{"id":45887,"date":"2010-06-16T11:02:16","date_gmt":"2010-06-16T11:02:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/16\/conferencia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-nas-jornadas-pastorais-da-cep\/"},"modified":"2010-06-16T11:02:16","modified_gmt":"2010-06-16T11:02:16","slug":"conferencia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-nas-jornadas-pastorais-da-cep","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-nas-jornadas-pastorais-da-cep\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia do Cardeal-Patriarca de Lisboa nas Jornadas Pastorais da CEP"},"content":{"rendered":"<p><strong>&laquo;Sinais dos tempos&raquo; hoje, na sociedade e na Igreja em Portugal<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>1. A obriga&ccedil;&atilde;o de estar atento aos &ldquo;sinais dos tempos&rdquo; para intuir os caminhos da miss&atilde;o, em cada tempo e circunst&acirc;ncia concretos, &eacute; dos maiores desafios pastorais do Conc&iacute;lio Vaticano II, o que melhor define a maneira de conceber a presen&ccedil;a da Igreja na sociedade e a sua miss&atilde;o de salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Logo no in&iacute;cio, o Conc&iacute;lio rejeitou um texto condenat&oacute;rio dos erros da sociedade contempor&acirc;nea. O Conc&iacute;lio n&atilde;o se reunia para condenar, mas para anunciar a salva&ccedil;&atilde;o. A verdade da Igreja na sociedade &eacute; a de enviada a anunciar a salva&ccedil;&atilde;o, o que sup&otilde;e que a Igreja participa do ardor e do amor salv&iacute;fico de Jesus Cristo por uma humanidade em processo de salva&ccedil;&atilde;o. S&oacute; amando o mundo se podem captar os sinais que a realidade emite, para que a Igreja intua caminhos concretos de miss&atilde;o. A <strong>Gaudium et Spes<\/strong> &eacute; a Constitui&ccedil;&atilde;o Pastoral que exprime esta perspectiva que inspirou todo o Conc&iacute;lio. A come&ccedil;ar, afirma: &ldquo;O Conc&iacute;lio, testemunha e guia da f&eacute; de todo o Povo de Deus, reunido por Cristo, n&atilde;o poderia dar uma prova mais eloquente de solidariedade, de respeito e de amor ao conjunto da fam&iacute;lia humana, a que este Povo pertence, que fazer prova de di&aacute;logo com ela sobre os diferentes problemas, iluminando-os &agrave; luz do Evangelho e pondo &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero humano o poder salv&iacute;fico que a Igreja, conduzida pelo Esp&iacute;rito, recebe do seu Fundador&rdquo; (1). E acrescenta: &ldquo;para levar a bom termo esta tarefa, a Igreja tem o dever, em cada momento, de <strong>perscrutar <\/strong>os sinais dos tempos e de os interpretar &agrave; luz do Evangelho&rdquo; (2).<\/p>\n<p>E no cap&iacute;tulo sobre a dignidade da voca&ccedil;&atilde;o humana, insiste: &ldquo;Movido pela f&eacute;, sabendo-se conduzido pelo Esp&iacute;rito do Senhor que enche o Universo, o Povo de Deus esfor&ccedil;a-se por discernir nos acontecimentos, nas exig&ecirc;ncias e nos anseios do nosso tempo, de que participa com todos os outros homens, quais s&atilde;o os verdadeiros sinais da presen&ccedil;a ou des&iacute;gnio de Deus&rdquo; (3).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. N&atilde;o &eacute; um convite &agrave; simples an&aacute;lise sociol&oacute;gica, mas &agrave; intui&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica. O verbo escolhido &eacute; importante: trata-se de &ldquo;perscrutar&rdquo;, o que lembra a atitude dos profetas que estavam &agrave; espreita, para perceber nos acontecimentos o modo e a circunst&acirc;ncia do seu an&uacute;ncio. S&oacute; da f&eacute; e do amor salv&iacute;fico de Deus pode brotar essa &ldquo;intui&ccedil;&atilde;o&rdquo;, esse &ldquo;perscrutar&rdquo; dos sinais, que indicam portas abertas ao an&uacute;ncio da salva&ccedil;&atilde;o e do des&iacute;gnio de Deus para a humanidade. &ldquo;A f&eacute; esclarece todas as coisas com uma luz nova&rdquo; (4), uma f&eacute; que nos revela