{"id":46014,"date":"2010-06-23T17:52:05","date_gmt":"2010-06-23T17:52:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/23\/dialogo-com-a-cultura-nao-e-confortavel\/"},"modified":"2010-06-23T17:52:05","modified_gmt":"2010-06-23T17:52:05","slug":"dialogo-com-a-cultura-nao-e-confortavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dialogo-com-a-cultura-nao-e-confortavel\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logo com a cultura n\u00e3o \u00e9 confort\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>Tolentino Mendon\u00e7a, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, fala dos caminhos que a Igreja pretende percorrer neste campo <!--more--> <\/p>\n<p>Em entrevista &agrave; ECCLESIA, o Pe. Tolentino Mendon&ccedil;a, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), fala dos caminhos que a Igreja pretende percorrer depois do impacto provocado pela visita de Bento XVI ao nosso pa&iacute;s, particularmente o encontro de 12 de Maio, no Centro Cultural de Bel&eacute;m.<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Depois do encontro com Bento XVI, vai haver oportunidade para retomar os la&ccedil;os criados com os agentes da cultura em Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>Tolentino Mendon&ccedil;a (TM) &ndash;<\/em> Neste momento, o nosso episcopado est&aacute; a envolver toda a Igreja numa reflex&atilde;o sobre o modelo pastoral de conjunto e nessa reflex&atilde;o percebe-se que a cultura ganha um espa&ccedil;o priorit&aacute;rio na ac&ccedil;&atilde;o e na aten&ccedil;&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p>Isso reflecte o trabalho que foi sendo feito at&eacute; este momento, por v&aacute;rios interlocutores, e reflecte tamb&eacute;m uma vis&atilde;o da Igreja no seu conjunto, bem como aquele elan do Esp&iacute;rito que foi o encontro do Papa com o mundo da cultura no Centro Cultural de Bel&eacute;m<\/p>\n<p>&Eacute; preciso aproveitar esse elan e ver se, de facto, &eacute; desta que vamos l&aacute;, no sentido de a Igreja portuguesa a ter uma projectualidade cultural que se traduz numa multiplicidade de presen&ccedil;as.<\/p>\n<p>Hoje falar de cultura n&atilde;o &eacute; apenas falar dos &acirc;mbitos art&iacute;sticos, &eacute; falar daquilo que move a vida dos nossos contempor&acirc;neos, daquilo que os apaixona e daquilo que os magoa, falar no fundo do horizonte antropol&oacute;gico em que nos inscrevemos.<\/p>\n<p>A verdade &eacute; que os modelos pastorais tradicionais da Igreja tinham diante de si um homem e uma mulher diferentes daquilo que s&atilde;o hoje os portugueses. Mesmo nesta visita papal, o tipo sociol&oacute;gico de pessoas que estava presente no Terreiro do Pa&ccedil;o, a comunidade crist&atilde;, &eacute; muito diferente do da primeira visita de Jo&atilde;o Paulo II (1982, <em>ndr<\/em>), em que o Portugal era ainda rural, com caracter&iacute;sticas que hoje n&atilde;o continuam.<\/p>\n<p>A Pastoral da Cultura ganha um papel de pivot, no sentido de fazer pontes, facilitar encontros, dar a conhecer, gerar presen&ccedil;as, abrir portas, dar &agrave; Igreja um elemento que &eacute; sempre fundamental, o ser especialista em humanidade.<\/p>\n<p>H&aacute; din&acirc;micas eternas no cora&ccedil;&atilde;o do homem, mas h&aacute; muito que depende da cultura e do tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A Igreja continua a ser necess&aacute;ria para que a linguagem do mundo da cultura ganhe um sentido?<\/em><\/p>\n<p><em>TM &ndash;<\/em> Criou-se um espa&ccedil;o confort&aacute;vel, c&oacute;modo, de sil&ecirc;ncio, porque quando estamos parados, ningu&eacute;m faz perguntas a ningu&eacute;m, n&atilde;o se &eacute; questionado nem se questiona. Criou-se uma esp&eacute;cie de pacto de sil&ecirc;ncio&rdquo; entre a Igreja e a Cultura que se tornou insustent&aacute;vel, porque nos conduz a um afastamento progressivo da pr&oacute;pria realidade.