{"id":4569,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/um-espaco-unico-de-debate\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"um-espaco-unico-de-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-espaco-unico-de-debate\/","title":{"rendered":"Um espa\u00e7o \u00fanico de debate"},"content":{"rendered":"<p>Manuel Pinto, professor do Departamento de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade do Minho (UM), \u00e9 respons\u00e1vel pelo Weblog colectivo Jornalismo e Comunica\u00e7\u00e3o, e foi um dos promotores do 1\u00ba Encontro Nacional sobre Weblogs <!--more--> Manuel Pinto, professor do Departamento de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade do Minho (UM), \u00e9 respons\u00e1vel pelo Weblog colectivo Jornalismo e Comunica\u00e7\u00e3o, e foi um dos promotores do 1\u00ba Encontro Nacional sobre Weblogs. \u00c0 Ag\u00eancia ECCLESIA fala desta nova realidade, que desafia a Igreja para descobrir novas pessoas e linguagens  Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 H\u00e1 alguma explica\u00e7\u00e3o para o sucesso dos \u201cblogs\u201d? Manuel Pinto \u2013 Por um lado temos o aspecto da novidade e da curiosidade, que atrai muita gente, mas acima de tudo, aquilo com que nos confrontamos \u00e9 com a emerg\u00eancia de uma ferramenta que permite \u2013 de um forma muito mais f\u00e1cil \u2013 que um maior n\u00famero de pessoas tome a palavra no espa\u00e7o p\u00fablico.  AE \u2013 A Internet n\u00e3o oferecia j\u00e1 instrumentos suficientes? MP &#8211; A l\u00f3gica do \u201csite\u201d tradicional implica algum conhecimento, uma linguagem espec\u00edfica, enquanto que a oferta de um alojamento, gratuito, deste tipo de espa\u00e7os de f\u00e1cil cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o, como os Weblogs, vem abrir ao comum dos mortais uma possibilidade que era monop\u00f3lio dos jornalistas: a possibilidade de escolher, editar e difundir informa\u00e7\u00e3o. Essa democratiza\u00e7\u00e3o e o aspecto da novidade que a Internet ainda representa ajudam a compreender melhor a prolifera\u00e7\u00e3o de blogs.  AE \u2013 De quantos espa\u00e7os como este estamos a falar, no nosso pa\u00eds? MP \u2013 Havia um jornalista que, at\u00e9 Julho de 2003, mantinha uma contabilidade de todos os blogs que iam aparecendo, mas a dada altura perdeu a capacidade de enumer\u00e1-los. Isso \u00e9 significativo. Houve um \u201cboom\u201d enorme no per\u00edodo de Abril a Junho do ano passado, com o surgimento de pessoas mais medi\u00e1ticas, o que fez com que os Media colocassem a quest\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o foi em catadupa, n\u00e3o h\u00e1 quantifica\u00e7\u00f5es elaboradas, mas penso que se fala em largos milhares. Internacionalmente o fen\u00f3meno envolve v\u00e1rios milh\u00f5es, sendo que muita gente cria a o blog para sentir que entrou na onda, mas depois perde o interesse e n\u00e3o actualiza o seu espa\u00e7o.  AE \u2013 Vamos presenciar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novos protagonismos? MP \u2013 Bom, h\u00e1 casos em que o protagonismo precede o surgimento do blog, mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que o fen\u00f3meno que o pr\u00f3prio blog corporiza que ganha protagonismo. Para mim, acho mais interessante, como observador deste fen\u00f3meno, o acesso ao espa\u00e7o p\u00fablico de um n\u00famero maior de pessoas e com possibilidade de aumentar \u2013 sobretudo quando se pensa em respostas espec\u00edficas a necessidades que se identificam na sociedade. Al\u00e9m disso, \u00e9 not\u00e1vel o escrut\u00ednio dos Media tradicionais, com uma aten\u00e7\u00e3o ao quotidiano, oferecendo uma interactividade que os \u201csites\u201d dos Media ainda n\u00e3o disponibilizava e evitando que a reac\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o se perca na az\u00e1fama do dia-a-dia. Esta ideia \u00e9 mais do que uma moda passageira, com certeza.  