{"id":45856,"date":"2010-06-15T11:00:48","date_gmt":"2010-06-15T11:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/15\/com-os-movimentos-na-igreja\/"},"modified":"2010-06-15T11:00:48","modified_gmt":"2010-06-15T11:00:48","slug":"com-os-movimentos-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/com-os-movimentos-na-igreja\/","title":{"rendered":"Com os Movimentos na Igreja"},"content":{"rendered":"<p>D. Il\u00eddio Leandro, Bispo de Viseu <!--more--> <\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">&ldquo;<em>Os Movimentos na Igreja. Presen&ccedil;a do Esp&iacute;rito e Esperan&ccedil;a para os Homens<\/em>&rdquo; &ndash; &eacute; o t&iacute;tulo da tradu&ccedil;&atilde;o portuguesa de uma pequena reflex&atilde;o sobre este tema, feita pelo Papa Bento XVI, no Pentecostes de 2006. Gosto deste t&iacute;tulo &ndash; traduz o que penso dos Movimentos, aponta, com clareza, o lugar que lhes pertence na Igreja e o que podem significar, olhando o futuro de uma Igreja que quer anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">Os Movimentos na Igreja podem ler-se e interpretar-se &agrave; luz do cap&iacute;tulo XII da Primeira Carta de S. Paulo aos Cor&iacute;ntios. Procedem, todos, do Esp&iacute;rito Santo; orientam-se, todos, para o bem da Igreja; est&atilde;o na Igreja como os membros no corpo humano. Estes s&atilde;o crit&eacute;rios que ajudam ao seu discernimento &ndash; miss&atilde;o dos Pastores nas Comunidades Crist&atilde;s. Ali&aacute;s, o Papa Bento XVI, aquando da sua visita a Portugal, em F&aacute;tima, no dia 13 de Maio passado, aponta aos Bispos uma nota important&iacute;ssima: &laquo;Os portadores de um carisma particular devem sentir-se fundamentalmente respons&aacute;veis pela comunh&atilde;o, pela f&eacute; comum da Igreja e devem submeter-se &agrave; guia dos Pastores. S&atilde;o estes que devem garantir a eclesialidade dos Movimentos. Os Pastores n&atilde;o s&atilde;o apenas pessoas que ocupam um cargo, mas eles pr&oacute;prios s&atilde;o carism&aacute;ticos, s&atilde;o respons&aacute;veis pela abertura da Igreja &agrave; ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo&raquo;. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">Todos, de alguma forma, sab&iacute;amos isto: os Bispos e os Respons&aacute;veis e seguidores de um Movimento. Penso que, nem uns nem outros temos tido coragem e consci&ecirc;ncia para reconhecer e, sobretudo, actuar de que &eacute; nesta abertura, nesta clareza e nesta confian&ccedil;a que, para bem e fidelidade ao Esp&iacute;rito e &agrave; Igreja devemos agir. Tudo isto, numa docilidade, simples e obediente, ao Esp&iacute;rito Santo. No mesmo discurso, dizia Bento XVI: &laquo;A prop&oacute;sito, confesso-vos a agrad&aacute;vel surpresa que tive ao contactar com os Movimentos e novas Comunidades Eclesiais. Observando-os, tive a alegria e a gra&ccedil;a de ver como, num momento de fadiga da Igreja, num momento em que se falava de &laquo;Inverno da Igreja&raquo;, o Esp&iacute;rito Santo criava uma nova primavera, fazendo despertar nos jovens e adultos a alegria de serem crist&atilde;os, de viverem na Igreja que &eacute; o Corpo vivo de Cristo. Gra&ccedil;as aos carismas, a radicalidade do Evangelho, o conte&uacute;do objectivo da f&eacute;, o fluxo vivo da sua tradi&ccedil;&atilde;o comunicam-se persuasivamente e s&atilde;o acolhidos como experi&ecirc;ncia pessoal, como ades&atilde;o da liberdade ao evento presente de Cristo&raquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">Est&aacute; aqui, no meu entendimento, a doutrina fundamental sobre a sua import&acirc;ncia, o seu lugar e a sua miss&atilde;o na Igreja. Ainda, o tempo da sua vig&ecirc;ncia e actualidade. De facto, n&atilde;o s&atilde;o &ldquo;eternos&rdquo;, no sentido de cada um ser indispens&aacute;vel. Indispens&aacute;vel &eacute; a presen&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo que suscita, em cada tempo, a forma concreta de ser ac&ccedil;&atilde;o e for&ccedil;a renovadora e transformadora, ao servi&ccedil;o da salva&ccedil;&atilde;o. Em cada tempo, surgem outros novos, com novas express&otilde;es, com nova vitalidade e provocando novo entusiasmo. Tenhamos a consci&ecirc;ncia e a certeza de uma coisa importante: o Esp&iacute;rito Santo n&atilde;o se repete, n&atilde;o envelhece, n&atilde;o p&aacute;ra na Sua miss&atilde;o e n&atilde;o desiste de renovar a face da terra.