{"id":45164,"date":"2010-05-10T12:25:04","date_gmt":"2010-05-10T12:25:04","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/05\/10\/comunicado-da-loc-mtc-sobre-a-situacao-da-saude-em-portugal\/"},"modified":"2010-05-10T12:25:04","modified_gmt":"2010-05-10T12:25:04","slug":"comunicado-da-loc-mtc-sobre-a-situacao-da-saude-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunicado-da-loc-mtc-sobre-a-situacao-da-saude-em-portugal\/","title":{"rendered":"Comunicado da LOC\/MTC sobre a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>A Equipa Nacional da LOC\/MTC &ndash; Movimento de Trabalhadores Crist&atilde;os, esteve reunida, em Aveiro, nos dias 8 e 9 de Maio de 2010, para preparar o Semin&aacute;rio Internacional e o XIV Congresso Nacional, este &uacute;ltimo com o tema &ldquo;Trabalho Digno, Sociedade Humanizada&rdquo;, a realizar de 09 a 13 de Junho em Aveiro. Esta Equipa analisou tamb&eacute;m a reflex&atilde;o feita pelo Movimento ao longo deste ano sobre o Trabalho e a Sa&uacute;de. A tem&aacute;tica fazia parte das prioridades do Movimento para 2009\/2010. Tendo em conta a import&acirc;ncia e actualidade deste assunto, a Equipa Nacional decidiu tornar p&uacute;blica a reflex&atilde;o sobre a situa&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de em Portugal.<\/p>\n<p>O direito de todos &agrave; sa&uacute;de, e o dever de a defender e promover, assenta num conjunto de factores dos quais salientamos a dignidade humana, a equidade, a &eacute;tica e a solidariedade. Temos um Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (SNS) p&uacute;blico e universal, gratuito para os cidad&atilde;os com rendimentos prec&aacute;rios e tendencialmente gratuito para os restantes utentes.&nbsp;<\/p>\n<p>O Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de, mesmo com dificuldades, atropelos e adversidades, tem sido grande promotor dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;ria e de proximidade, entre outros, que tem garantido uma melhor qualidade de vida e de sa&uacute;de para muitos cidad&atilde;os. Este mesmo SNS colocou o nosso pa&iacute;s em 12&ordm; lugar no mundo, na implementa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento dos cuidados de sa&uacute;de. As Unidades de Sa&uacute;de Familiar (USF) apresentam-se-nos como uma esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>O SNS deve continuar a ser defendido para garantir maior equidade no acesso aos utentes, atenuar os efeitos das desigualdades econ&oacute;micas, geogr&aacute;ficas e quaisquer outras. Os cuidados de sa&uacute;de de proximidade devem ser uma prioridade.<\/p>\n<p>A conten&ccedil;&atilde;o nos custos dos bens essenciais ao funcionamento dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de n&atilde;o pode ser feita &agrave; custa da qualidade e proximidade. &Eacute; necess&aacute;ria uma gest&atilde;o rigorosa e transparente dos recursos que, servindo os cidad&atilde;os, valorize e estimule tamb&eacute;m todos os trabalhadores (de toda e qualquer fun&ccedil;&atilde;o) deste servi&ccedil;o. Os custos devem ser obrigatoriamente reduzidos com melhor gest&atilde;o do pessoal, com automatiza&ccedil;&atilde;o e informatiza&ccedil;&atilde;o, simplificando burocracias e combatendo o desperd&iacute;cio.<\/p>\n<p>O Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de &eacute; mais frequentado pelas fam&iacute;lias mais pobres e numerosas, pelos trabalhadores mais desprotegidos, pelos desempregados e pelos reformados e idosos, que ficam totalmente dependentes do bom ou mau servi&ccedil;o ali prestado. Assim tamb&eacute;m o apelo para que os profissionais de sa&uacute;de tomem consci&ecirc;ncia que t&ecirc;m de rentabilizar o seu tempo de trabalho, tenham um olhar especial para a sua voca&ccedil;&atilde;o no tratamento de seres humanos fr&aacute;geis, sens&iacute;veis e sem defesa.&nbsp;<\/p>\n<p>Preocupa-nos que nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios ainda existam muitos utentes sem m&eacute;dico de fam&iacute;lia, assim como, alguns encerramentos de extens&otilde;es de Sa&uacute;de e SAP &ndash; Servi&ccedil;os de Atendimento Permanente, obrigando em alguns casos os utentes a percorrer longas dist&acirc;ncias e esperar muitas horas para serem atendidos.