{"id":45707,"date":"2010-06-05T17:37:00","date_gmt":"2010-06-05T17:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/05\/o-mundo-precisa-da-cruz-afirma-bento-xvi\/"},"modified":"2010-06-05T17:37:00","modified_gmt":"2010-06-05T17:37:00","slug":"o-mundo-precisa-da-cruz-afirma-bento-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-mundo-precisa-da-cruz-afirma-bento-xvi\/","title":{"rendered":"\u00abO mundo precisa da cruz\u00bb, afirma Bento XVI"},"content":{"rendered":"<p>Papa falou sobre os motivos de os crist\u00e3os celebrarem \u00abum instrumento de tortura, um sinal de sofrimento, de derrota e de fracasso\u00bb <!--more--> <\/p>\n<p>Na homilia da missa celebrada esta tarde na igreja da Santa Cruz, em Nic&oacute;sia, capital do Chipre, Bento XVI deteve-se sobre o sentido do sofrimento e da morte que resultam da crucifica&ccedil;&atilde;o de Jesus.<\/p>\n<p>&ldquo;Muitos poder&atilde;o ser tentados a perguntar por que motivo n&oacute;s, crist&atilde;os, celebramos um instrumento de tortura, um sinal de sofrimento, de derrota e de fracasso&rdquo;, referiu o Papa, para a seguir sublinhar que a cruz representa o &ldquo;triunfo definitivo do amor de Deus sobre todos os males do mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>Bento XVI recordou a narrativa b&iacute;blica que pretende explicar a entrada do mal na vida humana: &ldquo;Ad&atilde;o abandonou a confian&ccedil;a filial em Deus e pecou, comendo o fruto da &uacute;nica &aacute;rvore do jardim que lhe era proibida&rdquo;, e agora &#8220;s&oacute; Deus&#8221; pode libertar o homem da escravid&atilde;o moral e f&iacute;sica causada por aquela desobedi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O &ldquo;sofrimento e a morte, que eram consequ&ecirc;ncia do pecado, tornaram-se eles mesmos o meio atrav&eacute;s do quais o pecado foi derrotado&rdquo;, sublinhou Bento XVI ao referir-se &agrave; agonia f&iacute;sica, psicol&oacute;gica e espiritual de Jesus perante a imin&ecirc;ncia da morte.<\/p>\n<p>&ldquo;Por isso &ndash; prosseguiu o Papa &ndash; a cruz &eacute; algo de maior e mais misterioso do que &agrave; primeira vista pode parecer. &Eacute; sem d&uacute;vida um instrumento de tortura&rdquo;, mas ao mesmo tempo exprime a vit&oacute;ria definitiva sobre esse mal, tornando-a &ldquo;no s&iacute;mbolo mais eloquente da esperan&ccedil;a que o mundo jamais havia visto&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Relev&acirc;ncia da cruz na sociedade contempor&acirc;nea<\/strong><\/p>\n<p>Para Bento XVI, o significado da cruz &ldquo;fala a todos aqueles que sofrem &ndash; os oprimidos, os doentes, os pobres, os marginalizados, as v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia e oferece-lhes a esperan&ccedil;a de que Deus pode transformar o seu sofrimento em alegria, o seu isolamento em comunh&atilde;o, a sua morte em vida. Oferece esperan&ccedil;a sem limites ao nosso mundo deca&iacute;do&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; por estes motivos que o mundo &ldquo;precisa da cruz&rdquo;, que &ldquo;n&atilde;o &eacute; simplesmente um s&iacute;mbolo privado de devo&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; um distintivo da perten&ccedil;a a qualquer grupo no interior da sociedade&rdquo; e &ldquo;o seu significado mais profundo n&atilde;o tem nada a ver com a imposi&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada de um credo ou de uma filosofia&rdquo;.<\/p>\n<p>A cruz, frisou o Papa, &ldquo;fala de esperan&ccedil;a, fala de amor, fala da vit&oacute;ria da n&atilde;o-viol&ecirc;ncia sobre a opress&atilde;o, fala de Deus que exalta os humildes, d&aacute; for&ccedil;a aos fr&aacute;geis, faz superar as divis&otilde;es e vencer o &oacute;dio com o amor&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Um mundo sem cruz seria um mundo sem esperan&ccedil;a, um mundo no qual a tortura e a brutalidade permaneceriam desenfreados, os fr&aacute;geis seriam explorados e a avidez teria a &uacute;ltima palavra&rdquo;, sublinhou.