{"id":45959,"date":"2010-06-21T11:57:00","date_gmt":"2010-06-21T11:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/21\/homilia-de-d-jacinto-botelho-na-cerimonia-de-ordenacoes-sacerdotais\/"},"modified":"2010-06-21T11:57:00","modified_gmt":"2010-06-21T11:57:00","slug":"homilia-de-d-jacinto-botelho-na-cerimonia-de-ordenacoes-sacerdotais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jacinto-botelho-na-cerimonia-de-ordenacoes-sacerdotais\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jacinto Botelho na cerim\u00f3nia de ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais"},"content":{"rendered":"<p>A encerrar o Ano Sacerdotal, a Igreja de Lamego d&aacute; gra&ccedil;as a Deus, e rejubila com a ordena&ccedil;&atilde;o de quatro novos padres que a miseric&oacute;rdia de Deus nos oferece. <em>Te Deum laudamus, Te Dominum confitemur. <\/em>&Eacute; certamente a ora&ccedil;&atilde;o que brota humilde, sincera e comprometida do cora&ccedil;&atilde;o agradecido do Andr&eacute; Filipe, do Ant&oacute;nio Jorge, do Bernardo Maria e do Jos&eacute; Filipe, que v&ecirc;em realizado o seu sonho acalentado de h&aacute; tanto tempo, e tamb&eacute;m de seus pais, irm&atilde;os e demais familiares, aqui presentes, a quem sa&uacute;do e cordialmente felicito. A mesma ora&ccedil;&atilde;o agradecida elevam ao C&eacute;u os nossos Semin&aacute;rios com as suas Equipas Formadoras e seminaristas, bem como os P&aacute;rocos e fi&eacute;is das par&oacute;quias que os viram nascer e acompanharam o seu crescimento, e ainda os P&aacute;rocos e fi&eacute;is das comunidades onde decorreu o seu est&aacute;gio pastoral. A todos igualmente sa&uacute;do do fundo do cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Seguindo a orienta&ccedil;&atilde;o do Santo Padre Bento XVI, cuja recente visita a Portugal continua a incentivar-nos, quer pela for&ccedil;a e coragem da mensagem que nos comunicou, quer pela autenticidade e humildade do testemunho contagiante que nos edificou, desde a Solenidade do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus de 2009, a prop&oacute;sito dos 150 anos da morte do Santo Cura de Ars, apresentado como modelo de vida sacerdotal, temos, sacerdotes e leigos, intensificado a nossa ora&ccedil;&atilde;o, multiplicando muito especialmente a Adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento, para pedir pela fidelidade de todos os padres, a qual tem como paradigma a fidelidade do pr&oacute;prio Jesus. &Eacute; um programa de espiritualidade que queremos continuar a cumprir.<\/p>\n<p>Por ocasi&atilde;o dos 50 anos da sua ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal, Jo&atilde;o Paulo II come&ccedil;ava a reflex&atilde;o que partilhou connosco, <em>Dom e Mist&eacute;rio<\/em>, confidenciando-nos: &ldquo;A hist&oacute;ria da minha voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal?! &Eacute; sobretudo Deus que a conhece. Na sua dimens&atilde;o mais profunda, cada voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal &eacute; <em>um grande mist&eacute;rio<\/em>, &eacute; <em>um dom<\/em> que ultrapassa infinitamente o homem. Experimenta-o claramente cada um de n&oacute;s, sacerdotes, durante toda a vida. Perante a grandeza deste dom, sentimo-nos bem indignos dele.