{"id":46052,"date":"2010-06-27T18:23:51","date_gmt":"2010-06-27T18:23:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/27\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-celebracao-da-ordenacao-de-presbiteros-e-diaconos\/"},"modified":"2010-06-27T18:23:51","modified_gmt":"2010-06-27T18:23:51","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-celebracao-da-ordenacao-de-presbiteros-e-diaconos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-celebracao-da-ordenacao-de-presbiteros-e-diaconos\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca na celebra\u00e7\u00e3o da ordena\u00e7\u00e3o de Presb\u00edteros e Di\u00e1conos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sacerdotes para um Povo Sacerdotal<\/strong><em><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Ordenar Presb&iacute;teros e Di&aacute;conos &eacute; uma express&atilde;o da gra&ccedil;a que foi, para toda a Igreja, o Ano Sacerdotal, solenemente encerrado em Roma pelo Papa Bento XVI. N&atilde;o estamos a encerrar o Ano Sacerdotal; estamos, sim, a iniciar um tempo novo em que, em Igreja, havemos de continuar a aprofundar o dom maravilhoso do sacerd&oacute;cio, sendo fi&eacute;is &agrave;s gra&ccedil;as e interpela&ccedil;&otilde;es que nos foram dadas durante este Ano. O sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico &eacute; para a Igreja, &eacute; dom de Jesus Cristo &agrave; sua Igreja, para que possa, toda ela, ser Povo Sacerdotal, oferecer, em comunh&atilde;o com Jesus Cristo, o sacrif&iacute;cio pascal da reden&ccedil;&atilde;o. V&oacute;s, queridos ordinandos, sereis sacerdotes de Jesus Cristo para a Igreja, sereis a express&atilde;o do seu amor de esposo pela Igreja sua esposa.<\/p>\n<p>Porque considero que estamos a come&ccedil;ar um tempo novo, de fidelidade renovada, quero dizer &agrave; Igreja de Lisboa, a v&oacute;s queridas irm&atilde;s e irm&atilde;os, o que n&oacute;s os sacerdotes, o presbit&eacute;rio de Lisboa, queremos ser para v&oacute;s. Conhecemos a nossa fragilidade, mas acreditamos que o amor de Cristo, que &eacute; o dom do seu Esp&iacute;rito, nos fortalecer&aacute; e transformar&aacute; o nosso cora&ccedil;&atilde;o, ensinando-nos a ser sacramentos do seu amor redentor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Em primeiro lugar, queremos entregar toda a nossa vida, tudo o que somos e temos, a este minist&eacute;rio de amor, como Eliseu matou os bois e queimou o arado, para seguir Elias, o profeta de Deus. Queremos tomar a s&eacute;rio a exig&ecirc;ncia de Jesus: &ldquo;Quem tiver lan&ccedil;ado as m&atilde;os ao arado e olhar para tr&aacute;s n&atilde;o serve para o Reino de Deus&rdquo; (Lc. 9,62). Somos poucos, mas completamente dispon&iacute;veis seremos mais. Esta entrega total ser&aacute;, para n&oacute;s, a conquista da verdadeira liberdade, como escut&aacute;mos, h&aacute; pouco, do Ap&oacute;stolo Paulo: &ldquo;Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou&rdquo; (Gal. 5,1).<\/p>\n<p>Queridos Padres e Ordinandos, n&atilde;o tenhais medo do despojamento total por causa do vosso minist&eacute;rio. Essa &eacute; condi&ccedil;&atilde;o para seguir Jesus que confessa acerca de Si pr&oacute;prio: &ldquo;As raposas t&ecirc;m as suas tocas e as aves dos c&eacute;us os seus ninhos; mas o Filho do Homem n&atilde;o tem onde reclinar a cabe&ccedil;a&rdquo; (Lc. 9,58). Jesus tinha a certeza que o Pai n&atilde;o O abandonaria, solicitude expressa &agrave;queles e &agrave;quelas que serviam Jesus, O acompanhavam e cuidavam d&rsquo;Ele. N&oacute;s tamb&eacute;m sabemos que as comunidades crist&atilde;s, na sua solicitude de ternura, cuidam daqueles que se lhe entregam sem limites.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Esta radicalidade do dom de n&oacute;s mesmos s&oacute; pode ser uma express&atilde;o de amor, do nosso amor a Jesus Cristo e &agrave; Igreja. Somos celibat&aacute;rios mas temos a Igreja como esposa, a mesma de Jesus Cristo. N&atilde;o lhe regatearemos a ternura e a total entrega de n&oacute;s mesmos. Queremos que o nosso amor por v&oacute;s, queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, seja profundamente esponsal, porque quer ser express&atilde;o do pr&oacute;prio amor de Jesus Cristo. Cultivaremos a bondade e a toler&acirc;ncia. N&atilde;o faremos como aqueles disc&iacute;pulos que queriam logo abrasar com fogo a falta de acolhimento dos samaritanos. Queremos ter por v&oacute;s a solicitude do Bom Pastor, na disponibilidade para acolher, numa aten&ccedil;&atilde;o privilegiada aos que sofrem, no corpo e no esp&iacute;rito, e a todos os que procuram, por vezes angustiosamente, respostas para as interroga&ccedil;&otilde;es que a vida lhes p&otilde;e. Queremos que ocupeis o primeiro lugar na nossa vida, dando-vos prioridade &agrave;s estruturas e organiza&ccedil;&otilde;es, que s&oacute; t&ecirc;m raz&atilde;o de ser se forem express&atilde;o dessa solicitude amorosa.