<\/p>\n<p><strong>Apelos &agrave;s comunidades cat&oacute;licas no M&eacute;dio Oriente<\/strong><\/p>\n<p>Bento XVI dirigiu-se aos padres, religiosos e catequistas presentes na missa, salientando que a mensagem da cruz foi confiada &agrave; Igreja para que ela possa &ldquo;oferecer esperan&ccedil;a ao mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando proclamamos Cristo crucificado, n&atilde;o nos proclamamos a n&oacute;s pr&oacute;prios, mas a ele&rdquo;, afirmou, acrescentando: &ldquo;N&atilde;o ofere&ccedil;amos a nossa sabedoria ao mundo, n&atilde;o falemos dos nossos pr&oacute;prios m&eacute;ritos&rdquo;, mas do seu &ldquo;amor&rdquo;, sabendo &ldquo;ser simplesmente vasos feitos de argila&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o cessemos de reconhecer a nossa indignidade, mas ao mesmo tempo esforcemo-nos sempre para nos tornarmos menos indignos do nosso nobre chamamento, de forma a n&atilde;o enfraquecer mediante os nossos erros e as nossas quedas a credibilidade do nosso testemunho&rdquo;, pediu o Papa.<\/p>\n<p>Bento XVI lembrou os sofrimentos e dificuldades vividos pelo clero e consagrados: &ldquo;No meu pensamento e na minha ora&ccedil;&atilde;o recordo-me de modo especial dos muitos sacerdotes e religiosos do M&eacute;dio Oriente que experimentam neste momento um chamamento particular a conformar a pr&oacute;pria vida ao mist&eacute;rio da cruz do Senhor&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Onde os crist&atilde;os s&atilde;o a minoria, onde sofrem priva&ccedil;&otilde;es por causa das tens&otilde;es &eacute;tnicas e religiosas, muitas fam&iacute;lias tomam a decis&atilde;o de partir e muitos pastores tamb&eacute;m s&atilde;o tentados a fazer o mesmo&rdquo;, constatou o Papa, que pediu ao clero e aos consagrados para permanecerem nas suas comunidades.<\/p>\n<p>Os sacerdotes e par&oacute;quias que continuam a dar testemunho de Cristo s&atilde;o &ldquo;um sinal extraordin&aacute;rio de esperan&ccedil;a, n&atilde;o s&oacute; para os crist&atilde;os, mas tamb&eacute;m para quantos vivem na regi&atilde;o&rdquo; e a sua presen&ccedil;a &eacute; uma &ldquo;express&atilde;o eloquente do Evangelho da paz&rdquo; e do empenho da Igreja &ldquo;no di&aacute;logo, na reconcilia&ccedil;&atilde;o e na aceita&ccedil;&atilde;o amorosa do outro&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>&Uacute;ltimo dia da visita marcado pela entrega do documento preparat&oacute;rio do S&iacute;nodo dos Bispos<\/strong><\/p>\n<p>Com a celebra&ccedil;&atilde;o da missa, o Papa concluiu o programa do segundo dia da visita a Chipre. No Domingo, Bento XVI preside em Nic&oacute;sia, pelas 9h30 (menos duas horas em Portugal continental) &agrave; eucaristia por ocasi&atilde;o da entrega do documento preparat&oacute;rio do S&iacute;nodo dos Bispos para o M&eacute;dio Oriente, que decorre em Roma no m&ecirc;s de Outubro.<\/p>\n<p>Pelas 13h00 almo&ccedil;a na Nunciatura Apost&oacute;lica &ndash; representa&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica do Vaticano &ndash; com os patriarcas e bispos do Conselho Especial para o M&eacute;dio Oriente do S&iacute;nodo dos Bispos, com o arcebispo ortodoxo Cris&oacute;stomo II de Chipre e com os membros da comitiva papal.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a despedida da Nunciatura, &agrave;s 16h00, visita a catedral maronita de Chipre, deslocando-se seguidamente para Larnaca, onde &agrave;s 17h45 se realiza a cerim&oacute;nia de despedida no aeroporto local.<\/p>\n<p>O Papa parte &agrave;s 18h15 para Roma, onde dever&aacute; chegar duas horas e meia depois.<\/p>\n<p><em>Foto: Bento XVI com religiosos mu&ccedil;ulmanos antes da missa celebrada na igreja da Santa Cruz, Nic&oacute;sia, Chipre (5.6.2010)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa falou sobre os motivos de os crist\u00e3os celebrarem \u00abum instrumento de tortura, um sinal de sofrimento, de derrota e de 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