{"id":45574,"date":"2010-05-26T17:14:18","date_gmt":"2010-05-26T17:14:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/05\/26\/sofrimentos-da-humanidade-e-da-igreja-integram-mensagem-de-fatima\/"},"modified":"2010-05-26T17:14:18","modified_gmt":"2010-05-26T17:14:18","slug":"sofrimentos-da-humanidade-e-da-igreja-integram-mensagem-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sofrimentos-da-humanidade-e-da-igreja-integram-mensagem-de-fatima\/","title":{"rendered":"Sofrimentos da humanidade e da Igreja integram mensagem de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>O Reitor do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima faz um balan\u00e7o sobre a visita do Papa ao santu\u00e1rio mariano. Refere a oportunidade e o futuro da mensagem de F\u00e1tima, sem esconder o desejo de ver novamente Bento XVI em 2017.  <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &#8211; Foram quatro dias para refor&ccedil;ar a caridade, a esperan&ccedil;a e a miss&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p>Pe. Virg&iacute;lio Antunes &#8211; Sem d&uacute;vida. S&atilde;o quatro dias que todos vamos recordar como quatro dos mais bonitos da historia dos &uacute;ltimos tempos. Em particular os cat&oacute;licos, mas acredito ser o sentimento de toda a sociedade.<\/p>\n<p>Sa&iacute;mos todos refor&ccedil;ados nas convic&ccedil;&otilde;es, no desejo de aproxima&ccedil;&atilde;o, no desejo de continuar a miss&atilde;o de Jesus, de refor&ccedil;ar a esperan&ccedil;a e alegria de viver.<\/p>\n<p>O Papa &eacute; sinal de tudo isso para crentes e n&atilde;o crentes, para todos os homens de boa vontade. Acorreram a ouvir o Papa as pessoas de todas as condi&ccedil;&otilde;es, at&eacute; com ideologias diferentes porque v&ecirc;em o Papa como um sinal importante para a sociedade, em especial nos dias de hoje, tendo em conta a grande crise de valores e falta de autenticidade.<\/p>\n<p>O Papa mostra que &eacute; poss&iacute;vel viver nos valores, na autenticidade, nos valores aos outros.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que discursos proferidos reteve?<\/em><\/p>\n<p>PVA &#8211; Os discursos que fez em F&aacute;tima marcaram-me mais. Estava mais predisposto a ouvi-los.<\/p>\n<p>O facto de o Papa se apresentar como peregrino tem um grande valor pois significou, por gestos e palavras, uma aproxima&ccedil;&atilde;o, de forma muito importante, a milhares de pessoas que estavam e aqui passam.<\/p>\n<p>Criou uma grande sintonia com todos os peregrinos de F&aacute;tima<\/p>\n<p>Os seus discursos foram variados. Concretamente aos sacerdotes e religiosos onde indicou o sentido da fidelidade e santidade, do amor a Cristo e acolher a mensagem Evang&eacute;lica, mas tamb&eacute;m o discurso proferido no encontro com os agentes da pastoral social, onde deixou apelos fortes &agrave; sociedade e institui&ccedil;&otilde;es da Igreja.<\/p>\n<p>O Papa disse que a Igreja tem de estar aberta e atenta aos pobres, tem de estar atenta ao pensar e sentir da sociedade, sem excluir ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>S&atilde;o mensagens fortes que servem para todos n&atilde;o s&oacute; para a Igreja. Um apelo &agrave; verdade que o Papa tem feito, que &eacute; o seu lema. Num mundo de relativiza&ccedil;&atilde;o de valores, onde n&atilde;o h&aacute; valores e certezas, o Papa contraria essa ideia. Para isso, indica, basta estarmos abertos &agrave; verdade e, cada um a seu modo, for mensageiro e uma pessoa aberta &agrave; verdade.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Havia alguma expectativa sobre a presen&ccedil;a de Bento XVI no Santu&aacute;rio, tendo em conta a rela&ccedil;&atilde;o que Jo&atilde;o Paulo II tinha com F&aacute;tima. A sua apresenta&ccedil;&atilde;o como um filho na Capelinha das Apari&ccedil;&otilde;es foi determinante?<\/em><\/p>\n<p>PVA &#8211; Foi muito emocionante para a multid&atilde;o e tamb&eacute;m para o Papa. A Capelinha das Apari&ccedil;&otilde;es tem um significado especial. O Santu&aacute;rio cheio e a multid&atilde;o que acompanha e reza com o Papa cria uma forte emo&ccedil;&atilde;o interior.<\/p>\n<p>Bento XVI veio como peregrino e como um filho &agrave; casa da m&atilde;e. Os momentos do Papa na Capelinha v&atilde;o ser inesquec&iacute;veis, tal como os momentos de sil&ecirc;ncio de Jo&atilde;o Paulo II.<\/p>\n<p>Gostei muito de ver o Papa a rezar a primeira parte do ros&aacute;rio com os peregrinos. Alguns duvidavam que fosse um Papa mariano, devoto de Nossa Senhora, agora n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que lugar vai merecer a imagem do Papa a rezar de joelhos o ros&aacute;rio na Capelinha? <\/em><\/p>\n<p>PVA &#8211; &Eacute; uma imagem muito forte que vai ao encontro de algumas atitudes que decorrem do pr&oacute;prio acontecimento das apari&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o adoramos Nossa Senhora, mas o anjo da paz na apari&ccedil;&atilde;o convidou a adora&ccedil;&atilde;o a Deus, a ora&ccedil;&atilde;o prostrados, ou, segundo a tradi&ccedil;&atilde;o Ocidental, de joelhos.<\/p>\n<p>Este gesto vem confirmar a atitude de muitos crist&atilde;os que ajoelham, que adoram a Deus, e que fazem o caminho de joelhos dentro do pr&oacute;prio Santu&aacute;rio. Vem de alguma forma confirmar todas as peregrina&ccedil;&otilde;es que se fazem a f&eacute;, com sacrif&iacute;cio.