{"id":45969,"date":"2010-06-22T09:54:00","date_gmt":"2010-06-22T09:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/22\/que-sentido-tem-a-igreja-elogiar-a-igualdade\/"},"modified":"2010-06-22T09:54:00","modified_gmt":"2010-06-22T09:54:00","slug":"que-sentido-tem-a-igreja-elogiar-a-igualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/que-sentido-tem-a-igreja-elogiar-a-igualdade\/","title":{"rendered":"Que sentido tem a Igreja elogiar a Igualdade?"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Tolentino Mendon\u00e7a, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura <!--more--> <\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">No pr&oacute;ximo dia 25 de Junho em F&aacute;tima, a Igreja Portuguesa, atrav&eacute;s da sua Pastoral da Cultura Nacional, vai debater o tema da Igualdade. No ano em que se comemora o centen&aacute;rio da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, os cat&oacute;licos portugueses s&atilde;o chamados a confrontar-se com o ide&aacute;rio republicano da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, e a l&ecirc;-lo a partir da especificidade da tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Esta leitura que a Igreja faz &eacute; sem qualquer complexos. De facto, a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade inscrevem-se, desde sempre, no patrim&oacute;nio mais &iacute;ntimo da pr&oacute;pria formula&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Hoje, o desafio que os cat&oacute;licos portugueses s&atilde;o chamados a enfrentar, &eacute; o de uma tradu&ccedil;&atilde;o culturalmente criativa e existencialmente prof&eacute;tica destes valores que partilham com outros, numa sociedade plural e aberta. <\/span><\/p>\n<p><strong><em><span style=\"color: windowtext;\">Cristianismo e Igualdade<\/span><\/em><\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">A Igualdade &eacute; um motivo culturalmente inc&oacute;modo, mas n&atilde;o &eacute; de agora. Podemos mesmo dizer que no processo de auto-consci&ecirc;ncia do movimento crist&atilde;o das origens, a quest&atilde;o da Igualdade emergiu, aos olhos dos contempor&acirc;neos, como uma reivindica&ccedil;&atilde;o algo bizarra da mensagem crist&atilde;. Quando, por exemplo, Paulo de Tarso sintetiza <span style=\"letter-spacing: -0.75pt;\">num enunciado igualit&aacute;rio as implica&ccedil;&otilde;es da experi&ecirc;ncia crist&atilde;, &laquo;n&atilde;o h&aacute; judeu nem grego; n&atilde;o h&aacute; escravo nem livre; n&atilde;o h&aacute; homem e mulher, porque todos sois um s&oacute; em Cristo Jesus&raquo; (Gal 3,28), isso imediatamente colocou o cristianismo numa traject&oacute;ria cultural de contra-corrente. Mas &eacute; sempre essa a rela&ccedil;&atilde;o que o cristianismo &eacute; chamado a manter com o horizonte cultural de todos os tempos: dialogar sem deixar de interrogar, absorver sem baixar o sentido renovador e prof&eacute;tico, ser consonante sem perder a ousadia de declarar-se em alternativa, n&atilde;o apenas no discurso sobre Deus, mas tamb&eacute;m na vis&atilde;o da Pessoa Humana. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s origens do cristianismo, o quadro era este: a condi&ccedil;&atilde;o humana regulava-se prevalentemente pela proveni&ecirc;ncia &eacute;tnica e familiar, pela deten&ccedil;&atilde;o ou exclus&atilde;o da cidadania, pelo g&eacute;nero ou pelo acesso aos bens materiais e ao conhecimento. Neste acentuar de particularismos v&aacute;rios, n&atilde;o havia lugar para a igualdade. Ora, contrariando e transformando este contexto, o cristianismo das origens levantou, em nome da universal perten&ccedil;a a Jesus, a bandeira da igualdade. Uma reclamava a outra: para haver universalidade era preciso afirmar a considera&ccedil;&atilde;o de uma igualdade fundamental. Desde o princ&iacute;pio, n&atilde;o houve d&uacute;vidas na Mensagem crist&atilde; que todos os Seres humanos, criados &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus e salvos por Cristo, s&atilde;o radicalmente iguais em dignidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Ora, se esta &eacute; hoje uma quest&atilde;o teologicamente resolvida, sabemos como cultural e socialmente continua em aberto e em ebuli&ccedil;&atilde;o. Velhos e novos desafios se colocam hoje &agrave;s nossas sociedades e requerem a actualiza&ccedil;&atilde;o da frescura prof&eacute;tica que o cristianismo disseminou. Como disse por diversas vezes o Papa Bento XVI na sua passagem entre n&oacute;s, &laquo;nestes &uacute;ltimos anos, alterou-se o quadro antropol&oacute;gico, cultural, social e religioso da humanidade&raquo;. E um dos sintomas mais preocupantes deste quadro em mudan&ccedil;a &eacute; precisamente a tentativa de marginalizar e privatizar o sentido da vida, desvalorizando-o e implantando novas injustificadas assimetrias.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: windowtext;\">Igualdade na Alteridade<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">&Eacute; claro que a Igualdade, em chave crist&atilde;, n&atilde;o se confunde com um igualitarismo que n&atilde;o tenha em devida conta o car&aacute;cter pessoal e &uacute;nico de cada experi&ecirc;ncia humana. A Igualdade tem de ser uma coreografia inclusiva, capaz de integrar, em salutar equil&iacute;brio, o horizonte das singularidades e convocando-as para uma construtiva e intermin&aacute;vel rela&ccedil;&atilde;o. Como escreveu D. Manuel Clemente, lan&ccedil;ando precisamente o Encontro que a Pastoral da Cultura promove: as nossas diferen&ccedil;as s&atilde;o &laquo;possibilidades de ser com os outros, dando e recebendo mutuamente, porque os outros s&atilde;o na verdade outros e n&oacute;s os outros dos e para os outros&hellip; Querer&aacute; isto dizer que a igualdade s&oacute; pode acontecer entre seres distintos que partilhem o que t&ecirc;m&raquo;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">No fundo, s&oacute; acolhemos o outro como igual, quando atendemos profundamente, e at&eacute; ao fim, &agrave; sua alteridade infinita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>P. Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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