{"id":45150,"date":"2010-05-09T18:13:59","date_gmt":"2010-05-09T18:13:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/05\/09\/bento-xvi-e-a-juventude-portuguesa\/"},"modified":"2010-05-09T18:13:59","modified_gmt":"2010-05-09T18:13:59","slug":"bento-xvi-e-a-juventude-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-e-a-juventude-portuguesa\/","title":{"rendered":"Bento XVI e a Juventude portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>O Papa n\u00e3o desiludir\u00e1 a juventude portuguesa. Ele vem para suscitar sonhos em n\u00f3s. <!--more--> <\/p>\n<p>O Papa Bento XVI n&atilde;o &eacute; um jovem portugu&ecirc;s. N&atilde;o veste springfield nem usa sapatos de vela; n&atilde;o navega no twitter nem faz surf na Ericeira; n&atilde;o &eacute; do CDUP nem vibra com o Benfica; n&atilde;o &eacute; vegetariano nem forcado nas touradas; n&atilde;o liga nada &aacute; pol&iacute;tica nem tem um trauma com a matem&aacute;tica; n&atilde;o canta fado como a Carminho nem &eacute; alternativo como os &ldquo;Flor Caveira&rdquo;; n&atilde;o resiste a uma mini nem tem autom&oacute;vel antes de ganhar dinheiro; n&atilde;o abriu um bar na Foz do Porto nem organiza despedidas de solteiros; n&atilde;o abandona a Igreja depois do Crisma nem se oferece para ir a F&aacute;tima com os av&oacute;s; n&atilde;o &eacute; fan dos &ldquo;Gato Fedorento&rdquo; nem perdeu a pachorra para os &ldquo;Morangos&rdquo;; n&atilde;o se mete no &ldquo;Andan&ccedil;as&rdquo; nem &eacute; fan do &ldquo;Rock in rio&rdquo;; n&atilde;o andou nas &ldquo;Belas artes&rdquo; nem passa a vida na Gulbenkian; n&atilde;o fez Erasmus em It&aacute;lia nem sonha com um MBA em T&oacute;quio; n&atilde;o viveu nenhuma &ldquo;queima das fitas&rdquo; nem fez uma viagem de finalistas a Cuba, n&atilde;o foi volunt&aacute;rio em S. Tom&eacute; nem foi passar nenhuma P&aacute;scoa a Taiz&eacute;; n&atilde;o fez nenhum empr&eacute;stimo para pagar a primeira presta&ccedil;&atilde;o da casa nem atrasou o casamento por falta de emprego est&aacute;vel.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI n&atilde;o usa havaianas nem os jovens portugueses falam latim, embora ambos n&atilde;o prescindam das novas tecnologias e gostem de rezar com ipod. Que podem os jovens portugueses esperar do Papa n&atilde;o sendo ele um &ldquo;papa jovem&rdquo;? O Papa Bento XVI conhece as expectativas, ousadias e esperan&ccedil;as dos jovens portugueses? Que dir&aacute; o Papa aos jovens que querem construir a sua felicidade a partir de Cristo? Responder&aacute; o Papa ao desencanto da f&eacute; e &aacute; desilus&atilde;o do mundo que tantos jovens experimentam? Que caminhos propor&aacute; Bento XVI aos que esperam por respostas mais discernidas e abrangentes para os dilemas das suas pr&oacute;prias exist&ecirc;ncias? Que dir&aacute; o Papa aos jovens que, por alguma raz&atilde;o, quase sempre emocional, deixaram de confiar na Igreja e se afastaram da pr&aacute;tica da f&eacute;? Que dir&aacute; o Papa a todos os que se fecharam ao dialogo e consideram a igreja cat&oacute;lica uma institui&ccedil;&atilde;o dispens&aacute;vel? &nbsp;<\/p>\n<p>No programa da visita do Papa Bento XVI a Portugal n&atilde;o existe um momento de encontro espec&iacute;fico com a Juventude portuguesa. No entanto, milhares e milhares de jovens estar&atilde;o presentes em todos os momentos e celebra&ccedil;&otilde;es da sua visita. O programa <a href=\"http:\/\/www.eu-acredito.net\/\">www.eu-acredito.net<\/a>, impulsionado por jovens ligados a Schoenstatt, &agrave;s