{"id":4567,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-jogo-um-brinquedo-serio\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-jogo-um-brinquedo-serio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-jogo-um-brinquedo-serio\/","title":{"rendered":"O jogo \u2013 um brinquedo s\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p>O jogo \u00e9 sempre um pretexto para voltarmos a ser crian\u00e7as. Reveste-se de s\u00edmbolos, conven\u00e7\u00f5es, lutas, cumplicidades, regras artificiais, de forma a transportar os intervenientes a um universo imagin\u00e1rio e m\u00e1gico que os leva a lutar pela vit\u00f3ria. Dir-se-ia que, baseado no reflexo natural e prim\u00e1rio da afirma\u00e7\u00e3o do homem e do grupo, cria um rival com quem luta, num terreno metaf\u00f3rico, para conseguir, por momentos, afirmar a supremacia nos desafios de velocidade, for\u00e7a, destreza, artif\u00edcio. As regras do jogo inspiram-se na gama variada das potencialidades que cada ser ou grupo humano encerra. As regras podem sempre alterar-se sem nada de substancial acontecer \u00e0 vida do indiv\u00edduo ou da sociedade. Se, por absurdo, um cataclismo planet\u00e1rio tudo congelasse numa hora de est\u00e1dios cheios e de jogadores em ac\u00e7\u00e3o, daqui a trinta ou quarenta mil anos os paleont\u00f3logos ficariam estupefactos ao tentarem interpretar os objectivos que conduziriam tais figuras como actores ou como espectadores num est\u00e1dio. Sem o conhecimento das regras nada faria sentido.  Tudo isto para dizer que talvez n\u00e3o valha a pena tomarmo-nos tanto a s\u00e9rio face ao desporto e, sobretudo, que ele se n\u00e3o desloque do lugar a que efectivamente pertence que \u00e9 o da fantasia de um pr\u00e9lio em que artificialmente embarcamos por simples motivo de evas\u00e3o do real. Como uma crian\u00e7a brinca com um objecto de todo irreal mas que, preso \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o e assumido como ver\u00eddico, embala o l\u00fadico como elemento integrado no quotidiano. Raramente os amantes do desporto aceitam escutar o toque real do despertar da letargia a que o jogo conduz. Nada h\u00e1 nisso de especial. O jogo estimula energias, absorve agressividades, d\u00e1 sentido de perten\u00e7a e partilha, acende a emula\u00e7\u00e3o e, sobretudo, quando praticado, coloca em ac\u00e7\u00e3o uma riqu\u00edssima gama de elementos humanos, f\u00edsicos e espirituais. Desde a antiguidade que o homem vive com os grandes e pequenos jogos, nos coliseus, circos pra\u00e7as, com simulacros de batalhas e montarias, feras e homens em lutas de grandeza ol\u00edmpica e de ferocidade animal. A mesa e o jogo s\u00e3o dois lugares onde o ser humano se define e se revela. Onde a intelig\u00eancia, a imagina\u00e7\u00e3o e o instinto se juntam e digladiam. O jogo \u00e9 muito mais s\u00e9rio do que parece. Mas nunca deve ser levado muito a s\u00e9rio. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jogo \u00e9 sempre um pretexto para voltarmos a ser crian\u00e7as. Reveste-se de s\u00edmbolos, conven\u00e7\u00f5es, lutas, cumplicidades, regras artificiais, de forma a transportar os intervenientes a um universo imagin\u00e1rio e m\u00e1gico que os leva a lutar pela vit\u00f3ria. Dir-se-ia que, baseado no reflexo natural e prim\u00e1rio da afirma\u00e7\u00e3o do homem e do grupo, cria um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[154,187],"class_list":["post-4567","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-crianca","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4567"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4567\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}