{"id":45851,"date":"2010-06-15T10:07:01","date_gmt":"2010-06-15T10:07:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/15\/a-africa-do-sul-e-o-campeonato-do-mundo\/"},"modified":"2010-06-15T10:07:01","modified_gmt":"2010-06-15T10:07:01","slug":"a-africa-do-sul-e-o-campeonato-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-africa-do-sul-e-o-campeonato-do-mundo\/","title":{"rendered":"A \u00c1frica do Sul e o Campeonato do mundo"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Jos\u00e9 Manuel Saben\u00e7a, Provincial dos Mission\u00e1rios Espiritanos <!--more--> <\/p>\n<p>&ldquo;O ambiente &eacute; de euforia. N&atilde;o sei como o conseguiram, mas toda a gente est&aacute; &ldquo;crazy&rdquo; isto &eacute;, meia doida!&rdquo;. Foi com estas palavras que a Gugu Mtombeni, respons&aacute;vel da comunidade paroquial de Clermont, nos arredores pobres de Durban, na &Aacute;frica do Sul, se referia ao esp&iacute;rito que inundou o pa&iacute;s acolhedor do Campeonato do Mundo de Futebol. Assim me falava ao telefone, poucas horas ap&oacute;s o jogo inaugural do campeonato do mundo, em que os Bafana-Bafana (palavra zulu que significa Rapazes) empataram com o M&eacute;xico.<\/p>\n<p>A &Aacute;frica do Sul viveu muitos anos t&atilde;o marcada por uma forte separa&ccedil;&atilde;o entre os seus povos que nem o desporto os conseguia unir. Havia modalidades &ldquo;brancas&rdquo; como o r&acirc;guebi e o criquete, apoiado e praticado em altas condi&ccedil;&otilde;es e havia modalidades &ldquo;negras&rdquo; como o futebol praticado em ruas, bairros, est&aacute;dios de periferia e de menor condi&ccedil;&atilde;o. O apartheid dividiu, feriu e matou inclusivamente o esp&iacute;rito de s&atilde; competi&ccedil;&atilde;o que uma bandeira deveria poder congregar. Compreendendo profundamente a capacidade do desporto em reunir esfor&ccedil;os, sentando lado a lado homens e mulheres, brancos e negros, j&aacute; o s&aacute;bio Nelson Mandela, enquanto presidente da Nova &Aacute;frica do Sul, &nbsp;procurou fazer do campeonato do mundo de R&acirc;guebi uma ocasi&atilde;o impar de vencer preconceitos e de unir o que parecia votado &agrave; divis&atilde;o. O filme &ldquo;Invictus&rdquo; conta bem, mais essa vit&oacute;ria de um presidente que aprendeu o perd&atilde;o e o bem da na&ccedil;&atilde;o, em anos de pris&atilde;o.<\/p>\n<p>Hoje, uma d&uacute;zia de anos mais tarde, todos os sul-africanos vivem este campeonato do mundo como uma grande clareira de esperan&ccedil;a, apesar das dificuldades de seguran&ccedil;a que possam ensombrar o evento. Clareira de esperan&ccedil;a porque a &Aacute;frica do Sul colocou o melhor das suas gentes e das suas capacidades t&eacute;cnicas para estar &agrave; altura do evento e de qualquer outro pa&iacute;s na Europa ou Am&eacute;rica. Clareira de esperan&ccedil;a porque houve crescimento econ&oacute;mico, desenvolvimento estrutural e cria&ccedil;&atilde;o de emprego, como pude verificar em Dezembro &uacute;ltimo. Clareira de esperan&ccedil;a porque a &Aacute;frica do Sul se abre ao mundo para&nbsp; apresentar o seu &ldquo;rainbow nation&rdquo;, isto &eacute;, a sua multiplicidade de cores e sabores, de climas e paisagens, de pessoas e de costumes. Clareira de esperan&ccedil;a porque o campeonato do mundo &eacute; uma oportunidade desta diversidade se unir num efeito colorido que