{"id":4528,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/tudo-nos-fala-de-conversao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"tudo-nos-fala-de-conversao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tudo-nos-fala-de-conversao\/","title":{"rendered":"Tudo nos fala de convers\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem da Quaresma de D. Jos\u00e9 Policarpo  <!--more--> Mensagem da Quaresma de D. Jos\u00e9 Policarpo Nesta Quaresma tudo nos fala de convers\u00e3o. \t1. O convite \u00e0 convers\u00e3o define a especificidade espiritual da Quaresma como tempo lit\u00fargico. Longa prepara\u00e7\u00e3o para a celebra\u00e7\u00e3o anual da P\u00e1scoa, na Quaresma o povo crist\u00e3o \u00e9 chamado \u00e0 radicalidade evang\u00e9lica sugerida pela morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. O Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II, na sua Mensagem para a Quaresma deste ano, fala dela como um tempo \u201cdurante o qual a liturgia renova aos crentes o apelo a uma convers\u00e3o radical, confiando na miseric\u00f3rdia divina\u201d. \tMas a Igreja de Lisboa tem, este ano, outros motivos para se sentir chamada \u00e0 convers\u00e3o. Antes de mais a longa prepara\u00e7\u00e3o para o Congresso Internacional da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o que o acompanhar\u00e1. A nossa determina\u00e7\u00e3o em evangelizar, isto \u00e9, em anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado como chave definitiva da solu\u00e7\u00e3o para a vida humana, ganhar\u00e1 uma for\u00e7a nova se tiver a autenticidade de um testemunho. \u00c9 na medida em que nos convertermos a Jesus Cristo, que O podemos anunciar. F\u00e1-lo-emos, ent\u00e3o, com a convic\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia experimentada e vivida. \tMas h\u00e1 mais: o Santo Padre concedeu \u00e0 nossa S\u00e9 Catedral, na celebra\u00e7\u00e3o dos 1700 anos do Mart\u00edrio de S\u00e3o Vicente, Padroeiro da nossa Diocese, as gra\u00e7as jubilares de um Ano Santo. Este facto ajudar-nos-\u00e1 a descobrir o poder da Igreja de ser mediadora sacramental da convers\u00e3o. Esta \u00e9 um dom de Deus que nos \u00e9 concedido atrav\u00e9s da Igreja. As pessoas e as comunidades crist\u00e3s da nossa Diocese s\u00e3o, assim, convidadas a fazerem-se peregrinas da Catedral e a\u00ed realizarem os actos exigidos para a obten\u00e7\u00e3o da Indulg\u00eancia Plen\u00e1ria, que dar\u00e1 outro horizonte \u00e0 nossa busca da convers\u00e3o. Nas Par\u00f3quias da Diocese que t\u00eam S\u00e3o Vicente como padroeiro, os crist\u00e3os podem receber esse dom na sua pr\u00f3pria Igreja Paroquial, nas condi\u00e7\u00f5es estabelecidas. \tS\u00e3o, assim, v\u00e1rias as interpela\u00e7\u00f5es a convidarem-nos \u00e0 convers\u00e3o. N\u00e3o desperdicemos o dom de Deus que nos visita.  \u201cConvertei-vos ao Senhor vosso Deus\u201d \t2. Converter-se \u00e9, antes de mais, voltar-se para Deus, redescobrir a import\u00e2ncia de Deus na nossa vida. Mesmo para os que acreditam n\u2019Ele, Deus \u00e9, tantas vezes, o grande ausente das suas vidas. Em momentos especiais ou de afli\u00e7\u00e3o ainda Lhe batemos \u00e0 porta, mas n\u00e3o alimentamos, habitualmente, uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e de amor com Ele. Toda a revela\u00e7\u00e3o do Seu projecto salv\u00edfico \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o do Seu desejo de construir intimidade relacional com os homens. Ele ama-nos como um pai, e \u00e9 nesse amor que encontraremos a for\u00e7a para viver. A convers\u00e3o \u00e9 sempre um regresso \u00e0 Casa do Pai, o redescobrir de uma intimidade. \tPara n\u00f3s crist\u00e3os a convers\u00e3o \u00e9 um regresso a Jesus Cristo, em Quem encontramos o Pai na plenitude do Seu amor. Cruz\u00e1mos a nossa vida com a d\u2019Ele, no baptismo, um dia