{"id":45736,"date":"2010-06-07T15:16:18","date_gmt":"2010-06-07T15:16:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/07\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-solenidade-do-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo\/"},"modified":"2010-06-07T15:16:18","modified_gmt":"2010-06-07T15:16:18","slug":"homilia-de-d-antonio-carrilho-na-solenidade-do-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-solenidade-do-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho na Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;Fazei isto em mem&oacute;ria de Mim&rdquo; (Lc 22,19)<\/strong><\/p>\n<p>Celebramos com profunda alegria e amor, a Solenidade do Sant&iacute;ssimo Corpo e Sangue de Cristo, dom por excel&ecirc;ncia da Sant&iacute;ssima Trindade confiado &agrave; Igreja. Neste dia, o sil&ecirc;ncio contemplativo da Ceia da despedida de Quinta-Feira Santa, inef&aacute;vel mist&eacute;rio da Eucaristia, conduz ao canto de Louvor e Ac&ccedil;&atilde;o de Gra&ccedil;as do Povo de Deus pelo memorial de todas as maravilhas do Senhor. &ldquo;Grandes e admir&aacute;veis s&atilde;o as Vossas obras, Senhor Deus Omnipotente&rdquo;!<\/p>\n<p>Em cada Eucaristia somos envolvidos pela for&ccedil;a do imenso Amor de Cristo, morto e ressuscitado, que Se oferece a cada homem e a cada mulher na humildade do P&atilde;o e do Vinho consagrados, inesgot&aacute;vel fonte de Vida, Paz e Alegria para a caminhada das nossas vidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Eucaristia, memorial das maravilhas de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira leitura, o excerto do Livro do G&eacute;nesis (14,18-20), salienta a singular e misteriosa figura de Melquisedec, s&iacute;mbolo de Cristo, Sumo e eterno Sacerdote, que aben&ccedil;oa Abra&atilde;o, depois de uma vit&oacute;ria em combate. &ldquo;Aben&ccedil;oado seja Abra&atilde;o pelo Deus Alt&iacute;ssimo, criador do c&eacute;u e da terra&rdquo; (Gen 14,19). Ele n&atilde;o oferece a Deus os tradicionais sacrif&iacute;cios de animais, mas p&atilde;o e vinho, como Jesus na &uacute;ltima Ceia. Os Padres da Igreja viram, nessa oferta do p&atilde;o e do vinho, o sacrif&iacute;cio da Nova Alian&ccedil;a, a Eucaristia.<\/p>\n<p>S. Paulo, na carta aos Cor&iacute;ntios, proclamada na segunda leitura (cf. 1Cor 11,23-26) apresenta-nos o testemunho mais antigo, sobre a institui&ccedil;&atilde;o da Sant&iacute;ssima Eucaristia. &Eacute; not&oacute;rio o cuidado do Ap&oacute;stolo em evidenciar que recebeu do pr&oacute;prio Senhor o dom de celebrar o memorial da Ceia Pascal. &ldquo;Eu recebi do Senhor o que tamb&eacute;m vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o p&atilde;o e, dando gra&ccedil;as, partiu-o e disse: &ldquo;Isto &eacute; o meu Corpo, entregue por v&oacute;s. Fazei isto em mem&oacute;ria de Mim&rdquo;. Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o c&aacute;lice e disse: &ldquo;Este c&aacute;lice &eacute; a nova alian&ccedil;a no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em mem&oacute;ria de Mim&rdquo; (1Cor 11, 23-25). Com estas palavras, Cristo confia aos Ap&oacute;stolos o poder de celebrar a Eucaristia, memorial da Sua Paix&atilde;o, Morte e Ressurrei&ccedil;&atilde;o, instituindo assim o sacerd&oacute;cio ministerial, que participa do &uacute;nico e eterno Sacerd&oacute;cio de Cristo.