far&aacute; daquela terra aben&ccedil;oada por Deus uma terra de mais paz, mais compreens&atilde;o e mais colabora&ccedil;&atilde;o, uma terra de reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nas muitas iniciativas que ao longo dos anos tem contribu&iacute;do para a reconcilia&ccedil;&atilde;o dos povos da &Aacute;frica do Sul, onde se falam 11 l&iacute;nguas oficiais, contam-se ora&ccedil;&atilde;o das diferentes igrejas crist&atilde;s, prociss&otilde;es e via-sacras ecum&eacute;nicas, trabalhos de uma comiss&atilde;o &ldquo;Verdade e Reconcilia&ccedil;&atilde;o&rdquo;, campeonato do mundo de R&acirc;guebi; F&oacute;rum Mundial sobre a Sida, iniciativas ecum&eacute;nicas de solidariedade e ac&ccedil;&atilde;o social, e muitos outros eventos que, a n&iacute;vel local ou internacional, tem trazido ao pa&iacute;s, material valioso para a sua lenta&nbsp; reconstru&ccedil;&atilde;o humana e social. O Campeonato do Mundo de Futebol tamb&eacute;m a&iacute; figurar&aacute;&hellip;&nbsp;<\/p>\n<p>A igreja de S. Jos&eacute;, em Durban, ali ao lado do est&aacute;dio onde Portugal se vai debater com o Brasil, j&aacute; colocou em grande destaque as tr&ecirc;s bandeiras: &Aacute;frica do Sul, Portugal e Brasil. At&eacute; porque o p&aacute;roco desta comunidade cat&oacute;lica portuguesa &eacute; brasileiro. Mais ao lado, na Igreja de Santo Ant&oacute;nio, a pr&oacute;pria bandeira sul-africana, est&aacute; junto ao altar. Uma fam&iacute;lia portuguesa a viver na &Aacute;frica do Sul entregava-me h&aacute; dias uma bandeira de Portugal e outra da &Aacute;frica do Sul para colocar no retrovisor do carro e dizia: Algo est&aacute; a acontecer.<\/p>\n<p>Se algo est&aacute; a acontecer e isso leva as pessoas &agrave; participa&ccedil;&atilde;o, a dar as m&atilde;os e&nbsp; a conhecer-se melhor para assim se respeitarem mais, ent&atilde;o n&atilde;o hesito em dizer que o Esp&iacute;rito de Deus est&aacute; presente e que as pessoas saber&atilde;o acolher a sua luz para construir um mundo de mais esperan&ccedil;a para todos. As crian&ccedil;as portuguesas, quase todas de origem africana, com que vivi a Eucaristia neste domingo, num bairro de inser&ccedil;&atilde;o da periferia de Lisboa, ficaram interessadas em ouvir o meu &ldquo;zulu&rdquo; e at&eacute; aprenderam a cantar em Zulu um pequeno c&acirc;ntico. Mas ser&aacute; que a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal no campeonato do mundo vai ajudar a que essas crian&ccedil;as se sintam mais pr&oacute;ximas de todas as outras crian&ccedil;as que vivem, quase na rua ao lado, mas tamb&eacute;m num mundo &agrave; parte porque desigual? Possa Portugal vencer! Sobretudo possa vencer ou ajudar a vencer, pelo desporto rei, as barreiras da desigualdade e do desinteresse pelo futuro do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Que a nossa bandeira se erga bem alto no interior de cada um, incentivando e encorajando todos a entregar-se, com garra e com valor, com verdade e com sacrif&iacute;cio at&eacute;, pela sustentabilidade do nosso pa&iacute;s como terra de esperan&ccedil;a para todos os que aqui vivem. Coragem Portugal!<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Pe. Jos&eacute; Manuel Saben&ccedil;a. Provincial Mission&aacute;rios Espiritanos<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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