{"id":4568,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/os-blogues-e-a-liberdade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"os-blogues-e-a-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-blogues-e-a-liberdade\/","title":{"rendered":"Os blogues e a liberdade"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem tenha chamado aos blogues &#8220;uma esp\u00e9cie de di\u00e1rios virtuais&#8221;. Com a express\u00e3o pretendia sublinhar-se um certo car\u00e1cter intimista, subjectivo e estritamente pessoal dos conte\u00fados &#8220;postados&#8221;. Mas um blogue n\u00e3o \u00e9 um di\u00e1rio. Ou pelo menos a esmagadora maioria escapa a essa categoria. E escapa porque um blogue tem uma diferen\u00e7a fundamental em rela\u00e7\u00e3o ao di\u00e1rio: este escreve-se, normalmente, como uma reflex\u00e3o introspectiva, supondo mesmo que n\u00e3o vai existir mais ningu\u00e9m, al\u00e9m do autor, a ler aquelas linhas; o blogue, pelo contr\u00e1rio, sup\u00f5e outros leitores, \u00e9 escrito para eles, mesmo quando assume um tom intimista e subjectivo. O autor de um blogue assume que tem alguma coisa para dizer a outros, sejam as mais eruditas reflex\u00f5es, sejam banal\u00edssimas considera\u00e7\u00f5es pessoais, notas de humor ou viagens por estados de alma. H\u00e1 uma vontade de partilha, de dizer e\/ou de dizer-se. Por outro lado, o bloguista (ou blogger, se preferirem) \u00e9 algu\u00e9m que, normalmente, tem gosto em procurar outros que fa\u00e7am o mesmo exerc\u00edcio. Sinal desta vontade de encontro, \u00e9 o h\u00e1bito de grande parte dos autores de blogues colocarem, no seu pr\u00f3prio blogue, uma listagem de outros e serem abundantes as refer\u00eancias a conte\u00fados de outros. Desta forma, os blogues acabam por transformar-se, com muita frequ\u00eancia, em formas de participa\u00e7\u00e3o em &#8220;tert\u00falias virtuais&#8221;, onde se v\u00e3o debatendo opini\u00f5es, propondo pistas de interpreta\u00e7\u00e3o ou simples desabafos. A este prop\u00f3sito, j\u00e1 se falou de uma certa democratiza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o publicada, na medida em que, qualquer pessoa, mesmo n\u00e3o tendo acesso \u00e0s tribunas oferecidas pelos tradicionais meios de comunica\u00e7\u00e3o, pode colocar on-line o que tem para dizer, com toda a liberdade e sem limita\u00e7\u00f5es de qualquer esp\u00e9cie, a n\u00e3o ser as que a pr\u00f3pria consci\u00eancia lhe ditar. Mas o mundo virtual acaba por funcionar como o mundo real. A seguir \u00e0 explos\u00e3o bloguista que se verificou at\u00e9 h\u00e1 uns meses atr\u00e1s, com milhares de portugueses a lan\u00e7arem blogues no ciber-espa\u00e7o, come\u00e7a a verificar-se um processo de selec\u00e7\u00e3o natural. Muitos desaparecer\u00e3o e poucos se constituir\u00e3o em refer\u00eancias. Mas isso \u00e9 normal e n\u00e3o impede que os blogues possam continuar a ser aquilo que melhor os define: manifesta\u00e7\u00f5es importantes da liberdade de pensamento e de opini\u00e3o.  Manuel Vieira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem tenha chamado aos blogues &#8220;uma esp\u00e9cie de di\u00e1rios virtuais&#8221;. Com a express\u00e3o pretendia sublinhar-se um certo car\u00e1cter intimista, subjectivo e estritamente pessoal dos conte\u00fados &#8220;postados&#8221;. Mas um blogue n\u00e3o \u00e9 um di\u00e1rio. Ou pelo menos a esmagadora maioria escapa a essa categoria. 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