acolhemos, mesmo, o Seu chamamento e aceit\u00e1mos segui-Lo como disc\u00edpulos; tantas vezes nos reunimos, ao Domingo, para celebrar a Sua P\u00e1scoa; experiment\u00e1mos, talvez, a alegria de sofrer por Ele e pela Sua Igreja. Mas cultivamos t\u00e3o pouco aquela intimidade amorosa que Ele deseja, porque ama a Sua Igreja como um esposo ama uma esposa. Converter-se \u00e9 redescobrir a ora\u00e7\u00e3o adorante, a Eucaristia como festa da vida, a transforma\u00e7\u00e3o das nossas atitudes que devem ser dignas do Seu amor. Jesus disse aos disc\u00edpulos: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo servos\u2026 chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que aprendi de Meu Pai\u201d (Jo. 15,15). Como poderemos anunci\u00e1-Lo, dar testemunho do Seu amor, se n\u00e3o regressamos a esta amizade, se n\u00e3o cultivamos essa intimidade? \tDeus chama-nos \u00e0 convers\u00e3o com a mesma insist\u00eancia amorosa com que nos chamou \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 urgente escutar esse chamamento, acolhermos a Sua Palavra. A Palavra de Deus, proclamada pela Igreja, na Liturgia e no seu Magist\u00e9rio, \u00e9 o principal caminho de convers\u00e3o. Nesta Quaresma, al\u00e9m da riqueza da Palavra de Deus da liturgia, meditarei convosco, nas Catequeses Quaresmais, o kerigma crist\u00e3o, ou seja, aqueles pontos fundamentais, inalterados desde a \u00e9poca apost\u00f3lica, com que a Igreja anuncia Jesus Cristo, morto e ressuscitado, nosso Deus e nosso salvador. Quero, convosco, ir ao encontro de Jesus Cristo, de uma forma mais profunda e radical. Quero, convosco, converter-me mais a Jesus Cristo. \u00c9 preciso que a Sua Senhoria brilhe na Igreja e triunfe no cora\u00e7\u00e3o de cada crist\u00e3o.  \u201cSe hoje ouvirdes a voz do Senhor, n\u00e3o fecheis os vossos cora\u00e7\u00f5es\u201d \t3. O principal obst\u00e1culo \u00e0 convers\u00e3o \u00e9 a dureza do nosso cora\u00e7\u00e3o. \u201cMudai o vosso cora\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 o primeiro apelo de Jesus no in\u00edcio da prega\u00e7\u00e3o do Reino. J\u00e1 no Antigo Testamento os profetas tinham anunciado que, nos tempos do Messias, Deus daria um \u201ccora\u00e7\u00e3o novo\u201d, capaz de sentir e de amar e de celebrar uma nova alian\u00e7a com Deus. Converter-se \u00e9 estar atento \u00e0quilo que nos endurece o cora\u00e7\u00e3o, tornando-o \u201csurdo\u201d \u00e0 Palavra de Deus e insens\u00edvel \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os. \tEsse \u201ccora\u00e7\u00e3o novo\u201d s\u00f3 Deus no-lo pode dar, com a ac\u00e7\u00e3o santificadora do Esp\u00edrito Santo, que age em n\u00f3s para sermos capazes da intimidade com Deus. N\u00e3o h\u00e1 convers\u00e3o sem mudan\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o e esta s\u00f3 pode ser obra da gra\u00e7a de Deus em n\u00f3s. Converter-se \u00e9, tamb\u00e9m, recorrer com humildade e confian\u00e7a, \u00e0s fontes da gra\u00e7a. \tO Santo Padre, na sua Mensagem, parte da rela\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as e o Reino dos C\u00e9us, para significar esse \u201ccora\u00e7\u00e3o novo\u201d. Foi o pr\u00f3prio Jesus que, chamando uma crian\u00e7a, ensinou assim os disc\u00edpulos: \u201cSe n\u00e3o vos fizerdes como uma crian\u00e7a, n\u00e3o entrareis no Reino dos C\u00e9us\u201d (Mt. 18,3). \tO que \u00e9 que o nosso cora\u00e7\u00e3o adulto poder\u00e1 aprender de um cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a? Antes de mais a docilidade do disc\u00edpulo que se deixa encontrar por Jesus e O segue, como nos diz o Papa: \u201cnas palavras de Jesus, a crian\u00e7a aparece como a imagem eloquente do disc\u00edpulo que \u00e9 chamado a seguir o divino Mestre, com a docilidade de um menino\u201d. \tA crian\u00e7a sugere-nos, depois, a confian\u00e7a humilde de quem confia e se abandona. \u201cQuem