o amor salv&iacute;fico de Deus pela humanidade, e a certeza que nunca a abandona atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito que enche toda a terra. Perceber a sua miss&atilde;o de natureza vis&iacute;vel com esta ac&ccedil;&atilde;o invis&iacute;vel do Esp&iacute;rito em toda a humanidade, &eacute; desafio cont&iacute;nuo, dirigido &agrave; Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&ldquo;Sinais dos tempos&rdquo; e nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>3. H&aacute; uma converg&ecirc;ncia entre este dever da Igreja de &ldquo;perscrutar&rdquo;, na realidade do mundo, os &ldquo;sinais&rdquo; do Reino de Deus, e o desafio lan&ccedil;ado por Jo&atilde;o Paulo II de uma &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, ali&aacute;s presente na <strong>Evangeli Nuntiandi<\/strong> de Paulo VI. O que a distingue da simples re-evangeliza&ccedil;&atilde;o, &eacute; um <strong>novo ardor<\/strong> que nos ajudar&aacute; a descobrir os &ldquo;novos m&eacute;todos&rdquo;, isto &eacute;, um modo novo de anunciar. Este novo ardor &eacute; o do amor salv&iacute;fico, da paix&atilde;o amorosa pela salva&ccedil;&atilde;o do mundo. Sem amar o mundo com este amor ardente, n&atilde;o haver&aacute; &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, e esse amor &eacute; participa&ccedil;&atilde;o no amor infinito de Jesus Cristo, que oferece continuamente a sua vida pelo Povo que redimiu e pelo mundo que ama.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma nova atitude perante a sociedade<\/strong><\/p>\n<p>4. Este &eacute; um ponto pr&eacute;vio para uma leitura actual dos &ldquo;sinais dos tempos&rdquo;: olhar o mundo com amor e com esperan&ccedil;a. Podemos cair, facilmente de mais, na atitude de condena&ccedil;&atilde;o da sociedade actual. Mas &eacute; poss&iacute;vel amar o mundo sem concordar com o mundo. O an&uacute;ncio crist&atilde;o pode, por vezes, ser uma den&uacute;ncia, embora deva ser, sobretudo, an&uacute;ncio. Mas se come&ccedil;a pela den&uacute;ncia, corre o risco de nunca ser an&uacute;ncio.<\/p>\n<p>Este olhar construtivo sobre a sociedade, por parte da Igreja, tem como fundamento duas dimens&otilde;es: a certeza da f&eacute; que Deus ama o mundo e que o Esp&iacute;rito Santo est&aacute; em ac&ccedil;&atilde;o, levando muitos homens e mulheres a buscarem a rectid&atilde;o de consci&ecirc;ncia, a lutarem pela justi&ccedil;a e pela defesa da dignidade do homem, a procurarem para a sociedade caminhos de dignidade, de generosidade e de solidariedade; e que os valores explicitamente enunciados na doutrina da Igreja n&atilde;o s&atilde;o apenas afirmados, mas vividos e postos em pr&aacute;tica na luta por uma sociedade renovada. O Santo Padre deixou-nos essa mensagem: &ldquo;De uma vis&atilde;o s&aacute;bia sobre a vida e sobre o mundo deriva o ordenamento justo da sociedade. Situada na hist&oacute;ria, a Igreja est&aacute; aberta a colaborar com quem n&atilde;o marginaliza nem privatiza a essencial considera&ccedil;&atilde;o do sentido humano da vida. N&atilde;o se trata de um confronto &eacute;tico entre um sistema laico e um sistema religioso, mas de uma quest&atilde;o de sentido, &agrave; qual se entrega a pr&oacute;pria liberdade&rdquo;(5). Mas adverte-nos: &ldquo;Viver na pluralidade de sistemas de valores e de quadros &eacute;ticos, exige uma viagem ao centro de si mesmo e ao cerne do cristianismo para refor&ccedil;ar a qualidade do testemunho at&eacute; &agrave; santidade, inventar caminhos de miss&atilde;o at&eacute; &agrave; radicalidade do mart&iacute;rio&rdquo; (6).