{"id":45541,"date":"2010-05-24T21:16:45","date_gmt":"2010-05-24T21:16:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/05\/24\/bento-xvi-em-portugal-a-substancia-e-o-acidente\/"},"modified":"2010-05-24T21:16:45","modified_gmt":"2010-05-24T21:16:45","slug":"bento-xvi-em-portugal-a-substancia-e-o-acidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-em-portugal-a-substancia-e-o-acidente\/","title":{"rendered":"Bento XVI em Portugal &#8211; a subst\u00e2ncia e o acidente"},"content":{"rendered":"<p>O que no in\u00edcio parecia uma &#8220;entrada&#8221; amarga foi uma  refei\u00e7\u00e3o saborosa, em fam\u00edlia, sabendo que ali &#8211; como diria Pessoa &#8211; \u00e9ramos mais que n\u00f3s &#8211; \u00e9ramos um povo.  <!--more--> <\/p>\n<p>Foi no final dos anos 70 que participei em Munique num encontro sobre Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Recordo ainda um jantar que nos foi oferecido pelo Arcebispo da Diocese, Cardeal Ratzinger. Na ementa, a &#8220;entrada&#8221; era salm&atilde;o (mal) fumado e que tive, com relut&acirc;ncia, de engolir de olhos fechados como acontece em jantares de cerim&oacute;nia. S&oacute; mais tarde vim a apreciar esse peixe e a v&ecirc;-lo como toque de requinte e gosto nalgumas refei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>N&atilde;o sei se andava por aqui alguma par&aacute;bola sobre o que &eacute; preciso aprender a apreciar. Recordava isso quando por vezes via em Roma o Cardeal Ratzinger atravessar a Pra&ccedil;a de S. Pedro em direc&ccedil;&atilde;o ao seu trabalho &#8211; uma Congrega&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o era das preferidas da minha gera&ccedil;&atilde;o. Mas sabia que ele tinha feito parte do grupo de te&oacute;logos que marcaram o Conc&iacute;lio que, por sua vez, marcou decisivamente a minha vida.<\/p>\n<p>Acompanhei, como rep&oacute;rter, a sua elei&ccedil;&atilde;o e cumprimentei-o, com outros jornalistas, no dia seguinte &agrave; tomada de posse. Tudo isto &eacute; razoavelmente rid&iacute;culo, semelhante a pretens&atilde;o de me fazer pr&oacute;ximo duma pessoa t&atilde;o importante como o Papa. Mas queria chegar a outro ponto. Acompanhei a viagem de Bento XVI a Portugal (como havia acompanhado a de Angola) passo a passo, hora a hora, minuto a minuto. Posso dizer que n&atilde;o perdi uma &uacute;nica palavra (com acesso antecipado aos textos) e penso que muito poucos gestos me ter&atilde;o escapado na reportagem exaustiva da televis&atilde;o em que estive envolvido.<\/p>\n<p>E aqui chego para dizer o que todos viram e sabem: a amplitude da sua presen&ccedil;a no meio de n&oacute;s, depois de todos os alarmes de fracasso que havia &#8211; fora (e dentro) da Igreja. E como revelou capacidade de viver intensamente cada ritual que cumpria: lit&uacute;rgico, pastoral, teol&oacute;gico, social, pol&iacute;tico, familiar. Nas palavras ditas &agrave; cultura, aos consagrados, aos agentes sociais, ao mar de luz, povo de m&atilde;o firmes, que em F&aacute;tima sustentava e erguia a Luz como em Vig&iacute;lia Pascal. E do aconchego que ofereceu a milh&otilde;es de peregrinos que pela televis&atilde;o o viram longe e perto &#8211; sei de resson&acirc;ncias chegadas do Portugal global que anda pelo mundo fora. Pela beleza da Pra&ccedil;a e do Tejo de Lisboa, numa alian&ccedil;a de c&eacute;u, terra e rio, festa e sil&ecirc;ncio como multid&atilde;o jubilosa de jovens e anci&atilde;os na Avenida dos Aliados no Porto. Como os peregrinos medi&aacute;ticos, os pobres e doentes repassados de ang&uacute;stias que se sentiram em Igreja reunida com Pedro num exerc&iacute;cio profundo de comunh&atilde;o e confirma&ccedil;&atilde;o na f&eacute;. E, seja l&iacute;cito referir, na solidez humilde da sua palavra densa, l&oacute;gica, bela, crente, pr&oacute;xima, teol&oacute;gica, encarnada, clara, luminosa. E afectiva.<\/p>\n<p>O que no in&iacute;cio parecia uma &#8220;entrada&#8221; amarga foi uma refei&ccedil;&atilde;o saborosa, em fam&iacute;lia, sabendo que ali &#8211; como diria Pessoa &#8211; &eacute;ramos mais que n&oacute;s &#8211; &eacute;ramos um povo. Nada seria poss&iacute;vel sem essa maravilha que &eacute; o nosso povo que soube estar em j&uacute;bilo e sil&ecirc;ncio nos momentos certos e compreendeu por inteiro que quem nos visitou foi mesmo o sucessor de Pedro. O resto foi acidental.<\/p>\n<p>Ant&oacute;nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que no in\u00edcio parecia uma &#8220;entrada&#8221; amarga foi uma refei\u00e7\u00e3o saborosa, em fam\u00edlia, sabendo que ali &#8211; como diria Pessoa &#8211; \u00e9ramos mais que n\u00f3s &#8211; \u00e9ramos um povo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[106,120,187,206],"class_list":["post-45541","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-angola","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-porto","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45541"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45541\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}