for humilde como esta crian\u00e7a, ser\u00e1 o maior no Reino dos C\u00e9us\u201d (Mt. 18,4). \tComo ela podemos reaprender a candura da inoc\u00eancia, a olhar todas as realidades com simplicidade e beleza, a abra\u00e7ar o mundo num gesto de ternura infinita. A crian\u00e7a ensina-nos a p\u00f4r a alegria e a festa acima dos interesses, a dar prioridade ao cora\u00e7\u00e3o sobre a raz\u00e3o, a percebermos melhor como \u00e9 bom acreditarmos num Deus que \u00e9 Pai. Jesus tinha um cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a; por isso Ele p\u00f4de proclamar, a partir da Sua pr\u00f3pria experi\u00eancia: \u201cbem-aventurados os que t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o puro; s\u00e3o esses que v\u00eaem a Deus\u201d (Mt. 5,8).  A Igreja, sinal de convers\u00e3o para a sociedade \t4. A nossa sociedade precisa de convers\u00e3o. S\u00e3o j\u00e1 muitas as vozes que se fazem ouvir, para exprimirem a urg\u00eancia de um regresso a valores, a um ideal que mobilize, a uma generosidade que ven\u00e7a ego\u00edsmos, a um sentido de responsabilidade que dignifique a liberdade. Os crist\u00e3os, na sua convers\u00e3o, devem ser sementes dessa atitude nova que germine numa mudan\u00e7a social. S\u00f3 as pessoas, na grandeza da sua generosidade, no ideal por que se orientam, podem fazer um mundo melhor. N\u00e3o \u00e9 ousadia esperar que, num pa\u00eds crist\u00e3o, a P\u00e1scoa pudesse ser motiva\u00e7\u00e3o para uma mudan\u00e7a da sociedade.  Um gesto concreto de partilha \t5. Vem sendo h\u00e1bito na nossa Diocese exprimirmos esta renova\u00e7\u00e3o interior com um gesto de partilha, fruto de alguma ren\u00fancia que faremos com amor. Temos, assim, ajudado outras Igrejas mais pobres materialmente, permitindo-lhes resolver necessidades mais urgentes. No ano passado ajud\u00e1mos a nova Diocese de Bafat\u00e1, na Guin\u00e9-Bissau e em 2002 contribu\u00edmos com \u20ac 331.537,81 para a Maternidade Escola de Timor-Lorosae. \tEste ano convido-vos a orientar a vossa partilha generosa para um objectivo de outra natureza: ajudar a Ordem Cisterciense de Estrita Observ\u00e2ncia, ramo feminino, a restaurar a Ordem em Portugal, erigindo um Mosteiro no Patriarcado de Lisboa. Considero um dom de Deus esta oportunidade de termos um Mosteiro de contemplativas. S\u00f3 Deus conhece a for\u00e7a da ora\u00e7\u00e3o contemplativa na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Santa Teresinha de Lisieux mereceu, no seu Carmelo, o t\u00edtulo de rainha das miss\u00f5es. \tPusemos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da Ordem, para esta finalidade, uma quinta que \u00e9 propriedade da Diocese, no Concelho de Alenquer. O lugar \u00e9 belo, mas precisa de restauro. O projecto de arquitectura est\u00e1 pronto, falta agora realizar as obras. \u00c9 para esta obra que vos convido a partilhar, nesta Quaresma. Sede generosos. Espero que o Mosteiro venha a ser um \u201cpulm\u00e3o\u201d onde todos poderemos respirar a brisa do amor divino e atraia algumas das nossas jovens a entregarem-se \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m assim brilhar\u00e1 para n\u00f3s a Luz da P\u00e1scoa.  Lisboa, 7 de Fevereiro de 2004, Festa das Cinco Chagas do Senhor   \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem da Quaresma de D. Jos\u00e9 Policarpo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,154,161,219,237,246,261,268,275,91,298],"class_list":["post-4528","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-crianca","tag-d-jose-policarpo","tag-guine-bissau","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-missoes","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-santa-teresinha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4528"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4528\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}