<\/p>\n<p>A Eucaristia &eacute; o P&atilde;o da Vida, o Sol da Esperan&ccedil;a, que ilumina o cora&ccedil;&atilde;o da Humanidade, ferida pelo mal, mas sedenta de Paz e de Infinito. Este admir&aacute;vel Banquete &eacute; caudal de Gra&ccedil;a e Alegria, para todos os que acreditam e lutam pela constru&ccedil;&atilde;o de um mundo melhor e mais solid&aacute;rio. Como escreve o Papa Bento XVI, &ldquo;a pr&oacute;pria Eucaristia projecta uma luz intensa sobre a hist&oacute;ria humana e todo o universo&rdquo; (Sacramento da Caridade, 91).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Banquete de Vida, oferta de Amor<\/strong><\/p>\n<p>O texto do Evangelho de S. Lucas (9,11-17), tamb&eacute;m h&aacute; pouco escutado, narra-nos o admir&aacute;vel milagre da multiplica&ccedil;&atilde;o dos p&atilde;es, o &uacute;nico do minist&eacute;rio da Galileia, que deixa assombrados os disc&iacute;pulos e a multid&atilde;o, que seguia Jesus, e prefigura a Eucaristia. De salientar que o milagre dos p&atilde;es e dos peixes &eacute; precedido pelo minist&eacute;rio da Palavra e da cura: &ldquo;Estava Jesus a falar &agrave; multid&atilde;o sobre o reino de Deus e a curar aqueles que necessitavam&rdquo; (Lc 9,11). E diz-nos o evangelista &ldquo;que o dia come&ccedil;ava a declinar&rdquo;, como outrora em Ema&uacute;s e como nesta tarde de gra&ccedil;a, em que aqui nos reunimos para escutar Jesus, presente na Palavra, no Banquete eucar&iacute;stico e na Assembleia reunida em Seu nome.<\/p>\n<p>As ofertas da nossa pobreza, participa&ccedil;&atilde;o e consentimento, como daquele jovem generoso, que ofereceu os p&atilde;es e os peixes, s&atilde;o atitudes indispens&aacute;veis, para que Jesus possa continuar a fazer milagres hoje, isto &eacute;, a agir na nossa vida e na nossa hist&oacute;ria com o poder do seu Amor sem limites. &ldquo;Ent&atilde;o Jesus tomou os cinco p&atilde;es e os dois peixes, ergueu os olhos ao C&eacute;u e pronunciou sobre eles a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o. Depois partiu-os e deu-os aos disc&iacute;pulos, para eles os distribu&iacute;rem pela multid&atilde;o&rdquo; (Lc 9,16). Comer o Corpo e beber o Sangue de Cristo &eacute; condi&ccedil;&atilde;o essencial para participar na Vida do Ressuscitado, que permanece presente na Sua Igreja at&eacute; ao fim dos tempos. &ldquo;Quem comer deste p&atilde;o viver&aacute; eternamente&rdquo; (Jo 6,51).<\/p>\n<p>O Reino de Deus chegou e torna-se vis&iacute;vel nos gestos de Cristo, o Rosto do Amor infinito do Pai. Deus ama a humanidade e est&aacute; atento a todas as suas necessidades, n&atilde;o s&oacute; ao flagelo da fome, mas tamb&eacute;m aos anseios mais profundos, que abarcam todo o seu espa&ccedil;o existencial. Esta &eacute; igualmente a miss&atilde;o da Igreja: celebrar, multiplicar e partilhar o p&atilde;o da Palavra, da Eucaristia, da solidariedade, da consola&ccedil;&atilde;o, da verdade e da justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>A Eucaristia tem sempre um car&aacute;cter e compromisso social, porque &eacute; exig&ecirc;ncia de comunh&atilde;o com os outros (cf. Bento XVI, Sacramento da Caridade, 89). E a Igreja, porque vive da Eucaristia, &eacute; chamada a saciar as novas sedes e fomes da Humanidade, oferecendo o p&atilde;o da amizade, da alegria, do perd&atilde;o, da ternura, do sorriso amigo, da esperan&ccedil;a e do servi&ccedil;o gratuito, enfim, a reinventar a solidariedade e a fraternidade, neste tempo de crise e profundas muta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento <\/strong><\/p>\n<p>O culto eucar&iacute;stico de Louvor e Ac&ccedil;&atilde;o de Gra&ccedil;as n&atilde;o se esgota na pr&oacute;pria celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, mas prolonga-se na Adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento, tempo privilegiado de ora&ccedil;&atilde;o e encontro com o Deus vivo. Como escreve Jo&atilde;o Paulo II, &ldquo;a Eucaristia &eacute; um tesouro inestim&aacute;vel: n&atilde;o s&oacute; a sua celebra&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m a perman&ecirc;ncia diante dela fora da Missa permite-nos beber na pr&oacute;pria fonte da gra&ccedil;a&rdquo; (A Igreja vive da Eucaristia, 25). Gra&ccedil;as a Deus os crist&atilde;os da Madeira e do Porto Santo manifestaram sempre, ao longo da sua hist&oacute;ria e vida eclesial, um grande amor ao Sant&iacute;ssimo Sacramento. S&atilde;o at&eacute; conhecidas por &ldquo;Ilhas do Sant&iacute;ssimo Sacramento&rdquo;.<\/p>\n<p>Para finalizar o Ano Sacerdotal, propus ao Secretariado da Pastoral Vocacional, que dinamizasse na nossa Diocese um tempo especial de Adora&ccedil;&atilde;o, o sagrado&nbsp; Lausperene, em todas as comunidades paroquiais e religiosas, a fim de intensificar a ora&ccedil;&atilde;o pelos sacerdotes, pelas voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais e por todas as voca&ccedil;&otilde;es de especial consagra&ccedil;&atilde;o. Sabemos que &eacute; o Senhor da Messe quem chama e envia os oper&aacute;rios para a Sua Messe. Na contempla&ccedil;&atilde;o e adora&ccedil;&atilde;o ass&iacute;duas do Cora&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stico de Jesus, penetramos na plenitude da Vida e do Amor, fonte do aut&ecirc;ntico dinamismo da pastoral vocacional.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Encerramento do Ano Sacerdotal<\/strong><\/p>\n<p>No pr&oacute;ximo dia 11 de Junho, Solenidade do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, encerra-se o Ano Sacerdotal vivido sob a inspira&ccedil;&atilde;o do testemunho da vida do Santo Cura d&rsquo;Ars, nos 150 anos da sua morte. Agradecemos a Deus os dons e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os recebidas, durante este ano de gra&ccedil;a: celebra&ccedil;&otilde;es, actividades espec&iacute;ficas e incentivos em ordem &agrave; forma&ccedil;&atilde;o e aprofundamento da identidade e miss&atilde;o do sacerdote, bem como de sensibiliza&ccedil;&atilde;o e ajuda a todo o Povo de Deus, na descoberta do verdadeiro sentido do Sacerd&oacute;cio e da import&acirc;ncia do minist&eacute;rio sacerdotal.<\/p>\n<p>Reunidos hoje, aqui, em grande Assembleia Eucar&iacute;stica Diocesana, tomamos esta celebra&ccedil;&atilde;o como acto conclusivo conjunto do Ano Sacerdotal, convidando todos os sacerdotes a celebrarem, tamb&eacute;m, o encerramento do Ano Sacerdotal, nas suas par&oacute;quias e comunidades, nas festas do pr&oacute;ximo dia do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus. Fazemo-lo em uni&atilde;o com a Igreja Universal e o Santo Padre, que nessa data presidir&aacute; &agrave; Eucaristia final do Congresso Mundial de Sacerdotes, em Roma, onde a nossa Diocese estar&aacute; representada por quatro elementos do seu presbit&eacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Identidade e fidelidade do Sacerdote<\/strong><\/p>\n<p>O sacerdote conduzido pelo Esp&iacute;rito Santo, servidor do mist&eacute;rio e da comunh&atilde;o, entrega-se por inteiro, no hoje da miss&atilde;o da Igreja, ao seu minist&eacute;rio sacerdotal. &Agrave; semelhan&ccedil;a de Cristo, V&iacute;tima e Sacerdote, oferece a sua vida pelos seus irm&atilde;os, promovendo na actual sociedade secularizada uma cultura de Esperan&ccedil;a e de Vida.