo pr&oacute;pria, com os outros, com a beleza, com novas realidades e culturas, &eacute; sempre possibilidade de enriquecimento, promo&ccedil;&atilde;o e eleva&ccedil;&atilde;o. Torna-se, assim, uma v&aacute;lida <em>cultura do &oacute;cio<\/em> que, para os crist&atilde;os, se traduz tamb&eacute;m em tempo de encontro com Deus, tempo de enriquecimento libertador, tempo de comunh&atilde;o e fraternidade, tempo de testemunho e partilha da f&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Educar para esta dimens&atilde;o de mais alargado entendimento e viv&ecirc;ncia do tempo livre, faz parte da ac&ccedil;&atilde;o evangelizadora da Igreja e, por isso, deveria merecer um particular tratamento pastoral, nomeadamente a preparar o ver&atilde;o, enquanto &eacute;poca de mais intensa mobilidade.<\/p>\n<p>Seria, assim, recomend&aacute;vel:<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que as par&oacute;quias oferecessem aos seus paroquianos com projectados programas de f&eacute;rias, oportunas informa&ccedil;&otilde;es acerca dos destinos por eles escolhidos, sobretudo&nbsp; contactos com as comunidades crist&atilde;s locais e at&eacute; mesmo alguma indica&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel de servi&ccedil;os e alojamentos, bem como propostas de v&aacute;lida ocupa&ccedil;&atilde;o de tempos livres;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que, por sua vez, as par&oacute;quias destinat&aacute;rias dos itiner&aacute;rios escolhidos, oferecessem um bom programa de servi&ccedil;o de acolhimento, informando e orientando quem as procura, atrav&eacute;s de um atraente desdobr&aacute;vel e tamb&eacute;m no respectivo <em>site<\/em>, com uma mensagem de sauda&ccedil;&atilde;o, a publicita&ccedil;&atilde;o dos hor&aacute;rios das Eucaristias e de outros actos celebrativos e eventos v&aacute;rios;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que se possibilitassem, igualmente, em v&aacute;rias l&iacute;nguas, informa&ccedil;&otilde;es actualizadas em locais p&uacute;blicos, nomeadamente nos aeroportos, postos de turismo, hot&eacute;is, parques de campismo, residenciais, agendas culturais dos munic&iacute;pios e, naturalmente, no exterior dos templos, saudando quem chega e fornecendo oportunos esclarecimentos e contactos;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que se proporcionasse, atrav&eacute;s de equipas de leigos, particularmente os jovens, um hor&aacute;rio mais dilatado de abertura de igrejas e santu&aacute;rios e um conveniente acolhimento nas celebra&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que nas par&oacute;quias de grande aflu&ecirc;ncia de turismo estrangeiro, se previsse ao domingo uma Eucaristia designada por <em>Missa internacional<\/em> ou, pelo menos, a exist&ecirc;ncia de textos com as leituras e ora&ccedil;&otilde;es em ingl&ecirc;s;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que o servi&ccedil;o diocesano da Pastoral do Turismo, al&eacute;m de uma actualizada informa&ccedil;&atilde;o no <em>site<\/em> da Diocese, diligenciasse, em di&aacute;logo com as par&oacute;quias de maior afluxo tur&iacute;stico, a promo&ccedil;&atilde;o de encontros inter-comunidades, devidamente anunciados, com conv&iacute;vio, anima&ccedil;&atilde;o e partilha;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que nas festas populares fosse tida em conta a presen&ccedil;a de visitantes, de modo a envolv&ecirc;-los na respectiva programa&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que ao longo do tempo de veraneio se organizassem circuitos e visitas guiadas a Igrejas e Santu&aacute;rios, bem como a outros locais e monumentos de particular interesse na zona;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que se desse a conhecer, atrav&eacute;s de uma exposi&ccedil;&atilde;o &ndash; amostragem, a fisionomia e vida da comunidade local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto, n&atilde;o se pode tamb&eacute;m ignorar que h&aacute; uma mobilidade interna em que &eacute; not&oacute;rio o &ecirc;xodo daquelas comunidades que, a partir do interior, se deslocam para o litoral e para outros centros de maior afluxo tur&iacute;stico, criando um certo vazio, n&atilde;o s&oacute; quantitativo como qualitativo, nas respectivas par&oacute;quias.