{"id":45830,"date":"2010-06-14T11:44:15","date_gmt":"2010-06-14T11:44:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/14\/25-anos-de-adesao-de-portugal-a-uniao-europeia\/"},"modified":"2010-06-14T11:44:15","modified_gmt":"2010-06-14T11:44:15","slug":"25-anos-de-adesao-de-portugal-a-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/25-anos-de-adesao-de-portugal-a-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"25 anos de Ades\u00e3o de Portugal \u00e0 Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p>H&aacute; j&aacute; 25 anos que Portugal aderiu &agrave; Uni&atilde;o Europeia, que nasceu h&aacute; mais de meio s&eacute;culo como projecto de paz, liberdade e respeito da dignidade das pessoas e na&ccedil;&otilde;es, em prol do bem estar dos Estados aderentes e abertos &agrave; partilha solid&aacute;ria. A Uni&atilde;o de livre circula&ccedil;&atilde;o de pessoas e bens n&atilde;o se entende, sem o reconhecimento das ra&iacute;zes e valores crist&atilde;os, que, segundo os Pais Fundadores, Schuman, De Gasperi, Adenauer e outros, constituem o seu alicerce e a sua alma. A Europa n&atilde;o pode nem deve esquecer a sua origem. Ela n&atilde;o &eacute; pura unifica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-econ&oacute;mica, mas s&iacute;ntese de valores herdados e partilhados, em paz, na liberdade e na solidariedade.<\/p>\n<p>A celebra&ccedil;&atilde;o dos vinte e cinco anos da ades&atilde;o de Portugal deve servir para tomar mais consci&ecirc;ncia da grandeza do projecto em que estamos embarcados, do que h&aacute; a corrigir e melhorar, cientes de que a Europa n&atilde;o &eacute; s&oacute; a comunidade, da qual se auferem as vantagens econ&oacute;micas, esquecendo deveres e contra-partidas, mas &eacute;, antes de mais, comunh&atilde;o de vontades e esfor&ccedil;os, salvaguarda de valores, respeito e humanidade, na promo&ccedil;&atilde;o do bem comum, sem revanchismos, vingan&ccedil;as, ego&iacute;smos desenfreados e ideias hegem&oacute;nicas, que sempre levaram &agrave; cat&aacute;strofe.<\/p>\n<p>A Europa nasceu ap&oacute;s a trag&eacute;dia de 2 conflitos mundiais. A Declara&ccedil;&atilde;o de Schuman, de 1950, prop&ocirc;s a via do progresso e da paz, acabou com o c&iacute;rculo vicioso da retalia&ccedil;&atilde;o e &oacute;dio entre as na&ccedil;&otilde;es europeias. Desconhecer isso &eacute; um erro hist&oacute;rico e um perigo, que leva o projecto europeu a ruir como um castelo de cartas. A Europa prega e alimenta o ideal de liberdade, igualdade e democracia e ainda bem. S&atilde;o uma conquista crist&atilde;, com o substrato grego da vida p&uacute;blica e elite dos homens livres, mas n&atilde;o dos escravos, amalgamado com direito romano e contributo do liberalismo iluminista. A democracia, sem verdade que a ilumine e sustente, como mera democracia relativista e irracional e hoje sem fundamenta&ccedil;&atilde;o, conduz &agrave; ru&iacute;na, &eacute; auto-f&aacute;gica, devora-se a si mesma, como dizia Plat&atilde;o, pois at&eacute; Hitler foi eleito democraticamente! O projecto europeu desligado da verdade crist&atilde; e do amor, do respeito, igualdade e solidariedade que o explicam e sustentam, amea&ccedil;a tamb&eacute;m uma derrocada iminente, se n&atilde;o o alicer&ccedil;armos.