<\/p>\n<p>Bento XVI, quando se dirigiu aos sacerdotes e consagrados, no passado m&ecirc;s de Maio, em F&aacute;tima, disse: &ldquo;A fidelidade no tempo &eacute; o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote. Isto sup&otilde;e, evidentemente, uma verdadeira intimidade com Cristo na ora&ccedil;&atilde;o, pois ser&aacute; a experi&ecirc;ncia forte e intensa do amor do Senhor, que h&aacute;-de levar os sacerdotes e os consagrados a corresponderem ao Seu amor, de modo exclusivo e esponsal&rdquo;.<\/p>\n<p>De facto, o sacerdote, para manter-se fiel ao seu minist&eacute;rio, al&eacute;m da forma&ccedil;&atilde;o permanente integral, tem de cultivar uma aut&ecirc;ntica espiritualidade sacerdotal. Na ora&ccedil;&atilde;o encontrar&aacute; luz e for&ccedil;a para evangelizar e anunciar, com aud&aacute;cia e ousadia prof&eacute;tica, o admir&aacute;vel Amor do Pai.<\/p>\n<p>O sacerd&oacute;cio e o Sacramento do Altar est&atilde;o intimamente unidos. A Eucaristia &eacute; a revela&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio sublime do Amor da Sant&iacute;ssima Trindade, que se oferece humildemente a cada homem e a cada mulher, no Corpo entregue e no Sangue derramado. O Santo Cura d&rsquo;Ars dizia: &ldquo;O sacerdote &eacute; o amor do Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus&rdquo;. Por isso, a vida do sacerdote deve ser uma Eucaristia perene.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cristo vivo nas ruas da cidade<\/strong><\/p>\n<p>Ap&oacute;s esta celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica teremos a tradicional prociss&atilde;o do &ldquo;Corpo de Deus&rdquo;, pelas ruas da nossa cidade, ornamentadas com belos tapetes de flores. &Eacute; Cristo vivo que vai passar! Esta bela tradi&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, vivida com f&eacute; e amor na presen&ccedil;a real de Jesus na Eucaristia, bem nos faz recordar as caminhadas de Jesus, quando, outrora, percorria as estradas da Palestina, acolhendo todos os que O procuravam, privilegiando as crian&ccedil;as, os pobres e os doentes, &ldquo;porque sa&iacute;a d&rsquo;Ele uma for&ccedil;a que a todos curava&rdquo; (Lc 6,19).<\/p>\n<p>Que Jesus, ao percorrer as nossas ruas e colocar o Seu olhar sobre aqueles que encontra nestes caminhos ou Lhe dirigem uma prece do sil&ecirc;ncio das suas casas ou do sofrimento dos seus cora&ccedil;&otilde;es, a todos conforte na coragem da f&eacute; e na alegria da esperan&ccedil;a!<\/p>\n<p>E que a Virgem Maria, Senhora do Sant&iacute;ssimo Sacramento, nos ensine a viver, em cada dia, as exig&ecirc;ncias de uma verdadeira cultura eucar&iacute;stica, que promove o di&aacute;logo, o respeito, a amizade sincera e a partilha do p&atilde;o da fraternidade.<\/p>\n<p>Igreja do Col&eacute;gio, 3 de Junho 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Fazei isto em mem&oacute;ria de Mim&rdquo; (Lc 22,19) Celebramos com profunda alegria e amor, a Solenidade do Sant&iacute;ssimo Corpo e Sangue de Cristo, dom por excel&ecirc;ncia da Sant&iacute;ssima Trindade confiado &agrave; Igreja. 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