<\/p>\n<p>Corremos o risco de estar a pregar e a utilizar uma linguagem, um conjunto de representa&ccedil;&otilde;es que hoje j&aacute; n&atilde;o tocam, n&atilde;o s&atilde;o sequer percept&iacute;veis, n&atilde;o se compreende o discurso. Nesse sentido, &eacute; preciso um grande esfor&ccedil;o de tradu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A tradu&ccedil;&atilde;o passa por a Igreja acolher, tamb&eacute;m, as novas linguagens, criar uma cultura de hospitalidade. N&atilde;o tem de haver uma coincid&ecirc;ncia total com o que &eacute; o ide&aacute;rio e a experi&ecirc;ncia da Igreja para poder existir di&aacute;logo, porque este sup&otilde;e o caminho, a progressividade, a diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Estando diante de outros tipos de linguagem, haver&aacute; situa&ccedil;&otilde;es em que o di&aacute;logo se faz a partir de discord&acirc;ncias&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>TM &ndash;<\/em> Se a Pastoral da Cultura avan&ccedil;a t&atilde;o lentamente na Igreja portuguesa, &eacute; porque ela &eacute; desconfort&aacute;vel.<\/p>\n<p>Desconfort&aacute;vel porque nos obriga a sair de n&oacute;s mesmos, a pensar nos que n&atilde;o est&atilde;o, nos que n&atilde;o fazem parte, obriga muitas vezes a estar em sil&ecirc;ncio e escutar. No fundo, a criar uma cultura de aten&ccedil;&atilde;o e de acolhimento, que nem sempre existe na pressa, nos agendamentos, na urg&ecirc;ncia daquilo que temos para fazer, esquecendo aquilo e aqueles que temos diante dos olhos.<\/p>\n<p>Uma pastoral da cultura obriga a ler a realidade mais fundo e mais longe, nesse sentido ela &eacute; inc&oacute;moda e &eacute; tamb&eacute;m prof&eacute;tica.<\/p>\n<p>Deus &eacute; uma quest&atilde;o que interessa a crentes e n&atilde;o crentes, nos quais tamb&eacute;m h&aacute; uma &eacute;tica, os crentes n&atilde;o t&ecirc;m um monop&oacute;lio da &eacute;tica.<\/p>\n<p>O que n&oacute;s precisamos &eacute; de nos escutarmos mutuamente, a Igreja tem de ser motora desse di&aacute;logo. Isso &eacute; desconfort&aacute;vel porque exige um confronto, na cordialidade, mas que &eacute; sempre um confronto, que nos faz crescer, amadurecer, d&aacute; uma outra complexidade ao nosso pr&oacute;prio caminho de f&eacute;.<\/p>\n<p>Uma das notas das mensagens do Papa em Portugal foi sublinhar a import&acirc;ncia da beleza, que a Igreja precisa de redescobrir.<\/p>\n<p>&Eacute; a beleza que nos atrai para a verdade e a caridade, para o bem. A beleza &eacute; aquilo que cria a ferida no cora&ccedil;&atilde;o do homem que desperta o desejo, que deseja a emo&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>N&oacute;s vivemos uma esta&ccedil;&atilde;o de teologia e de f&eacute; talvez demasiado racionalista, a falar &agrave; raz&atilde;o e digamos &agrave; parte mais dogm&aacute;tica da f&eacute; e da sua verdade. Esquecemos este lado mais emocional, tocar as pessoas pela beleza, congregar, porque a beleza tem em si uma universalidade que aproxima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tolentino Mendon\u00e7a, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, fala dos caminhos que a Igreja pretende percorrer neste campo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,276],"class_list":["post-46014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-pastoral-da-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46014\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}