{"id":45750,"date":"2010-06-08T11:46:56","date_gmt":"2010-06-08T11:46:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/08\/frei-antonio-das-chagas-ao-encontro-da-alma-russa\/"},"modified":"2010-06-08T11:46:56","modified_gmt":"2010-06-08T11:46:56","slug":"frei-antonio-das-chagas-ao-encontro-da-alma-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/frei-antonio-das-chagas-ao-encontro-da-alma-russa\/","title":{"rendered":"Frei Ant\u00f3nio das Chagas ao encontro da alma russa"},"content":{"rendered":"<p>Poemas traduzidos em russo e editados na revista liter\u00e1ria e art\u00edstica \u00abSfinx\u00bb <!--more--> <\/p>\n<p>Acabam de ser editados em S&atilde;o Petersburgo, no volume XXI da revista liter&aacute;ria e art&iacute;stica &ldquo;Sfinx&rdquo; (Esfinge), 13 poemas de Frei Ant&oacute;nio das Chagas, poeta portugu&ecirc;s do s&eacute;culo XVII, traduzidos em Russo.<\/p>\n<p>As tradu&ccedil;&otilde;es foram realizadas por Andrei Rodosski, poeta, fil&oacute;logo e tradutor, professor da Faculdade de Hist&oacute;ria e da Faculdade de Filologia da Universidade Estatal de S&atilde;o Petersburgo. Foi acad&eacute;mico correspondente estrangeiro da extinta Academia Internacional da Cultura Portuguesa. Andrei Rodosski &eacute; especialista em poesia portuguesa do s&eacute;culo XIX, tendo traduzido figuras t&atilde;o essenciais da nossa cultura como Almeida Garrett e Jo&atilde;o de Deus. O seu interesse n&atilde;o se limita no entanto a essa &eacute;poca. Traduziu poesia de trovadores medievais galaico-portugueses, e autores do s&eacute;culo XX e contempor&acirc;neos como M&aacute;rio de S&aacute;-Carneiro, Egito Gon&ccedil;alves, Alexandre O&acute;Neill, Fernando Guimar&atilde;es, Pedro Tamen, Manuel Alegre, Vasco Gra&ccedil;a Moura e Joaquim Pessoa, entre outros.<\/p>\n<p>Frei Ant&oacute;nio das Chagas, cujo nome secular era Ant&oacute;nio da Fonseca Soares, foi uma figura extremamente contradit&oacute;ria, a um tempo militar, poeta e eclesi&aacute;stico. Nascido na Vidigueira, no Alentejo, em 1631, no seio de uma fam&iacute;lia fidalga, n&atilde;o concluiu os estudos devido &agrave; morte do pai e ingressou no ex&eacute;rcito aos 18 anos, tendo combatido na Guerra da Restaura&ccedil;&atilde;o. Sabe-se que foi neste per&iacute;odo que despertou para a poesia. Existe informa&ccedil;&atilde;o que permite descrever o soldado-poeta como homem dado a excessos de v&aacute;ria ordem, levando uma vida desregrada, sendo que, aos 22 anos, foi obrigado a fugir para o&nbsp; Brasil para escapar &agrave; justi&ccedil;a, em virtude de, num duelo, ter causado a morte de um rival. Regressou a Portugal tr&ecirc;s anos depois e retomou a carreira das armas, tendo sido promovido a capit&atilde;o em Set&uacute;bal, sinal de reconhecimento do seu valor. Contudo, aos 31 anos, abandonou a vida militar e tornou-se monge da Ordem de S&atilde;o Francisco em &Eacute;vora, e dedicou o resto da sua vida &agrave; prega&ccedil;&atilde;o da F&eacute; e &agrave; penit&ecirc;ncia pelas faltas cometidas enquanto homem mundano. Foi um pregador ardente, apaixonado e empenhado, tendo viajado em prega&ccedil;&atilde;o por todo o pa&iacute;s e tamb&eacute;m &agrave; corte. Em 1680 passou a viver no Convento do Varatojo (Torres Vedras) que, por sua iniciativa, passou a Semin&aacute;rio Apost&oacute;lico das Miss&otilde;es da Ordem dos Franciscanos. Em 1682, Frei Ant&oacute;nio das Chagas fundou o Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes, em Set&uacute;bal, vindo a falecer nesse mesmo ano, no Varatojo.<\/p>\n<p>Frei Ant&oacute;nio das Chagas escreveu nos mais diversos estilos: romances, sonetos, glosas, madrigais, d&eacute;cimas e poemas her&oacute;icos, e tamb&eacute;m, na segunda fase da sua vida, serm&otilde;es, elegias, cartas e c&acirc;nticos espirituais, entre outros. Existe indica&ccedil;&atilde;o de que, nesta segunda fase, desejava destruir os sonetos, romances e outra poesia da sua juventude. Podendo ser entendida como paradigma da sua &eacute;poca &#8211; s&eacute;culo XVII, &eacute;poca do Barroco, per&iacute;odo de ambiguidade entre f&eacute; e raz&atilde;o &ndash; a vida de Frei Ant&oacute;nio das Chagas reflecte-se nas v&aacute;rias formas de que se reveste e nos temas de que &eacute; composta a sua obra. Os poemas escolhidos por Andrei Rodosski permitem aos leitores russos apreciar esta variedade formal e tem&aacute;tica. Encontramos assim nesta selec&ccedil;&atilde;o, por exemplo, a tem&aacute;tica do desencanto com as coisas do mundo (soneto &ldquo;<em>&Agrave; vaidade do mundo<\/em>&rdquo;), a d&uacute;vida e a devo&ccedil;&atilde;o e exalta&ccedil;&atilde;o religiosas (sonetos &ldquo;<em>Se sois riqueza, como estais despido?&#8230;<\/em>&rdquo;, <em>&ldquo;A Santa Maria Madalena&rdquo;<\/em>), a exorta&ccedil;&atilde;o &agrave;<em> <\/em>bondade (soneto &ldquo;<em>Et petrae scissae sunt<\/em>&rdquo;), assuntos de circunst&acirc;ncia tratados de forma estilisticamente requintada (soneto &ldquo;<em>Ao cavalo do Conde do Sabugal, que fazia grandes curvetas<\/em>&rdquo;, em que os movimentos do cavalo s&atilde;o descritos recorrendo a refer&ecirc;ncias musicais e sonoras, exemplo precursor da sinestesia interseccionista de Pessoa e S&aacute;-Carneiro), a incessante procura (&ldquo;<em>Ao loureiro de Jo&atilde;o de Saldanha de Sousa, que est&aacute; com as ra&iacute;zes fora da terra, sobre uma fonte<\/em>&rdquo;), a exalta&ccedil;&atilde;o sensual da beleza feminina (&ldquo;<em>Romance de uma freira indo &agrave;s Caldas<\/em>&rdquo;) e o conflito entre o esp&iacute;rito e os prazeres sensuais a que o poeta renunciara (romance &ldquo;<em>Ah, Francisca, vida minha!&#8230;<\/em>&rdquo;).<\/p>\n<p>Famoso como poeta e tamb&eacute;m como pregador, Frei Ant&oacute;nio das Chagas fascinou os homens do seu tempo e &eacute; capaz de fascinar hoje tamb&eacute;m &ndash; basta (re)descobri-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(A. L. Sim&otilde;es Gamboa, em S&atilde;o Petersburgo)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poemas traduzidos em russo e editados na revista liter\u00e1ria e art\u00edstica \u00abSfinx\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[122,213],"class_list":["post-45750","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-brasil","tag-franciscanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45750\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}