{"id":46055,"date":"2010-06-28T11:30:38","date_gmt":"2010-06-28T11:30:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/28\/discurso-de-d-manuel-clemente-na-entrega-do-premio-padre-manuel-antunes-2010\/"},"modified":"2010-06-28T11:30:38","modified_gmt":"2010-06-28T11:30:38","slug":"discurso-de-d-manuel-clemente-na-entrega-do-premio-padre-manuel-antunes-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-d-manuel-clemente-na-entrega-do-premio-padre-manuel-antunes-2010\/","title":{"rendered":"Discurso de D Manuel Clemente na Entrega do Pr\u00e9mio Padre Manuel Antunes 2010"},"content":{"rendered":"<p>1. As raz&otilde;es essenciais para a atribui&ccedil;&atilde;o do Pr&eacute;mio Padre Manuel Antunes 2010 &agrave; Diocese de Beja j&aacute; s&atilde;o conhecidas e figuram na acta do respectivo j&uacute;ri. No entanto &#8211;&nbsp; e exactamente por serem essenciais &ndash; permitem-me algum sublinhado neste momento:<\/p>\n<p>Quando esteve entre n&oacute;s, no passado Maio, o Santo Padre dirigiu-se expressamente ao mundo da cultura, dizendo o seguinte, entre o muito mais a reter: &ldquo;Para uma sociedade composta na sua maioria por cat&oacute;licos e cuja cultura foi profundamente marcada pelo Cristianismo, &eacute; dram&aacute;tico tentar encontrar a verdade sem ser em Jesus Cristo. [&hellip;] A conviv&ecirc;ncia da Igreja, na sua ades&atilde;o firme ao car&aacute;cter perene da verdade, com o respeito por outras &lsquo;verdades&rsquo; ou com a verdade dos outros &eacute; uma aprendizagem que a pr&oacute;pria Igreja est&aacute; a fazer. Nesse respeito dialogante, podem abrir-se novas portas para a comunica&ccedil;&atilde;o da verdade&rdquo;.<\/p>\n<p>Fixemo-nos neste ponto: Numa sociedade como a nossa, t&atilde;o crist&atilde;mente (de)marcada, &ldquo;&eacute; dram&aacute;tico tentar encontrar a verdade sem ser em Jesus Cristo&rdquo;.<\/p>\n<p>Assim o sentimos, de facto, como outros o podem ressentir. Ainda h&aacute; pouco faleceu um importante vulto das letras portuguesas, para quem uma certa ideia de Cristo foi problem&aacute;tica e quase lancinante. Mas assim aconteceu antes com v&aacute;rios outros e certamente continuar&aacute; a acontecer.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; s&oacute; por conservar no seu escudo as cinco quinas interpretadas como cinco chagas, ou por se ter encontrado fora de si nas velas da cruz de Cristo, que Portugal tem nesse motivo a sua cultura mais argamassada e profunda, pronta a vir surpreendentemente ao de cima, como na &uacute;ltima visita papal. Nem &eacute; preciso ser muito perspicaz para deparar com alus&otilde;es crist&atilde;s nas mais diversas ocasi&otilde;es e vicissitudes da vida pessoal ou colectiva, mesmo quando se presumem totalmente laicas e profanas.<\/p>\n<p>As palavras dispon&iacute;veis est&atilde;o crist&atilde;mente referenciadas, da salva&ccedil;&atilde;o &agrave; reden&ccedil;&atilde;o, do sacrif&iacute;cio &agrave; mensagem, do pr&oacute;digo ao samaritano, da terra ao c&eacute;u. E os s&iacute;mbolos dispon&iacute;veis dificilmente se esvaziam do preenchimento lit&uacute;rgico que tiveram ou continuam a ter, na linha da encarna&ccedil;&atilde;o do verbo, no lance para a eterniza&ccedil;&atilde;o da circunst&acirc;ncia: palavras ditas e cantadas, sil&ecirc;ncio e absor&ccedil;&atilde;o do escutado, presen&ccedil;a do sinal causador daquela &ldquo;comunh&atilde;o&rdquo; de amigos &ndash; do retrato de quem se lembra aos restos mortais de quem partiu -, esperan&ccedil;a alimentada em tudo isto e apesar de tudo&hellip;<\/p>\n<p>Em Portugal, qual semente desfeita na terra, o cristianismo &ndash; e especialmente o cristianismo cat&oacute;lico, t&atilde;o &ldquo;sacramental&rdquo; -, &eacute; inevitavelmente cultural, podendo por isso mesmo ser &ldquo;dram&aacute;tico&rdquo;, na rela&ccedil;&atilde;o que cada um tenha com ele e com as institui&ccedil;&otilde;es que mais expressamente o assinalem, como dram&aacute;ticas s&atilde;o todas as coisas inevit&aacute;veis. Felizmente dram&aacute;tico, digo eu, pois isso significa algo de questionador e vivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Mas retomemos outro ponto do discurso papal: &ldquo;A conviv&ecirc;ncia da Igreja [&hellip;] com a verdade dos outros &eacute; uma aprendizagem que a pr&oacute;pria Igreja est&aacute; a fazer. Nesse respeito dialogante, podem abrir-se novas portas para a comunica&ccedil;&atilde;o da verdade&rdquo;.