AE \u2013 O fen\u00f3meno religioso est\u00e1 a ganhar espa\u00e7o na blogosfera? MP \u2013 Est\u00e3o a acontecer coisas muito interessantes a esse n\u00edvel, com dois fen\u00f3menos paralelos: os blogs que se definem como \u201cconfessionais\u201d, fazendo da tem\u00e1tica religiosa o seu tema, e os que debatem quest\u00f5es ligadas \u00e0 religi\u00e3o nos espa\u00e7os n\u00e3o-confessionais. Houve j\u00e1 debates muito interessantes, que n\u00e3o acontecem nos Media cl\u00e1ssicos: quando h\u00e1 um documento da Santa S\u00e9, ou algum acontecimento de grande impacto ligado \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, surge um debate muito grande, at\u00e9 com a facilidade de ligar-se a outros s\u00edtios da Internet. A possibilidade da r\u00e9plica, em forma de coment\u00e1rios, e a amplifica\u00e7\u00e3o do debate, por causa da rela\u00e7\u00e3o entre bloggers, s\u00f3 acontece, desta forma, em muito poucos espa\u00e7os. Parece-me que isso \u00e9 muito importante, \u00e9 um modo de captar gente que, aparentemente, n\u00e3o \u00e9 muito sens\u00edvel a determinadas quest\u00f5es.  Ainda assim, h\u00e1 muito para andar, pois h\u00e1 possibilidades que se podem explorar, porque os nossos recortes, as coisas interessantes que gostamos de guardar para mais tarde utilizar podem ser armazenadas no blog.  AE \u2013 Quer dizer que se consegue ver o que, normalmente, anda escondido? MP \u2013 Para mim foi uma surpresa encontrar tantos espa\u00e7os ligados ao juda\u00edsmo, por exemplo. O facto de haver v\u00e1rios bloggers assumidamente judeus faz com que certas tem\u00e1ticas sejam objecto de debate e coment\u00e1rio, mesmo se n\u00e3o concordarem todos. Lembro ainda o eco que teve o debate sobre a F\u00e9 entre o Patriarca de Lisboa, D. Jos\u00e9 Policarpo, e o Eduardo Prado Coelho, nas p\u00e1ginas do DN.  AE \u2013 A sociedade est\u00e1 mais atenta ao que se escreve nos blogs? MP \u2013 Posso dizer que no \u201cJornalismo e Comunica\u00e7\u00e3o\u201d, que \u00e9 especificamente orientado para a actualidade medi\u00e1tica, todos os dias h\u00e1 gentes dos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social que acedem aos conte\u00fados, o que mostra que j\u00e1 entr\u00e1mos na rotina da informa\u00e7\u00e3o. Parece-me evidente que os Media comecem a ter blogs de refer\u00eancia nas suas \u00e1reas, porque ali se faz um duplo trabalho: referenciar o que se publica e avan\u00e7ar quest\u00f5es que passam ao lado das nossas preocupa\u00e7\u00f5es.  AE \u2013 E no caso da Igreja, tem de haver mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 blogosfera? MP \u2013 As novas \u201c\u00e1goras\u201d do nosso tempo passam por aqui, s\u00e3o novas formas de encontrar gente que n\u00e3o se v\u00ea em outros s\u00edtios.  Por uma lado temos aqui um novo instrumento; por outro lado, \u00e9 um desafio para colocar quest\u00f5es, de uma forma nova, interagindo com outro tipo de gente. Claro que n\u00e3o temos de passar todos a viver na Internet, mas trata-se de alargar horizontes e aceitar ir \u00e0 li\u00e7a, conversar com pessoas que n\u00e3o conhecemos, mas est\u00e3o interessadas em questionar e em obter respostas. O modo como se est\u00e1 na blogosfera, como se entra no di\u00e1logo com os outros, pode ser altamente significativo e transformar-se num contributo para uma opini\u00e3o p\u00fablica \u2013 inclusive dentro das igrejas \u2013 esclarecida e capaz de argumentar numa sociedade plural. Aqui em Braga temos a experi\u00eancia do projecto \u201cIgreja na cidade\u201d (denominado \u201cReflex\u00f5es\u201d), que, embora seja limitada a um grupo reduzido de pessoas, consegue ser referenciado em v\u00e1rios blogs laicos ou ligados a outras confiss\u00f5es. Isso foi um sinal extremamente positivo e saudado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Pinto, professor do Departamento de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade do Minho (UM), \u00e9 respons\u00e1vel pelo Weblog colectivo Jornalismo e Comunica\u00e7\u00e3o, e foi um dos promotores do 1\u00ba Encontro Nacional sobre Weblogs<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[161,168,172,223,297],"class_list":["post-4569","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-igreja-na-cidade","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4569\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}