<\/p>\n<p>Esta atitude aberta e dialogante &eacute; afirmada por Bento XVI ainda no avi&atilde;o a caminho de Lisboa, falando da dial&eacute;ctica entre secularismo e f&eacute;: &ldquo;A dial&eacute;ctica entre secularismo e f&eacute; tem uma longa hist&oacute;ria em Portugal. J&aacute; no s&eacute;culo XVIII h&aacute; uma forte presen&ccedil;a do Iluminismo. Basta pensar no nome Pombal. Assim, vemos que Portugal viveu sempre, nesses s&eacute;culos, na dial&eacute;ctica que, naturalmente hoje, se radicalizou e se mostra com todos os sinais do esp&iacute;rito europeu de hoje. Este parece-me um desafio e uma grande possibilidade. Nesses s&eacute;culos de dial&eacute;ctica entre Iluminismo, secularismo e f&eacute;, nunca faltaram pessoas que quiseram estabelecer pontes e criar um di&aacute;logo, ainda que, infelizmente, a tend&ecirc;ncia dominante foi a da contraposi&ccedil;&atilde;o e da exclus&atilde;o de um e de outro. Hoje, vemos que justamente esta dial&eacute;ctica &eacute; uma chance; que devemos encontrar uma s&iacute;ntese e um di&aacute;logo profundo e de vanguarda&rdquo; (7).<\/p>\n<p>Esta atitude dialogante da Igreja perante a sociedade real, com os seus valores e os seus desvios, n&atilde;o pode significar uma ced&ecirc;ncia. Em todas as circunst&acirc;ncias, a Igreja deve anunciar a perspectiva evang&eacute;lica, os pr&oacute;prios atropelos &agrave; verdade, &agrave; justi&ccedil;a, e &agrave; dignidade do homem s&atilde;o ocasi&atilde;o desse an&uacute;ncio, antes, exigem esse an&uacute;ncio, que n&atilde;o pode ser apenas den&uacute;ncia negativa, mas afirma&ccedil;&atilde;o do nosso empenho no progresso da humanidade. Se nos limitarmos &agrave; den&uacute;ncia a nossa voz pode ser facilmente interpretada como mera tomada de posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e ser v&iacute;tima de fundamentalismos. E estes, sejam de matriz religiosa ou ideol&oacute;gica, acabam sempre por ro&ccedil;ar a interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na defesa de posi&ccedil;&otilde;es pessoais ou grupais, isolando a verdade que defendem da verdade fundamental que &eacute; o amor salv&iacute;fico de Deus. Esquecem facilmente que por detr&aacute;s de um erro, se podem abrir portas a outras dimens&otilde;es da verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Novas formas de interven&ccedil;&atilde;o da Igreja na sociedade<\/strong><\/p>\n<p>5. Frente &agrave; actual realidade da sociedade portuguesa, ouso ter um pressentimento: &eacute; preciso encontrar formas novas de interven&ccedil;&atilde;o da Igreja na sociedade. A Igreja faz parte integrante do todo da sociedade e dada a qualidade da sua mensagem e o n&uacute;mero dos seus membros, n&atilde;o pode deixar de procurar formas sempre novas para contribuir para o bem da comunidade humana em que est&aacute; integrada.<\/p>\n<p>Estamos a cair na situa&ccedil;&atilde;o anacr&oacute;nica que qualquer interven&ccedil;&atilde;o da Igreja, de modo particular da hierarquia, em dimens&otilde;es fundamentais como o s&atilde;o uma s&atilde; antropologia ou a defesa de valores &eacute;ticos &eacute; facilmente julgada como interven&ccedil;&atilde;o na esfera do estritamente pol&iacute;tico, esquecendo que o dom&iacute;nio pol&iacute;tico &eacute; todo o interesse pelo bem da &ldquo;polis&rdquo;. &Eacute; preciso valorizar a Igreja como o conjunto dos fi&eacute;is, a comunidade crente, e n&atilde;o a identificar s&oacute; com a hierarquia. Esta, por decis&atilde;o pr&oacute;pria e em defesa do car&aacute;cter espec&iacute;fico do seu minist&eacute;rio, abst&eacute;m-se habitualmente de se imiscuir no &acirc;mbito do estritamente pol&iacute;tico. Mas os crist&atilde;os leigos n&atilde;o s&atilde;o a isso obrigados e devem ser porta-vozes, no seio da sociedade, dos aut&ecirc;nticos valores crist&atilde;os. Ali&aacute;s, pressinto que vir&aacute; dos leigos a energia para esta renova&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o da Igreja na sociedade. O Santo Padre, dirigindo-se aos Bispos, sublinha a import&acirc;ncia decisiva de um &ldquo;laicado maduro&rdquo;: &ldquo;Os tempos que vivemos exigem um novo vigor mission&aacute;rio dos crist&atilde;os chamados a formar um laicado maduro, identificado com a Igreja, solid&aacute;rio com a complexa transforma&ccedil;&atilde;o do mundo. H&aacute; necessidade de verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos, onde o sil&ecirc;ncio da f&eacute; &eacute; mais amplo e profundo: pol&iacute;ticos, intelectuais, profissionais da comunica&ccedil;&atilde;o que professam e promovem uma proposta mono-cultural com menosprezo pela dimens&atilde;o religiosa e contemplativa da vida. Em tais &acirc;mbitos, n&atilde;o faltam crentes envergonhados que d&atilde;o as m&atilde;os ao secularismo, construtor de barreiras &agrave; inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde;&rdquo;(8).