{"id":45548,"date":"2010-05-25T11:55:47","date_gmt":"2010-05-25T11:55:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/05\/25\/evento-com-impacto-comunicacional\/"},"modified":"2010-05-25T11:55:47","modified_gmt":"2010-05-25T11:55:47","slug":"evento-com-impacto-comunicacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/evento-com-impacto-comunicacional\/","title":{"rendered":"Evento com impacto comunicacional"},"content":{"rendered":"<p>Para quem, como &eacute; o meu caso, acompanhou a primeira viagem de Jo&atilde;o Paulo II a Portugal como jornalista, as compara&ccedil;&otilde;es s&atilde;o inevit&aacute;veis. Na viagem de Bento XVI, acompanhei directamente dois pontos do programa e atrav&eacute;s dos media os restantes. As minhas anota&ccedil;&otilde;es n&atilde;o assentam em estudo sistem&aacute;tico. Proponho-as como primeiras (e r&aacute;pidas) impress&otilde;es.<\/p>\n<p>1. A primeira nota que me ocorre &eacute; a do profissionalismo dos media e o dos organi-zadores a lidar com os media. A diferen&ccedil;a de 2010 para 1982 &eacute; da &aacute;gua para o vinho (supondo que o vinho &eacute; prefer&iacute;vel &agrave; &aacute;gua, o que n&atilde;o &eacute; &#8216;l&iacute;quido&#8217;). Outra nota tem que ver com o cuidado posto na linguagem est&eacute;tica das celebra&ccedil;&otilde;es. Muito h&aacute;, ainda, que melhorar, mas houve solu&ccedil;&otilde;es bem conseguidas. E isso, do ponto de vista comunicacional &eacute; marcante.<\/p>\n<p>Um pouco al&eacute;m de 2.000 profissionais da informa&ccedil;&atilde;o foram credenciados para cobrir a visita, mais de 300 dos quais provenientes de 24 pa&iacute;ses. Os n&uacute;meros dizem bem do interesse suscitado por esta viagem, particularmente dif&iacute;cil para o Papa, dado o momento vivido, na sequ&ecirc;ncia do esc&acirc;ndalo da pedofilia na Igreja.<br \/>Foi criticada a excessiva cobertura medi&aacute;tica. As televis&otilde;es de sinal aberto, por exemplo, dedicaram, nessa semana, mais de 60 horas a emiss&otilde;es relacionadas com o Papa. RTP, SIC e TVI n&atilde;o se distinguiram muito , o que s&oacute; comprova que os grandes eventos medi&aacute;ticos de natureza celebrativa ou cerimonial t&ecirc;m esse poder de se imporem e tornarem incontorn&aacute;vel n&atilde;o s&oacute; a cobertura em si mas um certo estilo de emiss&atilde;o pautado pela gravidade, pela un&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A TV p&uacute;blica foi verberada pelo seu registo tido por excessivamente colado ao car&aacute;cter confessional da visita. No que toca &agrave;s transmiss&otilde;es em directo, n&atilde;o me parece procedente a cr&iacute;tica. J&aacute; quanto a programas de debate e de enquadramento &eacute; desej&aacute;vel e exig&iacute;vel que se exprimam diferentes perspectivas e que se fa&ccedil;a um trabalho profissional (n&atilde;o vi o &#8216;pr&oacute;s e contras&#8217; alusivo &agrave; visita, mas vi chamarem-lhe &#8216;pr&oacute;s e pr&oacute;s&#8217;, n&atilde;o sei se com raz&atilde;o). Mas, nesta mat&eacute;ria do profissionalismo, ainda temos muito que andar, em Portugal e n&atilde;o apenas do lado do jornalismo.<\/p>\n<p>2. Na verdade, nisto de cobertura n&atilde;o apenas da visita do Papa mas da Igreja Cat&oacute;lica e, mais amplamente, das religi&otilde;es, a l&oacute;gica dominante continua a ser pautada por bastante preconceito e significativa ignor&acirc;ncia (rec&iacute;procos). Isto apesar do que de positivo se tem tentado fazer, e a prop&oacute;sito desta viagem se fez, dos dois lados.