<\/p>\n<p>&Eacute; uma imagem muito forte, que fica na mem&oacute;ria de todos.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Essa imagem ajudou a mudar a concep&ccedil;&atilde;o que os portugueses tinham de Bento XVI?<\/em><\/p>\n<p>PVA &#8211; Penso que mudou muit&iacute;ssimo a imagem que os portugueses tinham do Papa. Era uma imagem falseada. Todos criamos imagens dos outros. Por vezes a comunica&ccedil;&atilde;o social e a sociedade criam imagens reais ou imagens deturpadas das pessoas, situa&ccedil;&otilde;es ou institui&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O Papa foi um pouco v&iacute;tima de tudo isso.<\/p>\n<p>Aqui em F&aacute;tima, eu imaginei o que o Papa trazia no cora&ccedil;&atilde;o &ndash; muito sofrimento, os &uacute;ltimos tempos foram conturbados, muita dor, confian&ccedil;a grande em Deus e em Nossa Senhora.<\/p>\n<p>A atitude do Papa que chega como peregrino e se p&otilde;e de joelhos, manifesta essa confian&ccedil;a. &Eacute; a atitude de um homem de f&eacute; e crente, que n&atilde;o desiste porque confia na for&ccedil;a de Deus.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; No avi&atilde;o, durante a viagem para Portugal, o Papa falou sobre o sofrimento da Igreja. J&aacute; em F&aacute;tima focou a oportunidade e futuro da mensagem de F&aacute;tima. Existe uma rela&ccedil;&atilde;o entre o momento de sofrimento da Igreja e a mensagem de F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p>PVA &#8211; O Papa j&aacute; chamou a mensagem de F&aacute;tima a mais prof&eacute;tica dos &uacute;ltimos tempos. Ao mesmo tempo refere o sofrimento da Igreja e diz que a mensagem de F&aacute;tima n&atilde;o est&aacute; completa.<\/p>\n<p>Isto n&atilde;o significa que exista uma parte por revelar, mas sim que a profecia de F&aacute;tima tem de ser vista de forma aberta, n&atilde;o pode fechar-se na rela&ccedil;&atilde;o com um ou outro acontecimento da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Algumas pessoas pensaram que tinha ficado encerrado com o Papa Jo&atilde;o Paulo II, o bispo vestido de branco que contou com a protec&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora na Pra&ccedil;a de S&atilde;o Pedro, com a queda do Muro de Berlim, a mudan&ccedil;a dos regimes totalitaristas do Leste da Europa, o sofrimento da Igreja no S&eacute;c. XX.<\/p>\n<p>O que eu leio nas palavras do Papa &eacute; que tudo isso integra a profecia de F&aacute;tima e todos os sofrimentos, quer da humanidade como da Igreja, fazem parte do conte&uacute;do da mensagem.<\/p>\n<p>Todas a profecias, as b&iacute;blicas inclusivamente, v&atilde;o nesse sentido. Podem referir-se a algum acontecimento em concreto, mas s&atilde;o uma chave de leitura para os acontecimentos da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Tudo indica que a profecia de F&aacute;tima seja uma profecia que nos ajuda a ler os acontecimentos da hist&oacute;ria e o seu sentido, que vai culminar com o triunfo do cora&ccedil;&atilde;o imaculado de Maria, que &eacute; apenas a alegria de Maria, a alegria de Deus pela salva&ccedil;&atilde;o da humanidade.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Bento XVI falou, por duas ocasi&otilde;es, o centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es, que se assinalam em 2017. Espera em F&aacute;tima este Papa ou o seu sucessor?<\/em><\/p>\n<p>PVA &#8211; Esperamos sim. O Papa falou de facto no centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es e conjugou o verbo na segunda pessoa do plural &#8211; &laquo;v&oacute;s estareis aqui de novo em F&aacute;tima para o centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es&raquo;.<\/p>\n<p>Isto significa que est&aacute; tudo em aberto. Da parte do episcopado, do Bispo de Leiria &ndash; F&aacute;tima e tamb&eacute;m do Santu&aacute;rio n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida que todos gostar&iacute;amos que o Papa estivesse pressente no centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Foi motivo de conversa?<\/em><\/p>\n<p>PVA &#8211; Falou-se, mas &agrave; mesa de forma informal. O Papa sabiamente, n&atilde;o adianta nem atrasa&nbsp;<\/p>\n<p>N&oacute;s gostar&iacute;amos e da parte do Papa existe essa abertura. H&aacute; que conjugar a oportunidade e as possibilidades. Est&aacute; tudo em aberto.<\/p>\n<p>Mas a programa&ccedil;&atilde;o para o centen&aacute;rio est&aacute; j&aacute; em marcha. A comiss&atilde;o organizadora j&aacute; reuniu e definiu os temas doutrinais e teol&oacute;gicos relacionados com a mensagem de F&aacute;tima que v&atilde;o orientar os pr&oacute;ximos sete anos. Existe um esbo&ccedil;o tem&aacute;tico.<\/p>\n<p>Desenvolvemos agora um esbo&ccedil;o program&aacute;tico que, esperamos entre em ac&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;ximo Advento, no in&iacute;cio do ano pastoral do Santu&aacute;rio de F&aacute;tima. Estamos a preparar alguns subs&iacute;dios para ajudar as par&oacute;quias, as dioceses e os peregrinos, a viver estes sete anos inspirados na mensagem de F&aacute;tima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Reitor do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima faz um balan\u00e7o sobre a visita do Papa ao santu\u00e1rio mariano. 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