<\/p>\n<p>A interven&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica da Igreja na sociedade contempor&acirc;nea tem de privilegiar a proclama&ccedil;&atilde;o de uma correcta antropologia, levando &agrave; descoberta do mist&eacute;rio do homem, de que decorre a defesa &eacute;tica dos princ&iacute;pios da conviv&ecirc;ncia humana, em ordem &agrave; constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade fraterna. Este desafio antropol&oacute;gico esteve fortemente presente na palavra do Papa entre n&oacute;s. Referindo-se &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o da Igreja no &ldquo;ordenamento justo da sociedade&rdquo;, explicita: &ldquo;Situada na hist&oacute;ria, a Igreja est&aacute; aberta a colaborar com quem n&atilde;o marginaliza a essencial considera&ccedil;&atilde;o do sentido humano da vida&rdquo; (9). Esta s&atilde; antropologia tem de integrar a dimens&atilde;o transcendente da vida humana, &ldquo;integrar a f&eacute; e a racionalidade moderna numa &uacute;nica vis&atilde;o antropol&oacute;gica, que completa o ser humano e torna, desse modo, comunic&aacute;veis as culturas humanas&rdquo;(10).<\/p>\n<p>S&oacute; desta compreens&atilde;o do homem e da sua transcend&ecirc;ncia brota uma &eacute;tica da conviv&ecirc;ncia para a constru&ccedil;&atilde;o da sociedade. A exig&ecirc;ncia &eacute;tica envolve toda a exist&ecirc;ncia humana, pessoal e comunit&aacute;ria, a vida e o amor, o trabalho e a economia.<\/p>\n<p>Aprofundar o conhecimento do mist&eacute;rio e da dignidade do homem, donde decorre uma vis&atilde;o &eacute;tica da vida, sup&otilde;e um esfor&ccedil;o acrescido de forma&ccedil;&atilde;o do laicado. A doutrina social da Igreja continua a ser a grande desconhecida. S&oacute; esse aprofundamento cultural formar&aacute; a consci&ecirc;ncia dos crist&atilde;os sobre todas as dimens&otilde;es da vida humana, pessoal e comunitariamente considerada. &Eacute; impressionante verificar a pouca import&acirc;ncia que a dimens&atilde;o &eacute;tica tem nas escolhas pol&iacute;ticas. E no entanto, em democracia participativa, o voto deveria ser sempre a escolha de uma consci&ecirc;ncia bem formada e esclarecida. A Igreja deve lutar por isso, o que n&atilde;o significa o imiscuir-se no estritamente pol&iacute;tico. Esse esfor&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o ser&aacute; uma luta pela liberdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aten&ccedil;&atilde;o a quantos buscam o sentido da vida<\/strong><\/p>\n<p>6. O texto da Gaudium et Spes, j&aacute; citado, refere como contexto do dever de discernir os &ldquo;sinais dos tempos&rdquo; a necessidade de a Igreja responder &ldquo;de forma adaptada a cada gera&ccedil;&atilde;o, sobre as quest&otilde;es eternas dos homens acerca do sentido da vida presente e futura e das suas rela&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas&rdquo; (11).<\/p>\n<p>Esta busca do sentido &eacute;, hoje, a maior express&atilde;o da densidade da exist&ecirc;ncia humana, diria mesmo, do drama humano. O que &eacute; a vida, o que &eacute; o amor, que sentido tem o sofrimento? As muta&ccedil;&otilde;es sociais, que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel referir aqui, adensaram este drama do sentido, relativizaram as respostas adquiridas e transmitidas, lan&ccedil;aram d&uacute;vidas sobre a porta a que se deve bater para encontrar uma resposta. Encontro um pequeno eco desta inquieta&ccedil;&atilde;o nas muitas mensagens que me s&atilde;o dirigidas, procurando uma resposta, exigindo que a Igreja seja uma resposta.