<\/p>\n<p>Ainda que, temporariamente, h&aacute; que adequar a vida destas comunidades a essa situa&ccedil;&atilde;o e, na medida em que, por sua vez, as par&oacute;quias das zonas destinat&aacute;rias conhecem a necessidade de maior resposta celebrativa, n&atilde;o seria despropositado pensar algum apoio de sacerdotes das par&oacute;quias mais vacantes &agrave;quelas como manifesta necessidade dessa inter-ajuda pastoral. Assim se possibilitaria tamb&eacute;m a esses sacerdotes a oportunidade de algum descanso, no &acirc;mbito de uma fraterna comunh&atilde;o presbiteral, que este Ano Sacerdotal veio relevar, e o Santo Padre, ainda recentemente, n&atilde;o sua mensagem aos consagrados, em F&aacute;tima, no dia 12 de Maio, relembrou, quando disse: &ldquo;<em>Como &eacute; maravilhoso quando vos acolheis uns aos outros&hellip;&rdquo;<\/em>. Tamb&eacute;m aqui se imp&otilde;e que, a seu tempo, a n&iacute;vel das estruturas vicariais e diocesanas, seja tida em conta e devidamente reflectida e programada esta necessidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, h&aacute; tamb&eacute;m pessoa que nas nossas comunidades n&atilde;o t&ecirc;m grande hip&oacute;tese de desfrutar, por elas pr&oacute;prias, de um merecido repouso ou, pelo menos, da agrad&aacute;vel viv&ecirc;ncia de alguns momentos l&uacute;dicos fora do seu habitual enquadramento. Bom seria que estas situa&ccedil;&otilde;es merecessem, igualmente, a aten&ccedil;&atilde;o pastoral que lhes &eacute; devida, na programa&ccedil;&atilde;o anual das respectivas comunidades, providenciando-se as necess&aacute;rias dilig&ecirc;ncias e meios.<\/p>\n<p>Enfim, a chamada <em>Pastoral de Turismo, <\/em>no quadro da <em>Pastoral da Mobilidade, <\/em>&eacute; ampla e tem sempre como destinat&aacute;ria a pessoa e a sua promo&ccedil;&atilde;o integral. Por isso deve sempre partir da convic&ccedil;&atilde;o de que o outro &eacute; algu&eacute;m que Deus ama e a quem quer fazer participante da felicidade dos seus dons. Quando nos visita &eacute; um <em>dom desconhecido<\/em> e, n&atilde;o obstante, esperado. Mas esta feliz converg&ecirc;ncia de ser um desconhecido, simultaneamente esperado, e n&atilde;o exclusivamente por factores econ&oacute;micos, converte-se, a n&iacute;vel eclesial, numa excelente oportunidade para abrir o cora&ccedil;&atilde;o, a mente, o esp&iacute;rito e tamb&eacute;m para nos prepararmos em atitude de hospitalidade b&iacute;blica (cf. Sl 15, 1; Gn 18, 1ss; Mt 25, 25; Rom 12, 13), para o acolher como ele &eacute;: um filho de Deus, ainda que, por vezes, nem ele pr&oacute;prio tenha consci&ecirc;ncia plena desta dignidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que a nossa condi&ccedil;&atilde;o de <em>peregrinos<\/em> encontre tamb&eacute;m nesta pastoral da mobilidade, particularmente atrav&eacute;s da valoriza&ccedil;&atilde;o de um merecido repouso e saud&aacute;vel tempo livre, a alegria de nos sentirmos em P&aacute;scoa permanente, a usufruir do <em>man&aacute;<\/em> com que o Senhor de muitas maneiras nos quer alimentar, sobretudo com os dons da beleza, da paz, da reconfortante espiritualidade e do fraterno acolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>C&oacute;n. Jos&eacute; Pedro de Jesus Martins, Vig&aacute;rio Episcopal da Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o Ver&atilde;o sugere um certo abrandamento da ac&ccedil;&atilde;o pastoral da Igreja, considerada sob ponto de vista do ritmo da normalidade do quotidiano, como uma esp&eacute;cie de interregno &agrave; espera de um novo ciclo, isso n&atilde;o dever&aacute; significar aus&ecirc;ncia de projecto na programa&ccedil;&atilde;o anual das comunidades crist&atilde;s. 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