{"id":46066,"date":"2010-06-28T13:36:04","date_gmt":"2010-06-28T13:36:04","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/28\/homilia-de-d-antonio-vitalino-na-xii-peregrinacao-da-diocese-de-beja-a-fatima\/"},"modified":"2010-06-28T13:36:04","modified_gmt":"2010-06-28T13:36:04","slug":"homilia-de-d-antonio-vitalino-na-xii-peregrinacao-da-diocese-de-beja-a-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-vitalino-na-xii-peregrinacao-da-diocese-de-beja-a-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Vitalino na XII Peregrina\u00e7\u00e3o da Diocese de Beja a F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\"><em>Com Maria, redescobrir o Evangelho da Esperan&ccedil;a<\/em><\/p>\n<p>Estimados peregrinos de Nossa Sr.&ordf; de F&aacute;tima,<\/p>\n<p>1. Deix&aacute;mos as nossas terras, vindos de v&aacute;rios lados, hoje tamb&eacute;m em grande n&uacute;mero do Baixo Alentejo, integrados na peregrina&ccedil;&atilde;o diocesana de Beja, mas aqui, neste recinto sagrado, formamos uma s&oacute; assembleia dos filhos de Deus, tendo no cora&ccedil;&atilde;o um amor filial a Nossa Senhora, a M&atilde;e de Jesus e nossa M&atilde;e, que neste lugar sagrado apareceu a tr&ecirc;s crian&ccedil;as, de 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917. Desde ent&atilde;o milh&otilde;es de pessoas de todo o mundo passaram por este santu&aacute;rio e s&oacute; Deus sabe das mudan&ccedil;as verificadas nas suas vidas! Mas uma coisa &eacute; certa: a mensagem do c&eacute;u aqui recebida pelas tr&ecirc;s crian&ccedil;as e que elas, na sua simplicidade souberam transmitir, operou grandes transforma&ccedil;&otilde;es no mundo. E, como disse o Santo Padre Bento XVI na sua recente visita apost&oacute;lica a Portugal, que teve o ponto alto na peregrina&ccedil;&atilde;o a F&aacute;tima de 12 e 13 de Maio, esta mensagem continua a irradiar na vida da Igreja. Por isso aqui viemos agradecer a Nossa Senhora, com a certeza de que nunca se ouviu dizer que algu&eacute;m que a ela tivesse recorrido deixasse de ser atendido. Abramos os nossos ouvidos, para escutarmos de novo a mensagem e desbloqueemos o nosso cora&ccedil;&atilde;o e os nossos l&aacute;bios, para formularmos as nossas preces. Aproveitemos esta oportunidade de gra&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Estamos a celebrar a Eucaristia do 13.&ordm; domingo do tempo comum. J&aacute; foram proclamadas as leituras da Sagrada Escritura, do nosso livro sagrado, patrim&oacute;nio precioso do Povo de Deus e desconhecido da parte de muitos cat&oacute;licos. Precisamos de nos abeirar ami&uacute;de da Palavra de Deus, pois s&oacute; Ele tem palavras de vida eterna. No meio do palavreado subjectivo e demag&oacute;gico, sem compromisso de quem fala, ouvimos Deus a falar-nos por meio dos profetas e na plenitude dos tempos por Jesus Cristo, que nos afirmam e testemunham o amor, a alian&ccedil;a e a fidelidade de Deus para com o seu povo, sempre sim ao seu amor at&eacute; ao dom total da vida. &Eacute; esta certeza que celebramos sempre que nos reunimos, para escutar a sua Palavra e celebrar a mem&oacute;ria da sua &uacute;ltima Ceia e do sacrif&iacute;cio da sua morte na Eucaristia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Na leitura da Carta de S. Paulo aos G&aacute;latas foi-nos dito: <em>Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou&hellip; V&oacute;s, irm&atilde;os, fostes chamados &agrave; liberdade.Contudo, n&atilde;o abuseis da liberdade como pretexto para viverdes segundo a carne; mas, pela caridade, colocai-vos ao servi&ccedil;o uns dos outros, porque toda a Lei se resume nesta palavra: &laquo;Amar&aacute;s o teu pr&oacute;ximo como a ti mesmo&raquo;.<\/em><\/p>\n<p>Repetindo aqui estas palavras t&atilde;o interpelativas do ap&oacute;stolo S. Paulo, interroguemo-nos sobre o nosso modo de compreender e viver a liberdade, uma caracter&iacute;stica fundamental da nossa dignidade. Somos livres de qu&ecirc; e para qu&ecirc;? S. Paulo diz-nos que o sentido da liberdade &eacute; o amor. S&oacute; quem ama &eacute; verdadeiramente livre. Quem vive a sua liberdade num sentido ego&iacute;sta, para fazer o que lhe apetece e agrada, acaba por tornar-se escravo de si mesmo e cai no vazio da solid&atilde;o, do sem sentido, da autodestrui&ccedil;&atilde;o. Porque fomos feitos para amar e s&oacute; o amor conseguimos a perfei&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>No Evangelho de hoje vemos essa afirma&ccedil;&atilde;o da liberdade na vida de Jesus e dos seus disc&iacute;pulos. Liberdade que exige ren&uacute;ncia a si mesmo, desprendimento das amarras do ter, do poder e do prest&iacute;gio, para ouvir o chamamento de Jesus e segui-l&rsquo;O at&eacute; Jerusal&eacute;m, no caminho do dom da vida e no respeito pela liberdade dos outros, mesmo daqueles que n&atilde;o est&atilde;o de acordo connosco, n&atilde;o nos acolhem e at&eacute; nos rejeitam. Por