&rdquo; E o Santo Padre Bento XVI, na homilia da recente Solenidade do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, na Pra&ccedil;a de S. Pedro, em Roma, lembrando o caminho percorrido com S. Jo&atilde;o Maria Baptista Vianney ao longo do Ano Sacerdotal, repetia-nos uma vez mais que &ldquo;o sacerdote n&atilde;o &eacute; simplesmente o detentor de um cargo, como aqueles de que a sociedade civil tem necessidade, para que nela se realizem certas fun&ccedil;&otilde;es. Ele, ao contr&aacute;rio, faz algo que nenhum ser humano pode fazer por si: pronuncia em nome de Cristo a palavra da absolvi&ccedil;&atilde;o dos nossos pecados, e muda assim, a partir de Deus, a situa&ccedil;&atilde;o da nossa vida. Pronuncia sobre as ofertas do p&atilde;o e do vinho as palavras de ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as de Cristo que s&atilde;o palavras de transubstancia&ccedil;&atilde;o &ndash; palavras que O tornam presente a Ele pr&oacute;prio, o Ressuscitado, o Seu Corpo e o Seu Sangue, e transformam assim os elementos do mundo: palavras que escancaram o mundo a Deus e o estreitam a Ele. O sacerd&oacute;cio n&atilde;o &eacute; por isso simplesmente uma &laquo;fun&ccedil;&atilde;o&raquo;, mas sacramento: Deus serve-se de um pobre homem a fim de estar, atrav&eacute;s dele, pr&oacute;ximo dos homens e actuar em seu favor. Esta aud&aacute;cia de Deus &ndash; sublinho a for&ccedil;a desta express&atilde;o usada por Sua Santidade &ndash; esta aud&aacute;cia de Deus que Se confia, Ele pr&oacute;prio, a seres humanos; que, n&atilde;o obstante, conhecendo as nossas fraquezas, considera os homens, id&oacute;neos para agir e estar presentes em sua vez &ndash; esta aud&aacute;cia de Deus &eacute; o que de grande se esconde na palavra &laquo;sacerd&oacute;cio&raquo;. Foi esta sublime grandeza que ao longo do Ano Sacerdotal toda a Igreja, sacerdotes e leigos, procur&aacute;mos descobrir, meditar e consciencializar.<\/p>\n<p>Se todo o crist&atilde;o, porque baptizado em Cristo, est&aacute; revestido de Cristo, como ouvimos na segunda leitura, o que dizer do sacerdote, em que o &laquo;eu&raquo; de Cristo unido ao seu &ldquo;realiza a perman&ecirc;ncia, a unicidade do seu sacerd&oacute;cio&rdquo;? S&atilde;o palavras de Bento XVI que continua: &ldquo;Assim Ele (Jesus Cristo) &eacute; sempre o &uacute;nico sacerdote, e todavia muito presente no mundo porque Ele como que nos &laquo;funde&raquo; em Si e desta forma torna presente a Sua miss&atilde;o sacerdotal. &nbsp;<\/p>\n<p>O Evangelho de hoje regista a pergunta que o Senhor formulou aos disc&iacute;pulos, antes de revelar-lhes a Sua paix&atilde;o, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o, j&aacute; anunciada profeticamente por Zacarias, como o compreendeu S. Jo&atilde;o Evangelista, profecia que ouvimos na primeira leitura. A resposta consciente, reflectida e em cada dia actualizada por cada um de n&oacute;s, a essa pergunta &#8211; <em>E v&oacute;s quem dizeis que eu sou?<\/em> <em>E tu quem dizes que eu<\/em> <em>sou?<\/em> &#8211; &eacute; garantia da fidelidade que prometemos no dia da nossa ordena&ccedil;&atilde;o. Mas uma resposta com estas qualidades implica uma rela&ccedil;&atilde;o com Ele muito &iacute;ntima e profunda, o col&oacute;quio pessoal com o Senhor, como prioridade pastoral fundamental. Bento XVI afirmou-o numa das respostas &agrave;s perguntas feitas pelos sacerdotes na Vig&iacute;lia do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, na Pra&ccedil;a de S. Pedro: &ldquo;&Eacute; verdadeiramente &laquo;profiss&atilde;o&raquo; do sacerdote rezar, mesmo como representante