<\/p>\n<p>Isto deve-se, em parte, ao n&uacute;mero insuficiente de m&eacute;dicos para a quantidade de popula&ccedil;&atilde;o. Uma das causas deve-se ao facto de terem sido criadas quotas para a entrada de estudantes nas Faculdades de Medicina existentes no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>S&atilde;o cada vez maiores as dificuldades no acesso aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de, com preju&iacute;zo dos mais desfavorecidos que ficam sujeitos ao agravamento das suas doen&ccedil;as, com longas listas de espera para consultas de especialidade e para interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas no SNS, o que leva alguns a recorrer aos privados, fazendo enormes sacrif&iacute;cios.<\/p>\n<p>8.&nbsp;Os medicamentos s&atilde;o muito caros, muitos n&atilde;o t&ecirc;m comparticipa&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o fornecidos em embalagens com quantidades superiores &agrave;s necess&aacute;rias que geram enormes desperd&iacute;cios, com elevados custos tanto para os doentes como para o Estado.<\/p>\n<p>Num momento em que a tecnologia tem feito tantos avan&ccedil;os para assegurar a sa&uacute;de das pessoas, n&atilde;o se pode aceitar que sejam aproveitados e se continue a colocar os valores econ&oacute;micos acima do valor da sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Ao Estado deve exigir-se o cumprimento do dever constitucional de garantir o acesso de todos os cidad&atilde;os &agrave; sa&uacute;de, conforme o artigo 64 da Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; essencial que toda a popula&ccedil;&atilde;o seja envolvida a participar positivamente na defesa do SNS, promovendo, pela forma&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o, h&aacute;bitos de vida saud&aacute;veis e uma utiliza&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel dos recursos.<\/p>\n<p>O direito &agrave; sa&uacute;de &eacute; um direito humano fundamental, &ldquo;A exig&ecirc;ncia do bem comum deriva das condi&ccedil;&otilde;es sociais de cada &eacute;poca e est&atilde;o estreitamente conexas com o respeito e com a promo&ccedil;&atilde;o integral da pessoa e dos seus direitos fundamentais&rdquo; (Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja n&ordm; 166).<\/p>\n<p>&Agrave; frente do dinheiro est&aacute; a dignidade da pessoa humana e qualquer Servi&ccedil;o de Sa&uacute;de tem que ter isso em conta. A sa&uacute;de &eacute; o nosso melhor bem e por isso o seu destino tem que ser Universal &ldquo;&hellip;. &Eacute;, al&eacute;m disso, um direito origin&aacute;rio, inerente &agrave; pessoa concreta, e priorit&aacute;rio relativamente a qualquer interven&ccedil;&atilde;o humana sobre os bens&rdquo; (CDSI n&ordm;172).<\/p>\n<p>Que o SNS e os seus colaboradores se norteiem pelos princ&iacute;pios indispens&aacute;veis para um servi&ccedil;o mais humano da medicina, que levar&aacute; ao respeito m&aacute;ximo pelo valor maior que &eacute; a VIDA.<\/p>\n<p>Por tudo isto, os militantes da LOC\/MTC d&atilde;o um sinal de esperan&ccedil;a na constru&ccedil;&atilde;o de um mundo mais justo e humano, no meio em que cada um est&aacute; inserido, participando e apelando &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os nas Comiss&otilde;es de Utentes do SNS, no sentido de que este esteja cada vez mais ao servi&ccedil;o de quem dele mais precisa, com qualidade e proximidade.<\/p>\n<p>A Equipa Nacional da LOC\/MT<\/p>\n<p>Aveiro, 9 de Maio de 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Equipa Nacional da LOC\/MTC &ndash; Movimento de Trabalhadores Crist&atilde;os, esteve reunida, em Aveiro, nos dias 8 e 9 de Maio de 2010, para preparar o Semin&aacute;rio Internacional e o XIV Congresso Nacional, este &uacute;ltimo com o tema &ldquo;Trabalho Digno, Sociedade Humanizada&rdquo;, a realizar de 09 a 13 de Junho em Aveiro. 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