<\/p>\n<p>A verdade evang&eacute;lica &ndash; outro modo dizer tudo quanto em Jesus Cristo nos interpela &ndash; transporta a Igreja, ainda mais do que &eacute; transportada por ela. E, como acontecia com o primeiro grupo de Jesus com os disc&iacute;pulos, da Galileia a Jerusal&eacute;m, &eacute; uma verdade &ldquo;ambulante&rdquo;, que se desdobra e precisa no que encontra pelo caminho e naqueles &ndash; por vezes t&atilde;o outros ou nem tanto &ndash; com que depara e se tornam motivo de actua&ccedil;&atilde;o, descoberta e par&aacute;bola.<\/p>\n<p>Ora, o que come&ccedil;ou h&aacute; dois mil anos &eacute; o nosso caminho actual, quer na verdade pascal da presen&ccedil;a de Cristo, quer no progresso hist&oacute;rico em que a humanidade &ndash; tamb&eacute;m dramaticamente &#8211; se evidencia. De facto, coexistem as duas afirma&ccedil;&otilde;es do &uacute;ltimo vers&iacute;culo de Mateus: &ldquo;Eu estarei sempre convosco at&eacute; ao fim dos tempos&rdquo; (Mt 28, 20). Uma presen&ccedil;a permanente e um destino projectado.<\/p>\n<p>Viver no Esp&iacute;rito de Cristo, significa prosseguir em di&aacute;logo, estrada fora. A Igreja comunica o que aprendeu e vai aprendendo, experimentou e vai experimentando, na comunh&atilde;o com Cristo vivo. Mas sabe que, partindo da refer&ecirc;ncia inilud&iacute;vel ao que Cristo disse e fez h&aacute; dois mil anos, a sua rela&ccedil;&atilde;o actual com Cristo o vislumbra em qualquer tempo e circunst&acirc;ncia, nessa &ldquo;Galileia&rdquo; em que constantemente nos desafia e espera: &ldquo;Afastando-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e de grande alegria, as mulheres correram a dar a not&iacute;cia aos disc&iacute;pulos. Jesus saiu ao seu encontro e disse-lhes: &lsquo;Salv&eacute;!&rsquo; Elas aproximaram-se, estreitaram-lhe os p&eacute;s e prostraram-se diante dele. Jesus disse-lhes: &lsquo;N&atilde;o temais. Ide anunciar aos meus irm&atilde;os que partam para a Galileia. L&aacute; me ver&atilde;o&rdquo; (Mt 28, 8-10).<\/p>\n<p>Assim mesmo se converte o di&aacute;logo cultural entre a Igreja e o Mundo &ndash; transformado este numa &ldquo;Galileia dos Gentios&rdquo;, t&atilde;o obrigat&oacute;ria como reveladora &ndash; na primeira inst&acirc;ncia duma &ldquo;pastoral da cultural&rdquo; que se queira tal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Tamb&eacute;m por isso se atribuiu o Pr&eacute;mio Padre Manuel Antunes 2010 &agrave; Diocese de Beja. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a Igreja de Beja tem protagonizado um exemplar&iacute;ssimo percurso de di&aacute;logo cultural.<\/p>\n<p>Sob a &eacute;gide e com o est&iacute;mulo dos seus Bispos &#8211; D. Manuel Falc&atilde;o e D. Ant&oacute;nio Vitalino &ndash; ouviu,&nbsp; recolheu e trabalhou musicalmente as suas tradi&ccedil;&otilde;es orais e mel&oacute;dicas (Padres Ant&oacute;nio Marv&atilde;o, Ant&oacute;nio Apar&iacute;cio, Ant&oacute;nio Cartageno&hellip;), prosseguindo com a salvaguarda e a valoriza&ccedil;&atilde;o do seu patrim&oacute;nio edificado, pl&aacute;stico e pict&oacute;rico (Doutor Jos&eacute; Ant&oacute;nio Falc&atilde;o e os seus colaboradores), al&eacute;m de sucessivas iniciativas e encomendas da exposi&ccedil;&atilde;o e composi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Com tudo isto realizou e realiza do modo mais estimulante e certeiro aquele desiderato evang&eacute;lico e papal. Como n&atilde;o deixa de ser tamb&eacute;m evang&eacute;lico o facto de tudo suceder na Diocese que menos recursos teria &agrave; partida&hellip; N&atilde;o lhe faltou nem falta o essencial: intelig&ecirc;ncia, sensibilidade e vontade.<\/p>\n<p>Esta a raz&atilde;o dos nossos sinceros parab&eacute;ns e da nossa responsabilidade acrescida. &ndash; Parab&eacute;ns &agrave; Diocese de Beja!<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Manuel Clemente, Presidente da Comiss&atilde;o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. As raz&otilde;es essenciais para a atribui&ccedil;&atilde;o do Pr&eacute;mio Padre Manuel Antunes 2010 &agrave; Diocese de Beja j&aacute; s&atilde;o conhecidas e figuram na acta do respectivo j&uacute;ri. 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