Equipas de Jovens de N. Senhora, aos Jesu&iacute;tas (Cupav) e ao Patriarcado de Lisboa &eacute; revelador da expectativa e do empenho de uma ampla e variad&iacute;ssima conjuga&ccedil;&atilde;o de jovens de in&uacute;meras sensibilidades eclesiais que enriquecem e fazem a Igreja. E todos sabemos, de muitas outras iniciativas juvenis que acompanhar&atilde;o a visita do santo padre como passeios de bicicleta, debates e confer&ecirc;ncias, peregrina&ccedil;&otilde;es a p&eacute;, at&eacute; &aacute; grande vig&iacute;lia nocturna dos aliados no Porto coordenada pelos universit&aacute;rios do Creu-il, para al&eacute;m da presen&ccedil;a nos encontros do santo padre com o mundo da cultura e compromisso social.<\/p>\n<p>Que dir&aacute; o Papa aos portugueses? Rever-se-&atilde;o os mais jovens nas suas palavras e propostas? O que dir&aacute; o Papa, obviamente, n&atilde;o sei. Mas sei que o que disser foi muito rezado, discernido e ser&aacute; proposto como um caminho positivo que nos far&aacute; ousar viver a verdade a partir da caridade. &Eacute; exactamente neste caminho de esperan&ccedil;a que o Papa e os jovens portugueses coincidem. O Papa, com a sua bel&iacute;ssima idade e grande sabedoria converge com a juventude portuguesa que anseia por um novo fasc&iacute;nio por Deus e pela Sua liberdade. O nosso querido Papa Bento XVI n&atilde;o &eacute; um homem desiludido com a vida e desenquadrado do nosso tempo. N&atilde;o &eacute; um vendedor de sonhos f&aacute;ceis mas um promotor de vidas agradavelmente exigentes que buscam no discernimento mais caminhos do que solu&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o &eacute; um homem fechado ao di&aacute;logo, nem ao progresso. N&atilde;o &eacute; um castrador de novos pensamentos ou vis&otilde;es mas um s&aacute;bio construtor de mundos com ra&iacute;zes. N&atilde;o &eacute; um profeta da desgra&ccedil;a mas um construtor de pontes e um denunciador das injusti&ccedil;as. &Eacute; um homem que tem os p&eacute;s na terra, que conhece como ningu&eacute;m a grandeza e os dramas da juventude do nosso tempo, a fal&ecirc;ncia das respostas f&aacute;ceis, assim como as aspira&ccedil;&otilde;es mais puras e profundas das gera&ccedil;&otilde;es que querem dar um novo rumo ao futuro. O Papa n&atilde;o tem medo de viver no tempo da nossa post-modernidade l&iacute;quida, global, fragment&aacute;ria. N&atilde;o espanta, portanto, que as aspira&ccedil;&otilde;es do Papa coincidam com muitos dos sonhos dos jovens portugueses que encontram na matriz crist&atilde; da sua cultura as linhas por onde desejam tra&ccedil;ar a sua pr&oacute;pria identidade e o seu futuro.<\/p>\n<p>&Eacute; justo esperar que, longe das etiquetas de &ldquo;conservador&rdquo; ou &ldquo;progressista&rdquo;, o santo padre confirme na intelig&ecirc;ncia da sua f&eacute; e na for&ccedil;a seu magist&eacute;rio aquilo que, na perspectiva crist&atilde; &eacute; inegoci&aacute;vel, da defesa da vida, da paz entre os povos, da sustentabilidade do planeta at&eacute; &aacute; condena&ccedil;&atilde;o do lucro f&aacute;cil, dos relativismos &eacute;ticos e sociais, das egolatrias e esquecimento dos mais fr&aacute;geis.