<\/p>\n<p>Ler os &ldquo;sinais&rdquo; para que a Igreja seja a resposta adaptada a cada gera&ccedil;&atilde;o. Sinto que muitos j&aacute; n&atilde;o procuram, espontaneamente, a resposta da Igreja, na sua ac&ccedil;&atilde;o institucional. Ser&aacute; que as nossas estruturas de acolhimento est&atilde;o preparadas para essa resposta, adaptada &agrave; gera&ccedil;&atilde;o presente? Apesar de tantos &ldquo;pastores&rdquo; e de a ac&ccedil;&atilde;o da Igreja dever ser toda pastoral, esta multid&atilde;o, como no tempo de Jesus, continua a parecer &ldquo;um rebanho sem pastor&rdquo;.<\/p>\n<p>O texto do Conc&iacute;lio fala, depois, das quest&otilde;es eternas do sentido da vida presente e futura e das suas rela&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas. &Eacute; preocupante a evolu&ccedil;&atilde;o na nossa sociedade e mesmo entre os crist&atilde;os, sobre a f&eacute; na vida eterna. Muitos j&aacute; n&atilde;o acreditam nela e mesmo os que n&atilde;o a excluem n&atilde;o fazem dela o objectivo mobilizador da esperan&ccedil;a e n&atilde;o fazem a rela&ccedil;&atilde;o dessa esperan&ccedil;a com o sentido da vida presente. Ou&ccedil;amos, mais uma vez, a palavra do Papa entre n&oacute;s. Falando aos sacerdotes e consagrados, disse-lhes: &ldquo;Na ac&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica e na miss&atilde;o, tendeis para a Jerusal&eacute;m Celeste, antecipais a Igreja escatol&oacute;gica, firme na posse e contempla&ccedil;&atilde;o amorosa de Deus-Amor. Como &eacute; grande, hoje, a necessidade deste testemunho! Muitos dos nossos irm&atilde;os vivem como se n&atilde;o houvesse um Al&eacute;m, sem se importar com a pr&oacute;pria salva&ccedil;&atilde;o eterna. Os homens s&atilde;o chamados a aderir ao conhecimento e ao amor de Deus, e a Igreja tem a miss&atilde;o de os ajudar nesta voca&ccedil;&atilde;o. Bem sabemos que Deus &eacute; senhor dos seus dons; e a convers&atilde;o dos homens &eacute; gra&ccedil;a. Mas somos respons&aacute;veis pelo an&uacute;ncio da f&eacute;, da totalidade da f&eacute;, e das suas exig&ecirc;ncias&rdquo; (12).<\/p>\n<p>Neste aspecto, ler os &ldquo;sinais&rdquo; &eacute; ter a coragem de rever a qualidade e o ritmo da forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; no seu todo, desde a catequese &agrave; prega&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nas respostas a dar a esta busca do sentido, adaptadas a cada gera&ccedil;&atilde;o, sou particularmente sens&iacute;vel ao universo juvenil. No seu todo eles buscam respostas, sem sequer rejeitar aprioristicamente a resposta de Jesus Cristo, mas n&atilde;o a encontram nas respostas da Igreja, ou porque nem sequer a escutam ou porque n&atilde;o a compreendem. &Eacute; preciso dar-lha de forma que a compreendam e lhes toque o cora&ccedil;&atilde;o. O Papa falou-lhes e comoveu muitos: &ldquo;Jovens amigos, Cristo est&aacute; sempre connosco e caminha sempre com a sua Igreja, acompanha-a e guarda-a, como Ele nos disse: &laquo;Eu estou sempre convosco, at&eacute; ao fim dos tempos&raquo; (Mt 28, 20). Nunca duvideis da sua presen&ccedil;a! Procurai sempre o Senhor Jesus, crescei na amizade com Ele, comungai-O. Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e tamb&eacute;m a reconhec&ecirc;-l&rsquo;O nos pobres. Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presen&ccedil;a e da sua amizade gratuita, generosa, fiel at&eacute; &agrave; morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presen&ccedil;a forte e suave a todos, a come&ccedil;ar pelos da vossa idade. Dizei-lhes que &eacute; belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-l&rsquo;O. Com o vosso entusiasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos &ndash; todos aparentemente do mesmo n&iacute;vel &ndash;, s&oacute; seguindo Jesus &eacute; que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura&rdquo; (13). Ler os &ldquo;sinais&rdquo; &eacute; aceitar o desafio de rever profundamente a nossa pastoral juvenil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aten&ccedil;&atilde;o amorosa ao sofrimento dos nossos irm&atilde;os<\/strong><\/p>\n<p>7. No texto da Gaudium et Spes, ler os &ldquo;sinais&rdquo; faz-se numa aten&ccedil;&atilde;o privilegiada ao sofrimento humano, aos aspectos por vezes dram&aacute;ticos da vida de tantos homens e mulheres do nosso tempo. &Eacute; assim que come&ccedil;a a Constitui&ccedil;&atilde;o Pastoral: &ldquo;As alegrias e as esperan&ccedil;as, as tristezas e as ang&uacute;stias dos homens deste tempo, sobretudo dos pobres e daqueles que sofrem, s&atilde;o tamb&eacute;m as alegrias e as esperan&ccedil;as, as tristezas e as ang&uacute;stias dos disc&iacute;pulos de Cristo&rdquo; (14).<\/p>\n<p>A cultura contempor&acirc;nea tende a mitigar ou mesmo a esconder estas ang&uacute;stias e tristezas, porque se criou o paradigma de uma organiza&ccedil;&atilde;o social que tudo resolve. A Igreja deve ser a aliada natural de quem sofre, a doen&ccedil;a, a pobreza, a solid&atilde;o, n&atilde;o apenas para os servir mas para aprender com eles o que significa o &ldquo;Evangelho anunciado aos pobres&rdquo;.<\/p>\n<p>A resposta social da Igreja &eacute;, como sabemos, volumosa e estruturada. N&atilde;o &eacute; agora o momento de a analisar. Quero apenas referir dois desafios que nos deixou o Santo Padre: a pr&aacute;tica da compaix&atilde;o e a an&aacute;lise das nossas institui&ccedil;&otilde;es sociais, em busca da sua especificidade e autenticidade evang&eacute;lica. Aconselha-nos a ter a atitude do bom samaritano. H&aacute; um modo pr&oacute;prio de os crist&atilde;os se abeirarem do sofrimento dos irm&atilde;os: ter &ldquo;um cora&ccedil;&atilde;o que v&ecirc;&rdquo;, um cora&ccedil;&atilde;o que v&ecirc; onde h&aacute; necessidade de amor e age em consequ&ecirc;ncia (15). A pastoral da caridade &eacute; uma pastoral de proximidade, de vizinhan&ccedil;a. &Eacute; perante a circunst&acirc;ncia concreta de uma pessoa que tem nome, que o cora&ccedil;&atilde;o do crist&atilde;o se comove.<\/p>\n<p>As nossas estruturas, dando relevo aos aspectos organizativos e de compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica, podem ofuscar este &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o que v&ecirc;&rdquo;. O Santo Padre alertou-nos para isso: &ldquo;Muitas vezes, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil conseguir uma s&iacute;ntese satisfat&oacute;ria da vida espiritual com a ac&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica. A press&atilde;o exercida pela cultura dominante, que apresenta com insist&ecirc;ncia um estilo de vida fundado sobre a lei do mais forte, sobre o lucro f&aacute;cil e fascinante, acaba por influir sobre o nosso modo de pensar os nossos projectos e as perspectivas do nosso servi&ccedil;o, com o risco de esvazi&aacute;-los da motiva&ccedil;&atilde;o da f&eacute; e da esperan&ccedil;a crist&atilde; que os tinha suscitado. Os pedidos numerosos e prementes de ajuda e amparo que nos dirigem os pobres e marginalizados da sociedade impelem-nos a buscar solu&ccedil;&otilde;es que estejam na l&oacute;gica da efic&aacute;cia, do efeito vis&iacute;vel e da publicidade. E todavia a referida s&iacute;ntese &eacute; absolutamente necess&aacute;ria para poderdes, amados irm&atilde;os, servir Cristo na humanidade que vos espera. Neste mundo dividido, imp&otilde;e-se a todos uma profunda e aut&ecirc;ntica unidade de cora&ccedil;&atilde;o, de esp&iacute;rito e de ac&ccedil;&atilde;o&rdquo; (16).