{"id":45968,"date":"2010-06-22T09:51:59","date_gmt":"2010-06-22T09:51:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/22\/igreja-e-cinema-uma-historia-por-contar\/"},"modified":"2010-06-22T09:51:59","modified_gmt":"2010-06-22T09:51:59","slug":"igreja-e-cinema-uma-historia-por-contar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-e-cinema-uma-historia-por-contar\/","title":{"rendered":"Igreja e Cinema: uma Hist\u00f3ria por contar"},"content":{"rendered":"<p>A rela&ccedil;&atilde;o entre a Igreja Cat&oacute;lica e o cinema nunca foi pac&iacute;fica. Quando a S&eacute;tima Arte nasceu no fim do s&eacute;culo XIX, a Igreja percebeu logo que a imagem f&iacute;lmica tinha uma for&ccedil;a especial al&eacute;m da sua forma narrativa: a possibilidade de representar o real atrav&eacute;s da imagem fotogr&aacute;fica e sobretudo a impress&atilde;o de vida que essas imagens tinham por causa do movimento.<\/p>\n<p>Atrav&eacute;s da imagem do cinema, era f&aacute;cil tocar, convencer e juntar um grande n&uacute;mero de fi&eacute;is. No entanto, depois de utilizar a t&eacute;cnica cinematogr&aacute;fica como meio de evangeliza&ccedil;&atilde;o, a Igreja apercebeu-se que a ind&uacute;stria do cinema estava a representar narrativas com conte&uacute;dos que iam contra os seus dogmas. Por exemplo, era inaceit&aacute;vel que no fim do filme, o her&oacute;i se suicidasse porque tinha perdido o amor da sua bem-amada.<\/p>\n<p>Os conflitos come&ccedil;aram e a Igreja ficou sempre partilhada entre um desejo de reconcilia&ccedil;&atilde;o com o cinema ou a decis&atilde;o de uma ruptura definitiva com uma arte que podia ser perigosa.<\/p>\n<p>Em Portugal, a rela&ccedil;&atilde;o entre a Igreja e o cinema tem tamb&eacute;m uma hist&oacute;ria que est&aacute; por fazer, em particular durante o per&iacute;odo salazarista que vivia pela censura imposta. Foi nessa altura que a rela&ccedil;&atilde;o entre o cinema e a religi&atilde;o foi muito prof&iacute;cua: membros do clero e leigos criaram in&uacute;meros cine-clubes que exibiam filmes proibidos pela censura e promoviam debates sobre as quest&otilde;es de fundo. Depois da revolu&ccedil;&atilde;o, houve uma ruptura entre cinema e religi&atilde;o, porque n&atilde;o era de politicamente correcto falar da Igreja numa sociedade que a acusava de ter colaborado com o fascismo, esquecendo que tinham sido membros da Igreja a transgredir a ditadura para dar a conhecer em Portugal uma outra forma de cinema [exemplos].<\/p>\n<p>Hoje a Igreja Cat&oacute;lica portuguesa quer retomar e continuar esse di&aacute;logo que foi interrompido e estend&ecirc;-lo para os n&atilde;o crentes. A Igreja v&ecirc; o cinema como lugar de liberdade de express&atilde;o, permitindo um interc&acirc;mbio de ideias e experi&ecirc;ncias que reflictam sobre a nossa vida contempor&acirc;nea.<\/p>\n<p>O cinema funciona como um alimento mental e emocional e procura tamb&eacute;m despertar no espectador experiencias est&eacute;ticas. Muitos filmes t&ecirc;m uma dimens&atilde;o religiosa impl&iacute;cita que n&atilde;o &eacute; logo identific&aacute;vel, porque n&atilde;o ilustram. Fazer a ponte entre cinema e teologia permite ir &agrave; procura da express&atilde;o religiosa e\/ou transcendental nas imagens da s&eacute;tima arte. Se Deus fosse uma verdade expl&iacute;cita, n&atilde;o existia o desejo misterioso de o procurar, e de o encontrar.<\/p>\n<p>A Igreja Cat&oacute;lica portuguesa criou o pr&eacute;mio cinematogr&aacute;fico &Aacute;rvore da Vida (Indielisboa 2010) para incentivar os realizadores portugueses a participar num di&aacute;logo aberto e epist&eacute;mico.<\/p>\n<p>A arte do cinema permite um debate sobre quest&otilde;es sociais e teol&oacute;gicas, que nos ajudam a acreditar e a ter f&eacute; no outro.<\/p>\n<p>Com ou sem Deus, o cinema reflecte sobre o sentido que podemos dar &agrave; nossa vida: atrav&eacute;s do perd&atilde;o (Hist&oacute;rias de Ca&ccedil;adeiras de Jeff Nichols, 2007), atrav&eacute;s da loucura de se perder para melhor se reencontrar (Luz Silenciosa de Carlos Reygadas, 2007), ou simplesmente, atrav&eacute;s da escuta da vida como pr&oacute;pria fonte de inspira&ccedil;&atilde;o (Pelas Sombras de Catarina Mour&atilde;o, 20101)?<\/p>\n<p align=\"right\"><em>In&ecirc;s Gil, Professora de cinema e fotografia na Universidade Lus&oacute;fona<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rela&ccedil;&atilde;o entre a Igreja Cat&oacute;lica e o cinema nunca foi pac&iacute;fica. 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