isso Jesus repreende os seus ap&oacute;stolos, que pedem um castigo contra os samaritanos pouco hospitaleiros. Ele quer seguidores livres, &agrave; semelhan&ccedil;a de Eliseu, que escutou o chamamento do profeta Elias. A sua mensagem &eacute; uma proposta de liberdade, e n&atilde;o uma imposi&ccedil;&atilde;o. Isto mesmo repetiu o Santo Padre Bento XVI na sua homilia no Porto: <em>Nada impomos, mas sempre propomos, como Pedro nos recomenda numa das suas cartas: &laquo;Venerai Cristo Senhor em vossos cora&ccedil;&otilde;es, prontos sempre a responder a quem quer que seja sobre a raz&atilde;o da esperan&ccedil;a que h&aacute; em v&oacute;s&raquo; (1 Ped 3, 15). E todos afinal no-la pedem, mesmo quem pare&ccedil;a que n&atilde;o. Por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria e comum, bem sabemos que &eacute; por Jesus que todos esperam. De facto, as expectativas mais profundas do mundo e as grandes certezas do Evangelho cruzam-se na irrecus&aacute;vel miss&atilde;o que nos compete, pois &laquo;sem Deus, o ser humano n&atilde;o sabe para onde ir e n&atilde;o consegue sequer compreender quem seja.<\/em><em><\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>4. Sim, car&iacute;ssimos peregrinos de F&aacute;tima, &eacute; cada um de n&oacute;s que precisa de escutar a Palavra e o chamamento de Deus, converter-se dos caminhos afastados de Jesus e do amor. Foi este testemunho que nos deram os pastorinhos de F&aacute;tima, depois de terem escutado a branca Senhora: rezai pela convers&atilde;o dos pecadores, para que se convertam e deixem de ofender Jesus, oferecei sacrif&iacute;cios e a ora&ccedil;&atilde;o do ros&aacute;rio pela paz no mundo e pelo Santo Padre. Estes pedidos da Senhora foram levados a s&eacute;rio pelas inocentes crian&ccedil;as. Deixaram de viver para as suas brincadeiras e divers&otilde;es e n&atilde;o se cansavam de partilhar com amor e alegria a sua ora&ccedil;&atilde;o, os seus sacrif&iacute;cios volunt&aacute;rios e at&eacute; mesmo as suas pobres merendas. Vem muito a prop&oacute;sito dos tempos em que vivemos o lema escolhido pelo Santu&aacute;rio: <em>partilhar com alegria como a Jacinta.<\/em> Sim, precisamos de nos converter &agrave; partilha; &agrave; solidariedade por amor ao pr&oacute;ximo, deixar a gan&acirc;ncia e a cobi&ccedil;a do alheio e denunciar, mais pelo testemunho que por palavras, quem vive na corrup&ccedil;&atilde;o e no esbanjamento, esquecendo o bem comum e a verdade da doutrina social da Igreja de que somos administradores dos bens e n&atilde;o senhores absolutos.<\/p>\n<p>Sem ficarmos &agrave; espera de que os outros cumpram estas verdades fundamentais, d&ecirc;mos n&oacute;s o exemplo, mesmo que simples e humilde, como o fizeram os pastorinhos de F&aacute;tima, conscientes de que a sabedoria de Deus se manifesta nas crian&ccedil;as, para confus&atilde;o dos soberbos e avarentos. N&atilde;o tenhamos medo nem fiquemos tristes, mas com alegria, como a Jacinta, partilhemos e sejamos solid&aacute;rios. Acima de tudo sejamos livres para amar, sobretudo aqueles que o mundo rejeita e humilha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Queridos peregrinos, do Alentejo e de outras partes, confiantes no Esp&iacute;rito de Deus, no seu amor infinito, mais forte que o nosso pecado, para que vivamos segundo o esp&iacute;rito e n&atilde;o de acordo com os instintos carnais do ego&iacute;smo. Aqui estamos a implorar, por intercess&atilde;o de Maria, para que esse esp&iacute;rito de amor e de piedade penetre nas nossas fam&iacute;lias, no cora&ccedil;&atilde;o dos pais e dos filhos, dos av&oacute;s e dos netos, dos vizinhos e dos governantes, para que ningu&eacute;m se sinta s&oacute; ou rejeitado, abandonado no desemprego e na falta de sentido para a sua exist&ecirc;ncia, mas experimentemos j&aacute; na terra a realidade daquilo que somos chamados a levar &agrave; plena realiza&ccedil;&atilde;o: mendigos do amor, peregrinos de Deus, cujo amor se derrama no cora&ccedil;&atilde;o dos seus filhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Senhora de F&aacute;tima, eis aqui os teus filhos, vindos do Alentejo e de muitas outras partes do mundo. A V&oacute;s, a Virgem do Ros&aacute;rio de F&aacute;tima, de cujo santu&aacute;rio hoje somos peregrinos, confio os irm&atilde;os doentes e aflitos, as v&iacute;timas da crise econ&oacute;mica e ecol&oacute;gica, os desempregados, pois V&oacute;s s&oacute;is verdadeiramente M&atilde;e de miseric&oacute;rdia e esperan&ccedil;a nossa. Rogai por n&oacute;s, Santa M&atilde;e de Deus, para que sejamos dignos de alcan&ccedil;ar as promessas de Cristo. Amen!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Vitalino, Bispo de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com Maria, redescobrir o Evangelho da Esperan&ccedil;a Estimados peregrinos de Nossa Sr.&ordf; de F&aacute;tima, 1. 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