<\/p>\n<p>Queremos ser focos de comunh&atilde;o, para que toda a Igreja seja comunh&atilde;o: na fam&iacute;lia, na catequese, nas associa&ccedil;&otilde;es de fi&eacute;is, mas sobretudo em cada Eucaristia celebrada como Povo Sacerdotal. Mas, queridos Padres e Ordinandos, para sermos focos de comunh&atilde;o para toda a Igreja, temos de procurar a comunh&atilde;o entre n&oacute;s, como presbit&eacute;rio, amando-nos uns aos outros, vencendo tens&otilde;es e diferen&ccedil;as, percebendo que s&oacute; o amor realiza a unidade na Igreja. O Santo Padre pediu-nos isso, recentemente, em F&aacute;tima: &ldquo;Amados irm&atilde;os sacerdotes, neste lugar que Maria fez t&atilde;o especial, tendo diante dos olhos a sua voca&ccedil;&atilde;o de disc&iacute;pula fiel de seu Filho Jesus desde a sua concei&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; Cruz e depois no caminho da Igreja nascente, considerai a gra&ccedil;a inaudita do vosso sacerd&oacute;cio. A fidelidade &agrave; pr&oacute;pria voca&ccedil;&atilde;o exige coragem e confian&ccedil;a, mas o Senhor quer tamb&eacute;m que saibais unir as vossas for&ccedil;as; sede sol&iacute;citos uns pelos outros, sustentando-vos fraternalmente. Os momentos de ora&ccedil;&atilde;o e estudo em comum, de partilha das exig&ecirc;ncias da vida e trabalho sacerdotal s&atilde;o uma parte necess&aacute;ria da vossa vida. Como &eacute; maravilhoso quando vos acolheis uns aos outros nas vossas casas, com a paz de Cristo nos vossos cora&ccedil;&otilde;es! Como &eacute; importante que vos ajudeis mutuamente por meio da ora&ccedil;&atilde;o e com conselhos e discernimentos &uacute;teis! Particular aten&ccedil;&atilde;o vos devem merecer as situa&ccedil;&otilde;es de um certo esmorecimento dos ideais sacerdotais ou a dedica&ccedil;&atilde;o a actividades que n&atilde;o concordem integralmente com o que &eacute; pr&oacute;prio de um ministro de Jesus Cristo. Ent&atilde;o &eacute; hora de assumir, juntamente com o calor da fraternidade, a atitude firme do irm&atilde;o que ajuda seu irm&atilde;o a manter-se de p&eacute;&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Queremos ser para v&oacute;s, queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, arautos incans&aacute;veis da verdade, n&atilde;o da nossa verdade mas do Evangelho de Jesus Cristo. O an&uacute;ncio da verdade &eacute; express&atilde;o da caridade. &ldquo;Caridade na verdade&rdquo;, resumiu Bento XVI na sua &uacute;ltima Enc&iacute;clica. S&oacute; a caridade nos conduz &agrave; verdade; mas esta desafia o nosso amor humano a ser express&atilde;o da exig&ecirc;ncia da verdade de Deus. N&atilde;o espereis que vos anunciemos as verdades como gostar&iacute;eis de as ouvir. Teremos para v&oacute;s e para connosco a exig&ecirc;ncia da verdade de Deus. N&atilde;o queremos ser a fonte da Verdade, mas apenas servidores da Verdade.<\/p>\n<p>Neste nosso servi&ccedil;o &agrave; Palavra da Verdade, que &eacute; express&atilde;o da caridade, contamos com o contributo precioso dos nossos irm&atilde;os Di&aacute;conos, a quem sa&uacute;do neste momento. Sereis ordenados, n&atilde;o para o sacerd&oacute;cio, mas para o minist&eacute;rio, isto &eacute;, para o servi&ccedil;o da Palavra, na caridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Irm&atilde;os e irm&atilde;s. No in&iacute;cio deste tempo novo, motivado pela gra&ccedil;a do Ano Sacerdotal, disse-vos o que n&oacute;s, os sacerdotes, queremos ser para v&oacute;s. Permiti que termine dizendo-vos, a v&oacute;s e a toda a Igreja de Lisboa o que desejamos que v&oacute;s sejais, connosco, para o Senhor e para o mundo em que viveis. Reconhecei-vos na vossa dignidade de Povo Sacerdotal, em cada Eucaristia que celebrais, que vos convidar&aacute; a fazer de toda a vossa vida uma oferta a Deus, Trindade de Amor. Em cada Eucaristia, sereis, connosco, Povo Sacerdotal, o que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel porque Cristo preside &agrave; nossa oferta atrav&eacute;s dos que receberam o sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico. Esta qualidade sacerdotal &eacute; o la&ccedil;o mais forte a unir os sacerdotes e o Povo de Deus.<\/p>\n<p>E sede, em tudo, focos de comunh&atilde;o. S&oacute; o amor salvar&aacute; o mundo. Amai os vossos irm&atilde;os, pois a for&ccedil;a do vosso amor revelar-lhes-&aacute; o amor com que s&atilde;o amados por Deus, na pessoa do Seu Filho Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Mosteiro dos Jer&oacute;nimos, 27 de Junho de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger;<\/em><em> JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sacerdotes para um Povo Sacerdotal &nbsp; 1. Ordenar Presb&iacute;teros e Di&aacute;conos &eacute; uma express&atilde;o da gra&ccedil;a que foi, para toda a Igreja, o Ano Sacerdotal, solenemente encerrado em Roma pelo Papa Bento XVI. 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