<\/p>\n<p>Haver&aacute; lugar para surpresas? Estou convencido que sim. O actual papa &eacute; um homem de profundas convic&ccedil;&otilde;es alicer&ccedil;adas na sua profundidade intelectual. Mas Bento XVI tem-se revelado um vision&aacute;rio esperan&ccedil;ado que sabe ler positivamente os sinais do tempo presente oferecendo propostas, inclusive institucionais, sem romper com a coer&ecirc;ncia do evangelho. As suas palavras, dirigidas a todos mas acolhidas como &ldquo;p&atilde;o para a boca&rdquo; pela juventude portuguesa poder&atilde;o, quais &ldquo;pedras no charco&rdquo; agitar as nossas elites art&iacute;sticas, universit&aacute;rias e culturais, os nossos pol&iacute;ticos e todos os agentes sociais. &Eacute; neste enquadramento que se poder&aacute;, inclusive, sonhar e estruturar uma pastoral da juventude alicer&ccedil;ada na erudi&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos crist&atilde;os mantendo a sua vivacidade e frescura.<\/p>\n<p>Que podemos esperar? Acredito que o santo padre n&atilde;o dir&aacute; aos portugueses apenas o que j&aacute; disse noutras ocasi&otilde;es, a saber, que &ldquo;o cristianismo n&atilde;o &eacute; um conjunto de proibi&ccedil;&otilde;es, uma religi&atilde;o de &ldquo;n&atilde;os&rdquo;; que &ldquo;&eacute; justa a aspira&ccedil;&atilde;o &aacute; liberdade e felicidade de cada jovem ainda que misturada de inquietude&rdquo;; que &ldquo;&eacute; importante perder os medos e dar tudo a Cristo porque Ele n&atilde;o tira nada a ningu&eacute;m mas d&aacute; tudo&rdquo;; que &ldquo;&eacute; preciso recuperar a experiencia vibrante do di&aacute;logo com Deus, de lhe abrir o cora&ccedil;&atilde;o, de confiar, de criar la&ccedil;os eternos de amizade&rdquo;; que &ldquo;somos chamados &aacute; santidade&rdquo; e que o podemos ser em todas as voca&ccedil;&otilde;es laicais, religiosas e sacerdotais; que &ldquo;a vida n&atilde;o se joga fora porque Deus tem um projecto para cada um&rdquo;; que &ldquo;discernir a verdade e centrar a vida em si mesmo &eacute; uma armadilha total&rdquo;; que &eacute; fatal cairmos nos abismos da droga, do sexo descart&aacute;vel, da obsess&atilde;o do dinheiro ou do prest&iacute;gio; Que a fam&iacute;lia &eacute; o matrim&oacute;nio s&atilde;o &ldquo;patrim&oacute;nio da humanidade&rdquo;; que temos que aliar a f&eacute; &aacute; cultura e &aacute; justi&ccedil;a; que Deus tem sentido de humor, etc.<\/p>\n<p>O Papa n&atilde;o desiludir&aacute; a juventude portuguesa. Ele vem para suscitar sonhos em n&oacute;s. Ele sabe que s&oacute; o amor &eacute; digno de f&eacute; e conhece os caminhos da verdade que podem conduzir a juventude, na valentia das decis&otilde;es definitivas &aacute; pratica da caridade. O Papa n&atilde;o entende o servi&ccedil;o da Igreja &agrave; juventude como uma experiencia emocional, generosa, desenraizada da erudi&ccedil;&atilde;o, da beleza e da intelig&ecirc;ncia, das exig&ecirc;ncias e da criatividade da f&eacute;.&nbsp;Seria t&atilde;o bom que o Papa pedisse &aacute; juventude portuguesa e aos jovens crist&atilde;os em particular, a ousadia de ser capaz de falar ao cora&ccedil;&atilde;o da humanidade, suscitar esperan&ccedil;as, de ampliar os horizontes do conhecimento e do compromisso humano. A juventude portuguesa agradece ao Santo Padre por tamanha coincid&ecirc;ncia nas perspectivas e nos desejos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; P. Carlos Carneiro sj, coordenador da pastoral juvenil dos Jesu&iacute;tas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa n\u00e3o desiludir\u00e1 a juventude portuguesa. Ele vem para suscitar sonhos em n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,187,280],"class_list":["post-45150","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-porto","tag-pastoral-juvenil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45150\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}