<\/p>\n<p>As ideologias pag&atilde;s nazista e comunista n&atilde;o conduziram ao para&iacute;so terrestre mas aos fornos cremat&oacute;rios, campos de concentra&ccedil;&atilde;o e desrespeito da dignidade humana. O mal espreita sempre a condi&ccedil;&atilde;o humana se n&atilde;o estamos atentos a debelar os perigos. Que o paganismo das ideologias do s&eacute;culo XX n&atilde;o devore agora o sonho europeu!<\/p>\n<p>&ldquo;<em>Relativismo, laicismo, cientismo e o que hoje &eacute; colocado, em lugar da f&eacute;, s&atilde;o venenos e n&atilde;o ant&iacute;dotos. Eles agridem o corpo j&aacute; doente, n&atilde;o s&atilde;o anti-corpos que o defendam<\/em>&rdquo;, reconhece Marcelo Pera, n&atilde;o crente confesso, que explica porque devemos agir como culturalmente crist&atilde;os e, como dizia Pascal aos amigos incr&eacute;dulos, viver <em>como se Deus existisse<\/em>, numa Europa, que nasceu e foi plasmada por valores crist&atilde;os, que s&atilde;o a base do pensamento moderno e do seu ideal &eacute;tico e sem os quais ela n&atilde;o se aguenta.<\/p>\n<p>Os te&oacute;ricos do liberalismo e do iluminismo, como John Locke, Thomas Jefferson e Kant exaltaram a liberdade e a raz&atilde;o humana, mas solidamente baseados, na lei natural, no desejo de ades&atilde;o ao bem e &agrave; verdade, dentro dos limites duma &eacute;tica natural e crist&atilde;.<\/p>\n<p>Os Europeus, crentes ou n&atilde;o, deveriam reconhecer o contributo ben&eacute;fico da heran&ccedil;a crist&atilde;, sem se envergonharem dos valores que presidiram ao nascimento da Europa e da cultura ocidental. S&atilde;o, ali&aacute;s, n&atilde;o crist&atilde;os, como Weiler e Benedetto Croce, os que enaltecem o valor do cristianismo, do ponto de vista civil, humano e social. Chegou, pois, a hora de acordar e afirmar, sem vergonha e com coragem, o contributo crist&atilde;o, o direito &agrave; vida e dignidade da pessoa humana, direito pr&eacute;vio, inalien&aacute;vel e imperec&iacute;vel e o direito &agrave; liberdade, &agrave; solidariedade, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e ao uso dos bens, com um destino universal. Reafirmemos estes direitos, no ano em que a Uni&atilde;o Europeia prop&ocirc;s 2010, como &ldquo;<em>Ano de Luta contra a Pobreza e a Exclus&atilde;o Social&rdquo;<\/em>.<\/p>\n<p>O cristianismo fundiu, em s&iacute;ntese admir&aacute;vel, raz&atilde;o e <em>eunomia<\/em> gregas, direito romano e a Revela&ccedil;&atilde;o judaico-crist&atilde;, &agrave; luz do mist&eacute;rio da cruz de Cristo, que originou a maior revolu&ccedil;&atilde;o mundial n&atilde;o violenta, tornando os homens e mulheres iguais e irm&atilde;os. A civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental assenta assim em tr&ecirc;s colinas, na Acr&oacute;pole de Atenas, no Capit&oacute;lio de Roma e no Monte Calv&aacute;rio de Jerusal&eacute;m, como disse Theodor Heuss, presidente da Rep&uacute;blica Federal da Alemanha, ap&oacute;s a cat&aacute;strofe da segunda guerra mundial.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Am&acirc;ndio Jos&eacute; Tom&aacute;s, Bispo Coadjutor de Vila Real, <\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Delegado da CEP Para a Comiss&atilde;o dos Episcopados da Comunidade Europeia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; j&aacute; 25 anos que Portugal aderiu &agrave; Uni&atilde;o Europeia, que nasceu h&aacute; mais de meio s&eacute;culo como projecto de paz, liberdade e respeito da dignidade das pessoas e na&ccedil;&otilde;es, em prol do bem estar dos Estados aderentes e abertos &agrave; partilha solid&aacute;ria. 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