das pessoas que n&atilde;o sabem rezar ou n&atilde;o t&ecirc;m tempo de rezar. A ora&ccedil;&atilde;o pessoal, sobretudo a <em>Liturgia das Horas<\/em>, &eacute; alimento fundamental para a nossa alma, para toda a nossa ac&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas, como nos dizia o saudoso P. Rocha e Melo no &uacute;ltimo Simp&oacute;sio do Clero de Portugal, &ldquo;o ponto alto de toda a ora&ccedil;&atilde;o, o seu ponto de partida e de chegada &eacute; a Eucaristia&rdquo;. &ldquo;Ao celebrar cada dia a Eucaristia o sacerdote desce ao cora&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio. Por isso a celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia n&atilde;o pode deixar de ser para ele o momento mais importante do dia, o centro da sua vida&rdquo;. A afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; de Jo&atilde;o Paulo II que, lembrando a proclama&ccedil;&atilde;o a seguir &agrave;s palavras da Consagra&ccedil;&atilde;o: <em>Mist&eacute;rio da F&eacute;<\/em>, interrogava: &ldquo;N&atilde;o &eacute; daqui, porventura, que <em>a pr&oacute;pria voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal recebe a sua motiva&ccedil;&atilde;o mais profunda?<\/em>&rdquo; A resposta d&aacute;-a o mesmo Jo&atilde;o Paulo II, na riqueza do testemunho que nos deixou a seguir no livro da suas Bodas de Ouro Sacerdotais. &ldquo;&Agrave; dist&acirc;ncia de cinquenta anos da Ordena&ccedil;&atilde;o, posso dizer que se encontra cada dia mais, naquele <em>Mist&eacute;rio da F&eacute;<\/em>, o sentido do pr&oacute;prio sacerd&oacute;cio. Ali est&aacute; a medida do dom que ele &eacute;, como tamb&eacute;m ali est&aacute; a medida da resposta que tal dom requer. <em>O dom &eacute; cada vez maior!<\/em> E &eacute; maravilhoso que assim seja. Bom &eacute; que um homem n&atilde;o possa dizer nunca que j&aacute; correspondeu plenamente ao dom. &Eacute; um dom e tamb&eacute;m uma tarefa: sempre! Ter consci&ecirc;ncia disto &eacute; fundamental para se viver plenamente o pr&oacute;prio sacerd&oacute;cio.&rdquo; Belo programa de espiritualidade sacerdotal e sugestivo compromisso como prop&oacute;sito do Ano que conclu&iacute;mos.<\/p>\n<p>Eu gostaria de dizer-vos, como fa&ccedil;o com os crismandos, salvas as devidas diferen&ccedil;as, voltando-me intencionalmente para v&oacute;s, car&iacute;ssimos di&aacute;conos, prestes a ser presb&iacute;teros, que conclu&iacute;stes o itiner&aacute;rio para o presbiterado. Mas, como sabeis, n&atilde;o terminou a vossa forma&ccedil;&atilde;o, a qual reveste agora uma exig&ecirc;ncia peculiarmente premente. A ora&ccedil;&atilde;o e a Eucaristia, que acima meditamos, com o sacramento da penit&ecirc;ncia, celebrado pessoalmente, e oferecido a quantos vos procurar&atilde;o, s&atilde;o a garantia da <em>forma&ccedil;&atilde;o permanente ordin&aacute;ria<\/em>, como no-la apresentou o P. Amedeo Cencini, no Simp&oacute;sio do Clero que j&aacute; referi. A <em>forma&ccedil;&atilde;o permanente<\/em> &eacute; &ldquo;processo de conforma&ccedil;&atilde;o e assimila&ccedil;&atilde;o aos sentimentos do Filho obediente, do Servo sofredor, do cordeiro inocente, [&hellip;] e que tende a plasmar no presb&iacute;tero os sentimentos do Filho-Bom Pastor ou do Filho-Servo. [&hellip;] S&oacute; o Pai pode formar em n&oacute;s o cora&ccedil;&atilde;o de Seu Filho Jesus&rdquo;. A forma&ccedil;&atilde;o permanente, muito mais que qualquer iniciativa, na