<\/p>\n<p>O jornalismo sai a perder quando vemos que estas multid&otilde;es que se juntam para celebrar a f&eacute; (e, no caso, contactar de perto com o Papa) n&atilde;o t&ecirc;m gente &agrave; altura para as informar, contextualizar e interpretar o fen&oacute;meno. O que n&atilde;o se passa, como bem sabemos, noutras &aacute;reas relevantes da vida p&uacute;blica. Mas o jornalismo tamb&eacute;m perde quando, do lado dos media cat&oacute;licos se entende que bom jornalismo &eacute; apologia, sil&ecirc;ncio sobre mat&eacute;rias inc&oacute;modas, aus&ecirc;ncia de esp&iacute;rito cr&iacute;tico, fuga &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios lados das quest&otilde;es, menosprezo pela an&aacute;lise social dos fen&oacute;menos. Em alguns casos, a devo&ccedil;&atilde;o era tanta que mais parecia que era a Igreja que existia para o Papa e n&atilde;o o Papa para a Igreja e para o mundo.<\/p>\n<p>3. Em jeito de balan&ccedil;o, uma pergunta que se poder&aacute; fazer &eacute; esta: em que medida o que de central e fundamental continha a mensagem de Bento XVI passou para a opini&atilde;o p&uacute;blica? A pergunta sugere que o papa veio c&aacute; para falar e n&atilde;o para ouvir e conhecer, o que seria a nega&ccedil;&atilde;o dos fundamentos antropol&oacute;gicos e pragm&aacute;ticos da comunica&ccedil;&atilde;o. Talvez nem um nem outro extremo se adeq&uacute;em, neste caso. Mas o &#8216;modelo&#8217; dominante &eacute; o do discurso que flui unidireccionalmente, de cima para baixo, de forma unidireccional. Eu gostaria muito que fosse um modelo diferente, mas n&atilde;o chegamos ainda a&iacute;.<\/p>\n<p>&Eacute; certo, contudo que o Papa aceitou e assumiu que a Igreja tem &#8220;toda uma aprendizagem a fazer quanto &agrave; forma de (&hellip;) estar no mundo&#8221; e de dialogar com &#8220;outras verdades&#8221;. E que lan&ccedil;ou desafios importantes no encontro que teve, em Lisboa, com o mundo da cultura, nomeadamente, o apelo a que todos busquemos transcender os horizontes estreitos em que as nossas vidas se desenvolvem, relativamente &agrave;quelas dimens&otilde;es da beleza, da verdade e do bem que a todos dizem respeito. Duvido que isto tenha sido devidamente enfatizado. E, se o foi, que tenha sido agarrado.<\/p>\n<p>O impacto comunicacional (e n&atilde;o apenas medi&aacute;tico) da viagem papal nunca ser&aacute; cabalmente captado e, menos ainda, medido. Mas h&aacute; um potencial que talvez fique, agora, a aguardar iniciativas audaciosas, que permitam desvendar novos horizontes de significado para as pessoas do nosso tempo, nos contextos de dificuldades e de esperan&ccedil;a que marcam as suas vidas.<\/p>\n<p>Manuel Pinto<br \/>Professor da Universidade do Minho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem, como &eacute; o meu caso, acompanhou a primeira viagem de Jo&atilde;o Paulo II a Portugal como jornalista, as compara&ccedil;&otilde;es s&atilde;o inevit&aacute;veis. Na viagem de Bento XVI, acompanhei directamente dois pontos do programa e atrav&eacute;s dos media os restantes. As minhas anota&ccedil;&otilde;es n&atilde;o assentam em estudo sistem&aacute;tico. Proponho-as como primeiras (e r&aacute;pidas) impress&otilde;es. 1. 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