<\/p>\n<p>E o Papa n&atilde;o hesita em pedir-nos que fa&ccedil;amos uma profunda reflex&atilde;o sobre as nossas institui&ccedil;&otilde;es, que pretendem ser a express&atilde;o da caridade da Igreja: &ldquo;No meio de tantas institui&ccedil;&otilde;es sociais que servem o bem comum, pr&oacute;ximas de popula&ccedil;&otilde;es carenciadas, contam-se as da Igreja Cat&oacute;lica. Importa que seja clara a sua orienta&ccedil;&atilde;o de modo a assumirem uma identidade bem patente: na inspira&ccedil;&atilde;o dos seus objectivos, na escolha dos seus recursos humanos, nos m&eacute;todos de actua&ccedil;&atilde;o, na qualidade dos seus servi&ccedil;os, na gest&atilde;o s&eacute;ria e eficaz dos meios. A firmeza da identidade das institui&ccedil;&otilde;es &eacute; um servi&ccedil;o real, com grandes vantagens para os que dele beneficiam. Passo fundamental, al&eacute;m da identidade e unido a ela, &eacute; conceder &agrave; actividade caritativa crist&atilde; autonomia e independ&ecirc;ncia da pol&iacute;tica e das ideologias (cf. Bento XVI, Enc. <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Deus caritas est<\/a>, 31 b), ainda que em coopera&ccedil;&atilde;o com organismos do Estado para atingir fins comuns&rdquo; (17).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aceitemos o desafio da Gaudium et Spes<\/strong><\/p>\n<p>8. A leitura dos sinais dos tempos n&atilde;o pode ser, apenas, um tema sugestivo e interessante. &Eacute;, sobretudo, um desafio prof&eacute;tico de quem reage com amor &agrave; realidade da hist&oacute;ria. &Eacute; a solicitude salv&iacute;fica que nos faz estar atentos, &agrave; espreita, para captar &ldquo;sinais&rdquo;, aberturas &agrave; mensagem de salva&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Sinais dos tempos&rdquo;, s&atilde;o alertas emitidos da profundidade da realidade humana e do &acirc;mago da nossa hist&oacute;ria. N&atilde;o s&atilde;o conclus&otilde;es sociol&oacute;gicas, mas &ldquo;sinais&rdquo; do Reino. Como dizia o P. Congar, naqueles tempos conciliares, &eacute; o homem, na sua realidade, a bater &agrave; porta da Igreja, pedindo-lhe que lhe abra o Evangelho na p&aacute;gina que ele precisa de ler naquele momento. A sua pr&oacute;pria realidade torna-o capaz de a escutar.<\/p>\n<p>Procurar novos caminhos de renova&ccedil;&atilde;o pastoral &eacute; incompleto sem esta ousadia prof&eacute;tica, embora saibamos que, como o or&aacute;culo prof&eacute;tico, a leitura dos &ldquo;sinais dos tempos&rdquo; n&atilde;o &eacute; program&aacute;vel nem previs&iacute;vel. Conseguimos apenas identificar as caracter&iacute;sticas da f&eacute; e da vida eclesial que h&atilde;o-de tornar poss&iacute;vel essa leitura.<\/p>\n<p>Antes de mais temos de ter consci&ecirc;ncia, sobretudo n&oacute;s os cl&eacute;rigos, que a Igreja &eacute; o Povo de Deus, que os leigos t&ecirc;m um papel decisivo na renova&ccedil;&atilde;o da Igreja e que tamb&eacute;m s&atilde;o chamados a ler os &ldquo;sinais&rdquo;. Isto exige de n&oacute;s, pastores, que inculquemos neles a paix&atilde;o por Jesus Cristo, a urg&ecirc;ncia da salva&ccedil;&atilde;o, a ousadia da santidade. O Papa disse-nos isso, a n&oacute;s Bispos, acerca dos leigos de quem somos pastores: &ldquo;Mantende viva a dimens&atilde;o prof&eacute;tica sem morda&ccedil;as no cen&aacute;rio do mundo actual, porque &laquo;a palavra de Deus n&atilde;o pode ser acorrentada&raquo; (2Tm 2, 9). As pessoas clamam pela Boa Nova de Jesus Cristo, que d&aacute; sentido &agrave;s suas vidas e salvaguarda a sua dignidade. Como primeiros evangelizadores, ser-vos-&aacute; &uacute;til conhecer e compreender os diversos factores sociais e culturais, avaliar as car&ecirc;ncias espirituais e programar eficazmente os recursos pastorais; decisivo, por&eacute;m, &eacute; conseguir inculcar em todos os agentes evangelizadores um verdadeiro ardor de santidade, cientes de que o resultado prov&eacute;m sobretudo da uni&atilde;o com Cristo e da ac&ccedil;&atilde;o do seu Esp&iacute;rito&rdquo; (18).