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">Creio firmemente que, enquanto manifesta&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito em cada tempo, os Movimentos s&atilde;o indispens&aacute;veis &agrave; vida da Igreja e t&ecirc;m um lugar insubstitu&iacute;vel na Inicia&ccedil;&atilde;o Crist&atilde; de muitos baptizados, levando-os ao encontro pessoal com Jesus Cristo. &Eacute; o que Bento XVI disse aos Bispos Portugueses. A &ldquo;agrad&aacute;vel surpresa&rdquo;, atr&aacute;s citada e que o Papa partilhou, estava na sequ&ecirc;ncia de um desejo de Jo&atilde;o Paulo II que citou no discurso. O seu Antecessor falava da necessidade que a Igreja tem de &ldquo;grandes correntes, movimentos e testemunhos de santidade entre os fi&eacute;is&rdquo;, acrescentando Bento XVI que poderia algu&eacute;m dizer: &laquo;&Eacute; certo que a Igreja tem necessidade de grandes correntes, movimentos e testemunhos de santidade&hellip;, mas n&atilde;o os h&aacute;&raquo;! Porque os Movimentos s&atilde;o essenciais e indispens&aacute;veis &agrave; Igreja e porque o Esp&iacute;rito Santo n&atilde;o p&aacute;ra e n&atilde;o desiste, n&atilde;o O extingamos, com a nossa inac&ccedil;&atilde;o, com a nossa intoler&acirc;ncia ou vontade de controlo ou com a nossa falta de discernimento positivo, exigente e respons&aacute;vel, no amor e servi&ccedil;o &agrave; mesma Igreja!&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">Tudo o que o Papa disse aos Bispos, no mesmo discurso, parece ter em pensamento esta mesma ideia. Enuncio, apenas, alguns pontos concretos em que o Papa parece apontar, ainda que n&atilde;o expressamente, a import&acirc;ncia dos Movimentos: a Inicia&ccedil;&atilde;o Crist&atilde;, &ldquo;exigente e atractiva&rdquo;; a &ldquo;necessidade de verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o sil&ecirc;ncio da f&eacute; &eacute; mais amplo e profundo&rdquo;; o apelo a que se continuem a estimular os que, nos lugares &lsquo;dif&iacute;ceis&rsquo;, &ldquo;defendem com coragem um pensamento cat&oacute;lico vigoroso e fiel ao Magist&eacute;rio&rdquo;;<span style=\"letter-spacing: -0.75pt;\"> a urg&ecirc;ncia de &ldquo;inculcar em todos os agentes evangelizadores um verdadeiro ardor de santidade&rdquo;; a certeza de que &ldquo;aquilo que fascina &eacute; sobretudo o encontro com pessoas crentes que, pela sua f&eacute;, atraem para a gra&ccedil;a de Cristo dando testemunho d&rsquo;Ele&rdquo;, etc.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">Na Pastoral da Igreja e, no momento em que a Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa est&aacute; apostada em &ldquo;repensar a Igreja em Portugal&rdquo;, os Movimentos e as novas Comunidades Eclesiais s&atilde;o chamados a ter um lugar muito importante neste caminho. H&aacute; aspectos na renova&ccedil;&atilde;o da Igreja e na sinodalidade que se sente urgente incrementar nas Dioceses do nosso Pa&iacute;s e que s&atilde;o j&aacute; pr&aacute;tica de ac&ccedil;&atilde;o de muitos carismas e de muitas experi&ecirc;ncias que muitos Movimentos v&atilde;o fazendo. Precisamos de contar mais uns com os outros e de praticar o acolhimento, o di&aacute;logo e a comunh&atilde;o, de forma concreta, aceitando que &eacute; o mesmo Esp&iacute;rito a conduzir a Igreja onde todos nos situamos. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"letter-spacing: -0.75pt; color: windowtext;\">Neste caminho, verdadeiramente iluminadora e orientadora &eacute; a &ldquo;condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria&rdquo; apontada por Bento XVI aos Bispos: &laquo;que estas novas realidades queiram viver na Igreja comum, embora com espa&ccedil;os de algum modo reservados para a sua vida, de maneira que esta se torne depois fecunda para todos os outros&raquo;. Entender esta condi&ccedil;&atilde;o &eacute; decisivo &ndash; para os Bispos e Sacerdotes e para todas estas &ldquo;novas realidades&rdquo;. H&aacute; que fazer caminho, com muita humildade, conhecendo-nos e escutando-nos mutuamente, prosseguindo este necess&aacute;rio e urgente equil&iacute;brio.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: normal;\"><span style=\"color: windowtext;\">Uma nota final: ningu&eacute;m dever&aacute; invocar que o &lsquo;seu&rsquo; &eacute; o melhor e que os outros s&atilde;o dispens&aacute;veis&hellip; S. Paulo, com a imagem do corpo humano, explica a hierarquia, o lugar e a necessidade de todos para o bem comum. Bento XVI dizia, no Pentecostes de 2006, que os Movimentos na Igreja contribu&iacute;am para &ldquo;proclamar a alegria de crer em Jesus Cristo e renovar o compromisso de Lhe ser disc&iacute;pulo fiel neste nosso tempo&rdquo; (cf <em>Os Movimentos na Igreja<\/em>, p. 7). Este nosso tempo n&atilde;o pode nem deve perder as oportunidades do Esp&iacute;rito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right; line-height: normal;\"><em>D. Il&iacute;dio Leandro, Bispo de Viseu<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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