{"id":45650,"date":"2010-06-01T11:36:52","date_gmt":"2010-06-01T11:36:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/01\/estilo-do-bom-samaritano\/"},"modified":"2010-06-01T11:36:52","modified_gmt":"2010-06-01T11:36:52","slug":"estilo-do-bom-samaritano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estilo-do-bom-samaritano\/","title":{"rendered":"Estilo do bom samaritano"},"content":{"rendered":"<p>O Papa aponta como modelo de interven&ccedil;&atilde;o social &#8220;o estilo do bom samaritano&#8221;, cujo ponto essencial &eacute; o momento em que o samaritano se comove: a partir da&iacute;, os seus problemas perdem import&acirc;ncia e ele apenas v&ecirc; aquele desconhecido ferido &agrave; beira da estrada. A este &#8220;comover-se&#8221;, atitude t&atilde;o pr&oacute;pria de Jesus, chama o Papa ver com o cora&ccedil;&atilde;o. H&aacute; uma diferen&ccedil;a quase abissal entre ver com a intelig&ecirc;ncia e ver com o cora&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso ver com os sentidos (o que se passa) e com a intelig&ecirc;ncia (analisar o que vemos); mas s&oacute; quando vejo com o cora&ccedil;&atilde;o &eacute; que passo de mirone a samaritano. O Papa explica com duas curtas cita&ccedil;&otilde;es: o &#8220;cora&ccedil;&atilde;o v&ecirc; onde h&aacute; necessidade de amor e actua em consequ&ecirc;ncia&#8221; (DCE 31) e &#8220;o amor de Deus revela-se na responsabilidade pelo outro&#8221; (SS 28).<\/p>\n<p>Apresentado o estilo, passa aos meios para ajudar a que um cora&ccedil;&atilde;o veja.<br \/>Sempre, mas mais agora no contexto desta crise multifacetada, &eacute; urgente um adequado discernimento que s&oacute; a &#8220;proposta criativa da mensagem social da Igreja&#8221; pode proporcionar. Portanto, a primeira condi&ccedil;&atilde;o &eacute; o estudo da Doutrina Social da Igreja, um estudo com o cora&ccedil;&atilde;o, pois &#8220;n&atilde;o se trata de puro conhecimento intelectual, mas de uma sabedoria que d&ecirc; sabor e tempero, ofere&ccedil;a criatividade &agrave;s vias cognoscitivas e operativas para enfrentar t&atilde;o ampla e complexa crise&#8221;.<\/p>\n<p>Desta afirma&ccedil;&atilde;o facilmente se conclui que, para o Papa, a Pastoral Social n&atilde;o se limita &agrave; &#8220;velha&#8221; ac&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-caritativa, t&atilde;o marcada pelo assistencialismo, nem sequer &agrave;s novas formas nascidas &#8220;de uma nova &#8216;fantasia da caridade&#8217;, que se manifesta n&atilde;o s&oacute; nem sobretudo na efic&aacute;cia dos socorros prestados, mas na capacidade de pensar e ser solid&aacute;rio com quem sofre, de tal modo que o gesto de ajuda seja sentido n&atilde;o como esmola humilhante mas como partilha fraterna&#8221; (NMI 50). O Papa alarga a diaconia da caridade &agrave;s dimens&otilde;es social e pol&iacute;tica: somos &#8220;chamados a promover organicamente o bem comum, a justi&ccedil;a e a configurar rectamente a vida social&#8221;. Este &eacute; um salto que muitos cat&oacute;licos t&ecirc;m dificuldade e at&eacute; receio de dar. Por isso, foi bom que o Papa explicitasse: &#8220;Aqui se situa o urgente empenhamento dos crist&atilde;os na defesa dos direitos humanos, preocupados com a totalidade da pessoa nas suas diversas dimens&otilde;es.&#8221;<\/p>\n<p>Embora sem o citar, o Papa tem presente que &#8220;a actividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e n&atilde;o se dissolva na organiza&ccedil;&atilde;o assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma&#8221; (DCE 31), para tirar duas consequ&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>Primeira: embora dif&iacute;cil devido &agrave; press&atilde;o da cultura dominante, &eacute; indispens&aacute;vel &#8220;uma s&iacute;ntese satisfat&oacute;ria da vida espiritual com a ac&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica&#8221;. Mas aten&ccedil;&atilde;o, a palavra &#8220;satisfat&oacute;ria&#8221; n&atilde;o &eacute; para sossegar consci&ecirc;ncias, pois o Papa logo esclarece: &#8220;Todavia a referida s&iacute;ntese &eacute; absolutamente necess&aacute;ria para poderdes, amados irm&atilde;os, servir Cristo na humanidade que vos espera&#8221;, porque, &#8220;neste mundo dividido, imp&otilde;e-se a todos uma profunda e aut&ecirc;ntica unidade de cora&ccedil;&atilde;o, de esp&iacute;rito e de ac&ccedil;&atilde;o&#8221;.<\/p>\n<p>Segunda: as institui&ccedil;&otilde;es sociais da Igreja devem manifestar claramente a sua identidade, &#8220;na inspira&ccedil;&atilde;o dos seus objectivos, na escolha dos seus recursos humanos, nos m&eacute;todos de actua&ccedil;&atilde;o, na qualidade dos seus servi&ccedil;os, na gest&atilde;o s&eacute;ria e eficaz dos meios&#8221;.<\/p>\n<p>Esta preocupa&ccedil;&atilde;o do Papa &eacute; bem justificada, pois n&atilde;o esquece que um dos grandes perigos &eacute; uma promiscuidade, por vezes, quase doentia: &#8220;Passo fundamental, al&eacute;m da identidade e unido a ela, &eacute; conceder &agrave; actividade caritativa crist&atilde; autonomia e independ&ecirc;ncia da pol&iacute;tica e das ideologias, ainda que em coopera&ccedil;&atilde;o com organismos do Estado para atingir fins comuns&#8221;. N&atilde;o aponto o dedo a ningu&eacute;m, mas h&aacute; muitos algu&eacute;ns que bem precisam de reflectir e avaliar o que est&atilde;o a fazer.<\/p>\n<p>Finalizo com o pedido de D. Carlos Azevedo ao Papa: &#8220;Retire-nos do fatalismo que acomoda e convoque-nos para uma compaix&atilde;o que dignifica, para uma ternura que cuida, para uma escuta que valoriza, para uma esperan&ccedil;a que acompanha&#8221;. Esta exig&ecirc;ncia devia ser feita aos agentes pastorais, pois se eles n&atilde;o a assumirem, o Papa n&atilde;o pode pux&aacute;-los pelas orelhas!<\/p>\n<p>Jos&eacute; Dias da Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa aponta como modelo de interven&ccedil;&atilde;o social &#8220;o estilo do bom samaritano&#8221;, cujo ponto essencial &eacute; o momento em que o samaritano se comove: a partir da&iacute;, os seus problemas perdem import&acirc;ncia e ele apenas v&ecirc; aquele desconhecido ferido &agrave; beira da estrada. 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