<\/p>\n<p>A proclama&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, a nossa e a de todos os crist&atilde;os, tem de ter a for&ccedil;a de um testemunho. Mais uma vez, a palavra do Santo Padre: &ldquo;Quando no sentir de muitos a f&eacute; cat&oacute;lica deixa de ser patrim&oacute;nio comum da sociedade e, frequentemente, se v&ecirc; como uma semente insidiada e ofuscada por &laquo;divindades&raquo; e senhores deste mundo, muito dificilmente aquela poder&aacute; tocar os cora&ccedil;&otilde;es, gra&ccedil;as a simples discursos ou apelos morais e menos ainda a gen&eacute;ricos apelos aos valores crist&atilde;os. O apelo corajoso e integral aos princ&iacute;pios &eacute; essencial e indispens&aacute;vel. Todavia a mera enuncia&ccedil;&atilde;o da mensagem n&atilde;o chega ao mais fundo do cora&ccedil;&atilde;o da pessoa, n&atilde;o toca a sua liberdade, n&atilde;o muda a vida. Aquilo que fascina &eacute; sobretudo o encontro com pessoas crentes que, pela sua f&eacute;, atraem para a gra&ccedil;a de Cristo dando testemunho d&rsquo;Ele&rdquo; (19).<\/p>\n<p>&Eacute; preciso restituir &agrave; Igreja o seu dinamismo pastoral, isto &eacute;, fazer da Igreja toda sacramento da bondade de Cristo Pastor. A pastoral n&atilde;o &eacute; apenas a arte de programar, mas a manifesta&ccedil;&atilde;o, no concreto da hist&oacute;ria, do amor de Jesus Cristo pelos homens. Mas &eacute; decisivo que os sacerdotes redescubram, no exerc&iacute;cio do seu minist&eacute;rio, o modelo do Pastor. Trabalhamos mais do que amamos, criamos estruturas mas quando as pessoas precisam do pastor, n&oacute;s estamos ocupados. Como diz Jo&atilde;o no Apocalipse, escutemos o que Cristo diz aos pastores das Igrejas (cf. Apoc. 1,19 e 2,1ss).<\/p>\n<p><em>F&aacute;tima, 16 de Junho de 2010<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger;JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p><strong>NOTAS:<\/strong><\/p>\n<p>1 &#8211; <em>Gaudium et Spes<\/em>, n.&ordm; 3<\/p>\n<p>2 &#8211; Ibidem, n.&ordm; 4<\/p>\n<p>3 &#8211; Ibidem, n.&ordm; 11<\/p>\n<p>4 &#8211; Ibidem<\/p>\n<p>5 &#8211; Bento XVI em Portugal, Discurso no Aeroporto da Portela, 11 de Maio de 2010<\/p>\n<p>6 &#8211; Ibidem<\/p>\n<p>7 &#8211; Bento XVI, di&aacute;logo com os Jornalistas durante o Voo para Portugal, 11 de Maio de 2010<\/p>\n<p>8 &#8211; Bento XVI, Discurso no Encontro com os Bispos de Portugal, F&aacute;tima, 13 de Maio de 2010<\/p>\n<p>9 &#8211; Bento XVI em Portugal, Discurso no Aeroporto da Portela, 11 de Maio de 2010<\/p>\n<p>10 &#8211; Bento XVI, di&aacute;logo com os Jornalistas durante o Voo para Portugal, 11 de Maio de 2010<\/p>\n<p>11 &#8211; <em>Gaudium et Spes<\/em>, n.&ordm; 4<\/p>\n<p>12 &#8211; Bento XVI, Discurso na Celebra&ccedil;&atilde;o das V&eacute;speras com os Sacerdotes, Religiosos, Seminaristas e Di&aacute;conos, F&aacute;tima, 12 de Maio de 2010<\/p>\n<p>13 &#8211; Bento XVI, Homilia da Missa no Terreiro do Pa&ccedil;o, Lisboa, 11 de Maio de 2010<\/p>\n<p>14 &#8211; <em>Gaudium et Spes<\/em>, n.&ordm; 1<\/p>\n<p>15 &#8211; Bento XVI, Encontro com as Organiza&ccedil;&otilde;es da Pastoral Social, F&aacute;tima, 13 de Maio de 2010<\/p>\n<p>16 &#8211; Ibidem<\/p>\n<p>17 &#8211; Ibidem<\/p>\n<p>18 &#8211; Bento XVI, Discurso no Encontro com os Bispos de Portugal, F&aacute;tima, 13 de Maio de 2010<\/p>\n<p>19 &#8211; Ibidem<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Sinais dos tempos&raquo; hoje, na sociedade e na Igreja em Portugal Introdu&ccedil;&atilde;o 1. A obriga&ccedil;&atilde;o de estar atento aos &ldquo;sinais dos tempos&rdquo; para intuir os caminhos da miss&atilde;o, em cada tempo e circunst&acirc;ncia concretos, &eacute; dos maiores desafios pastorais do Conc&iacute;lio Vaticano II, o que melhor define a maneira de conceber a presen&ccedil;a da Igreja [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,127,168,187,191,280,282,314],"class_list":["post-45887","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-pastoral-juvenil","tag-pastoral-social","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45887"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45887\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}