linha do estudo teol&oacute;gico que as institui&ccedil;&otilde;es da Diocese possam proporcionar (a<em> forma&ccedil;&atilde;o permanente extraordin&aacute;ria<\/em>) &ldquo;&eacute; antes <em>gra&ccedil;a, gra&ccedil;a que vem das alturas todos os dias<\/em>, que na vida e atrav&eacute;s da vida sacerdotal, forma o cora&ccedil;&atilde;o do Filho-Servo, gra&ccedil;a j&aacute; concretizada na voca&ccedil;&atilde;o que &eacute; chamamento quotidiano <em>(&laquo;matinal&raquo;)<\/em>, na Palavra-do-dia , na Eucaristia-do-dia, na Liturgia e no Ano Lit&uacute;rgico, assim como em todos os acontecimentos e rela&ccedil;&otilde;es do dia, servindo-se das media&ccedil;&otilde;es humanas&rdquo;. &ldquo;O exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio &ndash; continua Cencini numa cita&ccedil;&atilde;o que faz de Torresin &#8211; &eacute; o primeiro lugar que deve tornar-se formativo, que leva a plasmar a alma do crente constitu&iacute;da pelo padre; se tal n&atilde;o acontece, corre-se o risco de o exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio desfigurar o padre&rdquo;. &ldquo;A forma&ccedil;&atilde;o &eacute; permanente [&hellip;] quando o presb&iacute;tero toma no seu cora&ccedil;&atilde;o, real e profundamente, a decis&atilde;o de seguir o Senhor. S&oacute; a partir daquele momento a <em>forma&ccedil;&atilde;o permanente<\/em> tem in&iacute;cio e se torna realidade. Por este motivo, para alguns, a <em>forma&ccedil;&atilde;o permanente <\/em>come&ccedil;ou muito cedo, para outros nunca se iniciou, ainda que tenham celebrado 25 ou 50 de sacerd&oacute;cio&rdquo;.<em> <\/em>A interpela&ccedil;&atilde;o &eacute; exigente, mas &eacute; condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel para seguir o convite que Jesus nos faz no Evangelho<em>: Se algu&eacute;m quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida h&aacute;-de perd&ecirc;-la, mas quem perder a sua vida por Minha causa h&aacute;-de encontr&aacute;-la. <\/em>Esta &eacute; a garantia dum minist&eacute;rio eficaz, generoso, alegre e fiel, sem ceder &agrave; sedu&ccedil;&atilde;o de seguir vozes de modas correntes e novidades doutrinais e disciplinares que desvirtuam o Evangelho ou &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de uma popularidade que nos tornaria simp&aacute;ticos, mas poderia por em risco a autenticidade do testemunho e a verdade total que sem ambiguidades temos o dever de anunciar.<\/p>\n<p>Voltados para a M&atilde;e do C&eacute;u, a Senhora da Assun&ccedil;&atilde;o, titular desta Catedral, consagraremos antes da B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o final o nosso sacerd&oacute;cio ao Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria, como fez Bento XVI em F&aacute;tima, e repetiu na Pra&ccedil;a de S. Pedro em Roma, no encerramento do Ano Sacerdotal, na Solenidade do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, para que, como rezaremos nessa consagra&ccedil;&atilde;o, &ldquo;todo o homem veja a salva&ccedil;&atilde;o do Senhor que tem o rosto de Jesus reflectida nos nossos cora&ccedil;&otilde;es para sempre unidos ao Seu&rdquo;.<em><\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A encerrar o Ano Sacerdotal, a Igreja de Lamego d&aacute; gra&ccedil;as a Deus, e rejubila com a ordena&ccedil;&atilde;o de quatro novos padres que a miseric&oacute;rdia de Deus nos oferece. 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